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novembro 23, 2010

Lula concede entrevista histórica aos "blogueiros sujos"

PICICA: "A coletiva constitui mais um marco na ascensão da blogosfera em 2010. “É uma vitória dos ‘blogs sujos’”, diz Miro, em ironia ao presidenciável do PSDB, José Serra. Às vésperas do Encontro de Blogueiros Progressistas, o tucano chamou de “sujos” os blogs que denunciavam as contradições de sua candidatura."

Lula dá entrevista a blogueiros sujos

    Publicado em 23/11/2010
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Sujos, porém destemidos

Extraído do site do Barão de Itararé:

Lula concede entrevista histórica à blogosfera nesta 4ª feira


A 37 dias do fim de seu mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concederá uma entrevista coletiva histórica, às 9 horas desta quarta-feira (24), no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). De forma inédita, Lula estará frente a frente não com jornalistas da mídia grande e golpista — mas, sim, com pelo menos dez representantes da blogosfera progressista.


Os entrevistadores confirmados são Altamiro Borges (Blog do Miro), Altino Machado (Blog do Altino), Cloaca (Cloaca News), Conceição Lemes (Viomundo), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Leandro Fortes (Brasilia Eu Vi), Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do Rovai), Rodrigo Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio Vianna). Segundo Rovai — um dos articuladores da iniciativa —, “outros dois blogueiros buscam desmarcar compromissos para se integrar ao grupo”.


A entrevista com Lula foi reivindicada pela blogosfera em julho e tornou-se mais viável no mês seguinte, quando 330 blogueiros e tuiteiros participaram, em São Paulo, do 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. O evento será exibido em tempo real pelo Blog do Planalto.


“Não dava para incluir na entrevista os 330 participantes do Encontro — mas todos eles poderão participar na hora, por chat”, afirma o jornalista-blogueiro Altamiro Borges, o Miro, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.


A coletiva constitui mais um marco na ascensão da blogosfera em 2010. “É uma vitória dos ‘blogs sujos’”, diz Miro, em ironia ao presidenciável do PSDB, José Serra. Às vésperas do Encontro de Blogueiros Progressistas, o tucano chamou de “sujos” os blogs que denunciavam as contradições de sua candidatura.


“Além de ter promovido um encontro nacional bem-sucedido, a blogosfera se organizou, teve papel relevante na campanha eleitoral e vem ganhando reconhecimento. Uma entrevista com o presidente só fortalece nossa luta”, agrega Miro.


Segundo ele, a coletiva não será “chapa-branca”, apesar do apoio maciço da blogosfera progressista ao governo Lula. “Não é uma festa. É uma entrevista séria, jornalística. Ninguém aqui vai se reunir com Lula para bajulá-lo ou poupá-lo de perguntas apimentadas.”


Em seu blog, Renato Rovai também saudou o acontecimento. “Será uma entrevista coletiva, mas também é um momento de celebração da diversidade informativa. Ao abrir sua agenda à blogosfera o presidente demonstra estar atento às transformações que acontecem no espaço midiático e ao mesmo tempo atesta a importância dessa nova esfera pública da comunicação.”


(André Cintra)


Fonte: Conversa Afiada

novembro 20, 2010

A verdadeira liberdade de imprensa, segundo Mino Carta

PICICA: "(...) na minha opinião, é impossível mudar a história da mídia nativa, francamente medieval, sem leis que, apresentadas e aprovadas no Congresso, protejam o profissional e fixem limites à propriedade concomitante de jornais, revistas, rádios, tevês, portais, sites e o que mais se oferecer à volúpia do poder, total e avassalador."

Mino: como e por que a Ley de Medios, já !

    Publicado em 19/11/2010
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Franklin: censura são outros 500

O Conversa Afiada reproduz do site da Carta Capital artigo do Mino sobre a Ley de Medios (embora ele não use a expressão, extraída da Ley da Cristina Kirchner, um exemplo a ser seguido, aqui).

Confusões da hora


Por Mino Carta.


Pequena história pessoal para explicar o que significa garantir a verdadeira liberdade de imprensa


No final de 1956 saí do Brasil para ir trabalhar na Itália. No jornal turinês La Gazzetta Del Popolo, e 2 de janeiro de 1957 foi o primeiro dia de serviço. Lá fiquei por um ano e três meses. Foi bom aprendizado, de vários pontos de vista. Por exemplo, entendi como seria possível produzir um jornal de qualidade, bem escrito e bem acabado, com uma redação menor do que a dos brasileiros e resultados melhores. A começar pela escrita, fluente, rica, elegante. Era o tempo de um processo judicial ruidoso, a envolver socialites e políticos influentes, de mais a mais realizado em Veneza, cenário deslumbrante, sem falar da presença no tribunal de juristas de fama mundial, entre eles um certo Carnelutti de quem muito ouvira e estudara na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.


