Inferno astral - Depois da prisão do deputado estadual Wallace Souza, anuncia-se o pedido de prisão do vereador Fausto Souza e do vice-prefeito de Manaus Carlos Souza. Sobre os dois últimos pesa a acusação de organização que forja provas e intimida testemunhas; o primeiro, responderá por acusação de associação com tráfico de trogas e suspeita de envolvimento com assassinato - a mesma acusação pela qual responde o filho Rafael Souza, igualmente preso.
Sensacionalismo versus políticas públicas - O desfecho trágico da trajetória política dos irmãos Souza remonta a uma página da história da TV amazonense que passou a veicular programas de conteúdo sensacionalista, na esteira da escassez de políticas públicas de combate à violência urbana. Crentes de que a questão do crime na sociedade atual se resolve com slogans duvidosos - "bandido bom é aquele que mofa na cadeia", entre outros - o programa de TV dos irmãos Souza passou a fazer o que é competência do poder público: "caçar bandidos", para usar uma expressão que caiu no gosto popular, influenciada pela mídia sensacionalista.
A ética do capital - O sucesso da audiência foi tanto que os irmãos Souza tiveram acesso garantido ao parlamento amazonense. Com esse aumento adicional de poder, o programa só sairia do ar devido às disputas internas no grupo político dos três apresentadores de programa de TV. Não por acaso com o dono da TV que os empregou, pertencente ao mesmo partido político. Depois de ver seus interesses contrariados por uma jogada política de um cacique da política local, o empresário dispensou, sem dó nem piedade, o trio que engordava a caixinha da empresa. Não fosse esse detalhe, o programa ainda estaria no ar. É a falta de escrúpulos do empresariamento desse tipo de programa de TV, como o dos irmãos Souza, que está por merecer uma análise mais acurada. TV é concessão pública. Faz-se necessário uma outra regulamentação. Quem sabe tenhamos novidades na Conferência Nacional de Comunicação!
PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
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novembro 06, 2009
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