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agosto 09, 2010

Votar em Serra é apostar na instabilidade política em toda América Latina


ptbr2010 | 28 de julho de 2010
Brasil é melhor se for solidário com vizinhos.

O coordenador do Programa de Governo da candidata petista Dilma Rousseff, Marco Aurélio Garcia, rebateu em entrevista à TVPT às acusações que José Serra tem feito à condução da política externa brasileira no governo Lula.

Marco Aurélio, que também é assessor da Presidência da República para Assuntos Internacionais, lamentou as declarações do tucano contra a integração regional e contra o novo protagonismo do Brasil na geopolítica mundial.

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Oleo do Diabo

Os cadernos de política de Globo, Folha e Estadão foram dedicados quase que integralmente à análise do debate de quinta-feira. Miriam Leitão não teve dúvidas e iniciou sua coluna com uma afirmação peremptória: "Serra venceu o debate". E observou que Dilma "poucas vezes assumiu postura presidencial".

Dora Kramer, do Estadão, não deixou por menos. Chamou Dilma de nervosa, insegura, antipática, sobressaltada e fora d"água.

As duas também elogiaram a petista, sobretudo no quesito "beleza" e "elegância". Dilma pode se candidatar a modelo, mas não a presidente.

Mas o que está me incomodando mesmo é esta transformação do debate numa arena de vida ou morte. A quem isto interessa?

Evidentemente, a Serra.

Um candidato que tenha um bom desempenho num debate não necessariamente será o mais adequado ao cargo de presidente da República.

A imprensa, subitamente, tornou-se fanática adepta do "personalismo" na política.

O melhor candidato não é aquele que sabe aplicar a melhor armadilha contra o opositor, num debate ao vivo, cheio de regras draconianas que, se evitam riscos de um lado, limitam a possibilidade do candidato se defender. Um candidato acusa o outro de uma coisa e como se poderá responder em apenas um ou dois minutos?

Se um candidato perder a voz, por exemplo, será o fim dele?

Tanto o debate não é tão importante como se alardeia que a população não mostrou grande interesse pelo evento, que registrou apenas 3 ou 4 pontos no Ibope, ficando atrás do Globo, do SPT e da Record. E porque o povo se desinteressou tanto? As pesquisas dos principais institutos não revelam todo este desinteresse. Há interesse no processo eleitoral. Mas não necessariamente em debates.

O que torna um candidato qualificado para o cargo de presidente da república são suas propostas, alianças partidárias, perfil ideológico, e não a sua esperteza e sangue frio num debate ao vivo.

Não se pode querer que Dilma se transforme, do dia para noite, numa gladiadora invencível.

Dilma é uma mulher forte, disso ninguém duvida. E competente também: seu trabalho à frente da Casa Civil respondeu por grande parte do sucesso do governo Lula nos últimos cinco anos.

Os áulicos de Serra na mídia, por outro lado, tem consciência das imensas fragilidades da candidatura tucana: os poucos aliados do tucano abandonam o navio, suas propostas são incoerentes e oportunistas, mostrou-se um político indeciso e desastrado em diversas ocasiões, é grosso com jornalistas. A única chance de Serra está nos debates. Experiente, cínico e mau caráter, Serra não hesitou em politizar a delicada questão das crianças especiais. O importante é pegar Dilma. As Apaes foram usadas eleitoralmete, sobretudo por parte de sua Federação, presidida por Eduardo Barbosa, deputado federal pelo PSDB mineiro.

O mais grave em Serra, contudo, é sua postura tacanha em política internacional.

Esta semana mesmo, o americano Mark Weisbrot, um think tank de peso no eixo EUA-Europa, fez uma acusação muito séria à Serra que nenhum colunista político repercutiu. Weisbrot criticou duramente a política externa do tucano, e afirmou que suas declarações fazem dele um representante submisso de Washington.

A eleição de Serra, isso todo mundo já percebeu, produziria uma enorme instabilidade política em toda América Latina. Sim, porque Lula sabe se relacionar com a direita do continente. Manteve boas relações com Bush, Uribe e Calderón, presidentes conservadores dos EUA, Colômbia e México. Serra, contudo, antes de ser presidente, já comprou briga e ofendeu gravemente os mandatários da Bolívia, Venezuela e Irã. 

março 29, 2010

Marco Aurélio fala de política externa

Marco Aurélio Garcia
Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

"Se o Brasil quer ingressar no Conselho de Segurança

como membro permanente, e quer, ele tem que assumir

todas as responsabilidades", afirmou Marco Aurélio Garcia.

