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novembro 27, 2010

Violência, mídia e repressão: reflexões sobre o Rio e o Brasil

PICICA: "Não se adjetiva o ser humano antes de dar-lhe direitos. Isso foi feito no nazismo e no Apartheid. (...). Quem adjetiva as pessoas antes de reconhecer-lhes a humanidade deveria sentir o peso da vergonha da História." Leia, também, "Três propostas para o "caos" do Rio de Janeiro", de Bruno Cava. E mais: "A posição do Observatório das Favelas".

Bandido bom é bandido morto? Reflexão sobre o Rio e o Brasil

Brasil - Repressom e direitos humanos
Sábado, 27 Novembro 2010 01:00
271110_favelas_rio_muro_copa Bule Voador - [Asa Heuser, Eli Vieira e Pedro Almeida] Conta a anedota que Philip Sheridan, o Little Phil, general do exército dos Estados Unidos durante a guerra civil, travava uma campanha militar contra os índios, quando o Chefe Tosawi, conhecido como Faca de Prata, teria dito: “Mim Tosawi. Mim índio bom”.

Little Phil teria replicado: “Os únicos índios bons que já vi estavam mortos”. A fofoca transformou a frase em “O único índio bom é um índio morto”, e na forma mais lacônica “índio bom: índio morto”. O general mais tarde negou que tinha feito essa afirmação, mas a frase entrou para a história.

A campanha expansionista estadunidense varreu do mapa a maior parte dos índios, e, como a história é escrita pelos vencedores, esses índios nem tiveram a chance de protestar contra algo simples: receberem o nome de “índios”, para começar. “Índio” não é um termo que expresse de forma justa a miríade de culturas e povos que perderam milhões com a ocupação das Américas.

São muitas as manchetes desta semana comentando como os “bandidos” estão morrendo nas mãos das forças armadas no Rio de Janeiro, na ocupação de pontos de tráfico de drogas em comunidades de menor poder aquisitivo. As centenas de histórias de vida que culminaram na “bandidagem” estão recebendo tratamento justo com o termo? “Bandido” é a causa ou o agente da violência?

As manchetes mostram diversos veículos incendiados, o Exército cercando o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro, uma idosa baleada, uma criança de dois anos baleada, e dezenas de mortos que já se empilham em poucos dias.

“Bandido bom é bandido morto”, e quase ninguém quer se dar ao trabalho de pensar melhor o que significa ser bandido, por que alguém vira bandido, e se a única forma de se tratar esta patologia social seria o extermínio dos “bandidos”. Copiamos os americanos não só na forma preguiçosa como viam o conceito de “índio”, mas também na irracionalidade de uma política antidrogas que criou Al Capone.

Também copiamos as declarações pueris da direita americana contra os ativistas dos direitos humanos: são amantes de “bandido”, e, como disse Robinson Pereira num artigo publicado antes aqui no Bule Voador, os ativistas não entendem de “estresse de combate”. O que podemos concluir é que Robinson e outras pessoas não entenderam o filme Tropa de Elite 2. A amizade que nasce entre um ativista e um chefe do BOPE neste filme tem uma mensagem valiosa, que é a da cooperação entre pessoas que desejam o fim do horror de ver vidas ceifadas por fatores evitáveis.

Que o Exército e a Marinha precisem ser invocados é motivo de lamentação. Nossos soldados, treinados para a guerra (e mais ainda para a paz), altamente qualificados – vários deles com experiência no Haiti, não devem se sentir bem tendo de combater compatriotas – ainda mais quando a ideia da pátria sempre foi a flor da caserna. O que há com a polícia do Rio para que este tipo de intervenção seja necessária? Deveríamos começar a acreditar que os filmes de Padilha não são obras de ficção? Usar soldados do exército é usar pessoas altamente qualificadas para fazer o serviço errado – o serviço da polícia.

Colocar a maior máquina de guerra da América Latina nas ruas do Rio é um atestado de falência da polícia e do governo. E não só desses. Muito se comenta como o tal do “bandido” quer ganhar dinheiro e poder. Mas quem está promovendo dinheiro e poder como metas máximas na vida não são os bandidos.

“Bandidagem” é também a falta de perspectiva, e bandidos são órfãos do governo. Como o governo não cumpre o seu papel, e não dá condições dignas de vida, como ensino de qualidade, atendimento de saúde, garantia de emprego e outros direitos constitucionais, as pessoas se sentem sem chão e sem nenhum compromisso com o resto da sociedade. Daí vem o vandalismo, e a criminalidade, e os ditos “bandidos” se sentem com razão ao cometer crimes.

Na base de uma sociedade doente estão coisas simples como a falta de acesso a métodos eficientes de limitação de filhos (e a influência de certas instituições sociais que desaprovam o planejamento familiar – precisamos dizer quais?), falta de acesso a um estudo realmente qualificante (elevar as profissões e não os diplomas!), professores bem preparados, bem pagos e motivados – não é segredo para ninguém a relação entre falta de recursos sociais e chance de recorrer à violência.

Sem a garantia de uma vida e um futuro seguros, as pessoas se comportam como em uma guerra, num carpe diem dos caídos: “aproveite hoje, porque não se sabe se vai estar vivo amanhã”.

Neste momento de crise é necessária uma intervenção, mas nunca dentro do espírito de que os bandidos não são gente e não merecem viver. Quem diz o contrário joga no lixo nossa Constituição e as declarações de direitos que nosso país soberano assinou. Crises servem para detectar onde erramos e que precauções devemos tomar para evitar a repetição do erro.

Direitos humanos apenas para humanos direitos? E por acaso podemos chamar de “humanos direitos” aqueles que permitem que seus iguais caiam no desespero do crime por estarem em condições piores que os horrores das obras de Albert Camus? Não se adjetiva o ser humano antes de dar-lhe direitos. Isso foi feito no nazismo e no Apartheid. Não é “direitos humanos para humanos direitos”, assim como não é “direitos humanos para humanos arianos” e muito menos “direitos humanos para humanos brancos”. Quem adjetiva as pessoas antes de reconhecer-lhes a humanidade deveria sentir o peso da vergonha da História.

