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novembro 26, 2010

Quem eram os nordestinos do início do século XX?

PICICA: "No caso específico de São Paulo, os italianos eram os nordestinos do início do século XX. Quando eles imigraram em massa para o Estado, e especialmente para a cidade, eles ocuparam os setores mais baixos do trabalho."

'Italianos eram os nordestinos do início do século XX'


Brasil - Migraçons
Sexta, 26 Novembro 2010 01:00
Brasil De Fato - 251110_italia1 [Eduardo Sales de Lima] Para historiador, preconceito está ancorado em toda a sociedade brasileira 

Ficou a dúvida. A atitude da estudante de Direito Mayara Petruso hostilizando os nordestinos por causa do peso dessa região na vitória de Dilma Rousseff nas eleições teria sido algo isolado?

Para responder essa e outras questões que emergiram a partir da atitude da garota, o Brasil de Fato entrevistou, por e-mail, o professor de História da USP, Francisco Alambert. Leia a seguir.  

Brasil de Fato - A atitude da estudante de Direito, Mayara Petruso (… afogar os nordestinos), logo após a vitória de Dilma, pode ser vista como algo isolado, ou ela se ancora e se legitima dentro de setores da sociedade paulista?

Francisco Alambert -
Está plenamente ancorada na sociedade brasileira (até na nordestina). O melhor termômetro são os blogs de opinião política da direita, inclusive o de grandes veículos, como a Revista Veja. Observe os textos de colunistas como Reinaldo Azevedo (ou de gente como Luis Felipe Pondé, da Folha). Sua linguagem brutalista, estupidificante e raivosa reverbera e se duplica nos “comentários”. Sob um discurso contra a “esquerda” e pela “ética” aparece toda uma desfaçatez e uma violência de classe que não tem vergonha de dizer seu nome. O episódio da demissão de Maria Rita Khel no Estadão, por dizer exatamente que a elite acha que o voto dos pobres deveria valer menos que o seu, é outro exemplo de como isso está ancorado na visão de mundo dos ricos e “inteligentes”.

O professor acredita que essas eleições serviram para desvelar um preconceito já existente latente em setores da sociedade paulista? É possível que tal comportamento se restrinja à "elite"?

Dilma é tão “sulista” quanto Serra. Não foram as eleições que desvelaram o preconceito, mas o “sucesso” (e digo isso sem euforia, porque não sou mais petista, sou um critico à esquerda do PT) do governo Lula e do programa Bolsa Família, que na visão senhorial da elite serviu para diminuir sua margem de lucro com os miseráveis (“eles não querem mais trabalhar pelo salário mínimo para mim, do jeito que eu quero, com quantas horas eu quero”). Mas se fosse só a elite, o PSDB não teria tantos votos quanto teve, nem o Tiririca seria o fenômeno do momento (nordestino ou não). Boa parte dos mais pobres tem horror de se ver no espelho da sua condição de classe.

Quais seriam os elementos históricos-chave que teriam moldado uma suposta visão racista dessa elite regional? A origem do preconceito em relação aos nordestinos seria antes de tudo econômica?

No caso específico de São Paulo, os italianos eram os nordestinos do início do século XX. Quando eles imigraram em massa para o Estado, e especialmente para a cidade, eles ocuparam os setores mais baixos do trabalho. Eram a ralé, e assim eram tratados pelos “quatrocentões” ou por quem se considerava “brasileiro de verdade”, “paulista de quatro costados”, etc. O desenvolvimentismo dos anos 50 a 70 fez com que boa parte desses imigrantes, que chegaram miseráveis e eram objeto de desprezo, ascendessem de classe, fossem para a classe média, por exemplo. A partir desse período começaram a chegar cada vez mais novos imigrantes, só que agora migrantes do Brasil mais pobre, especialmente do nordeste. Eles ocuparam o lugar que um dia foi dos “estrangeiros”, inclusive no que tange ao preconceito de classe. O bizarro é que boa parte dos imigrantes e seus descendentes, ou seja, da nova classe média, se esqueceu de seu passado, e passou a tratar os nordestinos como eles eram tratados (inclusive na sua origem, na Itália, por exemplo): como a escória social. O fato do sobrenome dessa estudante indicar sua ascendência estrangeira é muito sintomático disso.

É possível falar em segregação espacial na cidade de São Paulo?

Em qualquer cidade do mundo capitalista: Los Angeles, Nova York, Paris, Londres (uma segregação que explode sempre em violência). No caso de São Paulo, desde sempre, desde os bairros que um dia segregaram os imigrantes estrangeiros até as periferias de hoje, verdadeiros campos de concentração de miséria e descaso do Estado. E quando esses lugares são ocupados pela violência, pelo tráfico de drogas ou pelo crime organizado, a maioria, os pobres, é que são os “culpados” que devem ser expulsos para que os lugares sejam “revitalizados” (como quer projetos como o da Nova Luz). É sempre o mesmo: culpar as árvores pelo incêndio na floresta.

Fonte: Diário Liberdade

novembro 24, 2010

Anita Leocádio repudia publicação do PC do B

PICICA: Anita Leocádio indignada com publicação do PC do B que põe seus pais, Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, ao lado do ditador Getúlio Vargas.
Imagem postada no site Brasil de Fato

Carta de repúdio à publicação PC do B

"Externar minha estranheza e minha indignação Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, ladeando a figura de Getúlio Vargas"

24/11/2010.

Anita Leocádia Prestes

Ao Comitê Central do
Partido Comunista do Brasil
(PCdoB)

Dirijo-me à direção do PCdoB para externar minha estranheza e minha indignação com imagem, que está circulando na Internet, da capa de uma publicação intitulada “Gibi do Programa Socialista do PCdoB – O ideal e o caminho”, assinado por Bernardo Joffily.

Essa publicação apresenta imagens dos meus pais, Luiz Carlos Prestes e Olga Benario Prestes, ladeando a figura de Getúlio Vargas. Também estão colocadas junto a Vargas lideranças revolucionárias como Carlos Lamarca e João Amazonas. Não posso aceitar que sejam divulgadas, sem nenhuma razão para tal, imagens dos meus pais, dois revolucionários comunistas, junto com o ditador sanguinário Getúlio Vargas, que manteve Luiz Carlos Prestes preso durante nove anos e entregou Olga Benario Prestes à Alemanha nazista para ser assassinada numa câmara de gás.

