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dezembro 26, 2009

Pelo Fim do Monopólio das Comunicações no Brasil


Não é essa a TV que a gente merece. Precisamos de uma mídia que não esteja amarrada a interesses de empresários, políticos ou igrejas. Que atenda as necessidades do povo. O que o Brasil precisa é o fim do monopólio das comunicações.

Vídeo apresentado por Carlos Latuff e produzido por Vanor Correia.

dezembro 06, 2009

Movimento "Fora Arruda e toda máfia"

Charge do Latuff
José Roberto Arruda, postada em mariafro.wordpress.com

FORA ARRUDA E TODA MÁFIA - Nota do movimento, convite e abaixo-assinado:

Olá pessoal,

Estamos ocupando há três dias a Câmara Legislativa de Brasília, e desde então estamos realizando debates, exibindo vídeos, organizando oficinas, rádio web, vídeos, assembléias, atos políticos abertos a todas as pessoas interessadas em compartilhar uma vivência política, o espaço se tornou o viva a voz do povo. Pela primeira vez diferentes segmentos da sociedade civil ocupam o recinto, os debates anteriormente feitos a portas fechadas agora estão abertas a escutar os anseios da população. Infelizmente a nem todo mundo isso agrada. O cabo Patrício (PT-DF) presidente interino da Câmara Legislativa do DF assinou o mandato de reintegração de posse, sendo que havia acordado com o movimento que não faria isso se a as/os ocupando disponilizassem o espaço da plenária para que os deputados viessem trabalhar. Acordo feito, entretanto os/as deputados/as da base governista não vieram. Não estamos obstruindo os serviços da câmara, entretanto persistem em nos acusar de algo que não estamos fazendo. O Leonardo Prudente (DEM) atual presidente da câmara afastado deve renunciar, com isso o cabo Patrício (seu vice e atual interino) cae imediatamente, e o DEM reassume a câmara já que detém boa parte da bancada governista. Cogita-se o nome da Eliane Pedrosa (DEM) a mesma que esteve envolvida no escândalo dos cemitérios de Brasília.

Dessa forma, denunciamos o cassino que virou a câmara legislativa e convocamos a todos/as a participar e opinar na ocupação. Quem está fazendo a reintegração de posse é o povo que quer ver justiça., enquanto outos/as querem manter suas posses econômicas exorbitantes as custas da miséria da população.

Acompanhe,
http://foraarrudaetodamafia.wordpress.com/

Assine abaixo-assinado no site:
http://www.foraarruda.com/juntese.php

ACOMPANHE TAMBÉM NO LINK "AGENDA" AS PRÓXIMAS MANIFESTAÇÕES POPULARES E PARTICIPE!

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Convite para Assembléia Popular na ocupação da Câmara Legislativa do DF

ASSEMBLÉIA POPULAR debate os PROBLEMAS DA CIDADE e denuncia os CRIMES cometidos pelo GDF, Arruda e sua Máfia (e o Roriz não fica de fora!) contra a população.

LOCAL, PLENÁRIO DA CÂMARA LEGISLATIVA DO DISTRITO FEDERAL

HOJE, SEXTA-FEIRA, 04 de dezembro, 15h
Assembléia Popular Pauta: Especulação Imobiliária (Setor Noroeste, Estrutural/Mongiolo, PDOT)

SÁBADO, 05 de dezembro, 15h
Assembléia Popular Pauta: Transporte Público Coletivo e Mobilidade Urbana

Neste espaço o povo manda e o governo obedece!
Traga documentos e depoimentos denunciando os crimes do GDF!
Participe de uma verdadeira Assembléia Popular na CLDF, durante a ocupação do Movimento FORA ARRUDA E TODA SUA MÁFIA!

A casa do povo finalmente está aberta!