Está TUDO errado, desde o sistema penitenciário, polícia mal paga, etc. Mais errado ainda é que pessoas estejam morrendo não porque aumentou a preocupação com a venda de drogas, mas porque grandes interesses econômicos estão de olho na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, um rolo compressor que não se importa em esmagar seres humanos para pavimentar o Rio em direção ao deleite lucrativo de poucos.
Que a cidade maravilhosa um dia possa dizer que é maravilhosa porque garante a todos a maravilha de uma vida digna.

Foto: Hayez (1867) - A destruição do templo de Jerusalém

novembro 26, 2010

Quem eram os nordestinos do início do século XX?

PICICA: "No caso específico de São Paulo, os italianos eram os nordestinos do início do século XX. Quando eles imigraram em massa para o Estado, e especialmente para a cidade, eles ocuparam os setores mais baixos do trabalho."

'Italianos eram os nordestinos do início do século XX'


Brasil - Migraçons
Sexta, 26 Novembro 2010 01:00
Brasil De Fato - 251110_italia1 [Eduardo Sales de Lima] Para historiador, preconceito está ancorado em toda a sociedade brasileira 

Ficou a dúvida. A atitude da estudante de Direito Mayara Petruso hostilizando os nordestinos por causa do peso dessa região na vitória de Dilma Rousseff nas eleições teria sido algo isolado?

Para responder essa e outras questões que emergiram a partir da atitude da garota, o Brasil de Fato entrevistou, por e-mail, o professor de História da USP, Francisco Alambert. Leia a seguir.  

Brasil de Fato - A atitude da estudante de Direito, Mayara Petruso (… afogar os nordestinos), logo após a vitória de Dilma, pode ser vista como algo isolado, ou ela se ancora e se legitima dentro de setores da sociedade paulista?

Francisco Alambert -
Está plenamente ancorada na sociedade brasileira (até na nordestina). O melhor termômetro são os blogs de opinião política da direita, inclusive o de grandes veículos, como a Revista Veja. Observe os textos de colunistas como Reinaldo Azevedo (ou de gente como Luis Felipe Pondé, da Folha). Sua linguagem brutalista, estupidificante e raivosa reverbera e se duplica nos “comentários”. Sob um discurso contra a “esquerda” e pela “ética” aparece toda uma desfaçatez e uma violência de classe que não tem vergonha de dizer seu nome. O episódio da demissão de Maria Rita Khel no Estadão, por dizer exatamente que a elite acha que o voto dos pobres deveria valer menos que o seu, é outro exemplo de como isso está ancorado na visão de mundo dos ricos e “inteligentes”.

O professor acredita que essas eleições serviram para desvelar um preconceito já existente latente em setores da sociedade paulista? É possível que tal comportamento se restrinja à "elite"?

Dilma é tão “sulista” quanto Serra. Não foram as eleições que desvelaram o preconceito, mas o “sucesso” (e digo isso sem euforia, porque não sou mais petista, sou um critico à esquerda do PT) do governo Lula e do programa Bolsa Família, que na visão senhorial da elite serviu para diminuir sua margem de lucro com os miseráveis (“eles não querem mais trabalhar pelo salário mínimo para mim, do jeito que eu quero, com quantas horas eu quero”). Mas se fosse só a elite, o PSDB não teria tantos votos quanto teve, nem o Tiririca seria o fenômeno do momento (nordestino ou não). Boa parte dos mais pobres tem horror de se ver no espelho da sua condição de classe.

Quais seriam os elementos históricos-chave que teriam moldado uma suposta visão racista dessa elite regional? A origem do preconceito em relação aos nordestinos seria antes de tudo econômica?

No caso específico de São Paulo, os italianos eram os nordestinos do início do século XX. Quando eles imigraram em massa para o Estado, e especialmente para a cidade, eles ocuparam os setores mais baixos do trabalho. Eram a ralé, e assim eram tratados pelos “quatrocentões” ou por quem se considerava “brasileiro de verdade”, “paulista de quatro costados”, etc. O desenvolvimentismo dos anos 50 a 70 fez com que boa parte desses imigrantes, que chegaram miseráveis e eram objeto de desprezo, ascendessem de classe, fossem para a classe média, por exemplo. A partir desse período começaram a chegar cada vez mais novos imigrantes, só que agora migrantes do Brasil mais pobre, especialmente do nordeste. Eles ocuparam o lugar que um dia foi dos “estrangeiros”, inclusive no que tange ao preconceito de classe. O bizarro é que boa parte dos imigrantes e seus descendentes, ou seja, da nova classe média, se esqueceu de seu passado, e passou a tratar os nordestinos como eles eram tratados (inclusive na sua origem, na Itália, por exemplo): como a escória social. O fato do sobrenome dessa estudante indicar sua ascendência estrangeira é muito sintomático disso.

É possível falar em segregação espacial na cidade de São Paulo?

Em qualquer cidade do mundo capitalista: Los Angeles, Nova York, Paris, Londres (uma segregação que explode sempre em violência). No caso de São Paulo, desde sempre, desde os bairros que um dia segregaram os imigrantes estrangeiros até as periferias de hoje, verdadeiros campos de concentração de miséria e descaso do Estado. E quando esses lugares são ocupados pela violência, pelo tráfico de drogas ou pelo crime organizado, a maioria, os pobres, é que são os “culpados” que devem ser expulsos para que os lugares sejam “revitalizados” (como quer projetos como o da Nova Luz). É sempre o mesmo: culpar as árvores pelo incêndio na floresta.

Fonte: Diário Liberdade

outubro 25, 2010

A "Revolução do Ódio" de José Serra

PICICA: Em Manaus, as vítimas da "revolução do ódio", pregada pelo candidato tucano, restringem-se a algumas áreas da classe média inculta. De onde menos se esperava, aflorou com "borra" o ódio de classe alimentado silenciosamente ao longo de anos. Lástima! Os implicantes vão todos pra UTI do amor, primeira medida do governo Dilma Rousseff para ajudar na desintoxicação do ódio.

