maio 13, 2006

O CAPS Silvério Tundis e o atendimento à crise

Foto: Michael Dantas, Manaus/AM, 2006
O CAPS Silvério Tundis é um serviço substitutivo ao manicômio. Como tal, oferece leitos psiquiátricos para observação e/ou períodos de curta permanência do cidadão portador de sofrimento mental em crise, período que não deve exceder 7 dias. Ao todo são 7 leitos.

A idéia é fazer do CAPS uma referência acolhedora para o cidadão em sofrimento, livre dos estigmas históricos da instituição manicomial e da visão fatalista de que "lugar de doido é no hospício". Lugar do portador de sofrimento mental é na rede diária de atenção à saúde mental. Posted by Picasa

O CAPS Silvério Tundis e o lazer

Foto: Michael Dantas, Manaus/Am, 2006
Nos hospícios, o ócio químico; nos ambulatórios, a redução do tratamento à medicalização da dor da existência humana, no CAPS o cuidado com o lazer.

Além dos jogos, estão previstas visitas aos monumentos históricos, passeios a balneários, caminhadas, oficinas terapêuticas e outras modalidades que coloquem o usuário do serviço de saúde mental em contato com a cidade onde nasceu e onde vive. Posted by Picasa

O CAPS Silvério Tundis, vista para a área de recepção

Foto: Michael Dantas, Manaus/AM, 2006
O CAPS Silvério Tundis só pôde ser implantado por duas razões: a vontade política do Governo Estadual do Amazonas e a sensibilidade do Secretário Municipal de Saúde, Jesus Pinheiro.

Jesus Pinheiro devolveu ao estado uma instalação que havia sido repassada ao município por ocasião da pactuação pela municipalização dos serviços de saúde ocorrida em 2003. É bom lembrar os responsáveis pelo atraso em mais de 10 anos da municipalização da saúde têm nome, endereço fixo e CPF conhecidos.

Sabedor dos recursos insuficientes existentes no tesouro municipal, Jesus Pinheiro, sabiamente, cedeu o imóvel com a promessa de recebê-lo equipado e funcionando com equipe multiprofissional. Espírito público é isso aí! Posted by Picasa

O CAPS Silvério Tundis, por dentro

Foto: Michael Dantas, Manaus/AM, 2006
O CAPS Silvério Tundis em nada lembra a arquitetura manicomial.

Serviços substitutivos como os CAPS, em seus tipos I, II e III, podem ser implantados em casas confortáveis: a idéia é substituir a frieza da instituição manicomial por um ambiente mais acolhedor.

Nos bairros mais periféricos de Manaus, o difícil é achar habitações com essas características, daí a importância de investir em construções com arquitetura compatível com a dívida social para com os portadores de transtorno mental, historicamente submetidos às más condições das instalações manicomiais. A reivindicação é do movimento social. É justo.

Na foto acima, área de acesso aos espaços de atendimento individual e coletivo, bem como às oficinas. O ambiente é climatizado. Posted by Picasa

O CAPS Silvério Tundis, por fora

Foto: Michael Dantas, Manaus/AM, 2006
Inaugurado em 4.5.2006 pelo Governo do Estado do Amazonas, daqui há um ano o CAPS Silvério Tundis será repassado ao Governo do Município de Manaus, a quem compete a criação da rede de Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS) para tratamento de crianças e adultos portadores de sofrimento mental. Posted by Picasa

maio 08, 2006

Nas asas da Phoênix

















O Coordenador do Programa de Saúde Mental do Estado do Amazonas estará lançando, brevemente, um livro comemorativo dos 40 meses passados desde que assumiu a responsabilidade pela condução da Política de Saúde Mental até a inauguração do CAPS Silvério Tundis, em maio de 2006. O título provisório chama-se "Nas asas da Phoênix".

A arte de sobreviver a "facada nas costas", "chute na canela", "puxão de tapete", "mau olhado", "picuinhas", "canibalismo", intriga e inveja dos "amigos da onça" é o que o amazonense Rogelio Casado, 53 anos, coordenador do referido programa, tem vivido ao longo de mais de 25 anos de serviço público.

O livro, ao contrário do que se pode esperar, será rico em análises e críticas sobre o comportamento dos atores sociais envolvidos na cena política da saúde mental baré, com direito a passagens bem humoradas como a que foi vivida no dia que "Caboca Mariana" baixou em pleno Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, no velho auditório. Leia o artigo publicado no jornal Amazonas em Tempo e saiba como Rogelio Casado ganhou uma "blindagem" dessa entidade mitológica do Amazonas. Talvez por isso ele aparece na foto acima mostrando como o seu "saquinho" foi ganhando elasticidade e resistência, ou seria melhor dizer resiliência?

