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novembro 15, 2010

Um Sherlock Holmes excêntrico e quase-louco

PICICA: "Mais do que a abundância de efeitos especiais e grandes cenas de ação, o filme tem a marca de um roteiro intrigante, o que é uma obrigação para filmes de detetive."
loucosporwarner | 12 de novembro de 2009

Trailer final do filme 'Sherlock Holmes', super produção do diretor Guy Ritchie ('Snatch - Porcos e Diamantes' e 'RocknRolla - A Grande Roubada), estrelada por Robert Downey Jr., Jude Law, Rachel McAdams e Mark Strong.

Em uma nova e dinâmica representação dos personagens mais famosos de Arthur Conan Doyle, 'Sherlock Holmes' enviará Holmes e o leal parceiro Watson em sua mais nova aventura. Revelando habilidades de luta tão letais quanto seu lendário intelecto, Holmes irá combater como nunca para derrotar um novo inimigo e desmascarar um plano mortal que pode destruir o país.

O thriller de ação e mistério 'Sherlock Holmes' é liderado pelo aclamado diretor Guy Ritchie, para a Warner Bros. Pictures e Village Roadshow Pictures. Robert Downey Jr. traz o lendário detetive à vida, e Jude Law estrela como Watson, um médico e veterano de guerra que se torna o fiel colega e formidável aliado de Sherlock Holmes. Rachel McAdams estrela como Irene Adler, a única mulher que conseguiu superar Holmes e que mantém um tempestuoso relacionamento com o detetive. Mark Strong é o misterioso novo adversário, Blackwood. Kelly Reilly interpreta Mary, o interesse romântico de Watson.

O filme estreia em 8 de janeiro (2010) nos cinemas.

http://www.SherlockHolmesoFilme.com.br

* * *
Um drible nas certezas Rotating Header Image

O novo Sherlock Holmes


Esqueça as versões que você já viu do famoso detetive da Londres vitoriana.

Ele não é mais aquele senhor sisudo e metódico, que faz brilhantes deduções enquanto, impecavelmente vestido e asseado, fuma seu cachimbo – acompanhado de perto por um apalermado e obeso Watson, capaz de deduções meramente “elementares”.

Acho que o primeiro a antever um Sherlock Holmes menos sisudo foi o escritor brasileiro Jô Soares, em romance que virou filme – no qual fez o detetive londrino viver peripécias no Rio de Janeiro imperial.

Mas a nova versão cinematográfica dirigida por Guy Ritchie apresentou um personagem bem diferente do que eu acostumei a ver nos filmes, mas – segundo dizem os próprios produtores no making of incluído no DVD, próximo do texto de Conan Doyle.  Sei não, me deu curiosidade de ler os textos originais (talvez na coleção que a Zahar está relançando) – adaptações cinematográficas que deturpam a obra literária não são coisa rara. Mas achei convincentes os argumentos que levaram a um roteiro tão dinâmico.

O detetive Holmes, vivido por Robert Downey Jr, é um excêntrico, um quase-louco. Gênio desalinhado, que experimenta venenos e antídotos no cachorro, e até um ritual de magia negra para entender a mente de um criminoso. É agilíssimo lutador. Acompanhado por um Watson vivido por Jude Law, bonitão e sagaz. Os dois jovens vivem uma aventura agitada, dirigida por um Guy Ritchie especialista em filmes de ação.

Algumas particularidades dos artistas citados fazem uma receita muito feliz neste filme. O britânico Guy Ritchie decidiu fazer cinema devido à sua admiração infantil por Buth Cassidy and The Sundance Kid, de onde talvez venham as sacadas para a convivência instável de dois grandes parceiros. Robert Downey Jr ficou mais conhecido recentemente por filmes de ação como Hulk e Homem de Ferro – ele mesmo faz as cenas de luta, pois é praticante de artes marciais.

Mais do que a abundância de efeitos especiais e grandes cenas de ação, o filme tem a marca de um roteiro intrigante, o que é uma obrigação para filmes de detetive. Terminei de assistir com vontade de ver tudo de novo. Coisa que até hoje só tinha me acontecido em dois filmes: Antes da Chuva e Nove Rainhas.

novembro 12, 2010

"Quando cantavam as cigarras", de Manuel Callado

Foto: Divulgação (enviada sem o crédito)
 A Livraria Valer convida para o lançamento do documentário “Quando Cantavam as Cigarras”, do professor Manuel Callado, que acontecerá na manhã do dia 13 de novembro de 2010, a partir das 9h30, no Espaço Cultural da Livraria Valer. A entrada é franca
 
 
O documentário “Quando Cantavam as Cigarras” retrata essencialmente a Manaus dos anos 1950 e 1960. Apresenta aspectos importantes da ecologia, cinema, teatro, Clube da Madrugada, novelas de rádio, fotonovelas, concursos de Miss Amazonas, futebol e especialmente a música e o rádio com suas múltiplas funções. 
O documentário mostra imagens de Manaus em 1965 e 1966, incluindo o Teatro Amazonas, o primeiro Festival Norte do cinema Brasileiro, no qual Silvino Santos foi homenageado, o jogo da Seleção Brasileira e Seleção do Amazonas em 1970 na pré inauguração do Estádio Vivaldo Lima e interpretações musicais marcantes de Lili Andrade, Kátia Maria, Manoel Passos, Inês e Candinho, além da música tema composta e interpretada por Roberto Dibo.
Participam do filme: Lili Andrade, Kátia Maria, Joaquim Marinho, Valdir Correia, Arnaldo Santos, Baby Rizzato, Oscar Ramos, Ednelza Sahdo, entre outros. A Direção do Documentário é de Manuel Callado.
 
Serão exibidas duas sessões do documentário, a primeira às 9h30 e a segunda às 11h. Após a exibição haverá um debate sobre a arte e a cultura do Amazonas. O DVD estará à venda pelo valor de R$ 20.
 