A Gazzetta enviou a Veneza quatro jornalistas, dois deles tinham cerca de 30 anos, para cobrir o evento de ângulos diversos. Todos escreviam a bico de pena sem descurar da precisão das informações. Nada de preocupações com leads e pirâmides invertidas, muito menos em empregar algo em torno de cem palavras, se possível curtas. Descobri mais tarde que o chamado new journalism é invenção americana, na Europa foi praticado desde sempre.


Aprendi muito com alguns amigos em um país esperançoso às vésperas daquele que seria chamado o milagre italiano, onde era possível aprovar no Parlamento leis de alto conteúdo democrático. Algumas afirmavam o respeito devido à profissão jornalística. Deitaram raízes e até hoje mantêm a validade. Uma determinava que o patrão não poderia ser diretor de redação e sequer jornalista de carteirinha, como se dá no Brasil.


O dono da Gazzetta era um produtor de biscoitos e guloseimas variadas em Saluzzo, a poucas dezenas de quilômetros de Turim. Lá pelas tantas, seduzido pela política, fora eleito senador pelo Partido Democrata-Cristão, majoritário no Congresso e à testa do governo. Jamais o conheci. Mais, nunca o vi na redação e em qualquer dependência do jornal. Os negócios, contudo, não iam como ele teria desejado, de sorte que, em troca de ajuda financeira aos seus biscoitos, permitiu que a Gazzetta se tornasse órgão para-democrata-cristão.


Interferiu a meu favor, e da minha vontade de passar umas férias no Brasil, outra lei preciosa. Contratado por um jornal que alegava defender certa linha política (a Gazzetta se intitulava como “matutino independente”) em caso de mudança de orientação o profissional estava habilitado a pedir demissão com pleno direito à indenização prevista no seu contrato. Ganhei um dinheirinho não de todo desprezível e passei dois meses aqui na terra.


Conto esse meu passado para explicar por que, na minha opinião, é impossível mudar a história da mídia nativa, francamente medieval, sem leis que, apresentadas e aprovadas no Congresso, protejam o profissional e fixem limites à propriedade concomitante de jornais, revistas, rádios, tevês, portais, sites e o que mais se oferecer à volúpia do poder, total e avassalador. Ou, se preferirem, ao monopólio. Illo tempore, na Itália rádio e tevê eram estatais e, está claro, foi preciso ampliar com o tempo o alcance das leis.


Quanto a nós, precisaríamos contar com um Parlamento diferente daquele que tivemos e, ao que tudo indica, teremos, repleto de deputados e senadores donos de meios de comunicação. Trata-se de uma aberração em um país que pretende ser democrático. Nos últimos dias, fiquei impressionado com cartas e e-mails de leitores que confundem a regulação proposta pelo ministro das Comunicações, Franklin Martins, com supostas limitações impostas à mídia nativa pelo Executivo.


Trata-se, insisto, de questões diversas. A regulação dos meios eletrônicos é aquela solicitada pelo ministro, e é indispensável para adaptar as leis em vigor, anacrônicas, à nova situação. É preciso entender, porém, que o remédio destinado a coibir a prepotência da imprensa golpista tem de ser aviado pelo Legislativo, por meio de leis similares àquelas aprovadas pelo Parlamento italiano nos meus anos verdolengos.

 Fonte: Conversa Afiada

novembro 10, 2010

Marco regulatório vs. liberdade da imprensa, segundo Venício Lima

PICICA: "Regular a mídia é ampliar a liberdade de expressão, a liberdade da imprensa, a pluralidade e a diversidade. Regular a mídia é garantir mais – e não menos – democracia. É caminhar no sentido do pleno reconhecimento do direito à comunicação como um direito fundamental da cidadania".

Venício: Dilma quer ampliar a liberdade de expressão


O Venício entendeu o que a Judith não quer entender

O professor Venício Lima lançou recentemente o importante livro “Liberdade de imprensa x liberdade de expressão” – clique aqui para ver a entrevista com ele.

Faz pouco tempo, o Conversa Afiada publicou artigo dele sobre a legalidade dos conselhos estaduais de comunicação, num debate imaginário com a presidente da ANJ, Judith Brito, que deveria ter sido a vice do Serra.

Agora, neste post na Carta Maior, o professor Venício, de novo, põe os pingos nos iiis.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, diria o filósofo Juarez Soares.

O que a Dilma quer é fixar um marco regulatório – clique aqui para ler “Dilma vai de banda larga e de Comparato”.

Censurar a imprensa é um delirio do PiG (*) e de seus colonistas (*), papel que Fábio Panunzio passou a desempenhar, em prejuízo de uma promissora carreira de repórter.

Eles não querem a liberdade de expressão.

Querem é a liberdade dos donos dos órgãos de imprensa.