Caboca Mariana

Dois de Fevereiro de 2004. Estou em Rio Vermelho – Salvador, saudando a mãe dos orixás: Iemanjá. O encontro no Solar do Unhão, à beira do Atlântico, com Mira, médium paraense muito estimada pelos de casa, que cozinha uma maniçoba como ninguém – e a quem só agora conheci –, foi decisivo para encarar os festejos e as obrigações religiosas no dia da Mãe d’Água, a Rainha do Mar. Depois que contei-lhe um episódio que remonta a Setembro de 1987, sinto que essas férias serão feracíssimas.

Naquela época, dirigia o Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro. Passavam das 17 horas. Preparava-me para outra jornada de trabalho, desta vez em meu consultório particular, quando Leila Brasil, diretora técnica, anuncia um bafafá na cozinha do hospital: uma das cozinheiras queria espetar uma colega na ponta de um instrumento de trabalho. Motivo: suspeita de infidelidade conjugal. Tudo armação: o triângulo amoroso fora inventado por uma língua ferina; esta, sim, arrastava uma asa doida para o contumaz prevaricador, sem obter sucesso.

Leila pediu intervenção do diretor. Irritado pelo atraso a que seria submetido, dirigi a todas as mulheres do setor duras palavras, pero sin perder la ternura jamás: “Aonde já se viu, trazer assuntos domésticos para discutir em ambiente de trabalho?” Quem nos dera que as confusões entre o público e o privado fossem meros dramas de alcova!

Naquela altura, diz a lenda que funcionários pouco cumpridores dos deveres, tramando contra o diretor (ó, sina!), haviam procurado uma macumbeira, e, num despacho, costuraram-lhe o nome na boca de um sapo e enfiaram no oco de um pau (sic).

Sucedeu, então, por ocasião da carraspana coletiva, que, em pleno auditório baixa, inesperadamente, uma dessas encantadoras divindades, tão popular nos cultos afro-brasileiros, de inspiração indígena: Caboca Mariana.

Surpreso pela escolha recair sobre uma das mais afetuosas das nossas cozinheiras, dona Cândida, senhora dos seus quase sessenta anos, e apostando que haveria uma cambona no recinto, pedi, imediatamente, com insuspeita seriedade, que alguém viesse receber a entidade, pois que o cavalo manifestara o sinal do guia à seco, sem um gole de marafo, sem um som de atabaque.

Acontecimentos assim dão-se quando há comunicações inadiáveis. Era o caso. No episódio, descobri o desafeto que aterrorizava os que me queriam bem com a história da boca do sapo, e que não perdeu por esperar: a própria cambona. Depois de receber Mariana com um ponto cantado, viu-a dirigir-se a mim para, entre abraços, comunicar-me: “Tu és protegido de Caboca Mariana; ninguém pode tocar num fio de cabelo teu, senão tem que se haver comigo”.

Salve as entidades ligadas à água: Mariana, Moça Bonita..., e Iemanjá, a mãe de todas.

A história está contada e a obrigação cumprida. Saravá!

Salvador, Fevereiro de 2004.
Rogelio Casado, especialista em saúde mental
Coordenador do Programa Estadual de Saúde Mental
E-mail: rogeliocasado@uol.com.br Posted by Picasa

maio 07, 2006

O Amazonas volta ao cenário político da Reforma Psiquiátrica brasileira

Foto: Rogelio Casado, CAPS Silvério Tundis, 4.5.2006
















A inauguração do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Silvério Tundis no bairro de Santa Etelvina, na manhã do dia 4 de maio de 2006, coroou um árduo percurso feito pela Coordenação do Programa de Saúde Mental do estado do Amazonas, desde que foi aprovada a Política Estadual de Saúde Mental no dia 4 de novembro de 2003.

Neste período, três Conferências de Saúde aconteceram no país: uma municipal, uma estadual e uma federal – todas em 2003. Nas duas primeiras, o movimento por uma sociedade sem manicômios conseguiu incluir suas teses; o mesmo acontecendo no Congresso Brasileiro de CAPS, realizada em São Paulo em 2004, quando a Associação Chico Inácio enviou uma carta pedindo uma moção de apoio à implantação da rede de atenção diária à saúde mental no único estado que não possuía nenhum serviço substitutivo ao manicômio, bem como apoio ao projeto de Lei da Saúde Mental que havia encaminhado à Assembléia Estadual do Amazonas.

