PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
O governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), foi preso na manhã desta sexta-feira, 10, em Macapá, durante Operação Mãos Limpas, deflagrada pela Polícia Federal. O objetivo da operação é prender uma organização criminosa composta por servidores públicos, agentes políticos e empresários, que praticava desvio de recursos públicos do Estado do Amapá e da União.
As investigações, que contaram com o auxílio da Receita Federal, Controladoria Geral da União e do Banco Central, iniciaram-se em agosto de 2009, e se encontram sob a presidência do Superior Tribunal de Justiça - STJ. As apurações revelaram indícios de um esquema de desvio de recursos da União que eram repassados à Secretaria de Educação do Estado do Amapá, provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério - FUNDEF.
De acordo com a PF, a maioria dos contratos administrativos firmados pela Secretaria de Educação não respeitavam as formalidades legais e beneficiavam empresas previamente selecionadas. Apenas uma empresa de segurança e vigilância privada manteve contrato emergencial por três anos com a Secretaria de Educação, com fatura mensal superior a dois milhões e meio de reais, e com evidências de que parte do valor retornava, sob forma de propina, aos envolvidos.
Durante as investigações, constatou-se que o mesmo esquema era aplicado em outros órgãos públicos. Foram identificados desvios de recursos no Tribunal de Contas do Estado do Amapá, na Assembleia Legislativa, na Prefeitura de Macapá, nas Secretarias de Estado de Justiça e Segurança Pública, de Saúde, de Inclusão e Mobilização Social, de Desporto e Lazer e no Instituto de Administração Penitenciária.
Foram mobilizados 600 policiais federais para cumprir 18 mandados de prisão temporária, 87 mandados de condução coercitiva e 94 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça. Além do Estado do Amapá, os mandados estão sendo cumpridos no Pará, Paraíba e São Paulo. Participam da ação 60 servidores da Receita Federal e 30 da Controladoria Geral da União.
Os envolvidos estão sendo investigados pelas práticas de crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, advocacia administrativa, ocultação de bens e valores, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, tráfico de influência, formação de quadrilha, entre outros crimes conexos. (Agência Estado)
03/06/2010 - 23:48 - Polícia Federal prende mãe e bebê Tupinambá
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva segura bebê de dois meses de Glicéria Tupinambá. Glicéria participou da 13ª Reunião da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), ocasião em que expôs as violências sofridas por seu povo. Foto: Secretaria de Imprensa / Ricardo Stuckert / PR.
A Polícia Federal prendeu na tarde de hoje, feriado de Corpus Christi, a índia Glicéria Tupinambá e seu filho de apenas (02) dois meses. Glicéria é liderança de seu povo e membro da Comissão Nacional de Política Indigenista – CNPI. Vinculada ao Ministério da Justiça, a CNPI tem entre seus integrantes representantes de 12 ministérios, 20 lideranças indígenas e dois representantes de entidades indigenistas. Na tarde de ontem, 2 de junho, Glicéria participou da reunião da CNPI com o Presidente Lula, oportunidade em que denunciou as perseguições de que as lideranças Tupinambá têm sido vítimas por parte da Polícia Federal no Sul da Bahia.
No dia seguinte, quando tentava retornar para sua aldeia, Glicéria – tendo ao colo o seu bebê de dois meses – foi detida ao descer do avião, ainda na pista de pouso do aeroporto de Ilhéus (BA), e diante dos demais passageiros, por três agentes da Polícia Federal, numa intenção clara de constrangê-la. O episódio foi testemunhado por Luis Titiah, liderança Pataxó Hã-hã-hãe, também membro da CNPI, que a acompanhava.
Após ser interrogada durante toda a tarde na sede da Polícia Federal em Ilhéus, sempre com o bebê ao colo, Glicéria recebeu voz de prisão da delega Denise ao deixar as dependências do órgão. Segundo informações ainda não confirmadas, a prisão foi decretada pelo juiz Antonio Hygino, da Comarca de Buerarema (BA), sob a alegação de Glicéria ter participado no seqüestro de um veículo da META (empresa que presta serviço de energia na região). Esse juiz, em entrevista concedida ao repórter Fábio Roberto para um jornal da região, se referiu aos Tupinambá como “pessoas que se dizem índios”. Mãe e filho serão transferidos para um presídio na cidade de Jequié, distante cerca de 200km de sua aldeia.