Vamos ao que diz o Venício (e a Dilma):

Marco regulatório vs. liberdade da imprensa

Regular a mídia é ampliar a liberdade de expressão, a liberdade da imprensa, a pluralidade e a diversidade. Regular a mídia é garantir mais – e não menos – democracia. É caminhar no sentido do pleno reconhecimento do direito à comunicação como um direito fundamental da cidadania.

Venício Lima

Em entrevista concedida ao Jornal da Band, no último dia 2/11, a presidente eleita Dilma Rousseff tentou esclarecer, pela undécima vez, uma diferença que a grande mídia e seus aliados têm ignorado e, arriscaria a dizer, deliberadamente confundido: marco regulatório da mídia não tem nada a ver com qualquer restrição à liberdade da imprensa.


Diante da inescapável pauta sobre as “ameaças à democracia e à liberdade de expressão e de imprensa” que o país estaria enfrentando, o apresentador, Fábio Pannunzio, pergunta:


Apresentador – Esse é um assunto que, apesar de a senhora ter falado mil vezes disso, ainda não ficou claro o suficiente para que as pessoas possam entender. Então, vou insistir na pergunta. A senhora disse no seu discurso de anteontem [31/10] que prefere o barulho de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras, não é? A senhora estava se referindo a isso que se atribuí ao PT, que há uma tentativa de controlar a liberdade de imprensa no Brasil? (…)


Presidente eleita – Veja bem, você tem de distinguir duas coisas: marco regulatório de um controle do conteúdo na mídia. O controle social da mídia, se for de conteúdo, ele é um absurdo! É, de fato, um acinte à liberdade de imprensa, com esse acinte eu não compactuo. Jamais compactuarei.


Apresentador – A senhora vetaria se chegasse à sua mesa?


Presidente eleita – Se chegar na minha mesa qualquer tentativa de coibir a imprensa, no que se refere a divulgação de ideias, posições, propostas, opiniões, enfim, tudo que for conteúdo, eu acho que é isso que eu falei mesmo, o barulho da imprensa , seja que crítica for, ele é construtivo. Mesmo quando você discorda dele. Agora, isso não é um milhão de vezes, é infinitas vezes melhor que o silêncio das ditaduras. Isso é uma coisa.


Outra coisa diferente é a questão do marco regulatório. Porque o marco regulatório é outra questão. Vou tentar explicar, com alguns exemplos.


Apresentador – Para que a gente consiga entender, exatamente, a questão.


Presidente eleita – Com exemplos. Por exemplo: a participação do capital estrangeiro. Você tem todo o país regulamenta a participação do capital estrangeiro nas suas diferentes mídias. Outra questão, que é importantíssima, é o fato de que o mundo está mudando em uma velocidade enorme. Então, você vai ter de regular, de alguma forma, a interação entre as mídias, porque, hoje, quem faz isso não pode fazer aquilo, que não pode fazer aquele outro. O problema do cabo, o problema do sinal aberto, como é que junta tudo isso com internet; mesmo assim eu acho que a gente tem de ter muito cuidado.


Você tem de fazer um marco regulatório que permita que haja adaptações ao longo do tempo. Por quê? Porque, eu não sei se você lembra, em 80, nos anos 80, 90, a telefonia fixa era uma potência. Cada vez mais, com a base da internet, você tem a possibilidade, em cima da internet, de ter TV, telefonia, celular, enfim. O mundo está mudando, então até isso você vai ter de considerar. Você não pode ter, também, um marco regulatório que desconheça a existência da banda larga. E se você vai poder, ou não vai poder, fazer televisão, em que condições você vai fazer televisão. Isso o Brasil vai ter de regular minimamente, até porque tem casos que, se você não fizer isso, você deixa que haja uma concorrência meio desproporcional entre diferentes organismos.


Apresentador – Ok, muito obrigado pela resposta.

[Curiosamente essa parte da entrevista não consta do vídeo disponibilizado no site do Jornal da Band]


Confusão deliberada


Um marco regulatório se refere à regulação do mercado de mídia e à garantia de direitos humanos fundamentais. A regulação é necessária para impedir a propriedade cruzada e a concentração do controle nas mãos de umas poucas famílias e oligarquias políticas; garantir competição, pluralidade e diversidade. Para impedir a continuidade do “coronelismo eletrônico”; garantir o direito de resposta, inclusive o direito difuso, e o direito de antena. Em particular, marco regulatório se refere à radiodifusão (como se sabe, mas é sempre bom relembrar, uma concessão pública) e às novas tecnologias (internet, banda larga, telefonia móvel etc.).


Como diz a célebre frase do juiz Byron White da Suprema Corte dos Estados Unidos, “é o direito dos telespectadores e ouvintes, não o direito dos controladores da radiodifusão, que é soberano”.


É disso que se trata.