 Ficha Técnica:
Diretor – Manuel Callado: 8133-8399
Produtor – Hamilton Salgado
 
Roteiristas:
Manuel Callado
Francisco Callado Filho
Jose Wellington Ferreira
Música – Roberto Dibo
Imagens – João de Deus e Luiz Carlos Rodrigues
Edição – Edson Egas
Narração – Ivo Aguiar
 
 
Evento: Lançamento do documentário “Quando Cantavam as Cigarras”
Preço do DVD: R$ 20,00
Data: 13 de novembro de 2010 (sábado)
Horário: A partir das 9h30
Local: Espaço Cultural da Livraria Valer
Endereço: Av. Ramos Ferreira, 1195 – Centro
Entrada: franca
Contatos: 3635-1245 (Editora Valer) / Diretor – Manuel Callado: 8133-8399


"Minha Terra, África", de Cleire Denis

PICICA: Um filme sobre o abismo entre duas civilizações, abismo que separa duas culturas, duas realidades irreconciliáveis, subproduto do colonialismo cruel dos europeus.
imovision | 20 de outubro de 2010

Em algum lugar da África, numa província devastada pela guerra civil, Maria, uma feroz e corajosa mulher branca, se recusa a abandonar suas plantações de café ou a reconhecer o perigo que coloca sua família. Para Maria, partir é se render, um sinal de fraqueza, de covardia. Nessa plantação, que foi passada por três gerações de brancos, André -- seu ex-marido, e pai do seu filho adolescente -- teme pelo orgulho cego e resistente de Maria. Sem ela saber, ele planeja sair do país. Enquanto isso, um oficial rebelde está escondido nas redondezas. Com a vida se desintegrando em torno deles, cada um faz suas escolhas, nenhuma delas, previsível.

* * *

[ Amálgama ]




-- Isabelle Huppert em "Minha Terra, África" (em cartaz) --

por Bruno Cava – A diretora francesa Claire Denis filma na África colonial, onde viveu quando criança. Reminiscências de uma terra avermelhada de ferro e sangue, cindida racial, social e culturalmente em duas realidades inconciliáveis. A realidade do negro, pobre, oprimido, nativo, “selvagem”, cru(el) e pagão, originária de tantos imigrantes na França, da maioria dos jogadores de sua seleção de futebol, do ator costa-marfinense Isaac de Bankolé, que neste longa interpreta Boxeador. E a realidade do branco, proprietário, bem-educado, estrangeiro, “civilizado” e humanista, de Sarkozy, do ex-técnico Raymond Domenech, da atriz Isabelle Huppert, que faz a protagonista Maria.

Maria é ruiva, sardenta, num tom de pele que se confunde com o alarajando terroso da paisagem. Administra um engenho de café, em que vive com a família de europeus colonizadores: o filho, o ex-marido, o sogro. Todos os empregados são negros. Esse microcosmo é fraturado por uma guerra civil genérica, anunciada logo no início pelo helicóptero-anjo. A barbárie iminente afugenta a população, esvazia a fazenda, mas Maria se obstina. Decide desafiar a ordem das coisas. Teima a ponto de acreditar que a África pode ser a sua terra, pode ter a sua cor. Mas não é e não tem.

Rapidamente, o mundo em extinção abole a estrutura social: crianças empunham fuzis, vilas são saqueadas, cadáveres perfilam-se na beira das estradas. Os negros não respeitam mais os patrões brancos. Desmontados os instrumentos de dominação de classe/raça, isto é, o estado, nada refreia os negros colonizados de ofender os europeus colonizadores, enganá-los, extorqui-los, roubá-los, torturá-los, matá-los a golpes de machete, arrancar-lhes os escalpos loiros.

Porém, Claire Denis não tem por foco a violência, e sim as bordas da violência: os seus interregnos, o antes e o seu depois, a sua tensa espera, o seu epílogo silencioso e estático. A narrativa descompassada vai e vem no tempo, a fim de cercar a brutalidade, sem penetrar no âmago. A câmera come pelas bordas. Daí Boxeador aparecer antes e depois do tiro que o mata, mas o momento fatal não aparece. Daí o pudor na chacina dos soldados mirins, que dormiam depois da orgia de drogas. Ou então a cena dos últimos funcionários da fazenda, no solo de bruços, após uma matança que tampouco é mostrada. Só o final do filme inverte essa lógica, numa intrigante seqüência que reservo à surpresa (estupefação) do espectador.

Minha Terra, África fala do abismo que cisalha a África, a França, a Europa hodierna. O europeu branco e rico, ainda que humanista e bem-intencionado, não consegue se comunicar com o outro lado. É incapaz de ativar um devir-negro. Nisso, falha Maria, na tentativa de liderar humanamente os funcionários. E fracassa o seu filho, Manuel, quando raspa a cabeça e junta-se à cruzada delirante de crianças negras. Ambos os personagens chegam perto do abismo e terminam por ele sugados.

Filme sem meias-verdades nem romantização, Minha Terra, África vai ao ponto da questão racial e social.

"Muita Calma Nessa Hora"

PICICA: Estréia hoje, em circuito nacional.
jeffersonrcruz | 6 de outubro de 2010
Trailer do filme "Muita Calma Nessa Hora" (Brasil, 2010), com roteiro escrito por Bruno Mazzeo, João Avelino e Rosana Ferrão. No Rio de Janeiro, Mari (Gianne Albertoni), Tita (Andréia Horta) e Aninha (Fernanda Souza) são três amigas inseparáveis. Decididas a mudar a rotina de suas vidas, as três começam por passar um fim de semana em uma casa incrível em Búzios. No caminho, conhecem Estrella (Debora Lamm), que pede carona até o balneário, onde pretende encontrar o pai que nunca conheceu. As quatro garotas não encontram a paz que procuravam, mas vivem de tudo nesta jornada. E acabam descobrindo que não só tiveram dias inesquecíveis, mas que aprenderam muito mais sobre si mesmas. Direção de Felipe Joffily. Estreia dia 12 de novembro

outubro 25, 2010

Miles Davis & Jeanne Moreau: um brinde para os leitores do PICICA

PICICA: Um brinde para os leitores. A dica é do cineasta Aurélio Michiles. Cinema e jazz, como não se vê mais.
lafoule7 | 11 de janeiro de 2009
"Ascensor para el cadalso" (Louis Malle, 1957)

Maurice Ronet, Jeanne Moreau, Georges Poujouly, Lino Ventura, Yori Bertin, Elga Andersen, Ivan Petrovich

outubro 08, 2010

"Perdão Mister Fiel"

Trecho do filme Perdão, Mister Fiel


O filme
A morte do operário  Manoel Fiel Filho, no DOI CODI em São Paulo em 1976, é a base do documentário que mostra a atuação  dos Estados Unidos na caça aos comunistas e nas ditaduras militares na América do Sul.
Documentário, 95 minutos

Na imprensa
Jorge Oliveira passou  30 anos nas redações dos principais jornais do país  até criar a  JCV e  dedicar-se ao marketing político e à realização de documentários autorais. Perdão Mister Fiel é seu primeiro longa-metragem.

Imprensa
Perdão Mister Fiel traz revelações inéditas de personagens históricos que estiveram em lado opostos durante a ditadura militar no Brasil. O filme é destaque na imprensa. 

setembro 18, 2010

Si può fare (2008) - Trailer ufficiale


filmisnow | 29 de abril de 2009
Trailer - SCARICA IL FILM DA FILMISNOW
http://www.filmisnow.it/index.php?a=2...