Espero, portanto, que a direção do PcdoB torne público pronunciamento a respeito e retire de circulação tal publicação, cujo teor contribuirá para a distorção da história do Brasil e, em particular, das lutas revolucionárias em nosso país.

Atenciosamente,

Anita Leocádia Prestes

outubro 30, 2010

Serra representa a las fuerzas derechistas y fascistas del país: es preciso derrotar su candidatura

PICICA: Hermanos, a Serra le gusta governar con quién le obedece sin chistar. Él habla tantas bobadas, que parece que piensa con los pies. Tanto así que prometió al pueblo el oro y el moro, haciendo a uno reírse a mandíbula batiente".
Aumentar tamaño del texto Disminuir tamaño del texto Partir el texto en columnas Ver como pdf 30-10-2010

Es preciso derrotar a Serra


Brasil de Fato


Traducido para Rebelión por Marga Durán



La candidatura del tucán(*) José Serra sorprendió, no por su identificación con las políticas neoliberales y sí por el bajo nivel de su campaña.

En el inicio del proceso electoral de este año, un conjunto de fuerzas populares y movimientos sociales decidieron empeñar sus esfuerzos para elegir el mayor número posible de parlamentarios y gobernadores identificados con la bandera de la clase trabajadora. Y, en ese escenario, sobre el pleito presidencial, se consiguió la unidad en torno a la lucha para evitar un retroceso en el país. O sea, no permitir la victoria de la propuesta neoliberal, representada en la candidatura del tucán José Serra. Así, pasada la primera vuelta realizada el día 3 de octubre, es importante hacer una evaluación de lo que significó ese proceso. También porque la expectativa era la victoria de la candidata Dilma Rousseff en la primera vuelta.

Avances importantes

Son buenas las renovaciones que ocurrieron en las asambleas de los estatales, en la Cámara de los Diputados, en el Senado Federal, en la elección y reelección de gobernadores progresistas. En ese sentido destacamos la victoria del pueblo gaucho que derrotó al mandato tucán de Yeda Crusius. Candidata a la reelección para el gobierno de Río Grande del Sur, Yeda se hizo famosa por el control de los medios de comunicación, de los movimientos sociales y en la represión a la lucha de los trabajadores.

Campaña presidencial

Es importante resaltar que, en esta campaña presidencial, los graves problemas del pueblo quedaron fuera del proceso. Se evidenció la falta de debates en torno de proyectos políticos y de los problemas principales que afectan a la población brasileña. Así, la campaña de Dilma Rousseff apenas de dedicó a divulgar el desarrollo económico y las políticas sociales del gobierno de Lula y apoyarse en la popularidad del presidente actual. Con esa estrategia obtuvo casi el 47% de los votos, pero insuficientes para ganar en la primera vuelta.

La candidatura del demotucán José Serra sorprendió no por su identificación con las políticas neoliberales y sí por el bajo nivel de su campaña. Fue agresivo, intentó interferir en juicios del Supremo Tribunal federal (STF), derramó mentiras y acusaciones infundadas. Independientemente de cualquier otro resultado, la biografía del candidato ya es la mayor derrotada en estas elecciones.

Y las candidaturas identificadas con los partidos de izquierda, que utilizaron el espacio electoral para defender los intereses de la clase trabajadora, desgraciadamente tuvieron una votación baja.

Otro elemento importante en este cuadro actual, es el descenso social de dos décadas en nuestro país. La fragmentación de la clase trabajadora y la fragilidad de la política de comunicación con la sociedad también influyeron en el resultado electoral.

Así, las elecciones de este año demostraron el poder nefasto y antidemocrático de los medios. Pero por otro lado potenciaron una red de comunicadores independientes, comprometidos con la libertad de expresión, que enfrentan al monopolio de los medios de comunicación. Son avances importantes en rumbo a la democratización de la información y por el control social de los medios en nuestro país.

Segunda vuelta

El día 31 el pueblo brasileño tendrá que hacer su elección. De un lado, el demotucán José Serra. Y, como ya dijimos aquí en este espacio por detrás de la candidatura de Serra están las fuerzas del capital más atrasadas y serviles al imperio estadounidense, los grandes bancos, la gran industria de Sao Paulo, el latifundio empobrecedor de Kátia Abreu y el “agronegocio moderno” de la agricultura del etanol. Su programa es uno sólo: la vuelta del mercado, beneficios para las empresas y represión para contener las demandas sociales. Sería la prioridad de los PPP's ya aplicado en Sao Paulo: privatizaciones, peajes y presidios.

De otro lado está la candidatura de Dilma Rousseff, del Partido de los Trabajadores (PT). También, como ya dijimos, la candidatura de Dilma representa la continuidad del gobierno de Lula y tiene fuerzas sociales entre la burguesía (temerosa de la reacción de las masas), sectores de la clase media que mejoraron de vida y amplios sectores de la clase trabajadora.

Prácticamente todas las fuerzas sociales organizadas tienen su base social apoyando a la candidatura del PT.

Así, el conjunto de las fuerzas populares y los movimientos sociales, que mantienen el compromiso de defender las banderas de las luchas de la clase trabajadora y de la construcción de un país democrático, socialmente justo y soberano, defienden la candidatura de Dilma. Pero mantendrá la autonomía de lucha independiente del gobierno que salga elegido.

Desgraciadamente los avances del gobierno de Lula en la dirección a las banderas democrático-populares fueron insuficientes, pese al acierto de su política exterior. También preocupa constatar que, en el arco de las alianzas de la candidatura de Dilma Rousseff, hay fuerzas políticas que se contraponen a esas demandas sociales.

Pero queda una certeza: José Serra, por su campaña, por su gobierno en Sao Paulo y por los ocho años de gobierno FHC, se convirtió en enemigo de la clase trabajadora y de nuestras banderas de lucha. Por el carácter anti-democrático y anti-popular de los partidos que componen su alianza y por su personalidad autoritaria, una posible victoria suya significará un retroceso para los movimientos sociales y populares de nuestro país. Además de eso, una eventual victoria del demotucano será un retroceso para las conquistas democráticas en nuestro continente y representará una mayor subordinación a los intereses del imperio estadounidense.

