PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
O professor do Instituto de Geociências da Universidade Federal Fluminense (UFF), Adalberto da Silva aponta que a instituição já havia feito relatório apontando a ocupação irregular em área onde funcionava o lixão de Niterói. E repassou para a prefeitura, que nega. Solo frágil e encharcado foi decisivo para esta tragédia anunciada. Reportagem: André Naddeo. Imagens: Vagner Masseaux.
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Nós, moradores de favelas de Niterói, fomos duramente atingidos por uma tragédia de grandes dimensões. Essa tragédia, mais do que resultado das chuvas, foi causada pela omissão do poder público. A prefeitura de Niterói investe em obras milionárias para enfeitar a cidade e não faz asobras de infra-estrutura que poderiam salvar vidas. As comunidades de Niterói estão abandonadas à sua própria sorte.
Enquanto isso, com a conivência do poder público, a especulação imobiliária depreda o meio ambiente, ocupa o solo urbano de modo desordenado e submete toda a população à sua ganância.
Quando ainda escavamos a terra com nossas mãos para retirarmos os corposdas dezenas de mortos nos deslizamentos, ouvimos o prefeito Jorge Roberto Silveira, o secretário de obras Mocarzel, o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula colocarem em nossas costas a culpa pela tragédia. Estamos indignados, revoltados e recusamos essa culpa. Nossa dor está sendo usada para legitimar os projetos de remoção e retirar o nosso direito à cidade.
Nós, favelados, somos parte da cidade e a construímos com nossas mãos e nosso suor. Não podemos ser culpados por sofrermos com décadas de abandono, por sermos vítimas da brutal desigualdade social brasileira e de um modelo urbano excludente. Os que nos culpam, justamente no momentoem que mais precisamos de apoio e solidariedade, jamais souberam o que éperder sua casa, seus pertences, sua vida e sua história em situações como a que vivemos agora.
Nossa indignação é ainda maior que nossa tristeza e, em respeito à nossador, exigimos o retratamento imediato das autoridades públicas.
Ao invés de declarações que culpam a chuva ou os mortos, queremos o compromisso com políticas públicas que nos respeitem como cidadãos e seres humanos.
Comitê de Mobilização e Solidariedade das Favelas de Niterói Associação de Moradores do Morro do Estado Associação de Moradores do Morro da Chácara
umbrelaucs—8 de abril de 2010 — As cenas do desespero mostram a dimensão humana da tragédia que aconteceu no Morro do Bumba, Região do Cubango, em Niterói. Corpos ainda são resgatados no local e a estimativa da Defesa Civil é de que haja 200 pessoas soterradas.
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Globo mente para crucifica prefeito de Niterói. E volta a escrever editorial
10/abril/2010 10:57
Ao lado deste "Caminho Niemeyer" ficará a estação Getulio Vargas. A Globo não vai aguentar
“Niterói deixou de remover outra favela condenada. Morro do Céu, a 2 km do Bumba, também permanece junto a um lixão.”
O Globo diz que a favela nasceu junto a um lixão, o do Caramujo, que substituiu o do Morro do Bumba, que veio abaixo e pode ter soterrado 200 pessoas.
A Fátima Bernardes esteve ontem no Caramujo.
Eu também.
Ela sabe que os moradores do Morro do Céu se estabeleceram lá ANTES de a área mais alta se transformar num lixão.
Portanto, não ocorreu o mesmo do Bumba, onde os moradores construiram casas em cima de um lixão que já existia, desativado e compactado.
A favela do Morro do Céu NÃO está condenada.
A menos que tenha sido pelos geólogos da página de editoriais do Globo.
A disputa lá é por indenização.
É claro que eles querem mudar dali, sair de perto de um lixão horroroso.
E disputam com a Prefeitura o valor de suas casas.
A Fátima Bernardes sabe disso, porque viu os cartazes que os moradores prepararam para o jornal nacional (e para a Record).
O jornal nacional e o Globo dizem que o prefeito Jorge Roberto Silveira, eleito pelo povo de Niterói QUATRO vezes, não removeu os moradores do Bumba, “apesar de o município (?) ter sido alertado por estudos da UFF”.
Eu entrevistei Jorge Roberto ontem.,
Eu, uma repórter da Globo, um repórter da TV Brasil e, por telefone, apresentadores da Record News.
A todos ele disse que não sabia que o Bumba pudesse desabar.
Não teve conhecimento de estudo NENHUM.
Que o lixão do Bumba tinha sido desativado nos anos 80, antes que ele tivesse sido eleito pela primeira vez.
Que, para ele, aquela era uma das regiões pobres de Niterói, que ele dotou de escola e serviço médico.
A rua asfaltada que envolve a area desabada do Bumba foi construida antes dele.