Milano, anni '80. Nello (Claudio Bisio) si trova a dirigere una cooperativa di malati mentali, appena dimessi dai manicomi.

Si tratta di una sporca dozzina incapace a tutto ma Nello sa scovare i talenti nascosti in questi ''scarti della societa''' e trascinarli alla conquista della luccicante ''Milano da bere''. Una favola realmente accaduta che diverte e commuove, lasciando nel cuore una contagiosa ventata di ottimismo.

Nota do blog: Brevemente, a Universidade do Estado do Amazonas, a Secretaria de Estado da Saúde, a Secretaria de Estado de Acões Sociais e a Associação Chico Inácio (filiada à Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial) estarão desenvolvendo um trabalho inédito no campo da saúde mental. Aguardem!

"Desenrola" (trailer oficial)


desenrolaofilme | 2 de agosto de 2010
Aos 16 anos de idade, a romântica Priscila (Olívia Torres) se vê pela primeira vez sozinha em casa: a mãe viajou a trabalho e vai passar 20 dias fora. É neste curto espaço de tempo que sua vida passa por grandes mudanças e diversas primeiras vezes- acontecem.

Nota do blog: A dica do filme é de Clelia Bessa.

setembro 13, 2010

"Aqui, doido varrido não vai pra debaixo do tapete"

Aqui, doido varrido não vai pra debaixo do tapete - Trailer from Rodrigo Séllos on Vimeo.
Trailer do documentário "Aqui, doido varrido não vai pra debaixo do tapete" (81min/2010).
Trailer of the documentary "Here wackos are not swept under the rug".

Sinopse: Através das histórias de vida de pacientes, familiares e equipe médica, o documentário busca, de forma descontraída, o que se esconde atrás de estereótipos e preconceitos que cercam a doença mental.

Synopsis: Through the patients, family members and medical team life's stories, we try to see beyond the stereotypes and prejudices surrounding mental illness.

Direção /directed by: Rodrigo Séllos
Co-direção / co-directed by: Rená Tardin

Produção Universidade Federal Fluminense / Caos e Cinema.
Produced by Film School of Universidade Federal Fluminense and Caos e Cinema.

Realizado no Serviço de Atenção Diária Espaço Aberto ao Tempo, do Instituto Municipal Nise da Silveira (Engenho de Dentro - Rio de Janeiro).

Nota do blog: O cineasta Rodrigo Séllos estagiou durante um ano no EAT -Espaço Aberto Ao tempo (Instituto Municipal Nise da Silveira). O resultado é um belo docomentário de 81 minutos, que será exibido no Festival do Rio. Imperdível.
 

Exibição no Festival do Rio
Dia: 30/09 - Quinta-feira
Local: Cinema ODEON - Cinelândia - Rio de Janeiro
Horário: 15h

setembro 11, 2010

Elvis & Madona - Uma História de Amor

[ Amálgama ]



 
por Juliana Dacoregio – Um homem e uma mulher, que se encontram em circunstâncias insólitas, atribuídas ao acaso ou ao destino. Se apaixonam e vivem o encantamento de qualquer paixão que se inicia e a relutância dos que já sofreram e sabem que a paixão pode ser traiçoeira. Seria difícil como qualquer relacionamento, mas acontece que esse homem e essa mulher não são exatamente homem e mulher. São Elvis e Madona. Ela, Elvis (interpretada por Simone Spoladore), lésbica: bela, aparência delicada, doces olhos azuis, porém de modos completamente masculinos. Ele, Madona (vivido por Igor Cotrim), gay, travesti: uma “boneca”, como se costuma dizer entre os “entendidos”; seu rosto e suas feições são fortes, não é o tipo de travesti que “nem parece ser homem”. Não, Madona parece sim, ser um homem: o maxilar quadrado, os ombros largos, mas os trejeitos de uma verdadeira lady. Sua aparência e sua história nada têm de doces, mas é apenas mais uma “garota” romântica.


Esses são os protagonistas de Elvis & Madona, filme do cineasta Marcelo Laffite e livro homônimo de Luiz Biajoni. A história é inusitada e o caminho que trilhou também. Não é um livro que virou filme, como é de praxe. O filme veio primeiro e Laffite cedeu a Biajoni os personagens para que ele transformasse roteiro em romance. Tive contato primeiro com o livro, depois com o filme. Ambos se completam. O estilo escatológico e a trama policial, tão presentes nas obras de Biajoni, estão mais escancaradas no livro. Mas Elvis & Madona – o livro – não deixa de mostrar a beleza desse relacionamento quase improvável e chega a ser de uma sutileza respeitosa quando narra (ou não narra) os momentos sexuais do casal.

Já o filme é mais ousado nesse sentido, mas de uma beleza ímpar. Não é um filme erótico, é um filme de amor. E também um drama, uma comédia, uma viagem por estilos de vida que poucos conhecem. O sofrimento de um homossexual para assumir-se e manter-se, lutar por seus sonhos, mesmo que para isso tenha de recorrer aos métodos comuns a quase todos os travestis: trocar o corpo por dinheiro e fazer de conta que isso não fere a alma, enquanto sonha com uma relação verdadeira de amor e cumplicidade. A menina de família que frustra todas as expectativas da mãe quando revela-se bem menos menina do que se esperaria. Pessoas com sentimentos, desejos, planos e carências que são obrigadas a viver à margem para poderem ser o que são.

O filme é leve apesar do tema forte e muito diferente do que se tem feito no cinema brasileiro. Um sucesso, como as premiações e a aceitação em vários festivais têm demonstrado. Trilha sonora divertida, atores que incorporam seus personagens com perfeição, fazendo rir e chorar.

O livro deve ser lido, tanto quanto o filme deve ser assistido.
Uma história de amor nas telas e no papel, e um exemplo de perseverança e sucesso através da criatividade de Marcelo Laffite e Luiz Biajoni.

Ficha Técnica

titulo original: Elvis & Madona


lançamento: 2010 (Brasil)


direção: Marcelo Laffitte


atores: Simone Spoladore, Ígor Cotrim, Sérgio Bezerra, Maitê Proença, Buza Ferraz, José Wilker


Curiosidades

Clique aqui para saber como o filme virou livro


- Laffite procurou um travesti para interpretar o papel de Madona, mas não encontrou. “Creio que existam vários travestis que são bons atores, só não calhou de encontra-los”, afirma o cineasta.