Pergunto ao eventual leitor(a) se ele acredita que em democracias como os Estados Unidos, a Inglaterra, a França, a Alemanha, Portugal, Espanha – para citar apenas alguns –, a liberdade da imprensa vive sob permanente ameaça? A comparação faz sentido no atual contexto brasileiro porque esses são países onde existe, há décadas, marco regulatório para o campo das comunicações, vale dizer, regulação da mídia.


A legislação ignorada


No Brasil, tanto a lei quanto a Constituição são cristalinas sobre a necessidade de fiscalização e regulação das concessões de radiodifusão. Ademais, os avanços tecnológicos das últimas décadas, que têm como marco a revolução digital e provocaram a chamada “convergência de mídias” pela diluição das fronteiras entre as telecomunicações e a radiodifusão, tornaram inevitável a regulação do setor.


Mais uma vez: é disso que se trata.


O Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei nº 4.117, de 27 de agosto de 1962) prevê no seu artigo 10:


Art. 10. Compete privativamente à União:


II – fiscalizar os Serviços de telecomunicações por ela concedidos, autorizados ou permitidos.


Além disso, o código admite a punição para o caso de abusos de concessionários. Está escrito na lei:


Art. 52. A liberdade de radiodifusão não exclui a punição dos que praticarem abusos no seu exercício.


Art. 53. Constitui abuso, no exercício de liberdade da radiodifusão, o emprêgo dêsse meio de comunicação para a prática de crime ou contravenção previstos na legislação em vigor no País, inclusive: (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 236, de 1968)


Alguns exemplos de abusos citados na Lei:


e) promover campanha discriminatória de classe, côr, raça ou religião; (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 236, de 1968)


(…)


g) comprometer as relações internacionais do País; (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 236, de 1968)


Por outro lado, o Decreto n. 52.795 de 1963, que regulamenta os serviços de radiodifusão, antecipa normas e princípios que seriam, mais tarde, incorporados à Constituição de 1988. Está lá:


Art. 28 – As concessionárias e permissionárias de serviços de radiodifusão, além de outros que o Governo julgue convenientes aos interesses nacionais, estão sujeitas aos seguintes preceitos e obrigações: (Redação dada pelo Decreto nº 88067, de 26.1.1983)


11- subordinar os programas de informação, divertimento, propaganda e publicidade às finalidades educativas e culturais inerentes à radiodifusão;


12 – na organização da programação:


a) manter um elevado sentido moral e cívico, não permitindo a transmissão de espetáculos, trechos musicais cantados, quadros, anedotas ou palavras contrárias à moral familiar e aos bons costumes;


b) não transmitir programas que atentem contra o sentimento público, expondo pessoas a situações que, de alguma forma, redundem em constrangimento, ainda que seu objetivo seja jornalístico;


c) destinar um mínimo de 5% (cinco por cento) do horário de sua programação diária à transmissão de serviço noticioso;


d) limitar ao máximo de 25% (vinte e cinco por cento) do horário da sua programação diária o tempo destinado à publicidade comercial;


e) reservar 5 (cinco) horas semanais para a transmissão de programas educacionais.


Por fim, a Constituição de 1988, prevê, especificamente, leis federais para a regulação de diferentes aspectos das comunicações, assim como a instalação de um Conselho para auxiliar o Congresso Nacional em qualquer assunto relativo ao capítulo “Da Comunicação Social”.


Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.


(…)


§ 3º – Compete à lei federal:


I – regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada;


II – estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.


§ 4º – A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso.


§ 5º – Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.


(…)


Art. 221. A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:


I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;


II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;


III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;


IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.


Art. 222. (…)


§ 3º Os meios de comunicação social eletrônica, independentemente da tecnologia utilizada para a prestação do serviço, deverão observar os princípios enunciados no art. 221, na forma de lei específica, que também garantirá a prioridade de profissionais brasileiros na execução de produções nacionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 36, de 2002)


(…)


Art. 223. Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens, observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público e estatal.


(…)


Art. 224. Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei.


Direito à comunicação


Como disse a presidente eleita, há que se distinguir “marco regulatório de um controle do conteúdo na mídia”. Quem os confunde está, de fato, querendo evitar a regulação do mercado e a perda de privilégios históricos.


Insisto: regular a mídia é ampliar a liberdade de expressão, a liberdade da imprensa, a pluralidade e a diversidade. Regular a mídia é garantir mais – e não menos – democracia. É caminhar no sentido do pleno reconhecimento do direito à comunicação como um direito fundamental da cidadania.


É disso que se trata.

Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010.



Fonte: Conversa Afiada

outubro 07, 2010

"Marina não engana ninguém"

Querida Marilia, não se assuste.
A Marina não engana ninguém

    Publicado em 07/10/2010
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Marilia, você reconhece alguém ali em Hades ?
Este ordinário blogueiro toma a liberdade de reproduzir troca de e-mails com sua irmã, a muito inteligente Marilia, professora da Universidade de Paris e, quatro meses por ano, moradora de um simpático apê, diria o Ibrahim, em Ipanema.