Os segredos internacionais por trás da 'Revolução do Ódio' no Brasil
Segunda, 25 Outubro 2010 02:00
251010_serra1Blog da Dilma - [Mauro Carrara] Esse sistema é preferencialmente utilizado para disseminar peças de calúnia e difamação contra Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva e qualquer figura pública que ouse tomar partido do projeto da esquerda no Brasil. Funcionando também nas redes sociais, essa é uma das principais frentes da “Revolução do Ódio” em curso no país.
 
Até o primeiro turno da eleição presidencial, havia mais de 650 militantes, quase todos bem remunerados, para difundir material venenoso contra o governo federal. Neste segundo turno, essa super tropa de terrorismo virtual, recrutada por Eduardo Graeff, conta com mais de 1.000 militantes.
Esse, no entanto, é apenas um braço do movimento de golpismo midiático financiado por entidades ultra-conservadoras, sobretudo norte-americanas, empenhadas em desestabilizar movimentos de esquerda pelo mundo e assumir o controle das fontes de riqueza nos países emergentes.

O enigma das “revoluções coloridas”

Há 15 anos, a Internet vem sendo utilizada como ferramenta de sabotagem por esses grupos. Dentre eles, destacam-se o poderoso National Endowment for Democracy (NED), a United States Agency for International Development (USAID) e inúmeras entidades parceiras, como a Fundação Soros.

O NED, por exemplo, financia várias organizações-satélite, como o World Movement for Democracy, o International Fórum for Democratic Studies e o Reagan-Fascell Fellowship Program, que atuam direta ou indiretamente em todos os continentes.

Grupos ligados ao NED, por exemplo, tiveram comprovada atuação nos episódios políticos que desestabilizaram a coalizão de centro-esquerda na Itália, em 2007 e 2008. Acabaram derrubando o primeiro-ministro Romano Prodi e, em seguida, reconduziram ao poder o magnata Silvio Berlusconi.

A ação envolveu treinamento de jornalistas, divulgação massiva de boatos na Internet, dirigidos sobretudo aos jovens, e distribuição seletiva de caríssimos “estímulos” a senadores de centro.

Mas, afinal, o que é o NED?

Criada em 1983, por iniciativa do presidente estadunidense Ronald Reagan, trata-se oficialmente de uma entidade privada, mas abastecida de forma majoritária por fundos públicos.

Ainda que seus dirigentes a qualifiquem como um centro de incentivo à democracia, trabalha sempre no apoio a movimentos de direita, com forte ênfase no liberalismo, no individualismo, no privatismo e no pressuposto de que os interesses do mercado devem prevalecer sobre os interesses sociais.

Segundo o conceituado escritor e ativista norte-americano Bill Berkowitz, do movimento Working for Change, o objetivo do NED tem sido “desestabilizar movimentos progressistas pelo mundo, principalmente aqueles de viés socialista ou socialista democrático”.
O NED e suas entidades parceiras figuram na origem das chamadas “Revoluções Coloridas” que se espalharam pelo mundo nesta década.

A primeira operação virtual-midiática de grandes proporções foi a chamada Revolução Bulldozer, em 2000, no que ainda restava da Iugoslávia.

O nome do movimento sedeve ao ato violento de um certo “Joe” (na verdade, Ljubisav Dokic) que atacou uma emissora de rádio e TV com uma escavadeira. Logo, foi transformado num emblema da sedição.

Na época, especialistas em mobilização de entidades financiadas pelo NED concederam apoio técnico e treinamento intensivo aos membros do Otpor, grupo estudantil se tornaria fundamental na campanha de desestabilização do governo central.

Talvez o melhor exemplo desse trabalho de corrosão política tenha ocorrido em 2003, na Geórgia, na chamada Revolução das Rosas, que culminou com a derrubada do presidente Eduard Shevardnadze.
Novamente, havia uma organização juvenil envolvida na disseminação de boatos, denúncias e incitações, a Kmara (Basta!), além de várias ONGs multinacionais como o Liberty Institute.

A Revolução das Rosas não teria ocorrido sem o apoio das associações ligadas ao bilionário húngaro-americano George Soros. A Foundation for the Defense of Democracies, instituto neoconservador com sede em Washington D.C., revelou que Soros investiu cerca de US$ 42 milhões nas operações para derrubar Shevardnadze.
O roteiro se repetiu em vários outros movimentos, como a Revolução Laranja, na Ucrânia, em 2004, e a Revolução das Tulipas, no Quirguistão, no ano seguinte.

Levantes dessa natureza ainda têm sido estimulados por esses grupos e seus agentes, que visitam os países-alvo em épocas de crise ou durante processos eleitorais.

Observadores internacionais estimam, por exemplo, que NED e USAID investiram US$ 50 milhões anuais no suporte às entidades que desestabilizaram e derrubaram o governo de Manuel Zelaya, em Honduras.

Nem sempre, porém, as “revoluções“ patrocinadas por essas entidades são coroadas de pleno êxito.

É o caso da chamada “Revolução Twitter”, ocorrida na Moldávia, em 2009, e das frequentes operações de terrorismo midiático e virtual desenvolvidas pela oposição venezuelana.

Em todos esses episódios, há um procedimento estratégico que vem sendo seguido pelos grupos de sabotagem. Podemos sintetizá-lo em dez mandamentos operativos:

1) Difunda o ódio. Ele é mais rápido que o amor.

2) Comece pela juventude. Ela está multiconectada e pode ser mais facilmente mobilizada para destruir do que para construir.

3) Perceba que destruir é “divertido”, ao passo que “construir” pode ser cansativo e chato.

4) A veracidade do conteúdo é menos relevante do que o potencial impacto de uma mensagem construída a partir da aparência ou do senso comum.

5) Trabalhe em sintonia com a mídia tradicional, mas simule distanciamento dos partidos tradicionais.

6) Utilize âncoras “morais” para as campanhas. Criminalize diariamente o adversário. Faça-o com vigor e intensidade, de forma a reduzir as chances de defesa.

7) Gere vítimas do oponente. Questões como carga tributária, tráfico de drogas e violência urbana servem para mobilizar e indignar a classe média.

8) Eleja sempre um vilão-referência em cada atividade. Cole nele todos os vícios e defeitos morais possíveis.

9) Utilize referências sensoriais para a campanha. Escolha uma cor ou um objeto que sirva de convergência sígnica para a operação.