- Uma história semelhante ocorreu na década de 90, em São Paulo, com a baterista de uma banda e um travesti chamado Gabi. “Depois que o roteiro estava pronto, comecei a mostrar para várias pessoas até que me contaram a história desse casal. Foi a prova de que meu filme tem muito a ver com a realidade”, comemora Marcelo Laffite. (fonte: UOL Cinema)


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Leia também:

agosto 17, 2010

PáginaDois: Pedro Cunha escreve sobre o filme "A Origem"

A Origem (Inception, Christopher Nolan, 2010)

por Pedro Cunha





“Se um tanto de sonho é perigoso, não é menos sonho que há-de curá-lo, e sim mais sonho, todo o sonho. É preciso conhecer totalmente os nossos sonhos, para não sofrermos mais com eles”
Marcel Proust em “Em Busca do Tempo Perdido”

É a primeira vez que eu começo um texto sobre um filme com uma epígrafe. Mas não tenha dúvidas, o filme merece. E merece também todo o confete que tem sido despejado sobre ele. Na verdade se Nolan exigisse traje de gala para cada um que fosse ao cinema ver o seu filme eu não acharia, depois de vê-lo, que ele estaria exagerando. O filme vale. Mas disso todo mundo suspeitava, vindo de quem veio.


Chris Nolan é um dos meninos de ouro da Hollywood de hoje. Ele apareceu para o mainstream com um filme no mínimo diferente: “Amnésia” (Memento, 2000). O próprio Nolan escreveu o roteiro, adaptado de um conto de seu irmão, Jonathan. O filme é um thriller de suspense onde o personagem de Guy Pearce é atormentado por uma doença rara que afeta a memória recente. Nolan caprichou na montagem do filme para passar ao espectador a mesma impressão que tem o personagem, construindo um filme que, em termos de montagem, é bastante surpreendente. Nolan se arriscou e fez um filme que poderia ser uma colagem inintendível e que, ao invés disso, se tornou badalado no circuito alternativo e lhe deu notoriedade. “Amnésia” custou cerca de 9 milhões de dólares e rendeu quase 40 milhões de dólares, fazendo com que Nolan aparecesse para os grandes estúdios. Seu filme seguinte, “Insônia” (Insomnia, 2002), já contou com um orçamento bem mais robusto (U$ 46 milhões) e respondeu positivamente nas bilheterias, arrecadando U$ 113 milhões e colocando Nolan numa categoria rara: um cineasta que se paga sem grandes campanhas de marketing ou sagas já existentes em outras mídias. Falando em personagens pré-existentes, o desafio seguinte de Nolan era reavivar a franquia Batman. Os dois filmes anteriores do morcego, feitos por Joel Schumacher, foram desastrosos e enterraram não só o Batman mas também os filmes de heróis em geral. Coseguiria Nolan, um diretor de filmes “realistas” e “pequenos”, levar o projeto de reavivar o Batman adiante? “Batman: o Retorno” (Batman Begins, 2005) zerou a franquia e mostrou que o diretor poderia atingir os grandes públicos, para a felicidade dos produtores. Nolan escalou um elenco sério e consagrado de atores reconhecidamente talentosos para o filme, alguns em papeis principais, outros mais secundários: Michael Caine fez o mordomo Alfred, Liam Neeson viveu Henri Decard, Gary Oldman foi o comessário (ainda detetive) Gordon, Ken Watanabe encarnou Ra’s Al Ghul e Lucius Fox foi interpretado por Morgan Freeman. Para o protagonista Nolan achou Christian Bale que recentemente havia feito o bom “Psicopata Americano” (American Psycho, Mary Harron, 2000). Bale deu conta do recado e se não é ainda o Batman/Bruce Wayne dos sonhos com certeza superou os antecessores Michael Keaton, Val Kilmer e George Clooney. “Batman: o Retorno” arrecadou mais de U$ 370 milhões e, mais importante do que isso, tornou Batman um produto sério e respeitável novamente. “O Grande Truque” (The Prestige, 2006), o filme seguinte de Nolan, foi uma volta à linha dos seus filmes anteriores, com mais uma atuação de Bale. O diretor lançou em 2008 a sequência de “Batman: O Retorno” e “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (The Dark Knight) colocou, definitivamente, o nome de Nolan na história do cinema: o filme arrecadou estrondosos U$ 1 bilhão e contou com uma das grandes atuações de todos os tempos na telona, Heath Ledger como o Coringa. Ainda que não tivesse falecido logo depois do filme o Coringa de Ledger conseguiu um feito e tanto: é, indubitavelmente, melhor e diferente em relação ao Coringa de Jack Nicholson, de “Batman” (Tim Burton, 1989). “Batman: O Cavaleiro das Trevas” conseguiu andar numa linha muito tênue e ser unanimidade: sucesso de público, foi aclamado também pela crítica.

E agora? Para onde ir depois disso?


(atenção: o texto abaixo pode conter spoilers, ou seja, informações sobre a trama ou o conteúdo da história que podem frustar aqueles que, como eu, gostam de não saber nada sobre o filme que vão assistir. Veja o filme e depois leia com gosto...)