Disse a Marilia:

Cher, acabo de chegar da Grécia. Foi tudo excelente, depois eu conto. Por ora, veja esse excelente artigo sobre o eco-capitalismo da Marina. Ele traça o perfil exato dos eleitores da Marina que estão, infelizmente, entre alguns dos meus amigos …

Bjs,

Marilia

(Leia o artigo de Vladimir Safatle  logo abaixo da minha resposta)

Aqui, a resposta deste ordinário blogueiro:

Marilia, dear,

Eu tinha lido. O Safatle é ótimo.

Só que a questão política no primeiro turno mudou de curso, para o lado calhorda, sub-reptício: o do aborto.

É a treva absoluta.

E você sabe muito bem quem habita Hades.

Dear, os teus amigos são, agora, o que sempre foram, os da classe média da nossa Zona Sul: tucanos com a sunga do Gabeira.

Não mudam o resultado da eleição.

A Marina teve 20% dos votos.

Uns 5 ou 8% são lacerdistas (você sente o cheiro limpinho, Natural, de longe) que vão votar no Serra, como votam desde o Brigadeiro.

O resto, desviado momentaneamente pelo aborto, volta para a Dilma.

O aborto é a foto do dinheiro dos aloprados de 2006: assustou uma parte do eleitorado.

Com os esclarecimentos, volta tudo a se alinhar com o Lula, a Dilma.

Ainda mais agora que o Aécio conseguiu pendurar o FHC – e o Dantas, aquele velho amigo meu – no pescoço do Serra.

Quero ver o Serra levar o FHC para um comício ali no Pavão-Pavãozinho, atrás da tua casa, em Ipanema.

Eles sobem numa viagem do elevador do Rubem Braga e descem correndo na viagem seguinte.

Não se assuste.

A Marina não engana ninguém.

Aquilo ali não tem um pingo de consistência.

É vaidade pura, verde – e, agora, ressentimento roxo.

Da mesma natureza daquilo que o Iago instalou no peito do Otelo.

Bjs, saudades.

PH



Repassando texto do Prof. Vladimir Safatle, da USP.

Marina Silva em Wall Street


Com o programa econômico mais liberal entre todos, PV apresentou o novo centro, com roupagem “moderna”

Wladimir Safatle, Folha de S.Paulo, 4 de outubro de 2010

“Wall Street” é, entre outras coisas, o nome do novo filme do cineasta norte-americano Oliver Stone. Ele conta a história da crise financeira de 2008 tendo como personagem central um jovem especulador financeiro que parece ter algo semelhante ao que um dia se chamou pudor.

Sua grande preocupação é capitalizar uma empresa, que visa produzir energia ecologicamente limpa, dirigida por um professor de cabelos brancos e ar sábio. O jovem especulador é, muitas vezes, visto pelos seus pares como idealista. No entanto, ele sabe melhor que ninguém que, depois do estouro da bolha financeira, os mercados irão em direção à bolha verde. Mais do que idealista, ele sabe, antes dos outros, para onde o dinheiro corre. Enfim, seu pudor não precisa entrar em contradição com sua ganância.

Neste sentido, “Wall Street” foi feliz em descrever esta nova rearticulação entre agenda ecológica e mundo financeiro. Ela talvez nos explique um fenômeno político mundial que apareceu com toda força no Brasil: a transformação dos partidos verdes em novos partidos de centro e o abandono de suas antigas pautas de esquerda.

A tendência já tinha sido ditada na Europa. Hoje, o partido verde alemão prefere aliar-se aos conservadores da CDU (União Democrata-Cristã) do que fazer triangulações de esquerda com os sociais-democratas (SPD) e a esquerda (Die Linke). Quando estiveram no governo de Schroeder, eles abandonaram de bom grado a bandeira pacifista a fim de mandar tropas para o Afeganistão. Com o mesmo bom grado, eles ajudaram a desmontar o Estado do bem-estar social com leis de flexibilização do trabalho (como o pacote chamado de Hartz IV). Daniel Cohn-Bendit, um dos líderes do partido verde francês, fez de tudo para viabilizar uma aliança com os centristas do Modem. Algo que soaria melhor para seus novos eleitores que frequentam as praças financeiras mundiais.

No Brasil, vimos a candidatura de Marina Silva impor-se como terceira via na política. Ela foi capaz de pegar um partido composto por personalidades do calibre de Zequinha Sarney e fazer acreditar que, com eles, um novo modo de fazer política está em vias de aparecer. Cobrando os outros candidatos por não ter um programa, ela conseguiu esconder que, de todos, seu programa era o economicamente mais liberal. O que não devia nos surpreender. Afinal, os verdes conservaram o que talvez havia de pior em maio de 68: um antiestatismo muitas vezes simplista enunciado em nome da crença na espontaneidade da sociedade civil.

