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março 24, 2010

Lelê na ágora eletrônica

Sócrates na Ágora
Amálgama

Fala que eu discuto

por Lelê Teles

PADRÓFILOS
O site da revista CartaCapital pergunta se o fim do celibato significaria também o fim dos casos de pedofilia. Ah, essa é mole. A resposta é não. Analisemos os casos de pedofilia. A grande maioria dos casos cometidos por membros (membros mesmo) da Santa Igreja tem como vítimas meninos. Percebe-se, sem muito esforço, que os padres preferem cu de menino homem. Não sei se casando com mulheres esses caras iriam perder o interesse por cu de menino. Para ilustrar, usemos o exemplo do velho Ló. Conta-se que Ló, sobrinho do patriarca Abraão, resolveu fazer a mesma enquete de CartaCapital, a saber: dois anjos do Senhor desceram à cidade em visita a Abraão e hospedaram-se na casa de Ló. Ao cair da noite, os homens da cidade cercaram a casa de Ló para terem relações sexuais com seus dois hóspedes. Ló, então, saiu em defesa dos anjos e ofereceu suas duas filhas virgens. Mas os caras retrucaram, como nos relata a Bíblia Sagrada: “Fala sério, seu Ló, não queremos meninas virgens, queremos o cu destes cabras”. O resto da história todo mundo sabe, fogo e enxofre cobriu o lar dos gomórricos sodomitas e a esposa de Ló, que nada tinha a ver com isso, foi petrificada. Moral da história: para acabar com os casos de pedofilia só jorrando fogo e enxofre sobre a Cidade do Vaticano.

FOME DE QUÊ?
Lula da Silva vai a Cuba. Sabe-se que Cuba é uma ditadura. Um preso faz greve de fome (por que diabos ninguém faz greve de sede?). E morre. Culpam Fidel pela morte do grevista. Ora, quem faz greve de fome e segue nela até o fim é um suicida. É ou não é? Queriam que Fidel fizesse o quê, forçasse o cara a comer? Aí diriam, Cuba é mesmo uma ditadura, um dissidente decide fazer greve de fome e Fidel faz dele um Foie Gras.

OS COMÍDIAS
Mister da Silva vai a Israel. Pela primeira vez na história um presidente brasileiro vai àquelas paragens. E a mídia vira-lata prefere a manchete negativa. Diz que Lula cometeu uma gafe ao não visitar o túmulo de Theodor Herzl, fundador do movimento sionista. Só que a ida ao túmulo foi malandramente posta no itinerário de Lula, sem prévio acerto com a comitiva brasileira. Mesmo assim, os jornais brasileiros acham que Lula cometeu uma gafe. O sionismo, para quem chegou agora, é um movimento político nacionalista encabeçado por uns fanáticos que desejam para si um estado independente e de maioria judaica, buscando uma organicidade, algo parecido com o ideal nazista. Os judeus não são uma raça, como todo mundo sabe. Tanto é que quando nasce uma menina a bênção judia diz: “Que Deus a abençoe como Sara, Rebeca, Raquel e Lia.” Ora, nenhuma dessas matriarcas eram judias de nascimento, todas foram convertidas ao judaísmo. O judaísmo é somente uma bela religião. Mas os nazistas e os sionistas pensam diferente. Muitos judeus não gostam nem um pouco deste Theodor Herzl e nenhum líder importante do mundo acendeu uma vela no túmulo deste senhor. Seria uma gafe se Lula o fizesse.

A LIBERDADE QUE IMPRENSA E O DEFICIENTES CÍVICOS
O Demo Demóstenes, o contra-cotas do partido racista e antidemocrático, disse, de forma cínica, que a miscigenação no Brasil se deu com o consentimento das estupradas. Para isso, valeu-se de uma orelhada em um livro de Gilberto Freyre, e de frases soltas e descontextualizadas, como convinha. Os repórteres da Folha, Laura Capiglione e Lucas Ferraz, contestaram a leitura canhestra de Demóstenes. E a própria Folha, pausa pra estupefação, pediu ao sociólogo Demétrio Magnoli, freqüentador do Instituto Milenium, que escrevesse na própria Folha chamando os jornalistas que contestaram o (anti)democrata de delinqüentes! Diga lá, tem conserto?