Dom Cobb, o Extrator
Nolan optou por realizar um sonho. O roteiro de “A Origem” era uma ideia dele mesmo na qual trabalhava desde os seus 16 anos. Depois de tanto burilar talvez tivesse chegado a hora de transformar o sonho em realidade. Ou a realidade em sonho, enfim. “A Origem” tem um roteiro denso. A quantidade de informação contida nos detalhes cuidadosamente calculados do filme incita o espectador a assistir o filme novamente. Nolan bebeu muito na fonte da psicologia e da interpretação dos sonhos. Há Jung para todos os lados no filme em objetos, lugares e palavras. Nolan brinca com a ideia dos arquétipos: os personagens do filme, além do nome, todos eles são definidos pela função que desempenham: há “O Extrator”, “O Arquiteto”, “O Turista”, “O Falsário”, “O Alvo”, “A Sombra”, “O Químico” e tantos outros. O próprio filme segue um modelo tradicional de “filme de roubo”: o surgimento de uma missão, a montagem de uma equipe, o planejamento do golpe e por fim a execução. Cobb, o protagonista, (O Ladrão) é um especialista em entrar no subconsciente das pessoas e extrair informações escondidas lá. É um negócio que paga bem. Mas ele precisa de ajuda. Precisa de um Pesquisador, o responsável por conhecer o seu alvo em detalhes, para tornar os sonhos críveis. E também de um Arquiteto, aquele que vai conceber o sonho onde o roubo vai acontecer. Cobb recebe uma proposta de negócio irrecusável: se conseguir o que seu empregador deseja ele será inocentado da acusação de assassinato que pende sobre sua cabeça. Mas o seu empregador quer algo diferente: ele não quer extrair uma informação de alguém, mas sim inserir uma ideia na cabeça de uma pessoa. Ao contrário do que pensam alguns dos envolvidos Cobb afirma que é possível, mas tem que compor um time maior: precisará de um Químico, para manter o Alvo sedado, já que terá que trabalhar por muito tempo, e de um Falsário, especialista em incorporar outras pessoas em sonhos. Além disso Cobb tem que lutar contra A Sombra, o espectro de sua esposas morta que o persegue e cada vez que ele entra no sonho de alguém. Além da dificílima tarefa de inserir uma ideia na cabeça de alguém Cobb ainda tem que lidar com o seu próprio subconsciente sabotando-o o tempo todo. Quem percebe isso é Ariadne, uma jovem talentosíssima cooptada por Cobb para ser A Arquiteta na missão. Ariadne percebe o problema de Cobb e esforça-se para ajudá-lo a sair do labirinto tramado pela sua própria mente. Não por acaso A Arquiteta tem o nome de Ariadne, a princesa grega que segurou o novelo de lã e auxiliou o heroi Perseu a sair do labirinto em Creta.
Ariadne, a Arquiteta
Nolan monta a trama vagarosamente. Primeiro apresenta os personagens e familiariza-nos com eles. Depois apresenta a missão. E o terceiro momento, que toma toda a segunda metade do filme, é uma espetacular sequência de cenas de ação. É nesse momento que Nolam mostra que é um diretor completo: faz um filme de personagem onde os atores tem oportunidade para atuar e ao mesmo tempo faz um estupendo trhiller de ação. As cenas de luta (em especial a cena em gravidade zero no hotel) são, repetindo um clichê, de tirar o fôlego. A superposição das camadas de sonho e os diferentes tempos, nas diferentes camadas do filme, Nolan dosa a tensão e quando nos damos conta o filme está frenético. É um caminhão desgovernado estrada abaixo, sem freio. Ao som de Piaf, Je ne regrette rien o filme aproxima-se do final. E o final, ao melhor estilo Nolan, não resolve a trama. Ou resolve, enfim. Isso é com cada um.
Saito, O Turista Arthur, O Homem dos Detalhes
O elenco foi pinçado a dedo pelo diretor. Cobb é vivido por Leonardo di Caprio. Antes eu suspeitava, hoje eu tenho certeza: é o melhor ator em atividade em Hollywood. O Pesquisador, Arhur é Joseph Gordon-Levitt. O ator que tornou-se conhecido por “(500) Dias Com Ela” ((500) Days of Summer) faz um papel completamente diferente, e coloca-se como uma espécie de contraponto de Cobb. Ellen Page, a eterna Juno, faz Ariadne, a Arquiteta. O resto da equipe é composta por Ken Watanabe (Saito, “O Turista”, o empresário que encomenda a inserção) e pelos menos conhecidos (mas ótimos) Tom Hardy (Eames, “O Falsário) e Dileep Rao (Yussuf, “O Químico). Cillian Murphy faz “O Alvo” e o sempre bom Michael Caine é o padrasto (ou sogro, enfim. Isso eu não achei claro) de Cobb. A oscarizada Marion Cotillard faz Mal, a projeção do inconsciente de Cobb da sua ex-mulher morta. O quão difícil é interpretar um personagem que não existe? Quão unidimensional tem que ser um personagem não é uma pessoa, mas sim a projeção que outra faz dela? Sem sombra de dúvida deve ser difícil, mas Cotillard tirou de letra. Além do elenco inteiro ser ótimo a direção de Nolan consegue tirar de cada um deles o que tem de melhor.
 Eames, o Falsário Robert Fischer, o Alvo
Ainda, a trilha sonora: Hans Zimmer, né. As composições próprias dele dão o tom do filme, entremeando-se com a onipresente Piaf, que canta durante todo o filme. Há na presença da voz de Piaff, intermitante, durante o filme inteiro, uma referência à personagem de Marion Cotillard, que ganhou o Oscar pelo papel da cantora francesa? Isso é uma pista de onde termina a realidade e começa o sonho? Ou é simplesmente uma coincidência? Existem coincidências nos sonhos? A trilha de Zimmer, em especial nas cenas de ação, que se passam nos três planos de sonhos diferentes (A Cidade da Chuva, O Hotel, A Fortaleza na Neve. Locais arquetípicos, novamente.). Como explicado no filme, em cada camada de sonho o tempo funciona numa velocidade diferente. O que fez com que Zimmer (e Nolan junto, talvez?) brincassem, como pode-se ver aqui. (agradecimentos ao Mau Oliveira pelo link).
Mal Cobb, A Sombra
A fotografia e os efeitos visuais também são caprichadíssimos. O mundo onírico tem uma luz muito própria. Ela é difusa, um pouco sem origem alguma. Nos sonhos das pessoas destacam-se às inúmeras referências à Escher, o artista da simetria e da ilusão. A ilusão, como todos sabem, consiste em enxergar o que não existe. A ilusão nada mais é do que uma trapaça que confunde o cérebro, como os personagens do filme também fazem.
A luta em gravidade zero, no hotel: já está na história do cinema...
O fim do filme retoma algumas das questões que estão na obra autoral de Nolan desde “Amnésia”, passando por “Insônia” e ainda em “O Grande Truque”. Uma dessas questões é o próprio fazer cinematográfico. Nada na vida é muito diferente de um filme, como o próprio Batman já mostrou em “O Cavaleiro das Trevas”. Sobre isso o Ticiano Osório escreveu um texto bem bacana na Zero Hora. E a principal questão de todas, talvez: o que é a realidade? O que existe além da nossa própria percepção? Há como ter certeza da sanidade e da realidade? Qual o limite do sonho e da fantasia? Até que ponto o mundo em que vivemos é uma criação de nós mesmos? Eu não sei. Leonard, em Amnésia, não sabe. Cobb, em “A Origem”, também não. Desconfio que o Nolan sabe. Só sabendo mesmo ele poderia brincar tanto com isso da maneira que ele faz.

PS: “A Origem” estreou em circuito comercial dia 16 de julho. Até o último final de semana o filme, que custou U$160 milhões já havia arrecadado mais de U$480 milhões. Nolan acertou na mosca, denovo.


Fonte: PáginaDois

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Tem mais novidades da semana no PáginaDois - 16.08


Hora de conferir as atualizações do PáginaDois!

Na seção de textos literários, as novidades ficaram por conta de:
"Diários de viagem", escrito por Clarice Casado e ilustrado por Cassiano Rodka;
"Quanto eu tentei dizer: Quando o eu mente", escrito por Bianca Rosolem e ilustrado por Luísa Hervé;
"Curto", escrito por Melissa de Menezes e ilustrado por Cassiano Rodka.
Na seção de música,
Cassiano Rodka deu "Um passeio pelos subúrbios com o Arcade Fire".
Na seção de cinema,
Pedro Cunha escreveu sobre o novo filme de Christopher Nolan, "A Origem".