Não é de se estranhar que este libertarianismo encontre, 40 anos depois, o liberalismo puro e duro. De fato, a ocupação do centro pelos verdes tem tudo para ficar. Ela vem a calhar para um eleitorado que um dia votou na esquerda, mas que gostaria de um discurso mais “moderno”. Um discurso menos centrado em conflitos de classe, problemas de redistribuição, precarização do trabalho e mais centrado em “nova aliança”, “visão integrada” e outros termos que parecem saídos de um manual de administrador de empresas zen. Alguns anos serão necessários para que a nova aliança se mostre como mais uma bolha.

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VLADIMIR SAFATLE é professor no departamento de filosofia da USP.

Fonte: Conversa Afiada

outubro 04, 2010

O povo faz justiça e derrota os detratores do presidente Lula

A turma que ia dar a surra no Lula perdeu


    Foi assim que a Vanessa ganhou a eleição

    No Amazonas, Vanessa do PC do B derrotou Arthur Virgilio Cardoso, aquele que derrubou a CPMF, mandou o Senado cobrir o VISA dele  em Paris e disse que ia dar uma surra no Lula.

    Na Bahia, Walter Pinheiro e Lidice da Mata derrotaram Cesar Borges e Aleluia, carlistas e Golpistas.

    No Ceará, o excelente deputado petista Pimentel derrotou o Tasso “tenho jatinho porque posso” Jereissati na segunda vaga para o Senado.

    Em Mato Grosso, Antero Paes e Barros, funcionário do Serra e Golpista de primeira hora, ficou em quarto.

    Na Paraíba, Ephraim Moraes, outro Golpista do DEMO, foi derrotado.

    Em Pernambuco assistiu-se a um espetáculo deslumbrante: Armando Monteiro e Humberto Costa derrotaram Marco Maciel (12%) e Raul Jungmann (8%).

    Dois Golpistas abatidos numa eleição só.

    No Piauí, também.

    Mão Santa e Heráclito, ambos com 14%, foram solenemente derrotados.

    Agora, finalmente, se saberá quem paga os advogados para Heráclito processar este ordinário blogueiro.

    No Paraná, outro herói do Golpe na CPI dos Correios, Gustavo Fruet, foi devidamente derrotado para o Senado.

    No Rio, César Maia, que ofereceu o Índio ao Serra e pretendia ocupar a extrema direita no Senado, perdeu para Lindberg e Crivella.

    No Rio Grande do Sul, Rigotto, que persegue o jornalista Elmar Bones, ficou atrás de Paim e Ana Amélia.

    Da bancada Golpista original, autêntica, 24 quilates, sobraram o Demóstenes (o do grampo sem áudio) e o Agripino, no Rio Grande do Norte.

    Vão ter que trabalhar com o Aloysio Nunes Ferreira de São Paulo.

    Porque em São Paulo, ficou zero a zero.

    Martha entrou no lugar de Mercadante e o Aloysio no de Tuma.

    Dilma vai controlar o Senado.

    Em tempo: cabe registrar que dois candidatos a Governador in pectore do Serra, escolhidos pessoalmente pelo “dedazo” do Serra, foram devidamente trucidados, Jarbas, em Pernambuco e Gabeira, no Rio.

    Em tempo 2: como brinde, veja aqui o vídeo com o  discurso de Arthur Virgilio Cardoso no Senado, ao dizer que ia dar uma sura no Lula.

    Clique aqui para ler “Três criaturas de Serra já dançaram”.

    Paulo Henrique Amorim


    Fonte: Conversa Afiada

    agosto 07, 2010

    Tucanos destroem a TV Cultura

    Tucanos fecham TV Cultura. Eles já têm a Globo

      Publicado em 04/08/2010
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    Na foto, Sayad e Serra, os coveiros


    Maluf, Quércia e Fleury governaram São Paulo e respeitaram os princípios públicos da TV Cultura de São Paulo.


    Quem destruiu a TV Cultura foram os governadores que há 16 anos coronelizam São Paulo.


    Agora, José Serra joga a pá de cal.


    O Conversa Afiada reproduz post de Daniel Castro em seu blog:


    Bomba: TV Cultura vai cortar programas e demitir 1.400

    Ex-secretário de Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad assumiu a presidência da TV Cultura em junho com a missão de reduzir a TV pública paulista a uma simples TV estatal. Com o aval do ex-governador José Serra e do atual governador, Alberto Goldman, Sayad pretende reduzir ao máximo a produção de programas e cortar o número de funcionários em quase 80%, dos atuais 1.800 para 400.

    Sayad pensa até em vender o patrimônio da TV Cultura. Já encomendou aos advogados da emissora um estudo sobre a viabilidade de a Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV, se desfazer de seus estúdios e edifícios na Água Branca, em São Paulo.