10) Trabalhe ativamente para incompatibilizar o político-alvo com os grupos religiosos locais. Várias dessas agências internacionais de desestabilização enviaram emissários ao Brasil, especialmente a partir do ano passado.

A ação-teste no Brasil foi desencadeada por meio do movimento “Fora Sarney”, organizado pelo movimento denominado “Rir para Não Chorar”, ou simplesmente RPNC.

Os “indignados moralistas” de direita escolheram o político maranhense como alvo, mesmo depois de tolerá-lo durante 45 anos em instâncias decisórias do país.

O líder da vez era um certo Sérgio Morisson, que se dizia consultor de ONGs e “fashionista”. Na época, vivia na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), atuando no Comitê de Jovens Executivos.

Na verdade, Sarney serviu apenas como um pretexto de ensaio golpista. O objetivo do grupo era canalizar o ódio da jovem classe média contra o governo Lula.

Distribuíram 50 mil narizes de palhaço, seguindo disciplinadamente a cartilha de simbologia dos movimentos patrocinados pelo NED.
Na verdade, muitos dos “palhacentos” já tinham atuado em outro levante do tipo, o famigerado “Cansei”, que dois anos antes tentara se aproveitar do acidente com o avião da TAM para fomentar uma revolta popular contra o governo federal.

Na presente eleição presidencial brasileira, todo o receituário estratégico e simbólico das revoluções coloridas foi empregado no fortalecimento da candidatura da ex-petista Marina Silva.

A chamada “onda verde”, que impediu a vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, foi vigorosamente apoiada por expressivos setores da direita brasileira, inclusive com suporte mal disfarçado de parte da militância oficial do PSDB.

A direita estrangeira e o golpe em curso no Brasil

A principal entidade articuladora da “Revolução do Ódio” no Brasil é o Instituto Millenium (IM), que dispensa apresentações ao leitor da blogosfera. O IM tem uma fixação especial por Ayn Rand, uma escritora, roteirista e pseudo-filósofa russa que viveu a maior parte da vida nos Estados Unidos.

Rand defendia fanaticamente o uso de uma suposta razão objetiva, o individualismo, o egoísmo e o capitalismo. Segundo a base de sua “filosofia”, o homem deve viver por amor a si próprio, sem se sacrificar pelos demais e sem deles esperar qualquer solidariedade.
Para os seguidores de Rand, o espírito altruísta cooperativo é visto como fraqueza e como destruidor da energia humana empreendedora. Rezam pela cartilha de Rand, por exemplo, o articulista de Veja Reinaldo Azevedo e o economista Rodrigo Constantino, membro do Conselho de Fundadores e Curadores do IM, autor de livros barra-pesada como Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT e Egoísmo Racionalo Individualismo de Ayn Rand”.

O conselho editorial do instituto é liderado por Eurípedes Alcântara, diretor da revista Veja, tão conhecido pela barriguda matéria do Boimate (o anúncio da fusão genética do boi com o tomate) quanto por sua devoção fanática pelos Estados Unidos e pelo neoliberalismo radical.

Participante ativo de programas de entidades financiadas pelo NED, Alcântara frequenta simpósios e atividades de treinamento destinadas a impor na América Latina o pensamento da direita corporativa norte-americana. A Internet ainda exibe uma conversa tão estranha quando reveladora entre o executivo da Editora Abril e Donald “Tamiflu” Rumsfeld, ex-secretário do Departamento de Defesa dos EUA. Segue aqui uma fala entusiasmada do entrevistador.

QUESTION (Alcântara): Yeah, that would be my pleasure. I have been watching close your role in the United States and I must say that I admire you. You are so firm since the beginning. When they said they were going there for the oil and then they said you were going there for your own interests, and then, well, we see democracy spreading throughout the Arab world. This is not a small thing, right?

As relações entre o Millenium e entidades estrangeiras seguem diversas rotas de financiamentos e apadrinhamentos, mas um pouco dessa complexa malha de articulações pode ser visualizada aqui:

Hoje, os apoiadores estrangeiros do Instituto Millenium e dos partidos da direita brasileira têm um olho ansioso na eleição e outro faminto na compensação exigida. O principal balconista desse negócio é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que recentemente, em Foz do Iguaçu (PR), tentou acalmar sua inquieta freguesia.

Caso José Serra vença o pleito em 31 de Outubro, o pagamento prometido está garantido: a entrega do Banco do Brasil, da Petrobras e de Itaipu aos patrocinadores da “Revolução do Ódio”. Mais estarrecedor que esse acordo é o silêncio até agora das forças progressistas.

O que falta para se revelar esse segredo ao povo brasileiro?


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Fonte: Diário Liberdade

setembro 22, 2010

Marina, Marina morena, você se pintou...

Contra a privatização da Amazônia!

Brasil - Consumo e meio natural
Quarta, 22 Setembro 2010 02:00
210910_mata_amazoniaBlog Como Votar Para Deputado - [Roque Ferreira] Há exatamente 3 anos, em 2007, justo no dia da Árvore, 21 de Setembro, a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou o início da privatização da Amazônia. A Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia, foi oferecida aos empresários.

A Lei de Gestão de Florestas Públicas é, na verdade, uma Lei de Privatização das Florestas, aprovada pelo Congresso Nacional em Março de 2006. Essa lei dá direito a empresas de explorar produtos e serviços na Floresta Amazônica e na Mata Atlântica pagando uma determinada quantia ao governo. 

Com esta lei o governo colocou à disposição dos capitalistas a exploração de 43 milhões de hectares de florestas, de um total existente de 193,8 milhões de hectares que constam no Cadastro-Geral de Florestas Públicas da União.

Entregar a Amazônia é um dos mais fundos golpes que o Brasil já recebeu. Nem Collor teve coragem para tanto.

Depois disso, não é de se estranhar que a companheira Marina tenha saído do PT e se lançado candidata à presidência pelo PV, partido este que apoiou a reeleição de Blairo Maggi (do PR) no Mato Grosso, maior plantador de soja do mundo; e que participa do Governo Cassol (PPS) em Rondônia, que apoia incondicionalmente a construção das insustentáveis hidrelétricas no Rio Madeira
Nossa candidatura pelo PT se mantém fiel aos interesses dos trabalhadores e na defesa do meio ambiente. Por isso nosso mandato de Deputado Federal batalhará pela revogação dessa legislação privatizadora da Amazônia e por políticas públicas de preservação deste patrimônio da humanidade.