À TV Brasil Jorge Roberto perguntou: qual é o problema – levar assistência aos pobres ?
Dede ante-ontem e ontem, no Bom Dia (?) Brasil – onde a urubóloga Miriam Leitão agora pontifica sobre lixo – a Globo insiste em não deixar o Jorge Roberto dizer que não teve conhecimento de estudo que condenasse o Bumba.
A Globo corta a resposta antes.
O editorial deste sábado do Globo (” falácia da urbanização das favelas” ) é uma repetição sistemática das ideias do Carlos Lacerda sobre os pobres do Rio: removê-los.
De preferência para o Quinto dos Infernos.
O editorialista do Globo (falta-lhe o sinistro talento do Carlos) diz que políticas de urbanização de favelas são populismo, não resolvem o problema e que obras como o PAC no Alemão, na Rocinha – isso tudo é malandragem eleitoral.
O problema da Globo são os pobres.
E o povo não é bobo.
Fui agora de manhã comprar o Globo numa banca na Nossa Senhora de Copacabana, na Zona Sul do Rio.
Mostrei a manchete ao jornaleiro: “Niterói deixou de remover outra favela condenada”.
- Você viu isso ?
Ele respondeu:
- Isso é cascata da Globo. (Note que ele fala do jornal como se fosse a TV – PHA)
O problema do(a) Globo é que o governador, prefeito do Rio e de Niterói não é o Carlos Lacerda.
Aquele que removia favelas na Zona Sul, abria espaço para empresas imobiliárias, e criava centros de delinquência na Zona Norte.
O único defeito é que ainda assim as favelas ficavam muito perto da Zona Sul.
Melhor seria se tivessem sido removidas para a Ilha do Diabo.
Qual é o o problema da(o) Globo com o Jorge Roberto ?
Jorge Roberto Silveira representa uma das mais nobres familias de políticos trabalhistas do Estado do Rio.
O pai – Roberto Silveira – morreu num desastre de helicóptero quando governava o Estado.
O tio, Badger, também foi governador.
Todos trabalhistas, getulistas, janguistas, brizolistas.
Jorge Roberto é do PDT, partido que a Globo(o) menciona em todas as reportagens sobre a tragédia de Niterói.
(Em São Paulo, no Alagão do Zé Inacabado, a Globo não mencionou o partido DEMO-tucano, nem o nome do governador. Uma questão de disciplina (*).)
Jorge Roberto está para concluir o “Caminho Niemeyer”, um conjunto urbanístico maravilhoso, desenhado por Oscar, e que vai conter um Museu com toda os estudos, maquetes, rascunhos, desenhos de Niemeyer.
O “Caminho” vai se encontrar com o Museu do Niemeyer, uma das melhores obras do arquiteto, de frente para a Baia de Guanabara.
Deslumbrante.
Ao lado estará uma estação rodoviária que se chamará “Getúlio Vargas”.
Outra obra de Niterói tem o nome de João Goulart.
Os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – têm memória.
Eles sabem que o pai ajudou Vargas a meter uma bala no peito.
Eles perseguem Vargas até depois de morto.
O problema é que nós, amigos navegantes, também temos memória.
E sabemos que a UDN só chega ao poder com o Golpe .
Paulo Henrique Amorim (*) O Zé Incacabado, como se sabe, agasalhou um trampo da Globo: tornou escola “técnica” para empregados da Globo uma área que a Globo invadiu por 11 anos. Uma operação igual à da Cutrale, onde o Serra mandou bater no pessoal do MST.
(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista
Operação Irregular Despeja na Chuva Família Indígena em Itaipu (Niterói)
Murilo Marques Filho
Na última quinta-feira, dia 25/02/2010, no loteamento Maravista, em Itaipu (Niterói - RJ), uma família de índios Guajajara - Pajé, esposa e sete crianças entre 2 e 14 anos - foi despejada na chuva, na lama, sem tempo suficiente sequer para recolher todos os seus pertences (a ação está gravada em vídeo).
Uma mega-operação foi formada - que contou com representantes municipais da Secretaria de Obras, Meio Ambiente, Assistência Social, Conselho Tutelar, Fiscalização, Controle Urbano e apoio da Guarda Municipal, Polícia Civil e Polícia Militar, somando mais de 50 pessoas - para derrubar uma simples casa de barro e taboca (taquara); a ação foi comandada pessoalmente pelo Secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói, José Antonio Fernandes (Zaff), que teve o seu deboche registrado em vídeo, além de haver alegado diante de dezenas de testemunhas (para justificar a operação) que: "Índio em Niterói só o Araribóia!"