Siga o PáginaDois no Twitter!
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Boa leitura! :)

agosto 13, 2010

"Copie conforme"


MovieManiacsDE | 14 de maio de 2010
CANNES FILM FESTIVAL 2010 - IN COMPETITION
clip from "Certified Copy - Copie conforme"
Genre:
Regie / directed by: Abbas Kiarostami
Darsteller / cast: Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière, Agathe Natanson, Gianna Giachetti, Adrian Moore, Angelo Barbagallo, Andrea Laurenzi, Filippo Trojano

Verwendung mit freundlicher Genehmigung von Festival de Cannes Press Office
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[ Amálgama ]



 
por Diego VianaJuliette Binoche, com um ar ligeiramente aflito, de excitação comedida, experimenta um brinco, uma peça chamativa e de gosto discutível. As cores da imagem são reforçadas para causar estranhamento em quem a contempla. No cartaz de Copie conforme, último filme de Abbas Kiarostami, a atriz tenta enganchar a jóia no lóbulo da orelha. E esse é mesmo o gancho que resume o filme. Não é uma daquelas obras-primas de Kiarostami, um Gosto de cereja ou um Ten. Antes, é uma jóia, menor talvez, mas rica e brilhante o suficiente para ter seu lugar no tesouro que é a obra do cineasta iraniano.


Sem contar, é claro, a própria Binoche, fabulosa como sempre, muito apropriadamente premiada no último festival de Cannes. Ela é o eixo em torno do qual se desenvolvem as transformações sutis e ininterruptas do filme, como um caleidoscópio de sensações, convicções e imagens girado por uma mão capaz. A cada vez que Binoche altera a voz, reforma a postura, troca de roupa ou inverte o discurso, o que muda é toda a pele daquilo que está sendo exibido, ou representado, ou oferecido sobre a tela. Acompanhar a mudança, nesse caso, é se antecipar a ela em todas as suas vertentes e possibilidades. Não é pouca coisa que exige o diretor.


Voltarei a esse assunto, mas já posso, e preciso, adiantar que a força dessa pequena gema de Kiarostami reside no fato de que não se trata de um filme “com muitas camadas”, como se dizia elogiosamente no tempo da linearidade, mas de um filme cristalino, cujas superfícies refletem a luz de maneiras imprevisíveis. (Falar em luz sobre o cinema é sempre uma imagem válida.) O “texto”, ou chame-se como se desejar esse fenômeno entregue ao espectador indefeso, toma suas formas estáveis, tão estáveis quanto possam ser as formas da percepção e da criação artística, de acordo com disposições mútuas, entre as cenas e o corpo instalado sobre a poltrona. Ou, para usar palavras mais claras: assista ao filme ao lado de alguém que você queira seduzir, porque na mesa do jantar, depois da sessão, há de sobrar assunto.

-- Binoche em cena --

O cineasta põe diante de nossos olhos um ensaio sobre as origens profundamente orgânicas de uma oposição conceitual particularmente problemática. Problemática, sobretudo, por ser bem mais orgânica do que parece, ou seja, porque nossa atividade do dia-a-dia depende dela mesmo que não o percebamos. Mas problemática também quando nos damos conta da multiplicidade aterradora de recortes que podemos lhe atribuir: verdadeiro/falso, original/cópia, intrínseco/adquirido, autêntico/emprestado, criação/imitação. Mas não é só. Todos esses critérios, não raro intercambiáveis, podem muito facilmente (e freqüentemente) escorregar para juízos mais rigorosos e menos “objetivos”: bom/mau, sério/burlesco, real/ficcional, ordem/confusão, sentido/interpretação…


Kiarostami, que não começou ontem a trabalhar com material estético, tem plena consciência das armadilhas desse discurso (corrente, por sinal) da autenticidade, e se aproveita dessa consciência para brincar com o material que tem à mão, como uma criança brilhante e cruel que retorce e desfigura seu brinquedo. Um roteiro, dois atores (William Shimmel é cantor de ópera, mas está excelente), três idiomas, as paisagens da Toscana, as obras de arte da Toscana, o povo da Toscana, a mística reverente que recobre o nome da Toscana para os amantes da arte. A partir dessa matéria-prima invejável, o cineasta realiza uma investigação tão profunda do nosso engajamento com o concreto e o imaginário (engajamento psíquico, mas também hormonal), que são necessários dias para recolher os cacos no inconsciente do espectador. Pois sim, essa é a marca do grande cinema.
 
Nada mais é necessário ao gênio criativo para associar, depois fundir, o problema da autenticidade na arte e na crítica, no amor e nas preocupações quotidianas, nas convicções e nos desejos ocultos. Enfim, e esse é o golpe que desestabiliza o último pilar de previsibilidade no filme, Kiarostami [ao lado] se afasta, quebra a última parede e questiona a autenticidade na própria obra que está produzindo. Nem personagens, nem atores, nem diálogos, nem planos e seqüências, nada disso chancela qualquer atribuição definitiva de real ou fingido. Num universo em que a representação é consciente de si, todo elemento se torna matéria-prima, emprestando-se ao artista para invadir corpos, espíritos e cenários. Mas Kiarostami não se contenta em aceitar o empréstimo: ele exige a subscrição do espectador, sob pena de ser deixado à margem das imagens, enquanto elas se sucedem.


Sei que me exponho a críticas ferozes por não deixar por aqui uma sinopse do filme. Peço desculpas, mas é precisamente o que não devo, isto é, não posso, aliás, não quero fazer. Resumir o “enredo” de Copie Conforme seria transformá-lo justamente naquilo que ele não é. Em outras palavras, seria introduzir, à força, a obra num universo que não é o seu, num campo discursivo correspondente à representação (no sentido foucaldiano), numa orientação de figuras e fundos, tipos e dados. Tudo isso é estranho ao filme de Kiarostami, para não dizer que é seu próprio oposto. Copie Conforme não se reduz à sua história, antes ela aponta o dedo para a noção de história, de enredo, de trama. Em seguida, ou melhor, enquanto isso, cabe ao receptor fazer sua escolha, de acordo com o fluxo de seus humores: se o dedo é acusador, descritivo, examinador, zombeteiro, denunciador, amistoso, indicativo… ou alguma das combinações possíveis.

Para fechar com outra imagem: numa cena deliciosa, que conta com a participação de Jean-Claude Carrière, os personagens discutem uma escultura que se ergue ao centro da praça principal de um daqueles vilarejos toscanos. Com uma certa dose de comicidade, tudo que se conhece dessas discussões estéticas (ainda mais quando dela participam franceses) está presente: os lugares-comuns, as hesitações, a superficialidade, o sentimentalismo, o enfado. Enquanto o verbo flui sem controle, a câmera de Kiarostami circula lépida em torno dos atores, depois em torno do monumento, depois, novamente, dos atores. Muito se fala, e repete, sobre a expressão nos rostos esculpidos (remetendo a noções semelhantes que os rostos dos atores tentam ocultar).