A defesa do meio ambiente não se dá ao votar no partido supostamente ecologista, o PV. Pelo contrário, com um “discurso verde”, o PV tem dentre seus aliados e patrocinadores justamente as empresas e ONGs que mais lucram com a destruição do meio ambiente. A única maneira de lutar pela preservação do meio ambiente é elegendo governos e parlamentares do PT, pois estes fazem parte do único partido que o povo trabalhador construiu e reconhece como seu e que pode utilizá-lo para mudar os rumos da política no Brasil.

Roque Ferreira é vereador pelo PT de Baurú e candidato a Deputado Estadual para o estado de São Paulo. É militante da Esquerda Marxista.

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Fonte: Diário Liberdade

setembro 05, 2010

José Valmeristo Soares, militante do MST, é assassinado por milícia de ex-deputado federal

Milícia Armada de ex-Deputado Federal assassina militante do MST no Pará Versão para impressão Enviar por E-mail

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Brasil - Repressom e direitos humanos
Domingo, 05 Setembro 2010 12:51
050910_stLíngua Ferina - Ação de Milícia armada do fazendeiro e ex-Deputado Federal Josué Bengstson (PTB) que renunciou ao mandato para fugir da cassação por envolvimento na Máfia das Sanguessugas resultaram na morte do trabalhador rural e militante do MST José Valmeristo Soares conhecido como Caribé.
 
Por volta de 09:00h da manhã dois trabalhadores rurais João Batista Galdino de Souza e José Valmeristo o Caribé se dirigiam a cidade de Santa Luzia do Pará quando foram abordados por um grupo de três pistoleiro armados no ramal do Pitoró que os obrigaram a entrar em um carro onde foram espancados e torturados. Após seção de torturas foram obrigados a descer no Ramal do Cacual próximo à cidade de Bragança com a promessa de que iriam acertar as contas. João Batista Galdino conseguiu escapar para a mata e ouviu sete disparos.

Chegando à cidade de Santa Luzia João Batista denunciou à polícia que afirmou não poder ir por ser noite e dificilmente achariam o corpo. A Direção do MST denunciou à Secretaria de Segurança Pública do Pará através de Eduardo Ciso que afirmou mandar um grupo de policiais ao local e que conversaria com o Delegado do Interior para tomar providências. Nada foi feito e por volta de 10:00h da manhã de hoje (04/09/2010) os trabalhadores rurais encontraram o corpo de José Valmeristo Soares.

Os trabalhadores Rurais Sem Terra estão acampados às proximidades da Fazenda Cambará e a reivindicam para criar um assentamento de reforma agrária. A Fazenda Cambará faz parte de uma gleba federal chamada Pau de Remo e possui 6.886ha de terras públicas.

O fazendeiro e ex-deputado Federal Josué Bengstson possui somente 1.800ha com títulos e a Promotora de Justiça Ana Maria Magalhães já denunciou varias vezes que se trata de terras públicas.

Os trabalhadores já haviam denunciado na ouvidoria agrária do INCRA, Ouvidoria Agrária Nacional do MDA, Delegacia Regional do MDA, Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Pará e Secretaria de Segurança Pública do Pará as várias ameaças de morte sofridas pelos jagunço e pela própria polícia de Santa Luzia e Capitão Poço sem que nenhuma providência tenha sido tomada.

Denunciamos ao conjunto da sociedade brasileira mais esse vergonhoso ato de omissão e conluio da Polícia do Pará com os fazendeiros do Estado, bem como a incompetência da Secretaria de Segurança Pública do Pará e do Governo do Estado em resolver as graves violações dos direitos humanos no campo que fazem o Estado do Pará atingir o triste posto de campeão nacional de violência no campo. Denunciamos também a inoperância do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, bem como o Programa Terra Legal do Governo Federal que não tem resolvido os problemas fundiários mesmo aqueles que chegam ao conhecimento público.

Exigimos a prisão imediata dos pistoleiros que assassinaram o trabalhador José Valmeristo Soares, bem como dos mandantes Josué Bengstson e seu Filho Marcos Bengstson.

Exigimos também a desapropriação imediata da fazenda Cambará para o assentamento imediato das famílias acampadas no acampamento Quintino Lira.

Belém, 04 de setembro de 2010
Direção Estadual do MST – Pará
Reforma Agrária. Por justiça social e soberania popular!
Fonte: Diário Liberdade

agosto 09, 2010

A crise internacional e o Peru

A crise internacional e o Peru PDF Versão para impressão

Peru - Batalha de ideias
Segunda, 09 Agosto 2010 11:06
090810_V-PLENO--CC-12PCP - O imperialismo norte-americano leva a cabo uma estratégia mundial agressiva contra o Irã e a Coréia do Norte, com o propósito de apoderar-se de seus recursos naturais.
 
Também instala bases militares na Colômbia, Haiti e Honduras, e provoca conflitos entre irmãos como a Colômbia e a Venezuela com a finalidade de deter o avanço vitorioso dos governos e seus povos, que desenvolvem políticas econômicas e sociais a serviço das grandes maiorias.

A provocação do presidente da Colômbia que agora deixa o cargo, Álvaro Uribe, instrumento do imperialismo norte-americano, está claramente orientada a provocar a intervenção militar na Venezuela com o pretexto da presença das FARC e fazer cair o governo de Hugo Chávez para quebrar o processo de mudanças nesse país, às quais as transnacionais e os grupos de poder econômico se opõem ativa e furiosamente.

A crise econômica financeira internacional nos Estados Unidos da América e nos países altamente desenvolvidos levaram 16 países da Europa a cortar drasticamente seu orçamento para a educação, saúde, segurança pública e a pagar suas dívidas recorrendo a créditos de bilhões de euros. Exemplo disso é a convulsão política e social da Grécia, país que se viu obrigado a contrair um crédito de mais de 600 bilhões de euros do Banco Mundial.