Desde que a FUNAI iniciou o processo de demarcação da terra indígena Tupinambá as fazendas invasoras da terra indígena passaram a contratar pistoleiros, fazendeiros dos municípios de Ilhéus e Buerarema iniciaram campanhas difamatórias nas rádios e jornais locais, incitando a população regional contra os índios, o que resultou numa série de conflitos envolvendo pistoleiros, fazendeiros e indígenas. Como conseqüência da disputa pela posse da terra os Tupinambá respondem a uma série de inquéritos e processos criminais patrocinados pela Polícia Federal, numa estratégia clara de criminalização de sua luta legítima em defesa de seu território tradicional. Em decorrência dessa ofensiva de criminalização já estão presos os indígenas Rosivaldo (conhecido como cacique Babau) e Givaldo, irmãos de Glicéria que passa a ser terceira presa política Tupinambá.
A animosidade nutrida pela Polícia Federal em relação aos Tupinambá já se tornou crônica.No dia 23 de outubro de 2008, numa ação extremamente agressiva, a PF atacou a comunidade indígena da Serra do Padeiro, deixando 14 Tupinambá feridos à bala de borracha, destruiu casas e veículos da comunidade, a escola indígena e seus equipamentos, e ainda deteriorou a merenda escolar. Dois Tupinambá foram presos na ocasião. Em junho de 2009, após outra ação de agentes da PF juntamente com fazendeiros - numa ação de reintegração de posse -, sinais de tortura em cinco Tupinambá ficaram comprovados por exames de corpo de delito realizados no Instituto Médico Legal do Distrito Federal. O inquérito, levado a cabo pelo mesmo delegado que coordenou a ação dos agentes, concluiu entretanto pela inocorrência de tortura. Nenhum dos agentes foi afastado durante ou após as investigações. No dia 10 de março de 2010, numa ação irregular, a Polícia Federal invadiu a residência do cacique Babau em horário noturno (duas horas da madrugada), destruindo móveis e utilizando extrema força física para imobilizar o Cacique, que acreditava estar diante de pistoleiros, pois os agentes estavam camuflados, com os rostos pintados de preto, não se identificaram e não apresentaram mandado de prisão, além de proferir ameaças e xingamentos.
O Conselho Indigenista Missionário, preocupado com a integridade física e psicológica de Glicéria e seu filho, vem a público manifestar mais uma vez o seu repúdio ao tratamento dispensado por órgãos policiais e judiciais ao Povo Tupinambá. Reafirma seu compromisso em continuar apoiando a luta justa do povo pela demarcação de seu território tradicional e conclama a sociedade nacional e internacional a se manifestar em defesa da causa Tupinambá e pela imediata libertação de seus líderes.
A Polícia Federal transferiu, na madrugada de ontem, sexta, o Cacique Babau Tupinambá e o seu irmão Gil, da sede da Polícia Federal em Salvador para um Presídio Federal em Moçoró, no Rio Grande do Norte.
Para fazer a transferência, a PF alegou que, por ocasião do Dia do Índio, poderiam ocorrer manifestações indígenas com tentativas de "resgatar" o cacique.
A transferência foi requerida no último dia 12, segunda-feira, e autorizada pelo Juiz Federal em Ilhéus, Pedro Holiday, mesmo com manifestação em contrário do Ministério Público Federal, através do Procurador da República em Ilhéus Eduardo El Hadj. Todo o processo correu em sigilo e os advogados e familiares de Babau e Gil não foram informados de nada, nem pela PF, nem pela Justiça Federal, nem pelo Ministério Público.
Apenas quando alguns indígenas foram à sede da PF para tentar visitar Babau na manhã de ontem, sexta, foram informalmente comunicados da transferência pela carceragem.
Um Advogado da Pastoral Carcerária já esteve com Babau e Gil em Moçoró ainda ontem.
Presos a dois mil quilômetros de sua comunidade, sem julgamento nem condenação, Babau e Gil não poderão sequer ser visitados por seus familiares e advogados!
Desnecessário sublinhar o horror da arbitrariedade e do racismoim plicados nessa medida. Apenas mais uma na campanha sistemática de criminalização e perseguição aos movimentos sociais no Brasil, em especial o movimento indígena no Nordeste, da parte de setores da Polícia e da Justiça Federal.