Evitar el retroceso

Por eso, frente a ese escenario, las fuerzas populares y los movimientos sociales de Vida Campesina declaran su apoyo y compromiso de luchar para elegir a la candidata Dilma Rousseff. El Brasil de Fato se asoma a esas organizaciones en el sentido de derrotar al demotucano Serra y todo lo que su candidatura representa. O sea, es preciso derrotar a la candidatura de Serra, porque representa a las fuerzas derechistas y fascistas del país.

Pero alertamos. Es importante seguir organizando al pueblo para que luche por sus derechos y cambios sociales profundos, manteniendo la autonomía frente a los gobiernos.

*(Nota del editor): José Serra es el candidato del Partido de la Social Democracia Brasileña, llamados tucanos por llevar este animal como logotipo.

Fuente original: http://www.brasildefato.com.br/

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Fuente: Rebelión

outubro 29, 2010

Editorial da revista Brasil de Fato: A história não tem rascunhos

PICICA: Taí um editorial feito sob medida para os companheiros que resolveram ficar em cima do muro, ou os que advogam uma insustentável independência. Ainda há tempo de rever a posição adotada. Em jogo a soberania do país. Passada as eleições aí, sim, podemos pautar o debate público com os temas que nos pareçam mais inconsistentes no programa de governo de Dilma Rousseff. Convenhamos, o do Serra é uma fraude só, e põe em risco as conquistas democráticas obtidas até aqui. Juízo, companheiros(as). A foto abaixo não consta do editorial da revista Brasil de Fato.
Dilma Rousseff

A história não tem rascunhos

Equivocar-se na identificação do inimigo é um erro que costuma custar muito caro

 27/10/2010

Editorial ed. 400
  
Estamos diante da maior eleição de nossa história. A quinta eleição presidencial consecutiva, 21 anos depois do inesquecível embate de 1989. Esse período é o maior da história política brasileira, com liberdades democráticas e votação direta para o executivo e legislativo; comparável apenas com o brevíssimo período entre as duas ditaduras do Estado Novo e da resultante do golpe militar entre 1964 e 1985.
Golpe militar e período ditatorial seguem sendo o grande trauma não superado em nossa história. Os embates, polêmicas, acusações e personagens, que reaparecem neste segundo turno, seguem nos lembrando que os fantasmas do passado continuam ativos e dispostos a impedir qualquer mudança, por menor que seja, e que afete seus interesses.
Assim como em 1989, na campanha de Collor contra Lula, retomam o tema do aborto e todo um arsenal de calúnias para semear o ódio e o medo. Neste momento, são chamados os velhos atores sinistros que cumprem o papel de apavorar. Ressurgem antigos personagens, como a turma da Tradição Família e Propriedade (TFP), Opus Dei e toda a gama de fundamentalistas, acompanhados de generais de pijama, ruralistas e analistas de plantão. Novamente, a grande mídia atua como o verdadeiro partido político da direita e usa toda a sua força para propagar o medo. Nada mais simbólico do que a capa da revista Veja – com o monstruoso polvo vermelho que vai nos engolir. Com isto, se esvai a pouca credibilidade desses veículos de comunicação.
A batalha ideológica faz parte da luta política. Embora numa correlação de forças distinta daquela histórica campanha de 1989, e empunhando um programa muito mais rebaixado, a candidatura Dilma enfrenta todas as baterias da grande mídia, especialmente das quatro grandes famílias que controlam os principais veículos de comunicação do país. Novamente, a polarização divide a sociedade. Lideranças religiosas se posicionam no campo conservador ou progressista; artistas, dirigentes populares, não escapam da polarização.
Novamente, constatamos que enquanto os primeiros turnos das eleições são frios, distantes dos grandes debates e resumidos a shows e disputa de espaço na grande mídia, os segundos turnos forçam o confronto de ideias, propostas, visões do Brasil e do mundo, e de projetos políticos. Assim como nas eleições presidenciais passadas, o tema das privatizações é retomado, obrigando a candidatura da direita a fazer todos os malabarismos para contorná-lo.
Vacilar neste momento é um grave equívoco. Abster-se ou esconder-se no voto nulo, para depois invocar a falta de responsabilidade quando os previsíveis limites de um governo Dilma surgirem, é um senso de oportunidade que não condiz com um lutador do povo. As forças políticas que sustentam a candidatura Serra – desde a bancada ruralista até os ávidos negociantes das privatizações – são as mesmas que protagonizaram o desmonte do Estado brasileiro e toda a ofensiva neoliberal durante o período Fernando Henrique Cardoso. Recordemos que FHC saudou a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) como “bem-vinda” em seu discurso na II Cúpula das Américas em Quebec. E seu ministro Celso Lafer, notabilizado por tirar os sapatos quando visitava os EUA, demitiu o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães da diretoria do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (Ipri) por criticar a Alca. Além disso, aceitou passivamente a destituição do embaixador José Mauricio Bustani da direção da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) para preparar os pretextos da invasão ao Iraque. Logo após o atentado de 11 de setembro, Lafer convocou uma reunião do órgão de consulta da OEA, invocando o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar), manifestando que o Brasil poderia participar de ações militares contra o terrorismo. Também firmaram acordo para ceder a Base de Alcântara aos EUA, que fortaleceram os ataques e o boicote a Cuba. Tudo isso apenas para refletirmos sobre os impactos internacionais.
Não se trata de alimentar ilusões sobre as possibilidades de um governo Dilma. A provável conjuntura nacional e internacional dos próximos anos será muito mais complexa e exigirá muito mais, tanto do governo Dilma, quanto das forças populares. E a proposta política do PT já não é mais o seu histórico Programa Democrático Popular que empolgou a campanha de 1989. Sabemos que a construção de um projeto popular exige um programa de mudanças estruturais e que isso depende da organização de nosso povo e sua capacidade de construir a força social. A questão colocada pela história é outra. Derrotar o inimigo é sempre uma tarefa central na luta popular. A luta de classes é um fator objetivo do processo. Do inimigo podemos esperar tudo, menos complacência. Basta ver a capacidade das forças reacionárias  em aglutinar-se em torno da candidatura Serra para compreender porque a maioria da classe trabalhadora não vacila em posicionar-se.
Equivocar-se na identificação do inimigo é um erro que costuma custar muito caro, pois determina a capacidade de construir alianças e onde concentrar forças. Como ensina a velha sabedoria chinesa, “quem não sabe contra quem luta, jamais poderá vencer”. Alguns poderão esconder- se no voto nulo, esperando ansiosos que os anunciados limites de um governo Dilma lhes massageie a consciência impoluta. Pouco importa o movimento dos representantes do latifúndio, grandes meios de comunicação, igrejas conservadoras e aparatos de “inteligência” estrangeiros. Pouco lhes importa a defesa dos países que constroem a Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) e, principalmente, ignoram a consciência da classe trabalhadora que se posiciona de forma clara. Somente a história poderá nominar esta postura. E a história não admite rascunhos.
Nossa luta é pela construção de um projeto popular para o Brasil. Estamos apenas diante de mais um desafio. Sabemos que as eleições não são a batalha final. Por isso, seguiremos numa luta prolongada, apostando na unidade de todas as forças populares em torno de um programa que altere a estrutura de poder em nosso país. Viveremos junto com o povo esse processo e não tememos a cooptação. Acreditamos no povo brasileiro e enfrentaremos mais essa batalha, confiantes em derrotar nossos inimigos.