Toda essa crise será transferida para as economias subdesenvolvidas e em especial da América Latina, e com isso nosso país, mediante a redução das exportações e menor remessa de nossos compatriotas que trabalham fora do país.

As crises cíclicas que Karl Marx desentranhou da análise econômica do capitalismo novamente se puseram de relevo, demonstrando sua incapacidade em dar solução aos principais problemas da humanidade, chegando, inclusive, a se constituir num sério perigo contra a natureza e a vida no planeta pelo impacto da contaminação ambiental que origina. A mudança e a transformação do sistema capitalista, é uma necessidade real, e uma mudança que só pode ser conseguida com uma revolução que tenha como principais protagonistas os povos, movimentos e líderes esclarecidos e de massas.

Situação nacional

Em quatro anos de governo da aliança ultraliberal de Alan Garcia, Keiko Fujimori e Lourdes Nano, radicalizam o modelo econômico neoliberal selvagem, expresso na privatização dos recursos naturais, beneficiando os ricos (mineiros, banqueiros, oligopólios, petroleiros e agroexportadores), enquanto o povo sofre a mais brutal ofensiva de atropelo contra seus direitos humanos, conduzindo a um maior empobrecimento.

No fundo, a fenda da desigualdade aumentou pelo continuísmo das políticas econômicas e sociais de caráter neoliberal, visando mais os interesses dos grupos de poder econômico e das transnacionais do que os interesses da nação e do povo peruano. O proclamado crescimento econômico não beneficiou a maioria da população. Eis aí a base material sobre a qual se assenta a contradição entre as forças que lutam pela mudança e aquelas que defendem o continuísmo. Essa á a base dos conflitos sociais e políticos.

Depois de quatro anos, as promessas oferecidas pela "mudança responsável", tais como respeitar a jornada laboral de oito horas, eliminação das prestações de serviços, emprego com direitos trabalhistas, revisão do Tratado de Livre Comércio, banco agrário para os agricultores e luta contra a corrupção, nada disso foi cumprido.

Estamos diante de um governo que comercializou com a esperança do povo. Eles são os autores dos decretos legislativos do leilão das terras para criar novos latifúndios, são os que leiloam os bosques e a água na Amazônia.

Eles são os autores da escandalosa venda de gás aos estrangeiros a um dólar, enquanto que aos peruanos custa 35 sóis. São os autores das leis para exonerar impostos da renda das mineradoras, dos banqueiros, dos agroindustriais e cobrar até o último centavo de imposto aos peruanos.

Esta é a aliança que pactuou com a corrupção e com a impunidade para manter e defender o neoliberalismo selvagem à custa de assassinar mais de 70 dirigentes sindicais, além de populares. Nunca antes nenhum governo, por mais desonroso que fosse, utilizou os recursos do Estado para dividir os sindicatos com o propósito de submetê-los ao patronal, como é o caso da Federação de Construção Civil, o SUTEP e comunidades amazônicas.

Está em marcha o processo de “direitização” com propostas fascistas através de militares corruptos, da igreja conservadora (Opus Dei), da Confiep e da imprensa midiática, que levantam a cabeça para derrotar as forças que lutam pela mudança.

Mas essas armações serão derrotadas mil e uma vezes com a ação do sindicalismo de e, da unidade dos trabalhadores e do povo peruano. Por isso, respaldamos resolutamente a luta da CGTP e da CPS, das Frentes Regionais e dos novos setores que surgem em defesa da soberania nacional, dos recursos naturais e de suas próprias reivindicações, como os amazônicos.

O PCP pede o fim da perseguição aos dirigentes sindicais, a populares, e aos jornalistas honestos, o fim da campanha midiática dos que lutam pelo gás para os peruanos, respeito aos direitos humanos e o fim da perseguição aos que defendem o meio ambiente.

O PCP rechaça a ardilosa campanha de desprestígio contra nosso companheiro Mario Huamán Rivera, destacado líder do movimento sindical e popular que enfrenta valentemente a direita e a corrupção. Por isso, expressamos nossa firme solidariedade e exigimos do governo o fim desta suja campanha contra os opositores do regime.

Pedimos uma política econômica com redistribuição da riqueza para as grandes maiorias, um Estado planificador e promotor dos agentes produtivos.

Convocamos o governo para uma luta frontal contra o crime organizado. E que sejam sancionados rigorosamente os sequestradores e as organizações criminais, e que se garanta a segurança cidadã. Exigimos que a Polícia Nacional sirva para proteger os cidadãos e não para reprimir os opositores do regime.
Demandamos uma política energética soberana e exigimos gás para os peruanos e não para os estrangeiros. Reivindicamos a não construção da central hidroelétrica de Inambari pelos graves danos que causaria ao meio ambiente e à população.

Convocamos todas as forças de esquerda, nacionalistas, progressistas a somar-se na luta em defesa dos recursos naturais e da pátria e na luta frontal contra a corrupção. É hora da unidade ao lado do nosso povo e de iniciarmos a grande marcha de um governo democrático, popular e nacional rumo ao socialismo.
Renovamos nossa vocação unitária e de luta pela transformação da sociedade peruana.
Fazer do Peru uma pátria justa, digna e soberana, realmente democrática, onde as maiorias tenham acesso ao progresso e ao desenvolvimento, primeira condição para homens e mulheres serem livres, sonho que muitos heróis da independência defendiam.

Lima, 24 de julho de 2010.

Roberto De la Cruz Huaman, secretário geral do PCP

Traduzido por Valeria Lima


Fonte: Diário Liberdade

julho 11, 2010

Serra: o candidato que ameaça a liberdade de imprensa


“Serra é a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou”

Brasil - Comunicaçom
Sábado, 10 Julho 2010 02:00 
Seja dita verdade - 100710_libimprensa O relato que o blog do Nassif faz sobre a nova demissão na TV Cultura de São Paulo, mais uma vez em função de uma matéria sobre pedágios, é assustador. Após Heródoto Barbeiro, agora foi a fez de Gabriel Priolli, indicado diretor de jornalismo da TV Cultura há uma semana.
Nassif adverte: “Serra é a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou”. O relato do caso: Há uma semana, Gabriel Priolli foi indicado diretor de jornalismo da TV Cultura. No dia 7 de julho, foi planejada uma matéria sobre os pedágios paulistas.