HÁ MALAS QUE VÊM PARA O DEM – TEMPORADA DE CASSA
Governador do DF até pouco tempo, José Roberto Arruda está em cana. É o primeiro governador na história que vai para o xilindró. O vice, PO, também do DEM, será o próximo. Leonardo (im)Prudente, do DEM, era o presidente da Câmara, um escroque. Gilberto Kassab (DEM) também teve o seu mandato cassado. Em 2008, Pedro Eliseu Filho (DEM), prefeito eleito de Araras (SP), foi cassado por abuso do poder econômico. O vereador Marco Aurélio Cunha (DEM), foi cassado por decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, apontado como o campeão em doações irregulares. Se gritar pega ladrão, não fica um.

HELOÍSA HELENA, MARINA SILVA E O SUICÍDO POLÍTICO
Marina Silva acreditou que o partido verde iria amadurecer com a sua chegada. Marina distanciou-se de Lula e aproximou-se de Gabeira. Gabeira é aquela raposa velha e oportunista. Conhecido por sua fleuma e ridicularizado pela mídia pela velha tanga de crochê e pelas sementes de cânhamo que tentou trazer para o Brasil, virou herói no dia em que, irreconhecivelmente irascível, apontou o dedo para Severino Cavalcanti pedindo a sua renúncia, alegando que Severino era um despreparado. Só que, como todos sabemos, jabuti não sobe em árvore, se ele tá lá é porque alguém o colocou, e quem colocou Severino na presidência da Câmara? Ora, a turma do Gabeira. Gabeira chutou um cachorro morto. Agora convenceu Marina a ir para o PV, lançou a sua cândida candidatura e trouxe para apoiá-la o DEM e o PSDB, veja você. Agora Gabeira é César Maia. Juca Ferreira, ministro da Cultura, abandonou o PV e Heloísa Helena abandonou Marina. Heloísa Helena e Marina Silva são dois casos clássicos, dois cases, de suicídio político. Helô passou de senadora a vereadora e disso não passará; Marina virou um passarinho à mercê de estilingues e baladeiras.

DA BURQA AO TUBINHO
As mulheres ocidentais acham que ficam horrorizadas ao verem algumas mulheres muçulmanas usando burqas, mesmo sem saber que muitas mulheres gostam das burqas. O que mais as horroriza é o fato de que esta veste é uma imposição masculina, veja você. O fio dental não é também uma imposição masculina? Pois tente ir ao shopping de fio dental e logo surgirá um segurança (homem) que a fará vestir uma burca. Fio dental só onde eles permitem. E as mulheres magérrimas e irreais das revistas, não são imposições do universo masculino? As barriguinhas saradas não são imposições masculinas? Elas não dizem sempre “Ah, homem não gosta de mulher gorda, homem não gosta de mulher flácida, homens não gostam… homens!” Seu marido, minha senhora, não a obriga a vestir-se, como fazem os afegãos? E ele deixa a senhora usar decote, ele deixa a senhora usar bikini mínimo no churrasco dos amigos? Na França criaram uma lei que impede que as mocinhas muçulmanas vão às escolas usando chador, dizem que o chador é uma vestimenta religiosa e que a escola é laica. Muito bom, muito bonito. Mas e as mocinhas francesas não vão à escola com vestes cristãs? E a vestimenta ocidental não é uma vestimenta cristã? Pergunte aos ex-nus índios brasileiros.

dezembro 11, 2009

Fala que o Lelê discute

Charge do Amarildo
Postada em
"Quem tem medo do Lula"
[ Amálgama ]

Fala que eu discuto

por Lelê Teles – Preocupa-me a forma como nós, blogueiros de esquerda, estamos reverberando algumas bobagens que saem na dita grande imprensa. (”Grande” porque é assim que ela é chamada. A Folha (arrgh) vende exíguos 300 mil exemplares em um país de quase 200 milhões de pessoas. É um periódico de bairro. A Igreja Universal, que a Renata Loprette terá que deixar de bater, responde aos ataques da dita Folha com 3.600.000 exemplares – três milhões e seiscentos mil exemplares! A Folha Universal influencia mais que a Folha do universo de São Paulo. É por isso que o Zé Serra vai perder ou vai correr.)