Com a assinatura do protocolo de implantação da municipalização dos serviços de saúde de Manaus (assinada pelo Ministro da Saúde Humberto Costa, pelo governador Eduardo Braga e pelo Prefeito Alfredo Nascimento, após uma década de atraso – atraso que envolveu atores sociais que têm nome, endereço e CPF conhecidos), uma nova estratégia foi montada pela equipe de Coordenação do Programa Estadual, depois de um período de indefinições. É na gestão do Secretário Estadual de Saúde Wilson Alecrim que o planejamento estratégico de 2003 é submetido a ajustes, levando em consideração e respeitando as competências do estado e do município.

Quando o governador Eduardo Braga entregou o primeiro CAPS da cidade de Manaus, tinha a consciência do dever cumprido. Primeiro, por ter colocado fim a anos de ausência de investimentos no setor da Saúde Mental. Segundo, porque a entrega de um serviço substitutivo ao hospital psiquiátrico e seus ambulatórios dá um passo decisivo na implantação de ações baseadas num novo paradigma de atenção ao portador de sofrimento mental. Em 1 ano, o CAPS Silvério Tundis passará a ser gerenciado pela Secretaria Municipal de Saúde.

Nesse período, o Hospital Psiquiátrico estará esvaziado, os usuários de longa permanência estarão morando nos Serviços Residenciais Terapêuticos, e o Censo da População Psiquiátrica oferecerá o perfil sócio-econômico e clínico dos usuários dos serviços de Saúde Mental, de modo a alocar os CAPS nos locais de maior densidade de portadores de sofrimento mental.

Dever cumprido, aí sim, a Coordenação do Programa Estadual de Saúde Mental cuidará daquilo que lhe compete: supervisionar e dar assessoria técnica para implantação de serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico e para ações de saúde mental na atenção básica de saúde, tanto na capital quanto no interior do estado.

O primeiro passo foi dado.

maio 06, 2006

Carta aberta ao Secretário Estadual de Saúde Wilson Alecrim

Foto: Rogelio Casado, Bairro de Santa Etelvina, 4.5.2006
Wilson Alecrim, Secretário de Estado de Saúde do Amazonas, entrevistado durante a inauguração do Centro de Atenção Psicossocial Silvério Tundis no bairro Santa Etelvina, Zona Norte da cidade de Manaus. Nesta área está concentrada o maior número de portadores de sofrimento mental em tratamento no Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, que está em processo de desativação.

Em artigo, aqui reproduzido, publicado na Coluna de Opinião do Jornal "Amazonas em Tempo", no dia 3 de maio de 2006, homenageio o gestor de saúde do estado do Amazonas, que faz história ao retirar do papel a Política de Saúde Mental aprovada em novembro de 2003. Com ele, em pouco mais de 1 ano à frente da Secretaria Estadual de Saúde, a Reforma Psiquiátrica retoma o seu lugar no cenário nacional. Sob sua administração a Saúde Mental deixa de ser o patinho feio da Saúde no estado do Amazonas. Poucos se deram conta de que o patinho feio havia se transformado num belo cisne. Esta fato não passou desapercebido pelo olhar de Wilson Alecrim.

Rogelio Casado
Coordenador do Programa de Saúde Mental do Estado do Amazonas


Carta aberta ao Secretario Estadual de Saúde Wilson Alecrim

Meu caro Wilson, quero cumprimentá-lo por duas iniciativas que mudam a história da Reforma Psiquiátrica no Amazonas, depois de uma década de estagnação: o anúncio da substituição do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro por um Hospital de Clínicas, mantidos os leitos de psiquiatria para atendimento de cidadãos em situação de crise, e a implantação do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Silvério Tundis, o primeiro serviço substitutivo ao hospital psiquiátrico da cidade de Manaus.

Depois do CAPS de Parintins e de Tefé, onde estive recentemente na inauguração de um CAPS, o de Manaus é o terceiro do estado. Desnecessário dizer da importância estratégica do CAPS de Manaus. Mais do que um serviço em saúde mental, ele é o articulador dos equipamentos sociais, culturais e de saúde, visando o acolhimento e a inclusão social dos usuários de saúde mental na vida da cidade. Impossível pensá-lo sem relação orgânica com o Programa Saúde da Família e com toda a rede de saúde disponível no município e no estado.