setembro 24, 2010

Por um jornalismo moderno. Pelo fim do jornalismo da barbárie da mídia comercial


  DESTAQUES

Eleições 2010
Candidatos avaliam o debate promovido pelo Brasil de Fato

O debate contou com a participação de sete mil internautas de dez países
Patrícia Benvenuti
Debate Brasil de Fato
Presidenciáveis apostam em unidade da esquerda para próximo período
O debate dos candidatos da esquerda foi marcado por uma discussão fundamental entre os partidos: a unidade
Aline Scarso
Vídeo
Cobertura do debate dos presidenciáveis da esquerda
Disponibilizamos aqui a íntegra do vídeo do debate promovido pelo Brasil de Fato, dividido em 4 blocos
da Redação
  EDIÇÃO 395
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setembro 17, 2010

Brasil de Fato faz debate entre candidatos a presidente no campo da esquerda

  DESTAQUES

Eleições 2010
Debate entre candidatos a presidente no campo da esquerda

Um esforço do Brasil de Fato de ampliar a demoracia no atual processo eleitoral

As eleições – espaço político importante para apresentar projetos para o país e elevar a consciência política da população brasileira – estão cada vez mais despolitizadas e mais dependentes do poder econômico.
Com o debate sobre os rumos do país colocado em segundo plano, a grande ausente do processo eleitoral brasileiro é a política. A mídia corporativa cumpre um papel fundamental nesta mediocrização das campanhas eleitorais. A cobertura limita-se exatamente a aqueles com os orçamentos milionários, a linha editorial prioriza as trajetórias e características pessoais dos candidatos. Ou seja, projetos para o país jamais são discutidos.
Num esforço para apresentar alternativa ao quadro eleitoral, o Jornal Brasil de Fato realizará no dia 21 de setembro, em São Paulo, um debate entre os candidatos à Presidência da República representados em nosso conselho editorial. Foram convidados Dilma Rousseff (PT), Ivan Pinheiro (PCB), Marina Silva (PV), Plínio Arruda Sampaio (PSOL), Rui Costa Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU). Estão confirmadas as presenças de Ivan Pinheiro (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO) e Zé Maria (PSTU). O debate acontecerá às 21h na Ação Educativa.
Seguindo sua característica de ser plural no campo da esquerda, o jornal Brasil de Fato convida também outros veículos de comunicação da imprensa no sentido de dar amplitude ao debate. A atividade não será aberta ao público, mas terá transmissão pela página do Brasil de Fato ( www.brasildefato.com.br).

Debate dos presidenciáveis da esquerda

Data: 21 de setembro
Local: Ação Educativa (Rua: General Jardim, 660. Vila Buarque, São Paulo - SP)
Credenciamento de imprensa pelo email: agencia@brasildefato.com.br
IMPORTANTE: O debate NÃO será aberto ao PÚBLICO.
  NACIONAL

Esquerda

Movimentos sociais: pautas propositivas e unitárias
Entidades da sociedade constroem agenda propositiva para o próximo governo
 
Renato Godoy de Toledo
Porto Alegre
 

Contra censura, jornal cria movimento de resistência 
Jornal Já
  INTERNACIONAL

Entrevista
Frei Betto: religião é a chave para dialogar com o povo

Para o histórico militante da Teologia da Libertação, na América Latina, longe de alienar, a religião é a chave para a transformação social
 
Joana Moncau
Colômbia
 

Um defensor de DH é agredido a cada 3 dias 
da Redação
Tendências
 

O fim dos tempos, segundo Zizek 
Aleksander Aguilar
Chile
 

“Os terroristas não somos nós” 
Sarah de Almeida
Fotorreportagem
 

Murales para La Paz 
Fotos: Mauricio Acevedo e Texto: Vinicius Mansur
  CULTURA

Entrevista
O Brasil traçado pela trajetória da bola

Livro de historiador conta a história do futebol brasileiro em meio aos acontecimentos políticos
 
Renato Godoy de Toledo
Identidade Cultural
 

A tradição oral na educação escolar 
Michelle Amaral
Artigo

O delírio salvadorenho
 
Aleksander Aguilar
  ANÁLISE

Entulho neoliberal
Está claro que a sociedade entre a filha de Serra e a irmã de Dantas tem relação direta com a privatização
Editorial ed. 394 do Brasil de Fato

Sinais dos tempos
Frei Betto

Luta do povo saharauí
Elaine Tavares

Filosofia e sociologia estão ameaçadas
Luiz Gustavo

O capeta em Dourados
José Ribamar Bessa Freire
  EDIÇÃO 394
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agosto 24, 2010

Brasil de Fato: Uma visão popular do Brasil e do Mundo


  DESTAQUES

Política
Eleições estaduais: tudo pela governabilidade

Rivais nacionais se aliam em plano estadual; e PT e PSDB abrem mão de cabeças de chapa