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Nota do Movimento “Fora Arruda e toda a máfia”
Dezembro 3, 2009 por foraarrudaetodamafia

“Todo o poder emana do povo…”

Constituição Federal, Artigo 1º, Parágrafo Único

O Brasil inteiro está chocado com as denúncias de corrupção no governo de José Roberto Arruda e Paulo Octávio (DEM), no Distrito Federal. Vídeos e gravações envolvendo vários membros do governo e do judiciário, mais de um terço dos/das deputados/as distritais além de grandes empresários/as indignaram a população. Movimentos popular, sindical e estudantil iniciaram um amplo processo de mobilização em todo o DF.

Queremos o impeachment de Arruda e toda a máfia revelada no inquérito da Polícia Federal. Exigimos a saída dos/das deputados/as distritais envolvidos/as no processo. Dado o conflito de interesse, eles/as não têm legitimidade para votar o impeachment ou a cassação de seus próprios mandatos. Por isso, em uma grande manifestação, na quarta-feira (02/12), o povo ocupou o plenário da Câmara Legislativa do DF (CL-DF).

Queríamos acompanhar pacificamente a entrega de um dos pedidos de impeachment contra o governador. No entanto, fomos barrados em plena “Casa do Povo”. A mesma que abriga corruptos/as que governam para o grande empresariado, contrária ao interesse da maioria da população.

Não estamos aqui para invadir ou depredar o patrimônio público, como tem sido divulgado pela mídia em mais uma tentativa de criminalizar os movimentos sociais. Ocupamos para garantir que o patrimônio e os recursos públicos sejam de fato revertidos à população. Exigimos que a Câmara aprove o impeachment de Arruda e Paulo Octávio e a cassação dos/as deputados/as envolvidos/as. Por isso, garantimos que ocorresse a sessão da CL-DF para a leitura de um dos pedidos de impeachment.

O governo de Arruda e Paulo Octávio, a exemplo do que foi o Governo Roriz, garante os interesses de grandes empresários/as por meio da corrupção generalizada que também atinge a Câmara. Precisamos rediscutir os projetos aprovados na CL-DF. Eles são fruto de uma política neoliberal orientada pela especulação imobiliária, a exclusão social, a violação aos Direitos Humanos, e a perda de direitos sociais. Eles não respondem às necessidades básicas da população.

Não podemos nos calar! Convidamos toda a população e movimentos organizados a unirem-se pelo Fora Arruda, Paulo Octávio e toda a máfia, que há tempos destrói a dignidade do povo e da política da capital do país. Só o povo nas ruas pode conquistar o fim da corrupção. Vamos juntos/as fortalecer os protestos que já estão tomando conta de todo o DF. A ocupação é só mais uma manifestação da indignação popular. A Câmara agora é do povo, estão todos/as convocados/as para fortalecer e construir a ocupação do movimento “Fora Arruda e toda a máfia”.

Seguimos em luta,

Movimento “Fora Arruda e toda a máfia”
Posted by Picasa

novembro 05, 2009

Os Palestinos da Amazônia (parte II)


Vídeo em 3 partes com depoimentos de lavradores amazônicos nos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres, no interior de Rondônia. A luta de um povo forte, que sofre o diabo, mas que não tem medo dele.

Parte 1 - http://www.youtube.com/watch?v=KJvC7t...

Leia também o artigo "Os Palestinos da Amazônia": http://www.fazendomedia.com/?p=1343 Links de interesse: CEBRASPO, Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos: http://www.cebraspo.com/ Jornal Resistência Camponesa: http://www.resistenciacamponesa.com/

Fonte: http://www.youtube.com/user/Latuff

novembro 02, 2009

Os Palestinos da Amazônia


Vídeo em 3 partes com depoimentos de lavradores amazônicos nos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres, no interior de Rondônia. A luta de um povo forte, que sofre o diabo, mas que não tem medo dele.

Fonte: Latuff

Leia também o artigo "Os Palestinos da Amazônia": http://www.fazendomedia.com/?p=1343

Links de interesse:

CEBRASPO, Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos: http://www.cebraspo.com/

Jornal Resistência Camponesa: http://www.resistenciacamponesa.com/

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Artist's Comments

Rondonia is a state in Brazil, located in the north-western part of the country. Much of Rondonia's area is Amazon rainforest.