    Em reuniões com diretores da emissora, Sayad tem dito que a Cultura não precisa ter mais do que 400 funcionários, que ficariam, segundo ele, muito bem instalados em um andar de um prédio comercial. A postura evidencia que a TV Cultura deixou de ser uma questão de política pública. Passou a ser um “pepino”, um problema a ser eliminado pelo governo do Estado.

    Fontes ouvidas pelo blog informam que Sayad vive dizendo que irá transformar a Cultura, hoje produtora de programas, em uma coprodutora. Ou seja, ela deixará de produzir de produzir programas de entretenimento. Passará a encomendá-los a produtoras independentes e a comprá-los no mercado internacional. Atrações como o Metrópolis podem estar em seus últimos dias.

    O jornalismo da Cultura deixará de investir no noticiário do dia a dia, caro e melhor produzido pelas redes comerciais. A partir de setembro, o Jornal da Cultura, com Maria Cristina Poli, passará a ser um jornal mais de debates, de discussão sobre o noticiário, do que de notícias.

    Corte de receitas

    A TV Cultura tem hoje um orçamento de cerca R$ 230 milhões. Desse total, R$ 50 milhões vêm da venda de espaço nos intervalos dos programas para anunciantes privados. Outros R$ 60 milhões são oriundos da prestação de serviços, como é chamada na emissora a produção de programas e vídeos para instituições como o Tribunal Superior Eleitoral, a Procuradoria da República, a TV Assembleia (do Estado de S.Paulo) e a TV Justiça.

    Pois a gestão de Sayad já iniciou o desmonte dessas duas fontes de recursos. Até o ano que vem, a TV Cultura não terá mais nenhuma publicidade comercial em seus intervalos nem produzirá mais programação para órgãos públicos (a publicidade institucional, irrisória, será mantida). Dessa forma, reduzirá uma boa parte do seu número de funcionários.

    Se o plano for executado, a TV Cultura sobreviverá apenas dos R$ 70 milhões que o governo do Estado aporta diretamente todos os anos, além de outros R$ 50 milhões ela que recebe pela produção de conteúdo para as secretarias estadual e municipal de Educação.

    Demissões em massa

    O plano de demissões de Sayad é mais complexo. Por causa das eleições de outubro, ele não pode demitir funcionários contratados em regime de CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) até dezembro. A Cultura tem entre 1.000 e 1.200 funcionários celetistas. Esses trabalhadores têm emprego garantido até janeiro. Depois, dependem da postura do novo governador do Estado. Para demitir funcionários celetistas, Sayad precisará do apoio do futuro governador, porque terá de contar com verbas extras para pagar as indenizações.

    Já os profissionais contratados como pessoas jurídicas (os PJs, pessoas que têm microempresas) podem ser “demitidos” a qualquer momento. Eles seriam de 600 a 800. Os cortes devem ser feitos à medida que contratos de prestação de serviços, como o da TV Assembleia, forem vencendo e não renovados.

    Outro lado

    O blog tentou ouvir o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, sobre as mudanças que ele pretende implantar na TV Cultura. Na última segunda-feira, por meio da assessoria de imprensa da emissora, pediu uma entrevista. Ontem à tarde, a TV Cultura informou que Sayad não falaria com o R7.

    As informações aqui publicadas foram relatadas previamente à assessoria de imprensa da TV Cultura. Nada foi negado.

    Fonte: Conversa Afiada

    abril 11, 2010

    Globo mente, crucifica o prefeito de Niterói e ressuscita Lacerda


    umbrelaucs — 8 de abril de 2010 — As cenas do desespero mostram a dimensão humana da tragédia que aconteceu no Morro do Bumba, Região do Cubango, em Niterói. Corpos ainda são resgatados no local e a estimativa da Defesa Civil é de que haja 200 pessoas soterradas.

    ***

    Globo mente para crucifica prefeito de Niterói. E volta a escrever editorial

    10/abril/2010 10:57

     Ao lado deste "Caminho Niemeyer" ficará a estação Getulio Vargas. A Globo não vai aguentar

    Ao lado deste "Caminho Niemeyer" ficará a estação Getulio Vargas. A Globo não vai aguentar

    A manchete do Globo de hoje mente:

    “Niterói deixou de remover outra favela condenada. Morro do Céu, a 2 km do Bumba, também permanece junto a um lixão.”

    O Globo diz que a favela nasceu junto a um lixão, o do Caramujo, que substituiu o do Morro do Bumba, que veio abaixo e pode ter soterrado 200 pessoas.

    A Fátima Bernardes esteve ontem no Caramujo.

    Eu também.

    Ela sabe que os moradores do Morro do Céu se estabeleceram lá ANTES de a área mais alta se transformar num lixão.

    Portanto, não ocorreu o mesmo do Bumba, onde os moradores construiram casas em cima de um lixão que já existia, desativado e compactado.

    A favela do Morro do Céu NÃO está condenada.

    A menos que tenha sido pelos geólogos da página de editoriais do Globo.

    A disputa lá é por indenização.