Renato Godoy de Toledo

  NACIONAL

Exploração
Com riscos à saúde e ambiental, siderúrgica da Vale no Pará avança

Ministério Público cobra evidências científicas sobre o empreendimento e suspensão da licença prévia
Marcio Zonta

-> População adormece diante das promessas dos empreendedores
-> Grandes projetos minerais deixam rastro de destruição
Energia
O que há por trás do debate do petróleo
Alessandra Murteira e Leandro Uchoas

-> Franceses já invadiram o Brasil
Telebrás
O sorriso de Biondi
Antonio Lassance
Encontro
Blogueiros Progressistas defendem liberdade de expressão
Anselmo Massad e Ricardo Negrão
  INTERNACIONAL

Palestina
Um Estado laico e democrático para israelenses e palestinos

Proposta defendida por boa parte da esquerda palestina e israelense é a da criação de um Estado livre do sionismo
Dafne Melo
-> Especial: Brasil de Fato na Palestina

Colômbia
Corte colombiana declara inconstitucional o acordo militar com EUA

Natasha Pitts
América Latina
Conflito em cumprimento de direitos humanos é inevitável
Alex Rodrigues
  CULTURA

TV Cultura
Manos e Minas: Salve geral!!!

Uma audiência pública em favor do programa está marcada para o próximo dia 24, terça-feira, e contará com shows e manifestações culturais
Da redação
Cultura Brasileira
Para inglês ver
Aleksander Aguilar
  ANÁLISE

Ordem judicial capaz de matar não ressuscita
Um ano do assassinato praticado contra o agricultor Elton Brum da Silva
Jacques Tavora Alfonsin

Mercado Eleitoral
Frei Betto

A Paz e a energia nuclear
Marcelo Barros

A juventude e a luta de classe
Editorial Brasil de Fato (ed. 390)

Penna Filho: um homem do cinema
Elaine Tavares
  EDIÇÃO 390

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agosto 17, 2010

Brasil de Fato: "Temos a obrigação política de derrotar Serra", afirma Stedile


  DESTAQUES

Entrevista
"Temos a obrigação política de derrotar Serra", afirma Stedile

Para João Pedro Stedile, da direção nacional do MST, a vitória de Dilma permitirá um cenário e correlação de forças mais favoráveis ao avanço de conquistas sociais

Nilton Viana


-> Conjuntura em tempo eleitoral
  NACIONAL

Política
A ditadura do PMDB no Rio

Partido exerce controle sobre Executivos e Legislativos e tem forte influência sobre Judiciário e estatais locais
Leandro Uchoas

-> Desapropriação e degradação, o modelo de sempre
-> Mais um troféu que envergonha
Saúde
Pacientes poderão pagar por atendimento no SUS
Raquel Júnia

-> Sistema público está sendo desconstruído
Eleições 2010
Dos presidenciáveis, Serra é quem tem mais processos
Thomaz Pires
Ditadura Militar
Comissão de Anistia vai recorrer contra decisão do TCU de revisar indenizações concedidas
Gilberto Costa
  INTERNACIONAL

Palestina
Sem direito de ser criança

Estado de Israel mantém 335 menores de idade presos por motivos políticos
Dafne Melo

-> Depoimentos
-> Especial: Brasil de Fato na Palestina

Bolívia
As cinco leis fundamentais do Estado Plurinacional

Vinicius Mansur
Entrevista
A crise haitiana de nação
José Luis Patrola e Thalles Gomes
  CULTURA

Xilogravura
Exposições resgatam a história de São Paulo

Coletivo Mapa Xilográfico desenvolve um projeto de investigação histórica dos bairros com o mapeamento das árvores
Da redação
  ANÁLISE

A guerra no Afeganistão: ecos do Vietnã
Os fuzileiros estão enfrentando um problema que é muito familiar para os Estados Unidos, desde o Vietnã
Noam Chomsky

Hiroshima e o nascimento do terrorismo de Estado
Atilio Borón
  EDIÇÃO 389
  ASSINATURAS

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julho 24, 2010

Revolta no rio Madeira: usina hidrelétrica explora trabalhadores

Superexploração dos trabalhadores na maior obra do PAC


Funcionários da usina hidrelétrica construída no Rio Madeira denunciam as condições de trabalho que os levaram à revolta
20/07/2010

Eduardo Sales de Lima
enviado a Porto Velho,
Jaci-Paraná e Mutum-Paraná (RO)

Leia mais:

-> Revolta incendeia o Madeira

turbina_UHE-Santo-Antônio 

O reajuste salarial foi apenas um dos motivos, dentre tantos outros da revolta e, consequentemente, da paralisação realizada entre os dias 17 e 29 de junho pelos trabalhadores da construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Porto Velho (RO). Os funcionários quebraram o silêncio e denunciaram o estressante dia-a-dia nos canteiros de obra da barragem. Um cenário repleto de acidentes, abuso e intimidação por parte do Consórcio Santo Antônio Civil (CSAC) – comandado pela empreiteira Odebrecht –, responsável pela construção da hidrelétrica.

A usina de Santo Antônio está orçada em R$ 13,5 bilhões e, ao lado da hidrelétrica de Jirau (que custará R$ 10 bilhões), compõe o Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, a obra mais cara do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A construção de Santo Antônio começou em setembro de 2008 e está prevista para terminar em 2015. Pelo projeto, a usina vai produzir 3.150,4 megawatts, o suficiente para atender 11 milhões de residências ou 44 milhões de pessoas – ainda que o principal objetivo da obra seja atender indústrias eletro-intensivas.

A suntuosidade das cifras, contudo, contrasta com as péssimas condições de trabalho nos canteiros de obras. Lá, a pausa para o almoço é de apenas uma hora. Pouco para quem leva vinte minutos para se locomover de ônibus até o refeitório e ainda aguarda mais alguns minutos na fila. Nas obras de Santo Antônio, para os que moram nos alojamentos, é obrigatório o pagamento de R$ 26 ao mês para o aluguel da moradia.