Enquanto isso, a comunidade tupinambá na Serra do Padeiro mantém o controle de todo o território reocupado nos últimos anos e ainda ontem, em Brasília, mais uma série de liminares para reintegração de posse em favor dos grileiros invasores da Terra Tupinambá foi derrubada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região; o que vem mais uma vez demonstrar a Justiça verdadeira na luta de Babau e do seu povo, na certeza da vitória final dos Direitos Indígenas no Brasil.
José Augusto Sampaio
Antropólogo - Coordenador Técnico
ANAÍ - Associação Nacional de Ação Indigenista
Rua das Laranjeiras, 26, 1º andar, Pelourinho
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Telefax: 71- 3321-0259; celular: 71-88911335; 'email': anai@anai.org. br
CNPJ 13.100.342/0001- 25
Voltando do debate de lançamento do livro O que resta da ditadura: a exceção brasileira, que por acaso do destino foi realizado no dia em que Cesare Battisti completou três anos de prisão no Brasil, é difícil não enxergar no suplício a que é submetido Cesare Battisti um desses exemplos que saltam aos olhos do que resta da ditadura brasileira – que de fato são muito mais que “restos”.
Paulo Arantes ressaltou durante o debate a leitura que Florestan Fernandes fazia do golpe de 64 e do conflito que, segundo ele, seria central no Brasil: 64 seria uma contra-revolução; e antes de ser entre trabalho e capital, no Brasil o conflito primordial se daria entre os não-proprietários e os proprietários. Contra-revolução e propriedade, as duas palavras-chave que explicam a prisão que persegue Cesare Battisti (e tantos outros!). Ele, que participava da apropriação direta nos anos 1970, as chamadas expropriações proletárias, e que junto com milhares de outros buscava uma revolução a seu modo, visão que inspirou tantos jovens e que resultou em tantas perseguições e encarceramentos na Itália dos anos 1970. A contra-revolução não acaba. Como já disse em outro momento, na luta de classes nunca há vitória total e definitiva, e é por isso que Cesare Battisti e tantos outros são perseguidos e mantidos presos. Trata-se de dar exemplo e de avançar com jurisprudências e modus operandi que sirvam bem contra dissidentes ou potenciais dissidentes de hoje em dia.
Depois de uma concessão de refúgio político por quem legalmente de competência – o Ministro da Justiça – e depois da decisão final cair novamente nas mãos do Poder Executivo, Cesare Battisti continua tão preso quanto três anos atrás.
Espera-se a publicação do chamado acórdão do Supremo Tribunal Federal, na qual a última palavra sobre a extradição ou não de Cesare Battisti caberá ao Presidente da República. A partir de abril o novo presidente do STF será Cezar Peluso, o inominável relator do processo de extradição de Battisti. Basta lembrar de todo o esforço e peripécia jurídica que pelo menos metade dos membros do STF fez para extraditar Battisti e anular a concessão de refúgio para nos darmos conta de que muito provavelmente tentarão prorrogar ao máximo a publicação desse acórdão, sem o qual Lula não ousará conceder refúgio a Battisti. O advogado de Cesare Battisti entrou este mês com petição no STF pedindo que o acórdão seja logo publicado. Certamente, se possível for, alguns membros do STF farão de tudo para que esse acórdão não seja jamais publicado.
Bem, vencida a etapa de publicação do acórdão, há que se vencer a etapa do Presidente da República decidir pela não-extradição e conseqüente refúgio de Battisti no Brasil. Sim, há que se vencer essa etapa, pois muitos já contam como dado que Lula não extraditará Battisti. Seria ingenuidade política contar com o ovo dentro da galinha dessa forma. A política – ou a política de gestão de Estado – é feita na base de cálculo de ganhos e perdas políticas, de conjuntura, de momento, e não por princípios ou valores – definitivamente não existe nesse âmbito a tal ética da convicção weberiana. Se Lula sentir na ocasião que não há desgaste político nem preço a pagar por extraditar Battisti, mas sim algum preço por não extraditá-lo, de onde viria então a certeza de que ele daria decisão favorável a Battisti? Começam a aparecer notas em jornais dizendo que fontes dentro do governo afirmam que Lula decidirá pela extradição de Battisti, ao contrário das notas que saíram nos meses anteriores.
Bem, mas vencida essa segunda etapa, de decisão presidencial em favor de Battisti, tudo leva a crer, e não teríamos aprendido nada se pensássemos algo diferente, que os direitistas, dentro e fora do STF, mesmo que o governo italiano não se importe mais com o caso, se articularão e tentarão mais uma vez anular a decisão do Poder Executivo. Se o fizeram uma vez, anulando “de ofício” uma decisão política do Executivo, por que deixariam de graça agora?