    É claro que eles querem mudar dali, sair de perto de um lixão horroroso.

    E disputam com a Prefeitura o valor de suas casas.

    A Fátima Bernardes sabe disso, porque viu os cartazes que os moradores prepararam para o jornal nacional (e para a Record).

    O jornal nacional e o Globo dizem que o prefeito Jorge Roberto Silveira, eleito pelo povo de Niterói QUATRO vezes, não removeu os moradores do Bumba, “apesar de o município (?) ter sido alertado por estudos da UFF”.

    Eu entrevistei Jorge Roberto ontem.,

    Eu, uma repórter da Globo, um repórter da TV Brasil e, por telefone, apresentadores da Record News.

    A todos ele disse que não sabia que o Bumba pudesse desabar.

    Não teve conhecimento de estudo NENHUM.

    Que o lixão do Bumba tinha sido desativado nos anos 80, antes que ele tivesse sido eleito pela primeira vez.

    Que, para ele, aquela era uma das regiões pobres de Niterói, que ele dotou de escola e serviço médico.

    A rua asfaltada que envolve a area desabada do Bumba foi construida antes dele.

    À TV Brasil Jorge Roberto perguntou: qual é o problema – levar assistência aos pobres ?

    Dede ante-ontem e ontem, no Bom Dia (?) Brasil – onde a urubóloga Miriam Leitão agora pontifica sobre lixo – a Globo insiste em não deixar o Jorge Roberto dizer que não teve conhecimento de estudo que condenasse o Bumba.

    A Globo corta a resposta antes.

    O editorial deste sábado do Globo (” falácia da urbanização das favelas” ) é uma repetição sistemática das ideias do Carlos Lacerda sobre os pobres do Rio: removê-los.

    De preferência para o Quinto dos Infernos.

    O editorialista do Globo (falta-lhe o sinistro talento do Carlos) diz que políticas de urbanização de favelas são populismo, não resolvem o problema e que obras como o PAC no Alemão, na Rocinha – isso tudo é malandragem eleitoral.

    O problema da Globo são os pobres.

    E o povo não é bobo.

    Fui agora de manhã comprar o Globo numa banca na Nossa Senhora de Copacabana, na Zona Sul do Rio.

    Mostrei a manchete ao jornaleiro: “Niterói deixou de remover outra favela condenada”.

    - Você viu isso ?

    Ele respondeu:

    - Isso é cascata da Globo. (Note que ele fala do jornal como se fosse a TV – PHA)

    O problema do(a) Globo é que o governador, prefeito do Rio e de Niterói não é o Carlos Lacerda.

    Aquele que removia favelas na Zona Sul, abria espaço para empresas imobiliárias, e criava centros de delinquência na Zona Norte.

    O único defeito é que ainda assim as favelas ficavam muito perto da Zona Sul.

    Melhor seria se tivessem sido removidas para a Ilha do Diabo.

    Qual é o o problema da(o) Globo com o Jorge Roberto ?

    Jorge Roberto Silveira representa uma das mais nobres familias de políticos trabalhistas do Estado do Rio.

    O pai – Roberto Silveira – morreu num desastre de helicóptero quando governava o Estado.

    O tio, Badger, também foi governador.

    Todos trabalhistas, getulistas, janguistas, brizolistas.

    Jorge Roberto é do PDT, partido que a Globo(o) menciona em todas as reportagens sobre a tragédia de Niterói.

    (Em São Paulo, no Alagão do Zé Inacabado, a Globo não mencionou o partido DEMO-tucano, nem o nome do governador. Uma questão de disciplina (*).)

    Jorge Roberto está para concluir o “Caminho Niemeyer”, um conjunto urbanístico maravilhoso, desenhado por Oscar, e que vai conter um Museu com toda os estudos, maquetes, rascunhos, desenhos de Niemeyer.

    O “Caminho” vai se encontrar com o Museu do Niemeyer, uma das melhores obras do arquiteto, de frente para a Baia de Guanabara.

    Deslumbrante.

    Ao lado estará uma estação rodoviária que se chamará “Getúlio Vargas”.

    Outra obra de Niterói tem o nome de João Goulart.

    Os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – têm memória.

    Eles sabem que o pai ajudou Vargas a meter uma bala no peito.

    Eles perseguem Vargas até depois de morto.

    O problema é que nós, amigos navegantes, também temos memória.

    E sabemos que a UDN só chega ao poder com o Golpe .

    Clique aqui para ler “PiG (**) e Gilmar tramam contra Dilma”.

    Paulo Henrique Amorim

    (*) O Zé Incacabado, como se sabe, agasalhou um trampo da Globo: tornou escola “técnica” para empregados da Globo uma área que a Globo invadiu por 11 anos. Uma operação igual à da Cutrale, onde o Serra mandou bater no pessoal do MST.

    (**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

    Fonte: Conversa Afiada