Mas o cineasta toma o cuidado de não enquadrar em momento nenhum os tais rostos de bronze. No aparente, no visível, no revelado, é um monumento sem cabeça. O principal está reservado para as curvas do olhar, as dobras do discurso, os interstícios, as filigranas. Com isso, muda mais rápido que os cortes de plano. Pois: o filme é como a escultura, e o diretor, conhecendo o público que teria de enfrentar, fez por onde dar indícios de sua proposta desde a primeira cena. Ou seja, o que posso recomendar é que o espectador não espere de Kiarostami que focalize a cabeça da estátua: melhor é esculpi-la pelo olhar.




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Leia também:

agosto 02, 2010

Kubrick vs Scorsese

Kubrick vs Scorsese from Leandro Copperfield on Vimeo.
leandrocopperfield.blogspot.com/

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Stanley Kubrick e Martin Scorsese. Dois grandes nomes da sétima arte. Ácidos, soturnos, irônicos, incríveis, os dois cineastas possuem filmes que merecem figurar na lista de qualquer cinéfilo que se preze. Difícil dizer qual é o melhor, não? 
Mesmo assim, Leandro Copperfield criou o vídeo Kubrick vs Scorsese, no qual intercala cenas de películas dirigidas pelos dois mestres, numa espécie de comparação audiovisual. Assistindo à montagem, você pode escolher o seu preferido, ou ficar ainda mais na dúvida sobre qual dois acaba se saindo melhor.  

Fonte: Zupi

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25 days, 34 films, and 1 tribute.

Editor's note: Many friends after seeing my video "Tarantino vs Coen Brothers" requested me to do a new video duel of directors, so I decided to do now a tribute to my two favorite directors, Stanley Kubrick and Martin Scorsese, were 25 days re-watching 34 films, selected more than 500 scenes, and a hard work editing. Leave a comment, tell me who your favorite, suggest new duels.


This video was purely non-profit and not Aimed at breaking copyright laws.


Editor's note #2: I know that they are different in many ways, this is not necessarily a comparison or "fight". It's just a tribute for two of my favorite directors.)


Lists of films used ...


Dir.: Stanley Kubrick


Day of the Fight (1951)

Fear and Desire (1953)
Killer's Kiss (1955)
The Killing (1956)
Paths of Glory (1957)
Spartacus (1960)
Lolita (1962)
Dr. Strangelove (1964)
2001: A Space Odyssey (1968)
A Clockwork Orange (1971)
Barry Lyndon (1975)
The Shining (1980)
Full Metal Jacket (1987)
Eyes Wide Shut (1999)

Dir.: Martin Scorsese


Mean Streets (1973)

Alice Doesn't Live Here Anymore (1974)
Taxi Driver (1976)
New York, New York (1977)
Raging Bull (1980)
The King of Comedy (1982)
After Hours (1985)
The Color of Money (1986)
The Last Temptation of Christ (1988)
Goodfellas (1990)
Cape Fear (1991)
The Age of Innocence (1993)
Casino (1995)
Kundun (1997)
Bringing Out the Dead (1999)
Gangs of New York (2002)
The Aviator (2004)
The Departed (2006)
Shutter Island (2010)

Audio Copyright Notices:


'I'm Shipping Up to Boston' performed by band Dropkick Murphys remains courtesy Hellcat Records, ® 2005

'Baby Did A Bad Bad Thing' by Chris Isaak remains courtesy Warner Music Group Corp, ® 1996
'Nude' by Radiohead remains courtesy XL Recordings, ® 2008

leandrocopperfield.blogspot.com/
(Other videos mashups)

5 X Favela Agora por Nós Mesmos


Jucadiaz | 27 de julho de 2010
Trailer Oficial do Filme "5 X Favela Agora por Nós Mesmos". 27 de Agosto de 2010 nos Cinemas

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Nota do blog: A dica é de Cristina Barreto, de Belô.

julho 27, 2010

"Vincere"


trailers | 22 de fevereiro de 2010
Release Date: 19 March 2010
Genre: Biography | Drama
Cast: Filippo Timi, Michela Cescon, Simona Nobili
Director: Marco Bellocchio
Writers: Marco Bellocchio
Studio: IFC Films

Plot:
The story of Mussolini's secret lover, Ida Dalser, and their son Albino.

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Nota do blog: A dica do filme é do cineasta Aurélio Michiles.

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Crítica: Vincere

Marco Bellocchio volta a um evento histórico da Itália para falar do discurso político de modo geral

Marcelo Hessel
22 de Julho de 2010



Vincere

Vincere
Itália / França , 2009 - 128
Drama

Direção:
Marco Bellocchio

Roteiro:
Daniela Ceselli, Marco Bellocchio

Elenco:
Giovanna Mezzogiorno, Filippo Timi, Michela Cescon, Corrado Invernizzi, Fausto Russo Alesi, Pier Giorgio Bellocchio, Paolo Pierobon

5 ovos

Em cartaz
vincere
vincere
vincere

Assim como em Bom Dia, Noite, o filme anterior do cineasta Marco Bellocchio a estrear em circuito comercial no Brasil, Vincere ("vencer" em italiano) aborda a relação frenquentemente conflituosa que Igreja e Estado mantêm na Itália. Desta vez, voltamos à primeira metade do século 20 para acompanhar a história real de Ida Dalser, que morreu sozinha tentando convencer a todos que era esposa de Benito Mussolini.

O filme começa com o futuro líder fascista (vivido por Filippo Timi) falando para um grupo de católicos de Trento, em nome do grupo socialista do qual rapidamente se tornaria porta-voz, que Deus não existe. A ousadia de Mussolini encanta Ida (Giovanna Mezzogiorno), e os dois logo se tornam amantes às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Diz a história oficial que o primeiro e único filho do casal, Benito Albino Mussolini, nasceu em 1915 - e o pai o reconheceu legalmente, ainda que naquele mesmo ano tenho se casado com outra mulher, Rachele (Michela Cescon).

Sem saber de Rachele, Ida já havia vendido suas posses para bancar o panfleto do então jornalista militante - e no momento em que chega ao poder, nos anos 20, já autoproclamado Il Duce (O Líder), Mussolini deixa Ida. A briga dela por ser reconhecida a primeira esposa do ditador acaba dentro de um hospício. Por anos Ida viveu enclausurada como uma doente mental em instituições administradas, ironicamente, pela Igreja.

A crítica de Bellocchio à promiscuidade entre os católicos e os políticos - uma relação antes de mais nada geográfica, uma vez que o Vaticano fica no coração da capital política da Itália - toma toda a segunda metade do filme e alcança seu ápice, justamente, quando o Duce faz as pazes com a Igreja em público e no papel. Mas não é isso que faz de Vincere uma obra-prima, e sim a análise de como se constrói uma imagem política e como o discurso de Mussolini se opõe à palavra de Ida Dalser.