Foram ouvidos Geraldo Alckmin e Aloízio Mercadante, candidatos ao governo do estado. Tentou-se ouvir a Secretaria dos Transportes, que não quis dar entrevistas. O jornalismo pediu ao menos uma nota oficial. Acabaram não se pronunciando.

Sete horas da noite, o novo vice-presidente de conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello, chamou Priolli em sua sala. Na volta, Priolli informou que a matéria teria que ser derrubada. Tiveram que improvisar uma matéria anódina sobre as viagens dos candidatos.

Na quinta-feira, dia 8, Priolli foi demitido do cargo. Não durou uma semana. Semana passada foi Heródoto Barbeiro, demitido do cargo de apresentador do Roda Viva devido às perguntas sobre pedágio feitas ao candidato José Serra.

Para quem ainda têm dúvidas: a maior ameaça à liberdade de imprensa que esse país jamais enfrentou, nas últimas décadas, seria se, por desgraça, Serra juntasse ao poder de mídia, que já tem, o poder de Estado. Onde está a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) para defender a liberdade de imprensa? E os editoriais dos grandes jornais sempre prontos a denunciar às ameaças à liberdade de expressão? Não têm nada a dizer? Claro que não, né…

Fonte: Diário Liberdade

junho 23, 2010

Sem teto vs governo de São Paulo

Sem-teto protestam na região central de São Paulo
Brasil - Resenhas
Quarta, 23 Junho 2010 08:15
Diário do Grande ABC - Cerca de 400 pessoas ligadas ao MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) realizam na manhã desta terça-feira uma manifestação em frente à Secretaria Municipal de Habitação, no Centro de São Paulo São Paulo.
 
Os sem-teto reivindicam a manutenção da Ocupação Che Guevara, em Taboão da Serra, na região metropolitana, que conta com aproximadamente 900 famílias. O governo estadual conseguiu liminar de reintegração de posse para a retirada dos moradores, que ocupam hoje o terreno de 86.000 m². Essa mesma manifestação aconteceu semana passada, no Trecho Sul do Rodoanel.

Entre os pedidos dos manifestantes também estão o afastamento do diretor de Atendimento do CDHU, Alexandre Trevisano, e o cumprimento imediato de compromissos assumidos em 2007 pelo governo com o MTST, para construção de moradias nos município de Taboão da Serra, Embu e Itapecerica da Serra.

Uma comissão da Secretaria de Habitação negociava, no início da tarde, as reivindicações dos sem-teto.

junho 15, 2010

Corrupção e nepotismo na Copa do Mundo de Futebol

Campeonato do Mundo de Futebol atolado em corrupção e nepotismo


África do Sul - Cultura e desportos
Terça, 15 Junho 2010 02:00
150610_mundial O Diário - [Matteo Patrono] Dizem os jornalistas sul-africanos que a suite «renascentista» escolhida pelo presidente da FIFA, Joseph Blatter, no Hotek Michelangelo de Sandton, tinha uma passadeira vermelha diante da porta, uma habitação do tamanho de um campo de futebol, um «jacuzzi» decorado em estilo africano e um minibar individual com cubos de gelo da marca Evian.

As instalações estão no último piso de uma das torres do hotel de cinco estrelas que domina o distrito económico mais branco e mais rico de Johannesburgo. Monarca indiscutido da República mundial do futebol, o coronel construiu a sua sucessão a Havelange no trono da FIFA com os votos da Confederação África e a promessa (primeiro na Alemanha em 2000 e depois em 2004 na presença de Mandela) do primeiro Mundial da história do continente negro. Isso explica por que é uma figura tão popular na região. A tal ponto que num almoço de gala realizado em Johannesburgo, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, lhe atribuiu a Ordem dos Companheiros de Oliver Reginald Tambo, uma da mais prestigiosas do país atribuídas a personalidades estrangeiras. Tambo, juntamente com Mandela, foi um dos grandes lutadores contra el apartheid.

Vendo esta personagem não falta alguém disposto a encontrar na magnanimidade de Blatter, uma minudência para disfarçar as falhas da sua mastodôntica máquina de gerar dinheiro. Tal é o caso do semanário sul-africano Mail & Guardian que nos últimos meses meteu o nariz no grande negócio dos mundiais, onde deparou com uma parede. Dada a escassa colaboração do Comité Organizador Sul-Africano (LOC), dirigiu-se a um tribunal a pedir uma decisão que lhe proporcionasse acesso aos documentos oficiais relacionados com os contratos do campeonato do Mundo em nome da liberdade de informação. E logo, mesmo antes que o tribunal pronunciasse qualquer sentença, começaram a saltar alguns detalhes embaraçosos.

Antes de tudo o resto, as garantias concedidas pelo Governo de Pretória à FIFA, na altura de lhe atribuir a organização do Mundial, em 2004, confirmadas pelos diferentes ministros do executivo, então dirigido por Thabo Mbeki, e são 17, todas elas destruidoras da soberania do país, indefensáveis mesmo que a FIFA fosse o Fundo Monetário Internacional. Para começar, tanto a FIFA como as suas sociedades e delegações estão isentas do pagamento de impotos. Entre elas a Host, a empresa do neto de Blatter, que administrou a venda de entradas do Mundial, dos hotéis oficiais e dos pacotes de receptivo (apesar de para as Federações e para os seus amigos se assegurasse um desconto de 20% em todos os hotéis). Não haverá restrições para ninguém quanto à importação e exportação de moeda estrangeira. Num país onde ninguém pode ser atendido num hospital sem um seguro privado, o Governo ofereceu a este exército cobertura médica integral, além de segurança privada 24 horas por dia. Uma importante fracção das forças da ordem ficou adstrita e foi dirigida ao que é mais importante dos amores do chefe da FIFA: proteger a exclusividade dos sócios comerciais, os generosos e fidelíssimos patrocinadores em tudo o que respeita a marketing, marcas, direitos televisivos, propriedade intelectual. Inclusivamente no caso de controvérsias legais, a África do Sul comprometeu-se a pagar à FIFA uma indemnização para além do pagamento dos honorários dos advogados. Não vale a pena esclarecer que os processos contra os falsificadores e os vendedores não autorizados do logótipo do Mundial se multiplicam: só na África dos Sul são 450, 2.500 em todo o mundo. Alguns são ridículos: um bar de Pretória foi processado por ter pintado no seu próprio teto a Taça do Mundo, uma fábrica de caramelos por ter impresso sobre os invólucros da sua mercadoria uma bola de futebol e a bandeira da África do Sul. Aos vendedores de bebidas fora do estádio para garrafas neutras qualquer bebida que possa competir com a arquifamosa bebida de borbulhas que desde há 40 anos enche os cofres da FIFA. Mas o mais badalado é o da linha aérea de baixo custo, Kulula, que recebeu uma carta com aviso de recepção a dizer-lhe que retirasse imediatamente a genial publicidade lançada nos diários locais em Fevereiro: «A companhia não oficial do vós sabeis». Segundo a FIFA uma artimanha para fugir aos direitos de autor devido à presença de vuvuzelas, bolas e bandeiras sobre as quais o governo suíço do futebol pretende ter copyright absoluto. Isto apareceu rapidamente no Twiter, desencadeando uma onda de debates e protestos bem resumidos por Heidi Brauer, directora de marketing da Kulula: «É um pouco exagerado acreditar que tudo o que tem relação com o Campeonato do Mundo pertence à FIFA, as vuvuzelas, a bandeira nacional, o futebol pertencem à África do Sul. E a África do Sul pertence à África do Sul. Em contraparytida parece que vendemos os símbolos e a economia ao senhor Blatter».