O jornal O Globo - Niterói que tinha conhecimento total da operação, assim como conhecimento prévio da intenção da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de agir contra os indígenas, não enviou nenhuma equipe ao local com a possível intenção de preservar a imagem do secretário Zaff - um político que certamente não quer ser visto pela opinião pública como racista nem algoz de crianças indígenas - ou, numa hipótese pior ainda, para não testemunhar possíveis truculências, em um caso flagrante de omissão profissional. Uma viatura da Polícia Civil estacionou na entrada do terreno e policiais desceram em direção da casa cerca de cinco ou dez minutos antes da chegada dos agentes municipais, mas ao verem uma câmera de vídeo retornaram ao carro (o que faz crer que, com a ausência de uma câmera para testemunhar, a ação poderia ter sido mais severa).
Sob a justificativa de que se tratava de área de preservação ambiental, não houve notificação prévia do despejo, pegando todos de surpresa em um dia de muita chuva e lama. A casa, construída dentro de um loteamento reconhecido pela própria prefeitura (ver mapa em anexo), em terreno comprado com dinheiro próprio, foi derrubada logo em seguida, sem nenhuma chance de conversação.
Os agentes públicos já entraram na propriedade dizendo ao Pajé Shimon Tenetehara que arrumasse "suas coisas", pois teria que sair imediatamente e "decidir logo" se iria com a família "para um abrigo ou de volta para o Maranhão". Diziam ao Pajé, entre outras coisas, que é difícil arrumar matricula nos colégios públicos da cidade e que os seus filhos "tomam as vagas de crianças de Niterói".
Um dos agentes municipais que coordenavam a operação se recusou a falar - por celular - com o advogado da família, Arão da Providência, da Comissão de Direitos Humanos da OAB - que se encontrava preso em um engarrafamento na Ponte Rio Niterói, se dirigindo para o local com a escritura do terreno e o mapa do loteamento - mandando derrubar a construção imediatamente. Alegaram que uma árvore havia sido cortada pelos indígenas, o que caracterizaria crime ambiental, mas registros em vídeo feitos no terreno antes mesmo da chegada da família Guajajara (e durante todo o processo de construção da casa) provam que o local era um antigo campo de futebol tomado por um capinzal - não havendo árvores a serem cortadas.
Diante da alegação de que - exatamente defronte ao local aonde os agentes estacionaram as viaturas - há um casarão de dois andares com cerca de 20 árvores cortadas no terreno (os tocos escandalosamente aparentes) e que a 50 metros da humilde casa Guajajara há uma mansão de três andares construída sobre a pedra (o que é ilícito ambiental previsto pelo Sistema Nacional Único de Conservação) e habitada por norte-americanos, fica claro que a mega-operação da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói contra a habitação indígena se caracteriza como um nítido exemplo de racismo e perseguição contra os índios brasileiros, os servidores municipais se calaram e seguiram no seu trabalho de coação e destruição.
Enquanto a casa era derrubada, membros do Conselho Tutelar afirmaram com cinismo terrorista que era preciso "levar as crianças", pois estariam "expostos em situação de risco sob a chuva" (as crianças, todas matriculadas em escolas públicas da região estavam bem, felizes e protegidas da chuva e sob o amparo e o aconchego familiar momentos antes da operação que derrubou o seu lar - como provam as imagens em vídeo). A tortura psicológica cruel e desnecessária - imposta por puro sadismo, como um tormento a mais - só cessou quando chegaram os parentes de Shimon Tenetehara que vivem no Rio de Janeiro, entre eles um advogado.
A esposa do Pajé, Maria, que teve pertences destruídos, passou mal durante a operação, desmaiando e ficando caída no chão. Nenhum dos cerca de 50 servidores e representantes municipais, tão ciosos em aterrorizar a senhora, que sofre com a pressão alta, fez a mínima menção de socorrê-la ou de chamar uma ambulância. As crianças choravam em desespero sob a indiferença dos agentes.
Durante a ação, o taxista Marcos Miranda teve o seu direito de ir e vir cerceado por um policial civil que o mandou parar, sendo impedido de aproximar seu carro do terreno, mesmo tendo declarado que estava fazendo um trabalho para o advogado Arão da Providência - só podendo subir a rua com a operação finalizada.
Agentes da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói já haviam estado no terreno na segunda-feira, dia 22/02, alegando que averiguavam uma denúncia de que haviam "cortado uma árvore" e expressaram a preocupação com a possibilidade do local se transformar em uma "favela indígena" (o que denota mais inquietação quanto aos danos na cotação da área no mercado imobiliário do que propriamente com a questão ambiental). No dia seguinte, representantes da família indígena foram à Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói e conversaram com os fiscais que lá estiveram e esses disseram que não havia processo administrativo nem flagrante ambiental, afirmando que nada fariam contra a família que se encontrava no local.