Vencida essa terceira etapa, ainda restaria soltar Battisti. Cezar Peluso se perguntou, caso Lula decidisse pela não extradição de Battisti, quem o soltaria? Ora, tal questionamento não foi mais do que a senha de que ele e os perseguidores de Battisti farão todo o possível para indeferir pedidos de liberdade de Battisti, como fizeram mesmo após ele receber status de refugiado político. Quem soltará Battisti? Cezar Peluso? Certamente não. Lula? Certamente não. Ele lavará as mãos, e fugirá de qualquer situação que poderá ser usada para se criar uma crise institucional entre os Poderes. Só a mobilização o soltará. Cesare Battisti estava certo quando afirmava que sua vida dependia dos “movimentos sociais”. Ainda depende.
Entrevista com camponeses da área Lamarca logo após intensa campanha de perseguição ao movimento camponês em Rondônia - Abril de 2008.
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Boletim n◦ 3 – Manga(MG), 2 de fevereiro de 2010
Companheiros Wanderson e Flávia continuam presos
Prisão de trabalhadores
é perseguição política
Lutar pela terra não é crime!
A Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia vem a público REPUDIAR e DENUNCIAR mais esta ação de criminalização, desmoralização e perseguição que o Estado vem impondo ao movimento camponês de uma forma geral, e em particular aos militantes e apoiadores da luta camponesa combativa.
As prisões dos companheiros Flávia Avelina e Wanderson Antônio, assessores da LCP que atuam no apoio ao trabalho de alfabetização de jovens e adultos no campo e na organização dos cursos de formação do movimento, é mais um fato absurdo da dura realidade que os opressores deste Estado podre, burguês e latifundiário impõem sobre as costas do povo pobre.
Os companheiros Wanderson e Flávia estão mantidos presos desde a noite do dia 16 de janeiro, sob a acusação de porte ilegal de arma. Apesar de serem réus primários, terem residência fixa, serem conhecidos e reconhecidos como trabalhadores e professores do movimento camponês, os companheiros tiveram o pedido de liberdade provisório negado pela juíza de Manga, Maria Beatriz da Costa Biassutti. É assim que age a justiça do Brasil. É uma justiça para os ricos e poderosos e outra justiça para os pobres e explorados.
Os ricos e poderosos praticam todo tipo de crimes e continuam impunes: roubam o dinheiro público, violam o direito dos trabalhadores, cometem crimes contra a economia popular, roubam terras, etc., etc. Só para citar um exemplo, o banqueiro Daniel Dantas, que enriqueceu da noite para o dia com suas falcatruas praticadas junto com políticos, foi preso num dia e no outro já estava rua por ordem do Gilmar Mendes, chefe do judiciário brasileiro. As pessoas do povo são presas e mantidas encarceradas por longo tempo por defender seus direitos; já Daniel Dantas, conhecido bandido e comprovado ladrão do dinheiro público, ganha liberdade no dia seguinte.
Delegado abre campanha de perseguição à Liga dos Camponeses Pobres
O delegado de Jaíba, Bruno Esteves da Costa, recém chegado à região, abriu uma campanha de perseguição à LCP. Além dos companheiros Wanderson e Flávia, acusa os companheiros João Batista Pereira da Cruz (Pedrão) e José Ilson Silveira de formação de quadrilha. Sem apresentar nenhuma prova, em seu relatório encaminhado à justiça, o truculento delegado Bruno da Costa afirma textualmente que a LCP é uma “organização criminosa com ânimo associativo e definitivo que tem o fito de prática reiterada de crimes, como esbulho possessório, entre outros que estão sendo apurados, como os de extorsão e desvio de verbas públicas”.
O delegado não sabe do que está falando. Chegou agora na cidade, quer mostrar serviço para os ricos da região, mas só está repetindo o que os seus amigos latifundiários lhe sopraram nos ouvidos. Além é claro da baboseira reacionária que deve ter aprendido nos manuais de formação do aparato repressivo do país que, passando por cima da lei, trata toda a luta do povo pobre como crime.