Nota do blog: Colunista do Amazonas em Tempo, invocando humildade, abusa do preconceito para avaliar a política externa do Brasil, num momento de grande expectativa do país assumir assento no Conselho de Segurança da ONU, que certamente ele deve achar que é muita areia para o nosso caminhãozinho. Entre as pérolas, destaco: "O presidente Lula deliberou viajar ao Oriente Médio e, humildemente, devo confessar que ainda não consegui entender as razões que o levaram a quase atravessar o mundo para entabular conversa com israelenses e árabes, ainda mais na sua conhecida condição de monoglota, sujeito às imprecisões dos tradutores, escravo exclusivo do português, por sinal de duvidosa qualidade"... E por aí vai! Leia, abaixo, a entrevista de Marco Aurélio Garcia, Assessor Especial do Presidente da República para Assuntos Internacionais, há mais informações por centímetro quadrado do que o texto infeliz do colunista do ET.

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“Grande parte da mídia está de costas para a realidade”
Por Eduardo Sá, 25.03.2010

Ao final do lançamento do livro “Brasil, entre o passado e o futuro”, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), o Assessor Especial do Presidente da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, concedeu entrevista exclusiva ao Fazendo Media para falar sobre a política externa brasileira. Na conversa, Marco Aurélio fala sobre a integração latinoamericana, a polêmica intervenção brasileira no Haiti e a possibilidade de o Brasil se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

Qual a sua avaliação sobre a viagem do presidente Lula ao Oriente Médio, na perspectiva da política externa brasileira?

Nós fazemos uma avaliação muito positiva, realisticamente falando. O presidente já tinha iniciado uma ofensiva nessa direção no final do ano passado, quando ele recebeu no espaço de dez dias o presidente de Israel, o presidente da autoridade palestina e o presidente do Irã. Aí se sentaram as bases para ele continuar nessa ofensiva pela paz.

É importante dizer que todos esses três governantes tiveram palavras de encorajamento para essa iniciativa, ainda que eles tenham profundas divergências entre eles, como é sabido. Isso foi o que fortaleceu a nossa ideia de realizar essa viagem, ver de perto os problemas. Nós chegamos num momento difícil porque foi quando justamente deu-se aquele choque entre o governo de Israel e o governo dos Estados Unidos, pelo anúncio de Israel em continuar a construção das ocupações lá. Mas nós vamos continuar com esse trabalho, o ministro Amorim esteve na Síria para fazer consultas e em maio nós vamos fazer uma viagem que consideramos importante ao Irã.

Acho que dentro de alguns meses teremos condições de avaliar efetivamente qual foi o resultado mais concreto, esperamos ter êxito. Se não tivermos êxito, de qualquer maneira ninguém dirá que as coisas não caminharam porque nós nos omitimos: não, nós cumprimos aquela parte que nos parecia interessante e relevante.

Em relação à América Latina, houve muitos avanços no que diz respeito ao comércio e a economia. Mas como você vê uma integração mais consistente adiante, sobretudo do hemisfério sul?

Não é só na parte comercial. Nós estamos desenvolvendo programas de integração econômica também com diversos países, ajudando o processo de industrialização em países como a Venezuela, Bolívia e Uruguai. Achamos que agora um passo muito importante será o fortalecimento de instituições da Unasul, que nos permita efetivamente dar mais continuidade e efetividade. A Unasul não pode ficar exclusivamente subordinada à ação dos presidentes ou dos ministros das relações exteriores ou energia, estes se reúnem a cada seis meses, a cada ano, e não têm condições de dar continuidade prática. Então nós precisamos fortalecer a institucionalidade da Unasul para que ela possa efetivamente dar concretude às políticas que forem sendo defendidas.

No campo cultural não tem nada previsto para se concretizar uma efetiva aproximação dos povos?

No campo cultural eu acho que vão predominar, num determinado momento, as iniciativas nacionais que impactem em outros países. Hoje (22/03) eu estava conversando justamente com diplomatas latinoamericanos e chamando a atenção para a importância que vai ter para o processo de integração, que tem que ter uma dimensão cultural muito grande, o fato de nós criarmos uma universidade latinoamericana.