Junto com o futuro Hospital de Clínicas, o CAPS Silvério Tundis, será um dos serviços de fundamental importância para a Residência Médica em Psiquiatria, outra iniciativa louvável da sua gestão, que recebeu do Dr. Raymison Monteiro, Secretário Executivo Adjunto da Capital, inestimável apoio. O sucesso dessa iniciativa será decisivo para por fim a escassez de psiquiatras no estado do Amazonas. Atualmente, pouco mais de 25 deles se concentram na capital, e apenas dois estão trabalhando em longínquos municípios amazonenses. Até a passagem do CAPS Silvério Tundis para a gestão municipal, espero que a Residência Médica esteja em curso, cumprindo um relevante papel na vida social do nosso estado e da nossa cidade.

Quero expressar minha gratidão pelo apoio recebido na sua gestão. Através dele pude contar com um dos profissionais mais experientes em processos de desinstitucionalização da doença mental. Refiro-me ao companheiro Jaime Benarrós, médico psiquiatra, que está à frente do processo de esvaziamento do hospital psiquiátrico – necessário dizer, com a mais absoluta responsabilidade. Jaime está conduzindo a transferência para 5 Serviços Residenciais Terapêuticos, com o acompanhamento de cuidadores de saúde mental, pouco menos de 40 pessoas, com internações injustificadas, algumas que ultrapassaram mais de 40 anos. Temos tido o cuidado, nesse novo quadro, de informar a população de que o nosso Pronto-Atendimento Humberto Mendonça continua em funcionamento para que não haja descontinuidade nos cuidados requeridos pelas situações de crise que tanto afligem usuários e seus familiares.

Recentemente, Jaime Benarrós dividiu a tarefa de capacitação dos cuidadores de saúde mental, que atuarão no CAPS Silvério Tundis, com o consultor doutor Silvio Yasui, da Universidade Estadual de São Paulo. Há muito não via uma equipe tão entusiasmada com a implantação de um serviço. Mais do que a novidade é a responsabilidade histórica que motiva os novos servidores contratados por concurso público.

Com a desativação do hospital psiquiátrico, Jaime Benarrós assume a coordenação da Clínica de Atenção e Estudo do Sujeito em Saúde Mental Comunitária e Familiar, que será um dos instrumentos de consultoria e assessoria da Coordenação do Programa Estadual de Saúde Mental, instrumento que, antes de sua gestão, não tinha à minha disposição.

Lembro do seu abraço solidário quando fiz uma greve de fome no governo Amazonino Mendes para chamar atenção e anunciar os riscos de retrocesso no campo da saúde mental amazonense. Você foi o primeiro a entrar no gabinete da direção do então Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro para apoiar meu gesto. Até hoje, tento honrar os ideais que moviam meus companheiros Humberto Mendonça e Silvério Tundis. Meus sinceros agradecimentos.

Manaus, Maio de 2006.
Rogelio Casado, especialista em Saúde Mental
Coordenador do Programa Estadual de Saúde Mental
E-mail: rogeliocasado@uol.com.br
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maio 05, 2006

4 de maio de 2006: nasce o primeiro serviço de saúde antimanicomial de Manaus

Foto: Rogelio Casado, Bairro Santa Etelvina, Manaus/AM, 4.5.2006
















No dia 4 de maio de 2006, em meio a uma grande festa, foi inaugurado o primeiro serviço de saúde antimanicomial de Manaus. O Centro de Atenção Psicossocial Silvério Tundis é um CAPS do tipo III (conta, entre outros, com dois médicos psiquiatras e equipe de acolhimento noturno).

A decisão política do governador Eduardo Braga em investir num serviço substitutivo ao hospital psiquiátrico e seus ambulatórios na cidade de Manaus tem sua justificativa, pois a rigor essa é uma prerrogativa da administração pública municipal: independentemente do tipo de habilitação em saúde na qual se encontra o município de Manaus, que em breve estará pleiteando o regime pleno de atenção à saúde, era preciso superar a ausência de investimentos no setor dos últimos 20 anos, que colocou no limbo a Reforma Psiquiátrica amazonense iniciada em 1980.

Para tanto, o governador do estado do Amazonas contou com um importante interlocutor junto ao Conselho Estadual de Saúde, ao Ministério Público e à sociedade civil organizada. O médico sanitarista Wilson Alecrim, consultor da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), atual Secretário Estadual de Saúde, percebeu o alcance de uma decisão política que coloca o Amazonas definitivamente no cenário político-social de uma nação que busca a concretização do que um dia foi uma utopia: criar uma sociedade sem manicômios.

