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março 25, 2010

Rede de Comunicadores em defesa da Democracia reune no Pará

Caros (as) colegas jornalistas e demais comunicadores,


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) convidam profissionais e militantes da área da comunicação social para uma reunião que será realizada nesta quinta-feira (25/03), às 18h30, na sede da SDDH (vejam o endereço no final desta mensagem), e que tem como objetivo apresentar a Campanha Nacional contra a Criminalização dos Movimentos Sociais na Mídia e a Rede Nacional de Jornalistas e Comunicadores em defesa da Democracia.


Peço a todos aqueles e aquelas que estejam interessados em participar da reunião que confirmem suas respectivas presenças, respondendo essa mensagem até às 16h desta quinta-feira (25).


Cordialmente


Allan Tomaz
Colaborador da campanha

***

CONVITE

Participe da Rede de comunicadores em defesa da democracia



Sob a consigna de que vivemos num “estado democrático de direito”, vivemos uma ofensiva conservadora no Brasil contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de renda.

Uma campanha orquestrada foi iniciada por setores da chamada “grande imprensa brasileira” – associados a interesses de grandes corporações econômicas- e parcelas do Poder Judiciário. Rapidamente outros atores entraram para somar a campanha tais como alguns promotores do Ministério Público, bancadas do Congresso Nacional. Todos com o objetivo de constranger aqueles que se indignam contra as injustiças sociais e não caem na omissão, denunciando e lutando contra as contradições expostas do neoliberalismo.


No Brasil, um dos alvos mais freqüentes é o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. As imagens e matérias que circulam das ações realizadas por esse movimento não expõem a situação das terras griladas, ou seja, roubadas do poder público para servir aos interesses de particulares.


Quando se fala da violência nos “grandes” meios de comunicação, se aborda o tema de forma que a sociedade assimila que esse problema é culpa dos pobres e daqueles que se organizam contra essa condição, estigmatizando-os de “bandidos”. No caso do MST, reproduz-se que os responsáveis pelos conflitos no campo são dos/as “sem-terras”.


No Pará, além do MST, é notório o nível de isolamento e criminalização que defensores de direitos estão sofrendo.Entre exemplos dos que estão sendo processados e/ou foram condenados: são advogados populares (em destaque o caso José Batista- CPT), são atingidos por barragem (caso dos 12 do MAB- Movimento dos Atingidos por Barragem), são sindicalistas (caso do SINTEPP e Sindicato dos Trabalhadores Rurais Sem- Terra) e até de comunicadores (caso do Osvaldo Mesquita da Rádio Cidadania- Terra Firme).


No Brasil, se iniciou um levante contra a criminalização dos defensores/as de direitos, reunindo a esquerda combativa no enfrentamento dessa forma de repressão, iniciado por alguns ativistas em favor da reforma agrária se lançou inclusive um site como um canal de informações contrapostas a CPMI da terra (http://www.reformaagraria.blog.br/) e se reuniu um Fórum de jornalistas que pudessem alimentar informações verdadeiras sobre os acontecimentos nesse campo.


No Pará, desde 2007 alguns movimentos, sob a coordenação da VIA CAMPESINA (MST, MAB, CPT, CIMI), SDDH, INTERSINDICAL E CONLUTAS, se organizaram para elaborar ações que pudessem responder às ofensivas da criminalização. Algumas ações como seminários e debates foram importantes para pautar o tema e formar massa crítica sobre a questão. Mas ainda não foi o suficiente para que se traduzisse à uma grande parte da sociedade a verdadeira perseguição “velada” que defensores de direitos estão sofrendo e quiçá fazer uma levantando dos diversos casos de criminalização no Estado.


Uma conclusão é determinante: precisamos reagir a esse tipo de repressão (criminalização) que possui diversas frentes. Daí a necessidade de se articular uma frente de comunicadores/as que estejam dispostos se organizar para formular contra- pontos à essa campanha de criminalização.


Por isso, convocamos: independente de se identificar ou não com o MST (que parece ser o principal alvo dessa ofensiva da direita), mas concordando que uma cortina nebulosa está posta nas transmissões de informações no Pará e Brasil, para que possamos analisar conjuntamente e por em prática formas coordenadas que respondam às injustiças encobertas e que possam contribuir na construção de democracia “da maioria”.


Pontos de análise/reflexão:


1. Como e quem comanda as ações que configuram essa nova forma de repressão: a criminalização?

2. Como reagir a essa campanha na mídia?

3. Como travar a batalha da comunicação, para defender quem defende a conquista de direitos dos povos no Pará e Brasil?


Reunião da Rede de Comunicadores em defesa da Democracia

Dia: 25 de março de 2010


Horário: 18h30 às 20h


Local: auditório da SDDH. (Av. José Malcher, 1381, entre Generalíssimo e 14 de Marco)

março 09, 2010

Rede de comunicadores em apoio à reforma agrária


MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra!

http://www.mst.org.br/

Nossa História
Há 25 anos atrás, em Cascavel (PR), centenas de trabalhadores rurais decidiram fundar um movimento social camponês, autônomo, que lutasse pela terra, pela Reforma Agrária e pelas transformações sociais necessárias para o nosso país. Eram posseiros, atingidos por barragens, migrantes, meeiros, parceiros, pequenos agricultores...

Nossos Objetivos
Desde a nossa fundação, o Movimento Sem Terra se organiza em torno de três objetivos principais: Lutar pela terra; Lutar por Reforma Agrária; Lutar por uma sociedade mais justa e fraterna.