Será na região da tríplice fronteira, que vai ter metade de alunos brasileiros, metade de alunos de outros países, metade de professores brasileiros e o restante de outros países. Vai ser um campo de fertilização de idéias e produções muito forte, acho que nós temos que tocar diante. Por outro lado, incorporar cada vez mais as políticas culturais na dimensão das nossas atividades diplomáticas, que eu acho que ainda está insuficientemente colocado.

Uma coisa que implica nessa questão do intercâmbio cultural é a mídia, sem essa intermediação não dá para ter essa troca. Qual a sua observação sobre os meios de comunicação brasileiros?

Eu acho que uma grande parte da mídia está de costas para a realidade, mais do que de costas, ela está se opondo à evolução. Eu não proponho nenhuma medida restritiva, sou contra qualquer medida restritiva à mídia. Acho que nós temos que criar alternativas à mídia, e inclusive mais do que criar alternativas é você pensar sobre quais serão as mídias alternativas que vão contar no futuro. Quer dizer, tudo o que é a blogosfera, redes de TV alternativas, etc.

Os governos progressistas estão ainda muito atrasados nisso, há algumas iniciativas que são meritórias como a Telesur, que tem coisas interessantes, outras eu não acho tanto, e nós deveríamos nos inspirar em experiências desse tipo para levar adiante projetos. A Tv Brasil vai se internacionalizar em muito breve, isso pode ser uma oportunidade grande também de diversificarmos a nossa presença nos processos de integração.

Algumas missões no campo dos direitos humanos, e os setores progressistas em geral, têm denúncias contra a presença das tropas brasileiras no Haiti. Como você vê a participação brasileira nesse país?

Eu acho que essas denúncias são equivocadas, a maioria delas de pessoas que não põem os pés lá e vivem fora. Muitos haitianos que eu sei que estão comodamente instalados nos Estados Unidos ou no Canadá fazem essa denúncia. A Minustah, na qual os países sulamericanos têm uma presença muito grande, fez um trabalho de estabilização muito forte lá. Não há nenhuma denúncia consistente de repressão, diria que se fosse a polícia haitiana que estivesse ocupando para a estabilização, sem dúvida nenhuma o custo seria dez vezes maior. Me refiro à velha polícia haitiana e outras tropas de países de outras regiões que têm uma experiência invasiva. Pelo contrário, eu estive recentemente no Haiti, por onde já passei várias vezes, e pude constatar que os soldados brasileiros e os outros soldados da Minustah são muito bem recebidos. Evidentemente que eles sairão de lá no momento em que o governo do Haiti disser, ou no momento em que as Nações Unidas revogar o mandato que nós recebemos.

Nessa semana ocorreu um evento na PUC sobre o porquê da demora na reformulação da ONU. Diplomatas franceses e britânicos sustentaram a participação do Brasil no Conselho, mas ponderaram que isso exige medidas impopulares em determinadas circunstâncias e investimento de muito dinheiro e tropas militares. O Brasil tem condições para isso, atualmente?

Se o Brasil quer ingressar no Conselho de Segurança como membro permanente, e quer, ele tem que assumir todas as responsabilidades. Mas nós queremos mais do que ingressar no Conselho, queremos renovar as Nações Unidas e o Conselho de Segurança. Portanto, isso tudo e essas medidas chamadas impopulares serão objetos de discussão.

Quais seriam as posições brasileiras em relação a essas renovações a que você se refere?

Primeira coisa é que nós queremos que o Conselho de Segurança seja mais representativo, coisa que ele não é hoje. O Brasil não está pedindo para entrar sozinho, é porque o Conselho de Segurança que reflete a ordem mundial de 44/45 hoje em dia perdeu a sua representatividade. Então ele tem que ser refeito, e nós precisamos ter uma política [eu não gosto muito da palavra, mas vou usá-la] mais pró-ativa .

O Conselho de Segurança não pode ficar delegando para um país ou outro a resolução de conflitos que ele deveria resolver. Quem deveria estar hoje no Oriente Médio não é o negociador especial, mesmo o quarteto que já é um pouco mais representativo, quem deveria estar negociando lá era uma delegação do Conselho de Segurança.

Fonte: Fazendo Média - a média que a mídia faz

março 23, 2010

Conheça os "babacas" contrários à política externa do governo Lula

Tucanato
Nota do blog: FHC lidera os "babacas" de sempre. , tucano!