Finalmente, a Kulula retirou a publicidade, mas a raiva pelo excesso de poder concedido à FIFA está muito difundida entre as pequenas e médias empresas sul-africanas, que esperavam obter alguns lucros com o grande acontecimento. Já houve quem recordasse que muitos dos processos postos pela FIFA na Alemanha há quatro anos ainda estão pendentes (é muito referido um contar um padeiro de Hamburgo que fez os seus pães com a forma da Taça do Campeonato do Mundo). E aqui regressa a jogo o Mail & Guardian, a quem na passada terça-feira um juiz do Supremo Tribunal de South Gauteng reconheceu o direito de acesso aos documentos sobre os contratos. O Comité Organizador, que pretendia ser um organismo privado livre da obrigação de transparência, deverá pôr à disposição do semanário, no prazo de 30 dias, a relação das sociedades que obtiveram a outorga de contratos em que ganham milhares de rands (indicando a que preço e sob que condições de licitação lhes foram atribuídos). «Recusar esses documentos – explicou o juiz Les Manson – permitiria aos organizadores ocultar da opinião pública eventuais casos de corrupção, violação ou incompetência». O director de Mail & Guardian, Nic Dawes, disse que também eles, como todos os sul-africanos, esperam com ansiedade o começo do Mundial mas «esta vitória mostra que a liberdade de informação é uma lei viva e não um pedaço de papel»

* Jornalista, enviado-especial de Il Manifesto à África do Sul

Este texto foi publicado no jornal italiano Il Manifesto de 10 de Junho de 2010.
Tradução de José Paulo Gascão

maio 20, 2010

Lutas sociais precisam se articular contra o modelo neodesenvolvimentista

MST

Lutas sociais precisam se articular contra o modelo neodesenvolvimentista


Brasil - Laboral/Economia
Quinta, 20 Maio 2010 02:00 
200510_lutasocial Adital - Camponeses, camponesas e movimentos sociais têm um grande desafio pela frente. Isso é o que afirma o pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores (Cepat), César Sanson. Presente no debate de ontem (18), no segundo dia do III Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Sanson acredita que um dos principais desafios para os movimentos sociais é perceber "o momento de profundas transformações que impactam a sociedade".
O pesquisador explica que o mundo está vivendo uma "crise civilizacional" composta não por apenas uma ou duas crises, mas por um conjunto de cinco crises: a econômica, a ecológica, a alimentar, a energética e a do trabalho. Crises que afetam gravemente o planeta e o homem. "A crise civilizatória ameaça a espécie humana", revela.

De acordo com ele, o sistema capitalista provoca uma forte "pressão no planeta Terra". Isso porque está relacionado ao modo de produzir e de consumir. "Para o capitalismo, o crescimento tem que ser infinito. E, para isso, ele precisa de recursos naturais, que são finitos", destaca.

De todas as crises vividas atualmente pela humanidade, Sanson ressalta a ecológica, que também está relacionada com as outras. Para ele, esse modelo que prega o "crescer, crescer e crescer" impacta principalmente o meio ambiente e as comunidades locais.

A opção pelos modelos desenvolvimentistas mostra isso. "O modelo neodesenvolvimentista é perverso. Os governos financiam projetos que impactam as comunidades", afirma. Para ele, Belo Monte é um exemplo claro. Segundo Sansnon, a ideia da construção da hidrelétrica no Rio Xingu é para fins econômicos, mas também está relacionado com a energia (produção energética) e com o ecológico (impacto ambiental). "Belo Monte é emblemático nesse aspecto. Que tipo de país nós queremos?", questiona.

Na opinião dele, é preciso articular as lutas sociais contra esses modelos e crises. "É necessário se contrapor a esse modelo com projetos alternativos", considera. E, para o pesquisador, a solução para essas crises será dada pelas comunidades locais. "A resposta [à crise civilizatória] virá do local, de experiências alternativas, do respeito ao meio ambiente", acredita.

III Congresso da CPT

O III Congresso Nacional da CPT começou na segunda-feira (17) e vai até a próxima sexta-feira (21) em Montes Claros (MG). O evento, que tem como tema "Biomas, Territórios e Diversidade Camponesa", reúne cerca de 900 pessoas, entre trabalhadores e trabalhadoras do campo, movimentos sociais e assessores da Comissão.

Na noite de hoje (19), as atividades do Congresso prosseguem com uma caminhada pelas ruas da cidade mineira em memória às vítimas da violência no campo. Os participantes sairão do Colégio São José, Marista, às 19h, e seguirão rumo à Igreja do Senhor do Bonfim, na Praça do Morrinho. No decorrer da caminhada, serão realizadas seis paradas, uma para cada bioma brasileiro: Amazônico, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.