A própria concentração dos trabalhadores que vivem no alojamento, quente e sem ar-condicionado, é algo que, de acordo com o advogado Anderson Machado, propicia a escalada da tensão entre os funcionários e aumenta a insatisfação em relação ao trabalho. Machado foi interventor do sindicato que, em tese, representa os funcionários de Santo Antônio, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sticcero).“Concentrar os trabalhadores ali os mantém o tempo inteiro sob pressão. É um trabalho desgastante, tenso, e na hora em que você está descansando, não sai do ambiente da obra”, comenta. Para ele, a atual situação dos trabalhadores reflete, sobretudo, o desejo do consórcio de economizar com transporte e aluguel.

O trabalho é árduo. João* trabalha faz pouco mais de um mês na área de concretagem e reside na periferia da capital Porto Velho. Segundo ele, é comum a não-adaptação dos trabalhadores dentro daquele “buraco quente”. “Os desmaios a gente nem conta. Dentro do buraco é a rocha; e ela esquenta e seca o ar todo. Mandam para o ambulatório e, depois de 15 minutos, a pessoa está na frente do serviço de novo”, descreve. João conta que, nas obras, “parece que a nuvem foge do sol”.

A usina fica sete quilômetros a sudoeste de Porto Velho. Trabalham no empreendimento aproximadamente 7.030 pessoas. Cerca de 84% da mão-de-obra é original de Rondônia. Equipes de detonação e escavação moldam o leito e as margens do rio para receber a barragem. Outros grupos escalam até 50 metros para entrelaçar estruturas de aço que irão abrigar as turbinas da hidrelétrica. Concluída a armação metálica, começa a concretagem, serviço de João. Quando estiver pronta, a hidrelétrica terá consumido 3,1 milhões de metros cúbicos de concreto que circundarão as 44 turbinas aptas a gerar os 3150 MW.

Os trabalhadores em Santo Antônio, recebem salários que variam de R$ 700 a R$ 1000. Os protestos de junho revelam que eles também estão conscientes desses valores reduzidos.


Éden”
Em Santo Antônio, os acidentes são recorrentes e, em muitos casos, até as mortes são abafadas pelo consórcio, segundo contam funcionários. João se recorda que os acidentes presenciados por ele ocorreram principalmente por dois motivos: o despreparo de funcionários inexperientes e o ritmo de trabalho imposto pelos funcionários responsáveis por gerir a obra, chamados de “encarregados”. “Por causa da pressa, há muitos acidentes com quedas de barras de ferro de 30 metros, ocasionando ferimentos”, conta.

Ir ao ambulatório, entretanto, parece não ser uma prática saudável. “Não vá lá, senão os encarregados vão achar que é proposital, que você não quer trabalhar”, afirma Antônio*, há cinco meses no setor de Terra e Rocha.

“Costumamos chamá-los [os encarregados] de sobrinhos de [Marcelo] Odebrecht [diretor-presidente da empresa], quer dizer, o mais interessado no sucesso da empresa. São os senhores de senzalas. É uma coisa comum, dentro da barragem, eles chamarem os trabalhadores de 'filho da puta'”, denuncia João. Por causa da pressão por parte dos encarregados e do estresse gerado, ele afirma que alguns trabalhadores terminam por brigar verbalmente ou fisicamente com os supervisores ou entre si e “levam sua quita” (são demitidos) mais cedo.

Os “sobrinhos de Odebrecht” cobram bastante os trabalhadores e, segundo Joaquim*, ex-alojado e demitido, segundo a empresa, pelos protestos do dia 17 de junho, esquecem, também, de defender o “time” que lideram. “Não adianta pressionar uma equipe de 15 sendo que para cinco trabalhadores o pagamento não sai. E ele, como encarregado, não toma posição e não tenta resolver esse tipo de problema junto ao setor de recursos humanos da empresa. [Para ele,] o peão que se lasque”, critica.

Os encarregados, de acordo com os funcionários ouvidos pela reportagem, além de pressionar, também intimidam os funcionários. De acordo com João, o trabalhador em Santo Antônio não pode se posicionar reivindicando direitos junto à empresa. “Quem faz isso é despedido ou perseguido lá dentro”, revela. “Dá para ver encarregados fazendo filmagens para 'dar quita'”, conta Antônio.

Ele garante que os acidentes que puderem ser abafados pela empresa, o são. Segundo Antônio, quando um cabo de aço se soltou do guindaste, no fim de junho, um rapaz da área de concretagem tirou fotos. Porém, rapidamente, seguranças e encarregados o cercaram e forçaram para que ele as apagasse.

João, que preenche as armações metálicas de concreto, conta uma história parecida. Após uma estrutura ter caído por cima de três operários, ocasionando duas mortes e deixando um trabalhador gravemente ferido, ele revela que a informação só vazou quando foram iniciados os protestos a partir do dia 17 de junho, em que alguns ônibus foram queimados por trabalhadores e parte do alojamento foi depredada. “A propaganda lá fora era que aqui seria o jardim do Éden e quando chega aqui só se encontra a serpente e nada mais. Nem a árvore do fruto proibido se encontra aqui”, ironiza o trabalhador.

* Com medo de represálias, os trabalhadores entrevistados solicitaram que a reportagem utilizasse nomes fictícios.

Mais:

Números da UHE Santo Antônio

Na conta do trabalhador

junho 13, 2010

Pelo fim da perseguição às práticas religiosas de matriz afrobrasileira

UEA acolhe religiões de matrizes afrobrasileiras
Foto: Rogelio Casado - Manaus-AM, 2008

Nota do blog: Em Manaus, a Assembléia Legislativa costuma acolher o povo dos terreiros com mais generosidade do que a Câmara dos Vereadores, onde é maior a participação das igrejas evangélias, uma das principais fontes de tensão contra a religião de matriz afrobrasileira. E pensar que os evangélicos já foram discriminados ao longo da sua história.  