“Babaca” do Otavinho e a política externa

O chefão da Folha, Otavio Frias Filho, saiu da moita para atacar pessoalmente a política externa do governo Lula. Antes, ele terceirizava esta tarefa para seus jagunços de aluguel. Mas, parece, Otavinho está muito preocupado com a postura “ingênua e errática” do Itamaraty. O seu temor é que ela agrave as tensões com os EUA, o império tão endeusado pelas elites nativas. Para ele, o Brasil não deveria se intrometer nos conflitos internacionais, em especial no Oriente Médio.

Em artigo publicado na semana passada, ele soltou várias pérolas do servilismo colonizado. Ele avalia que o atual governo só comete erros na política externa – bem diferente do que pensam famosas lideranças mundiais, que inclusive passaram a defender o nome de Lula para secretário-geral da ONU. “Talvez seja a nossa inexperiência no palco do mundo, combinada à afoiteza do governo Lula em projetar a todo custo o peso geopolítico que o país já alcançou, o que nos leva a cometer equívocos em cascata e enveredar por um caminho temerário”, afirmou o sabichão.

Porta-voz do império e dos sionistas

Como porta-voz do império, Otavinho opina que os EUA “influem e se intrometem nos conflitos [do Oriente Médio] não para pavonear seu peso mundial, como parecem supor o nosso simplório presidente e o seu trêfego chanceler”. Dependente do petróleo, o império teria motivos reais para interferir; já o Brasil, uma nação periférica, deveria ficar caladinho no seu canto. Ele critica ainda a postura mais altiva do governo Lula na questão palestina. “A nossa ‘diplomacia do futebol’ tem pouco a fazer ali, exceto passar ridículo”, garante Otavinho, que mais parece um lobista sionista.

Ele também rejeita qualquer relação do Brasil com o Irã. “O que estamos fazendo é uma política errática, cheia de distorções seletivas, de modo que a questão dos direitos humanos, por exemplo, deixa de ter qualquer valor no trato com inimigos de Washington, os quais adulamos para sermos vistos como ‘independentes’”. Para ele, esta conduta é pura provocação. Ele lembra que o novo embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, recentemente fez ameaças veladas ao governo Lula. “Vamos começar a nos esbarrar por ai”, rosnou o prepotente serviçal de Barack Obama.

Otavinho para chanceler de Serra

Otavinho deve ter urinado nas calças. “Não precisamos buscar sarnas para nos coçar”, lamuriou. Por isso, ele propõe uma postura mais passiva e dócil da diplomacia brasileira, talvez um retorno ao “alinhamento automático” de FHC com os EUA. “Vamos confrontar os Estados Unidos, sim, e cada vez mais. Mas vamos fazê-lo quando for relevante ao Brasil, não para realizar as fantasias ideológicas da militância que aplaude o presidente Lula e seu chanceler Celso Amorim, o qual errou mais uma vez quando se filiou no ano passado ao PT. Chanceler não deveria ter partido”.

Por que o diretor da Folha nunca criticou Celso Lafer, o chanceler de FHC que ficou famoso ao tirar seus sapatinhos nos aeroportos dos EUA num gesto de servilismo, por ele ser um quadro do PSDB? Já que propõe cautela diante do império, por que não aproveitou para criticar a chanceler Hilary Clinton pela liderança no Partido Democrata dos EUA? Será que o “simplório” Otavinho – no dicionário, o termo também equivale a “tolo” e a “babaca” – já estaria postulando a vaga de ministro das Relações Exteriores num futuro, e cada vez mais distante, governo José Serra?

Por coincidência, na mesma semana em que Otavinho saiu da moita, o ex-presidente FHC voltou à carga contra a política externa do governo Lula. A insônia de José Serra deve ter se piorado, já que cada vez que ele arrota as suas besteiras, o presidenciável tucano perde pontos nas pesquisas. Numa palestra na Academia Brasileira de Letras, registrada na FSP (Folha Serra Presidente), ele pregou “uma relação mais estreita com os Estados Unidos” e defendeu que o Brasil exerça uma “ação de moderação na América Latina” – com certeza, contra o “radicalismo” de Hugo Chávez, Evo Morales, Raul Castro e outros governantes da região. Otavinho, FHC e Serra se merecem!

Fonte: Altamiro Borges