Na ocasião, os representantes Guajajara - proprietários do terreno - manifestaram o interesse de apresentar ao secretário Zaff um Plano de Manejo Sustentável, projeto que daria destinação à propriedade, aprovado pelas populações tradicionais de Niterói e pelo Fórum Estadual Intersetorial "Voz aos Povos: Quilombolas, Assentados e Acampados Rurais, Indígenas e Pescadores Artesanais", entre outros fóruns e conselhos. Ficou marcada uma reunião com o secretário Zaff para ontem, dia 26/02, às 11 horas da manhã, o que indica que esse atropelo de agenda feito pela secretaria - em ação, marcada pela total ausência de contraditório e pelo desrespeito à dignidade humana, sobre uma área na qual não havia processo administrativo até o dia 23/02 - pode ser interpretada como fruto de decisão pessoal de José Carlos Fernandes, o Zaff , que não quer saber de projeto de manejo sustentável, muito menos de famílias indígenas habitando em Niterói.
A atitude discriminatória e persecutória das autoridades municipais atingiu em cheio os moradores tradicionais da região que foram ameaçados de perder suas posses caso tentassem "ajudar os índios". Uma família de ocupantes tradicionais, desprovida de recursos, teve a sua caixa d'água apreendida por ter dado apoio e solidariedade aos indígenas durante a operação de quinta-feira. Ontem, 26/02, agentes municipais foram à casa de uma vizinha solidária, moradora tradicional, e, coagindo a senhora - e apresentando uma atitude debochada, rindo e fazendo piadas -, retiraram pertences da família indígena que ela havia guardado para devolver e levaram para o Depósito Municipal.
O atual secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói - herdeiro da Expresso Barreto, uma das empresas de ônibus que mais desrespeitam o usuário no município - é bem conhecido pela sua ligação afetuosa com o mercado imobiliário. Quando vereador, Zaff não apenas demonstrou ser um ótimo amigo das empresas do ramo, como apresentou moção de congratulação à Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Niterói, a ADEMI, em 2007. Uma das realizações de Zaff quando edil foi a de conceder título de Cidadão Niteroiense ao seu bom camarada Stuessel Amora, um nome fortemente ligado à especulação imobiliária que promoveu campanha impiedosa e racista contra a presença de índios em Niterói em 2008, apresentando, inclusive - por meio da Soprecam, entidade da qual é eterno presidente -, uma liminar acatada pelo Juiz Luiz Clemente Pereira Filho, da Terceira Vara Federal, visando "impedir o aumento da população indígena em Camboinhas".
Engana-se quem pensa que o Governo Jorge Roberto Silveira cometeu um equívoco ao escolher um personagem tão desvinculado ao ambientalismo como José Antonio Fernandes para a pasta de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. O prefeito - cujo ato final de seu último governo foi a aprovação do PUR (Plano Urbanístico Regional), que passava por cima de toda legislação ambiental e de proteção ao patrimônio histórico, prevendo edificações sobre áreas de proteção ambiental e sobre sítios arqueológicos da cidade - paga ao jovem herdeiro do setor de transportes a sua fidelidade ao setor imobiliário.
A ação covarde e racista promovida pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos no loteamento coalhado de placas de "vende-se" (não é segredo para o poder público municipal que o terreno ao lado da casa do Pajé está sendo vendido com o "habite-se" incluído, o que significará uma derrubada considerável de árvores), sob a alegação de se tratar de uma "área de proteção ambiental", demonstra uma clara preocupação de que a área desvalorize com o possível surgimento de "uma favela indígena" - segundo a expressão cunhada por Stuessel Amora - e nenhuma preocupação com o meio ambiente em si.
O único crime que os Guajajara desalojados em Maravista cometeram foi o de serem pobres - indígenas - e de construírem uma humilde casinha de taquara; o único "ilícito" cometido pelo Pajé Shimon Tenetehara foi o de ser indígena e ocupar - legalmente - uma área cobiçada pela especulação imobiliária.
A dor e a impotência do casal indígena e o terror experimentado pelas suas crianças ficarão gravados na carne. Dinheiro algum pagará por esse dano. Graças à imagem em movimento - e à invenção da câmera digital - esse terror ficará para sempre marcado na carreira política do senhor Zaff, junto ao seu desprezo pelas populações pobres e marginalizadas, o seu racismo, a sua desfaçatez, a sua total ausência de compaixão, a sua covardia. O Governo Jorge Roberto Silveira tenta imprimir - a ferro e fogo - a imagem de que a Região Oceânica de Niterói não é "Terra de Índio" e, sim, uma Mônaco tropical, cafona e de cunho privado, destinada a novos burgueses e bem-nascidos. Mas a verdade luminosa que o Brasil inteiro é - por direito ancestral - berço e morada legítima dos Povos Originários - e de seus descendentes - para sempre resplandecerá nessa terra. Maiores informações: 021-9569-6568