Estudos apontam perseguição a religiões afro


De histórica invisibilidade, a intolerância contra práticas religiosas de matriz afrobrasileira ganhará estudo detalhado no Rio

07/06/2010
 

Leia mais:

Leandro Uchoas
do Rio de Janeiro (RJ)

No início de maio, uma missão decidiu investigar, no Rio de Janeiro, um dos mais velados e complexos problemas dos afrodescendentes no Brasil. A Relatoria do Direito Humano à Educação se incumbiu de decifrar casos de intolerância religiosa contra praticantes de candomblé, umbanda e outras religiões de matriz africana. A proposta é parte da missão “Educação e Racismo no Brasil”, realizada em diversos estados ao longo deste ano. Com apoio da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) do Rio de Janeiro, a equipe também se propôs a investigar a situação da educação em área de remanescentes de quilombolas.

Segundo os estudiosos, a intolerância contra práticas religiosas afrobrasileiras enfrenta a indiferença social. O problema sofre de notória invisibilidade. Entretanto, por conta principalmente do preconceito por parte de adeptos de religiões neopentecostais (Igreja Universal, Internacional da Graça, entre outras), práticas religiosas chegam a ser quase proibidas em determinadas regiões. O aumento dos praticantes de cultos neopentecostais, e de seus poderes midiático e político, somado à ambiguidade das políticas educacionais seriam as principais causas da intolerância religiosa. Márcio Gualberto, do Coletivo de Entidades Negras do Rio de Janeiro, ironiza o preconceito. “As religiões de matrizes africanas não têm como cultuar o diabo, até porque esta figura não existe em nosso panteão”, diz.

Em janeiro, o Instituto de Estudos Comparados em Administração Institucional de Conflitos da UFF (InEAC-UFF) lançou o dossiê “Intolerância Religiosa no Rio de Janeiro”. O documento analisa conflitos relacionados a diferenças identitárias e étnico-religiosas no Estado, de forma a entender o tratamento dado a essas distinções por parte de instituições públicas. “A intolerância religiosa tem total invisibilidade por parte do Estado e dos próprios movimentos sociais. É a falsa ideia da democracia racial”, afirma Fábio Reis Mota, cientista social do InEAC-UFF.

Entre 2008 e 2009, a CCIR acompanhou 17 casos específicos de registros policiais de intolerância religiosa, registrados no dossiê. Uma das constatações da Comissão foi a dificuldade de a polícia perceber a importância do registro de ocorrência. Muitas vezes, as vítimas são convencidas a não registrar, como se tivessem vivenciado um problema menor. “A polícia chama esse tipo de evento de 'feijoada', algo menos importante”, diz Fábio. Os dados revelam que a maioria das vítimas tem mais do que 21 anos. Entre os autores de crime religioso, a idade mínima cresce para 40 anos, o que talvez revele um grau de intolerância maior entre os mais velhos. A maior parte dos casos ocorre na instituição religiosa ou na casa da vítima.

Outra crítica feita pelos pesquisadores diz respeito ao tratamento midiático. A religiosidade afrobrasileira seria retratada de forma estereotipada, reforçando preconceitos no imaginário social. “A mídia televisiva não tem um tratamento homogêneo para as religiões africanas. Uma parte dela aceita a diversidade religiosa, e podemos ver personagens positivos. Entretanto, esse segmento que tende a tratá-las positivamente costuma fazer das religiões de matriz africana exemplos da exceção, e não da regra”, afirma Joel Zito Araújo, diretor do documentário “A negação do Brasil”. “Em determinados casos, assistimos na pregação de pastores, ou nos comentários nada sutis de apresentadores de TV, uma estereotipização dos praticantes de cultos afros, enfaticamente retratados como cultuadores do demônio, alimentando uma rede de preconceito, ódio e ignorância”, completa.

Guerra santa

Segundo o professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), José Flávio Pessoa, sempre houve essa repressão. Mudou apenas a maneira como se dá. Sacerdotes dos calundus, formas rudimentares de religiosidade existentes até o século XIX, eram perseguidos e assassinados. “Até os anos 1950, a Igreja Católica promovia a perseguição. Nessa época, a polícia ainda entrava nos templos, destruía, sequestrava bens. A partir da década de 1970, as igrejas neopentecostais ganham expressão e promovem uma verdadeira 'guerra santa' contra a religiosidade afrobrasileira. E eles têm formas diversas de pressionar o Estado, como proibindo o sacrifício de animais e cultos barulhentos”, afirma.

A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa foi formada em março de 2008, após um incidente na Ilha do Governador. Praticantes de religiões neopentecostais expulsaram casas de umbanda e candomblé do local, destruindo templos. Na ocasião, adeptos das religiões de matriz africana se uniram e organizaram um protesto em frente à Assembleia Legislativa (Alerj). Em seguida, eles formaram a CCIR, com o objetivo principal de combater o preconceito religioso. As duas principais criações da Comissão foram a “Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa” e o “Fórum de Diálogo Inter-religioso”. O grupo tomou como uma de suas principais reivindicações a criação de uma delegacia especializada para repressão ao crime de discriminação étnico-racial-religiosa.

Márcio Gualberto, do Coletivo de Entidades Negras do Rio de Janeiro, conta que, em 2009, uma mulher trajando roupas referentes à sua religião recebeu uma cuspida em Campo Grande, de uma evangélica de igreja neopentecostal. No mesmo ano, uma casa de umbanda foi atacada no Catete por fanáticos religiosos. Segundo ele, o Coletivo estaria planejando para 2011 a Conferência Nacional sobre Liberdade Religiosa, a ser convocada pelo governo federal. “Casos de intolerância são muito maiores do que imaginamos. Os agentes perpetradores são os mais variados e percebemos não só a omissão como, às vezes, o próprio Estado como agente”, acusa.

Fonte: Brasil de Fato

junho 11, 2010

Vem mais desmatamento por aí!

Nota do blog: Se você tiver um mapa atualizado manda pro PICICA. Se em 2003, o desmatamento no Brasil é o que se vê acima, imagina depois das propostas de mudanças no Código Floretal Brasileiro pelo deputado Aldo Rebelo, do PC do B.