O que este forasteiro parece não saber é que as terras do Norte de Minas eram terras devolutas onde moravam dezenas de milhares de famílias, a maior parte descentes de índios e negros que há séculos ocuparam esta região, estes últimos fugindo da escravidão. Quem praticou “esbulho possessório” (tomar terra que é de outro) foram os fazendeiros ricos acobertados pela Ruralminas e pela PM que na época do regime militar expulsaram milhares de famílias das terras que eram cultivadas por seus bisavós. O conhecido massacre de Cachoeirinha, ocorrido em 1967, quando 63 crianças morreram de fome e frio no mato, após o ataque da PM para expulsar os camponeses das terras foi o mais notório crime cometido naquela ocasião.
Qualquer pessoa do povo sabe quem são os ladrões de terra desta região e sabem muito bem quem é a Liga: a LCP surgiu nesta região da histórica necessidade dos camponeses de se mobilizarem e organizarem na luta pela retomada de suas terras roubadas pelo latifúndio.
O sr. delegado parece não saber mas a Constituição Federal garante no Brasil o direito à livre associação. E nestes mais de 10 anos de existência da LCP, esta associação livre e independente de camponeses pobres retomou mais de 60 áreas onde hoje milhares de famílias estão em suas terras, têm a propriedade de seus lotes e transformaram suas vidas ao se libertarem da exploração do latifúndio. Dividir as terras das grandes fazendas trouxe mais produção e comércio para a região.
Há muito ainda o que fazer, mas a justiça está começando a ser feita. É por isto que a LCP é respeitada pelo povo e pelas pessoas honestas e democratas que a conhecem. Mas temos consciência e sentimos as conseqüências do temor e ódio que o latifúndio nos devota.
Para seu conhecimento, sr. delegado, a LCP já realizou 5 congressos (reunidos nas cidades de Montes Claros, Jaíba, Janaúba e Manga) e já prepara o seu 6º Congresso; realizou dezenas de passeatas e manifestações públicas; seus militantes estiveram em um sem número de audiências com autoridades municipais, estaduais e federais para tratar de assuntos de interesse dos camponeses. Realizamos lutas conjuntas em defesa da educação e saúde públicas, por melhores condições de transporte; lutamos com os irrigantes contra as taxas extorsivas de água e luz cobradas pela Codevasf; lutamos contra a perseguição do Ibama e IEF que usam a legislação ambiental para perseguir os camponeses e expulsá-los de suas terras.
A LCP é um movimento independente que não vive de créditos do governo e que se sustenta pelo apoio das famílias camponesas e da solidariedade de operários, professores, estudantes e demais democratas e suas organizações que apóiam a luta pela terra no país.
Repudiamos, portanto, mais uma vez e de forma enérgica, as calúnias do sr. delegado Bruno da Costa ao tratar a Liga como quadrilha. Reserve esta denominação para as quadrilhas de verdade que atuam no poder executivo, legislativo e judiciário, na polícia, que agem impunemente no assalto aos cofres públicos e que nada é feito para detê-las. Ou para as associações de latifundiários que montam grupos de matadores para atacar lideranças e famílias que legitimamente lutam por um pedaço de terra.
Estes fatos que ocorrem hoje no Norte de Minas não são fatos isolados. Fazem parte de uma campanha reacionária de criminalização e perseguição aos movimentos sociais, mas particularmente aos camponeses pobres, cujo patrocinador é o Presidente da República, sr. Luis Inácio, e os encabeçadores são a senadora/latifundiária Kátia Abreu e o presidente do Supremo Tribunal Gilmar Mendes.
Convocamos o povo trabalhador e todos os democratas, cidadãos de bem, progressistas e intelectuais honestos a repudiar os ataques à LCP e a apoiar e defender estes companheiros que lutam por uma verdadeira democracia.
Convocamos os camponeses pobres, os trabalhadores da cidade, todos cidadãos progressistas e democratas para grande manifestação (aguardem marcação de data e local da manifestação)
Exigimos a liberdade dos trabalhadores Wanderson Antonio e Flávia Avelina!
Pelo fim da perseguição ao movimento camponês!
Não à criminalização dos movimentos sociais!
O povo quer terra, não repressão!
Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia
Escrito por LCP do Norte de Minas e sul da Bahia Qui, 21 de Janeiro de 2010
No dia 16 de janeiro, sábado a noite, na BR 401, entre os municípios de Matias Cardoso e Jaíba, os companheiros Wanderson Antônio e Flavia Avelina, assessores da Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas e Sul da Bahia, foram arbitrariamente presos, acusados de porte ilegal de arma.
Os companheiros são responsáveis pelo trabalho de organização de cursos de formação do movimento e apoiadores do trabalho de alfabetização de jovens e adultos no campo.