***

Caros amigos

A partir de conversas de um grupo de jornalistas de São Paulo, surgiu a iniciativa de criarmos uma rede nacional de comunicadores, jornalistas, blogueiros e amigos em geral que acreditam na importância e defendem a reforma agrária. As ações que devem se seguir serão discutida por todos nós a partir de agora, e estamos organizando um primeiro encontro ampliado da turma paulista neste dia 11 de março.

Estamos lançando o manifesto abaixo para divulgar a proposta. Aos amigos que estão em outros estados enviaremos informações sobre o processo, mas desde ja convocamos a todos a se juntar a nós e a divulgar a rede.

Rede de comunicadores em apoio à reforma agrária

Dia 11 de março, às 19 horas, no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Rua Rego Freitas 530 – Sobreloja, reunião para montagem da “rede de comunicadores em apoio à reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais". Participe!

Manifesto:

Denuncie a ofensiva dos setores conservadores contra a reforma agrária!

Está em curso uma ofensiva conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda. E você não precisa concordar com tudo que o MST faz para compreender o que está em jogo.

Uma campanha orquestrada foi iniciada por setores da chamada “grande imprensa brasileira” – associados a interesses de latifundiários, grileiros - e parcelas do Poder Judiciário. E chegou rapidamente ao Congresso Nacional, onde uma CPMI foi aberta com o objetivo de constranger aqueles que lutam pela reforma agrária.

A imagem de um trator a derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda grilada, roubada da União, correu o país no fim do ano passado, numa ofensiva organizada. Agricultores miseráveis foram presos, humilhados. Seriam os responsáveis pelo "grave atentado". A polícia trabalhou rápido, produzindo um espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos jornais. O recado parece ser: quem defende reforma agrária é "bandido", é "marginal". Exemplo claro de “criminalização” dos movimentos sociais.

Quem comanda essa campanha tem dois objetivos: impedir que o governo federal estabeleça novos parâmetros para a reforma agrária (depois de três décadas, o governo planeja rever os “índices de produtividade” que ajudam a determinar quando uma fazenda pode ser desapropriada); e “provar” que os que derrubaram pés de laranja são responsáveis pela “violência no campo”.

Trata-se de grave distorção.

Comparando, seria como se, na África do Sul do Apartheid, um manifestante negro atirasse uma pedra contra a vitrine de uma loja onde só brancos podiam entrar. A mídia sul-africana iniciaria então uma campanha para provar que a fonte de toda a violência não era o regime racista, mas o pobre manifestante que atirou a pedra.

No Brasil, é nesse pé que estamos: a violência no campo não é resultado de injustiças históricas que fortaleceram o latifúndio, mas é causada por quem luta para reduzir essas injustiças. Não faz o menor sentido...

A violência no campo tem um nome: latifúndio. Mas isso você dificilmente vai ver na TV. A violência e a impunidade no campo podem ser traduzidas em números: mais de 1500 agricultores foram assassinados nos últimos 25 anos. Detalhe: levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que dois terços dos homicídios no campo nem chegam a ser investigados. Mandantes (normalmente grandes fazendeiros) e seus pistoleiros permanecem impunes.

Uma coisa é certa: a reforma agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa também aos que se envergonham com os acampamentos de lona na beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da terra, sem um canto para plantar - nesse país imenso e rico, mas ainda dominado pelo latifúndio.

A reforma agrária interessa, ainda, a quem percebe que a violência urbana se explica – em parte – pelo deslocamento desorganizado de populações que são expulsas da terra e obrigadas a viver em condições medievais, nas periferias das grandes cidades.

Por isso, repetimos: independente de concordarmos ou não com determinadas ações daqueles que vivem anos e anos embaixo da lona preta na beira de estradas, estamos em um momento decisivo e precisamos defender a reforma agrária.

Se você é um democrata, talvez já tenha percebido que os ataques coordenados contra o MST fazem parte de uma ofensiva maior contra qualquer entidade ou cidadão que lutem por democracia e por um Brasil mais justo.

Se você pensa assim, compareça ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no próximo dia 11 de março, e venha refletir com a gente:

- por que tanto ódio contra quem pede, simplesmente, que a terra seja dividida?

- como reagir a essa campanha infame no Congresso e na mídia?

- como travar a batalha da comunicação, para defender a reforma agrária no Brasil?

É o convite que fazemos a você.

Assinam:

- Altamiro Borges.

- Antonio Biondi.

- Antonio Martins.

- Bia Barbosa.

- Cristina Charão.

- Dênis de Moraes.

- Giuseppe Cocco.

- Hamilton Octavio de Souza.

- Igor Fuser.

- Joaquim Palhares.

- João Brant.

- João Franzin.

- Jonas Valente.

- Jorge Pereira Filho.

- José Arbex Jr.

- José Augusto Camargo.

- Laurindo Lalo Leal Filho

- Luiz Carlos Azenha.

- Renata Mielli.

- Renato Rovai.

- Rita Casaro.

- Rodrigo Savazoni.

- Rodrigo Vianna.

- Sérgio Gomes.

- Vânia Alves.

- Verena Glass.

- Vito Giannotti.

Importante: A proposta é que a rede de comunicadores em apoio à reforma agrária tenha caráter nacional. Esse evento de São Paulo é apenas o início deste processo. Promova lançamentos também em seu estado, participe e convide outros comunicadores para aderirem à rede.