CAETANEAR
Caetano Veloso, como sabemos, chamou lula de analfabeto. Isso na mesma semana em que morreu o gigante Claude Levy-Strauss, que Caetano disse que leu, mas se tivesse entendido a obra de Strauss jamais teria cometido esse gesto de ódio e preconceito contra o presidente. Acho que Caetano leu no máximo o Tristes Trópicos. Mas não foi só Levy-Strauss que Caetano não entendeu. Dona Canô deve ter dado umas chineladas no filho encanecido e rebelde e Caê tentou desdizer o que disse, e ficou pior. Em Portugal, o artista falou à imprensa. Caetano, que não é sociolinguista, só fala de gramática normativa, que é, como todos sabemos, um instrumento de normatização e exclusão. Disse não imaginar que alguém possa ser eleito na França, Portugal e Argentina sem saber concordar artigos com nomes. Caetano leu somente o Preconceito Linguístico de Marcos Bagno, não entendeu quase nada e se acha no direito de falar de linguística e sociolinguística, é uma pena. Ainda em Portugal, e ainda lambendo as chineladas recebidas por Dona Canô, Caê disse que não foi bem assim, que ele chamou Lula de analfabeto mas não chamou Lula de analfabeto; ele tá confuso, ele é confuso. Todos nós conhecemos bem o alfabeto político de Caê: ele votou em FHC, beijava a mão de ACM, votava com o PSDB e agora é PV. E Caetano gosta mesmo é do Mangabeira Unger, aquele cara que fala engraçado.

ARREDA, ARRUDA
Por que Arruda foi tão longe ao ponto de chefiar uma quadrilha de amadores? Porque tinha a certeza da impunidade como aliada. E por que tinha essa certeza? Porque subornavada Deus e o mundo, como se diz. E também porque imaginava que a população o perdoaria, como o fez outrora. Ao cometer o crime da violção do painel do Senado, Arruda renunciou e foi aplaudido em uma partida de futebol no estádio Mané Garrincha, onde deu uma volta olímpica, sob os aplausos das duas torcidas (Gama e Flamengo). A partir desse dia, sentiu que tudo podia. Mais tarde foi premiado com a eleição para governador do DF. Acredito que as imagens não dizem tudo. Quero ouvir o que a ex-esposa tem a dizer. Mariane Vicentini pode ser a Nicéia Pitta de Arruda. Aliás, Arruda é um pouco aprendiz de Pitta. É aquele negócio: se até o inepto Celso pita eu também quero pitar. E o careca não arreda o pé. Já mandou avisar para os vestais do DEM que vai jogar merda no ventilador se eles radicalizarem, eles desradicalizaram imediatamente. Arruda é quase um cadáver político, mas vai morrer atirando.

BOPE DÁ PORRADA NO DIA CONTRA A CORRUPÇÃO E A IMPUNIDADE
Em Brasília, sempre acusada de ser fria e de que as pessoas não vão às ruas cobrarem dos políticos, houve uma vitoriosa ocupação da reitoria da universidade (UnB) em 2008, culminando com o afastamento do reitor Timothy Mulholland, defenestrado ao ser pego comprando lixeiras para guardar luxos. Na semana passada os jovens estudantes e trabalhadores ocuparam a CLDF pedindo a cabeça do careca. Arruda soltou os cachorros e os cavalos contra os estudantes, mandou dar tiros e pauladas na população. Em Brasília sempre foi assim, a polícia reprime as manifestações com desproporcional brutalidade. Em 98, quando Cristovam era governador do DF, a polícia entrou na então invasão da Estrutural derrubando barracos, dando tiros, cacetetadas, soltando bombas e açoitando trabalhadores; na ocasião houve mortes e ocultação de cadáveres. Em 99 a Polícia de Roriz matou um trabalhador com tiro de escopeta em plena manifestação. No carnaval de 2008 vi o mesmo BOPE dar porrada, tiros, soltar bombas e borrifar gás de pimenta no rosto de foliões. A formação das cidades-satélites tem também um histórico de remoção de favelas, que “emporcalhavam” o cartão-postal, a cidade-presépio. Os pobres foram arrastados para fora da cidade, há um documentário do nosso Vladimir Carvalho (Conterrâneos Velhos de Guerra) que conta bem essa história. Os Esquadrões da Morte também fazem parte da história da polícia candanga. Não é a população do DF que é leniente, é que a polícia candanga é assassina e truculenta e sufoca qualquer movimento de trabalhadores e estudantes.

Claro está, como dizia o mestre Manoel de Barros, o escuro é que acende o vagalume.

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Terremoto no Planalto Central


A Folha recolheu as pedras que tinha nas mãos


Fados, de Carlos Saura
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