Mudança na lei florestal permite ao agronegócio desmatar ainda mais

“Aldo Rebelo cria falsa polarização entre progresso nacional e intervencionismo estrangeiro”, critica Frei Sérgio

09/06/2010


Eduardo Sales de Lima

da Redação


Leia mais:
Impactos ambientais e humanos
Áreas protegidas


O deputado federal Aldo Rebelo (PC do B) entregou, no dia 8, o relatório final com propostas de mudanças no Código Florestal Brasileiro. ONGs ambientalistas e organizações sociais camponesas, entretanto, criticam-no por ter encampado as pautas do setor ruralista do Congresso Nacional. A visão de grande parte dos movimentos, dentre eles a Via Campesina, é a de que, com a aprovação do novo código, o agronegócio consolidará áreas já desmatadas em reservas legais e áreas de proteção permanente (APPs) e, assim, ficarão perdoados grandes produtores rurais que cometeram infrações ambientais.


O engenheiro florestal Luiz Zarref, ligado à Via Campesina, afirma que o novo código é resultado de mais um forte lobby no parlamento, sobretudo dos grandes produtores de óleo de palma (dendê), que devastam as florestas tropicais da Indonésia e da Malásia, além dos já conhecidos produtores de celulose (eucalipto). “O objetivo é de que as reservas legais, principalmente na região amazônica, possam ser recompostas por espécies exóticas, como a palma e o eucalipto”, explica.


“A proposta que o Rebelo está encampando é a proposta do agronegócio”, adverte Frei Sérgio Görgen, integrante da coordenação nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). O que reforça tal afirmação é que o relatório com as mudanças no código foi elaborado com a participação de uma consultora jurídica oficial da frente ruralista do Congresso Nacional. De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, de 8 de junho, a advogada Samanta Piñeda recebeu R$ 10 mil pela "consultoria", pagos com dinheiro da verba indenizatória de Rebelo e do presidente da comissão especial, Moacir Micheletto (PMDB-PR).


Há denúncias de que os ruralistas teriam impedido a participação plena de inúmeras organizações sociais, além de terem apressado o processo de consulta pública. Todas as dezenove audiências públicas comandadas pela comissão especial da Câmara dos Deputados foram realizadas em “capitais” do agronegócios. Raquel Izidoro, membro da Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal (Abeef), esteve na audiência do dia 3 de fevereiro em Ribeirão Preto (SP) e reclama da falta de democracia que presenciou na ocasião. “O código de 1965 veio de uma época de muitas lutas sociais, o que não está acontecendo agora. Na audiência em Ribeirão Preto, o tempo das organizações sociais era bem controlado, ao contrário do tempo daqueles que se pronunciavam defendendo os interesses do agronegócio”, recorda.



Equívocos

De acordo com Luiz Zarref, o deputado Aldo Rebelo, ao assumir os anseios de expansão espacial do setor ruralista e rebater veementemente as críticas de ONGs ambientalistas estrangeiras contra ele, sobretudo o Greenpeace, incorre em “erro de leitura política”. “Ele está considerando o debate público de criação de novo código florestal como uma disputa entre nacionalismo e intervenção estrangeira. Ora, ele está esquecendo que o agronegócio é, justamente, uma grande injeção de capital estrangeiro dentro do país”.


Zarref denuncia que “o interesse do capital externo é destruir toda a nossa floresta, transformar ela em carvão para a extração de minérios, substituir por cana, gado e algodão para exportar, transformando tudo em commodities”. Relacionados a isso ou não, cifras da última campanha eleitoral podem elucidar certas atitudes. De acordo com a página na internet da ONG Transparência Brasil, a campanha de Aldo para as eleições de 2006 recebeu R$ 300 mil da Caemi-Mineração e Metalúrgica, R$ 50 mil da Bolsa de Mercadorias e Futuros e mais R$ 50 mil da Votorantim Celulose e Papel.


Segundo Frei Sérgio, a polarização que o deputado Aldo Rebelo engendra, a de que existe uma intervenção de ONGs internacionais que não querem que o país progrida é falsa. “Não é proteção da nação que ele está fazendo, é justamente entregar nossos rios, nossas florestas para meia dúzia de transnacionais”, conclui.


Manejo

Entre os argumentos do deputado federal e da frente ruralista para a implementação de um novo Código Florestal Brasileiro, está o de que a agropecuária precisa de mais espaço. Em recente estudo coordenado por Gerd Sparovek, professor do departamento de solos da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), que ainda será publicado, o atual código já permite que 104 milhões de hectares sejam desnecessariamente, mas legalmente, desmatados.


Sparovek destaca, por outro lado, que a agricultura pode se desenvolver pela expansão territorial sobre áreas ocupadas com pecuária extensiva. O estudo aponta que a pecuária brasileira para o corte ocupa 211 milhões de hectares. A conclusão de seu estudo é de que a integração da agricultura com a pecuária, o manejo mais intensivo das pastagens através da correção do solo e sua adubação ainda são práticas pouco aplicadas pelos pecuaristas no Brasil.


Noves fora o espaço mal utilizado pelo agronegócio, mais um “erro” do deputado Aldo Rebelo, segundo Zarref, é enxergar a incompatibilidade entre o respeito à natureza e produção agropecuária. “Quando se fala do sistema convencional de produção agropecuária, baseado em monocultura, mecanização pesada e produtos químicos, aí, de fato, isso é totalmente incompatível com a natureza. Agora, quando se fala de sistemas complexos e agroecológicos de produção de alimentos saudáveis, não há essa incompatibilidade entre natureza e produção”, explica Zarref.


O engenheiro florestal defende que o agronegócio não dá conta de produzir e preservar o meio ambiente, e a agricultura camponesa, sim. “Estamos falando que a reserva legal é um espaço privilegiado para desenvolver alimentos saudáveis com conservação da natureza; e ele [Aldo Rebelo] só consegue enxergar a produção convencional, baseada na revolução verde”, pondera.


De acordo com Luiz Zarref, o código atual permite um manejo de reservas legais, mas é necessária uma regulamentação para este manejo e assistência técnica qualificada. Ele defende que a viabilidade econômica do manejo poderia ser potencializada com recursos financeiros voltados à implementação de projetos de recuperação e garantia de comercialização para os produtos oriundos do manejo da reserva legal e APP.


A intenção da frente ruralista é levar a proposta ao plenário da Câmara antes das eleições. A assessoria de imprensa do deputado federal Aldo Rebelo informou à reportagem que, por estar concluindo o relatório, o parlamentar estaria momentaneamente impossibilitado de conceder entrevistas.

Fonte: Brasil de Fato