O governador Eduardo Braga e seu secretário de saúde Wilson Alecrim entram para a história como homens públicos com inquestionável compromisso com os portadores de sofrimento mental e seus familiares. Decididamente não lhes interessa tornar os sujeitos em sofrimento mental mais toleráveis para o convívio social; ambos trabalham que para todos possam viver plenamente a cultura dos nossos tempos. Posted by Picasa

maio 03, 2006

1980-2006: fecha-se um ciclo da Reforma Psiquiátrica no Amazonas

Foto: Rogelio Casado, Manaus/AM, 1981
No dia 4 de maio de 2006, o estado do Amazonas fecha um ciclo da Reforma Psiquiátrica iniciada no governo José Lindoso em 1980 e encerrada no governo Eduardo Braga em 2006.

Com a inaguração do Centro de Atenção Psicossocial Silvério Tundis, abre-se um novo ciclo no campo da Saúde Mental.

Na fotografia de 1981, vemos o médico psiquiatra Silvério Tundis (falecido) prestando contas ao governador do estado José Lindoso do que sua equipe produziu em pouco menos de 1 ano de trabalho, depois de liderar a denúncia de conluio entre a violência no tratamento de portadores de transtorno mental e corrupção administrativa no início de 1980.

Com Silvério dividi a responsabilidade pelos primeiros passos na implantação da Reforma Psiquiátrica em território amazonense. Observe ao fundo os recortes de jornais da época. O apoio da imprensa amazonense foi o terceiro elemento decisivo para colocar na pauta do debate público a questão das relações entre Loucura e Cidadania. O primeiro foi a organização de um coletivo de profissionais de Saúde Mental sob a liderança de Silvério Tundis. O segundo foi a decisão política do governador José Lindoso em apostar numa jovem geração de trabahadores de saúde mental, que assumiram a condição de portadores do futuro.

Silvério não viveu para ver a estagnação da Reforma Psiquiátrica por todos os anos 90 na cidade de Manaus. Dar seu nome ao serviço que substitui o hospital psiquiátrico e seu ambulatório de consultas é uma homenagem justa a um homem que soube interpretar os desafios do seu tempo.

Eis que o futuro chegou. Na manhã de 4 de maio de 2006, o CAPS Silvério Tundis estará sendo entregue pelo governador Eduardo Braga e pelo Secretário de Saúde Wilson Alecrim para a comunidade do bairro de Santa Etelvina e adjacências (Zona Norte da cidade de Manaus). Após um ano, sua gerência passará ao âmbito do município a quem compete a criação de uma rede de serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico.

O CAPS Silvério Tundis tem como objetivo a substituição da internação psiquiátrica por uma abordagem e tratamento do sofrimento mental baseada no respeito aos direitos de cidadania, de modo que o usuário do serviço seja entendido como sujeito de direito e não como objeto de benefícios.

Valeu, companheiro!

Rogelio Casado
Coordenador do Programa Estadual de Saúde Mental Posted by Picasa

Inauguração do CAPS II de Tefé XIII

Foto: Jaime Benarrós, Tefé, 29.04.2006
Dia 29 de abril de 2006, uma data para ficar na história da saúde pública do município de Tefé/AM. Da esq. para a dir.: Heliana Feijó, Ralf Kaiser, Rogelio Casado, Ester Pellizzari e Dário Vicente da Silva. Posted by Picasa

Inauguração do CAPS II de Tefé XII

Foto: Rogelio Casado, Tefé, 29.04.2006
Descerrada a placa alusiva à inauguração do CAPS II de Tefé/AM, a alegria estampada no rosto de quem sonha por uma sociedade sem manicômios. Posted by Picasa

Inauguração do CAPS II de Tefé XI

Foto: Jaime Benarrós, Tefé, 29.04.2006
Coube ao Coordenador do Programa Estadual de Saúde Mental, Rogelio Casado, a honra do corte da fita simbólica de inauguração do CAPS Lígia Rodrigues Barros. Posted by Picasa

Inauguração do CAPS II de Tefé X

Foto: Rogelio Casado, Tefé, 29.04.2006
A elegante enfermeira Hermelinda, ao fundo de óculos escuros, prestes a viver sua segunda experiência em CAPS: a primeira foi em Fortaleza, sua terra natal. Posted by Picasa

Inauguração do CAPS II de Tefé IX

Foto: Rogelio Casado, Tefé, 29.04.2006
Dário Vicente da Silva, Secretário Municipal de Saúde de Tefé, encarna um "Lulinha, paz e amor". Na sua fala, a consciência do dever cumprido e os agradecimentos a todos que ajudaram a colocar Tefé no mapa dos serviços substitutivos ao manicômio no Brasil. Posted by Picasa