O movimento camponês combativo tem enfrentado um cerco e perseguições por parte do latifúndio e seus bandos armados e pelo aparelho jurídico e repressivo do Estado. Que a todo custo tentam criminalizar a luta pela terra, com ameaças, perseguições, calunias e toda sorte de acusações, no intuito de barrar a luta pela terra, e taxar de criminoso qualquer um que participe e apóie a luta.
Os companheiros por participarem do movimento e exercerem esse importante trabalho, consequentemente são muito conhecidos na região. Nesses últimos dias tem sofrido diversas perseguições e ameaças, inclusive de morte e logo nesse momento são presos, acusados dessa forma.
O que comprova mais uma vez a quem serve esse Estado burguês e latifundiário, que persegue e prende os camponeses que lutam pela conquista da terra e aqueles que lutam por uma verdadeira e nova democracia.
A Liga dos Camponeses Pobres vem à publico repudiar e denunciar toda à ação de criminalização, banalização, desmoralização e perseguições que o Estado vem impondo ao movimento camponês combativo de uma forma geral, bem como aos camponeses e apoiadores da luta camponesa combativa em particular.
Como exemplo dessa perseguição é caso do companheiro Wilson, Presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais do Assentamento Santa Rita. Que foi preso e interrogado de forma truculenta, sob tortura psicológica, por ter cedido a sede do assentamento para a realização de um Curso de Formação de Professores de Alfabetização de Jovens e Adultos da Escola Popular, já que o mesmo tem muito interesse da escola funcionando em sua área. E também o caso do companheiro Gerônimo Gomes, que foi detido em sua casa e interrogado durante 3 horas sob as mesmas acusações infundadas e absurdas.
Responsabilizamos o Estado por tudo o que vier à acontecer contra os dois companheiros e contra qualquer outro camponês ou companheiro simpatizante e apoiador da luta camponesa pela destruição do latifúndio. Convocamos a todos os democratas, cidadãos de bem, progressistas e intelectuais honestos a apoiarem e defenderem esses companheiros que lutam por uma verdadeira democracia!
Foto postada em La Haine Decenas de colectivos, llaman a acudir a la marcha de Etxerat para el 2 de enero en Bilbo.
Decenas de colectivos, llaman a acudir a la marcha de Etxerat
La Haine - Euskal Herria
Etxerat ha dicho que con la movilización pretenden impulsar que este 2010 sea un año en el que se adopten «compromisos concretos».
Numerosos colectivos de toda Euskal Herria, que se han sumado a la manifestación nacional por los presos de este sábado en Bilbo han lanzado desde la capital bizkaitarra un llamamiento a convertir el acto en una «ola de solidaridad».
En representación de Etxerat, el organismo convocante, los familiares Oihane Ozamiz y Pitxu Coto han remarcado que es hora de decir «no» a la dispersión, a las agresiones, a la desasistencia sanitaria, al mantenimiento entre rejas de presos enfermos o a los cacheos impuestos a familiares y amigos.
Desde las escalinatas del Ayuntamiento de Bilbo, donde concluirá la marcha, los miembros de Etxerat han añadido que con la movilización pretenden además impulsar que este 2010 sea un año en el que se adopten «compromisos concretos» y que «además sean efectivos. Porque esto ya no da más de sí»
La marcha empezara a las 17.30h y han sido decenas de colectivos, personas a título personal, representantes del arte, del deporte, de la cultura, las que han manifestado su apoyo a la misma.
Recordar, las terribles condiciones en las que l@s pres@s, están atravesando y sus familiares, obligados a terribles humillaciones y desprecios. No hará si quiera 3 semanas, trataron de cachear incluso un bebe de 21 meses.
En ese sentido esta marcha es un basta ya! a esta situación y a que l@s pres@s sean tratados como moneda de cambio y de presión.
Nota do blog:Vice-prefeito de Manaus, Carlos Souza, foi preso no início da noite de ontem, juntando-se ao irmão Wallace Souza, deputado estadual. Sobre os dois pesam a acusação de associação ao tráfico de entorpecentes. Os irmãos Souza, que viviam modestamente como camelôs em Manaus, fizeram carreira meteórica na política amazonense, graças à exploração de um programa sensacionalista veiculado pela TV Bandeirantes local. Programas desse tipo brotaram por todo o país, reflexo das dificuldades com que as políticas públicas enfrentam a violência urbana.