Sedução do poder, ímpeto para a guerra e outras virilidades à parte (é ótima a cena em que Mussolini busca a sacada do apartamento depois de transar com Ida, como se quisesse contar a todos a sua performance), Bellocchio coloca Benito e Ida num mesmo degrau - a palavra dos dois tem o mesmo valor. Dá pra enxergar Vincere como um longa dividido em dois, primeiro o teste da honra de Mussolini e depois, na segunda metade, o teste da honra de Ida.

Como sabemos que o ditador renega o que havia dito na primeira cena do filme (que Deus não existe, na opinião dele), então a palavra de Mussolini não vale nada. Não por acaso, Bellocchio substitui a figura do ator Filippo Timi pela do Duce real na segunda metade - afinal, a persona tomou o lugar do homem. E Ida? Ela só precisava mentir para se ver livre do martírio no sanatório, mas não abre mão da sua palavra, não dissimula. Não cria uma persona, enfim.

É uma aula de como substitui-se, para fins programáticos, a imagem do homem pela do timoneiro da nação - o que implica até comparar Mussolini a Jesus Cristo em certa passagem. O filme de Bellocchio tem toda uma sofisticada discussão sobre o que é ser político e sobre a construção de uma imagem política (mesmo via cinema, via metalinguagem, como acompanhamos em diversos momentos na primeira metade), mas também é bastante acessível a todos os tipos de público. Sua força aberta a todo espectador, visualmente, está na mimetização do panfleto de guerra. O título do filme é só uma das muitas palavras-de-ordem que saltam a tela, montadas com fusão às imagens encenadas e a outras imagens de arquivo, e dão ao filme uma cara de vídeo de marcha popular. É um recurso que pode parecer datado, mas tem efeito potente.

Por fim, qualquer semelhança com regentes correntes da Itália, chegados a histrionices e a contar vantagens na cama, não é só coincidência. Vincere fala sobre Mussolini, fala sobre Berlusconi, e serve para a política de modo geral.


Fonte: Omelete

julho 24, 2010

"Terra Deu, Terra Come"

“Terra Deu, Terra Come”, hoje e amanhã, em Minas Gerais

O filme “Terra Deu, Terra Come”, do diretor Rodrigo Siqueira, será exibido no Festival de Inverno UFMG, hoje, dia 24/07 às 13h30, no Teatro Santa Izabel, e amanhã, dia 25/07 às 18h, no Distrito Quartel do Indaiá.


O documentário conta a história de Pedro de Alexina, garimpeiro de 81 anos de idade que comanda como mestre de cerimônias o velório o cortejo fúnebre e o enterro de João Batista, morto aos 120 anos. O ritual sucede-se no quilombo Quartel do Indaiá, distrito de Diamantina, Minas Gerais.

Ao conduzir o funeral de João Batista, Pedro desfia histórias carregadas de poesia e significados metafísicos, que nos põem em dúvida o tempo inteiro. A atuação de Pedro e seus familiares frente à câmera nos provoca pela sua dramaturgia espontânea, uma auto-mise-en-scène instigante.

No filme, não se sabe o que é fato e o que é representação, o que é verdade e o que é um conto, documentário ou ficção, o que é cinema e o que é vida, o que é africano e o que é mineiro, brasileiro.

Com um veredito de júri que assina: “pela universalidade de seu personagem, pela bela, simples e, ao mesmo tempo, complexa abordagem do tema”, “Terra deu, terra come”, com direção de Rodrigo Siqueira, recebeu o prêmio de Melhor Documentário no É Tudo Verdade 2010.

Fonte: Revista Beta

julho 19, 2010

Subjetividade e Normalização: Discutindo políticas de identidade e saúde mental na sociedade contemporânea

Subjetividade e Normalização. Um ciclo de filmes e debates

Quatro obras cinematográficas, de países, anos e diretores diferentes, ajudarão a construir debates sobre as experiências dos atores sociais contemporâneos e sobre a interdisciplinariedade na vida humana.

Nos dias 17, 24 e 31 de agosto e 9 de setembro ocorre o “Ciclo de Filmes e Debates – Subjetividade e Normalização: Discutindo políticas de identidade e saúde mental na sociedade contemporânea”. O projeto serve como preparação para o XI Simpósio Internacional IHU: O (des)governo biopolítico da vida humana. Professores, pesquisadores, estudantes e comunidade em geral são esperados para as sessões gratuitas, que iniciarão sempre às 17 horas. Após cada filme, profissionais de diferentes áreas coordenarão os debates.

17 de agosto
Filme: Minha vida cor de rosa (Bélgica)
Debatedora:
Profa. MS. Claúdia Weyne Cruz
Diretor: Alain Berliner
Elenco: Michèle Laroque, Jean-Philippe Écoffey, Hélène Vincent, Georges Du Fresne, Daniel Hanssens, Laurence Bibot, Jean-François Gallotte, Caroline Baehr
Sinopse: Menino retraído decide se vestir apenas como menina, causando um grande furor na pequena cidade onde mora. Sua família vive com a possibilidade de que ele seja gay e tenta superar os transtornos que a situação gera.


24 de agosto
Filme
: Betty Blue (França)
Debatedor: doutora Liliane Seide Froemming
Diretor: Jean-Jacques Beineix
Elenco: Jean-Hughes Anglade , Béatrice Dalle , Gérard Darmon , Consuelo De Havilland , Clémentine Célarié
Sinopse: Betty é radical e espontânea, até um pouca maluca, e Zorg é o homem a quem se inspira para continuar escrevendo.

 
31 de agosto
Filme:
Clube da luta (EUA)
Debatedor: professor doutor José Rogério Lopes
Diretor: David Fincher
Elenco: Edward Norton, Brad Pitt , Helena Borham Carter , Meat Loaf , Jared Leto , Zach Grenier
Sinopse: Jack trabalha como investigador de seguros, mas sua ansiedade o faz conviver com pessoas como a viciada Marla Singer e o estranho Tyler Durden. Misterioso e cheio de ideias, Tyler apresenta para Jack um grupo secreto que se encontra para extravasar suas angústias e tensões através de violentos combates corporais.


9 de setembro
Filme: Blade Runner (EUA)
Debatedor: professor doutor Carlos A. Gadea
Diretor: Ridley Scott
Elenco: Harrison Ford, Sean Young, Edward James Olmos, Daryl Hannah e Rutger Hauer
Sinopse: No futuro, um ex-policial tem de encontrar e eliminar replicantes, que retornam à Terra para cobrar vida mais longa ao seu criador

Fonte: IHU