"...The large landowners or ranchers (fazendeiros) are a politically powerful force in Brazil. Many are congressmen, senators, as well as businessmen. A well organized constituency of ranchers formed the Uniao Democratica Ruralista (UDR) to plan and promote their agenda in the country...

...Hundreds of rural farmers and workers have been shot at gun point, en masse and ambushed by gunmen hired by landowners. It is common for the military state police to be directly responsible for the assissinations of peasant activists and small landowners. Farmers under threat have little recourse to justice or protection once they become targets of these hitmen..."

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OS PALESTINOS DA AMAZÔNIA

Cansados de esperar por uma reforma agrária que nunca chega, camponeses fazem a "revolução agrária" na Amazônia.

Por Latuff *

A convite do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos (CEBRASPO), passei uma semana na companhia de lavradores nos acampamentos da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), no interior do estado de Rondônia. Nestes meus dias ao lado dos aldeões, tive a honra de comer de sua comida, participar de suas conversas, de sua rotina, tomar conhecimento de suas necessidades,
de suas demandas e seus sonhos. Povo forte, que sofre o diabo, mas que não tem medo dele.

Por duas vezes passei a noite numa cabana de palha, onde vivem seu Abel e sua esposa Zilda. Reservaram uma cama pra mim, me receberam com todo carinho e gentileza. Mesmo na simplicidade daquela choupana, havia uma extrema preocupação em me agradar, na melhor tradição de hospitalidade do homem do campo. Acordava-se bem cedo, ainda escuro. "Bom dia, dormiu bem?". Escova de dentes na mão, rumo ao rio que beira a cabana. No moedor a manivela, os grãos de café eram preparados para o desjejum. O leite fervia no fogão a lenha. A mesa posta, os copos, os talheres, o silêncio era discretamente interrompido tanto por mim quanto pelos pássaros. Daqui a pouco seu Abel já estava seguindo para a roça, pra cortar lenha, pra capinar a terra, irrigar as mudas, trabalho árduo para transformar seu pequeno pedaço de selva em lar. Os lavradores humildes precisam de bem pouco para viver uma vida digna, e nem mesmo isso lhes é permitido. Com o argumento do combate ao desmatamento, o IBAMA persegue e aplica multas
altas aos que vivem da agricultura de subsistência, usam da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e mesmo tropas do Exército para sufocar as comunidades, como no caso de Rio Pardo, onde barreiras foram erguidas nas entradas e saídas, pessoas e veículos revistados, postos de
combustível do acampamento removidos, um rigor que não tem sido aplicado aos latifundiários, que transformam vastas extensões de floresta nativa em pasto ou monocultura.

O histórico de violência naquela área já vem de longe. No Brasil Colônia, o vale do Guaporé foi palco de disputas imperialistas entre Portugal e Espanha, que só terminaram com as demarcações de terra acordadas pelo Tratado de Madrid em 1750. No século 18 com o ciclo da mineração e particularmente no final do século 19 com o ciclo da borracha, uma grande leva de migrantes de diversas partes do Brasil foram atraídos para a região, causando conflitos agrários com a vizinha Bolívia, que foram resolvidos em 1903 com o Tratado de Petrópolis. Em 1943, como resultado do desmembramento de áreas dos estados do Amazonas e Mato Grosso, foi criado por Getúlio Vargas o Território Federal de Guaporé, tendo sido rebatizado para Rondônia em 1956, em homenagem ao Marechal Cândido Rondon, militar que entre 1910 e 1940 comandou expedições de Cuiabá até o Amazonas para instalar linhas telegráficas e levar a boa e velha civilização branca para o seio dos povos indígenas. Rondônia torna-se estado em 1982.
A Liga dos Camponeses Pobres surgiu em agosto de 1995, quando trabalhadores rurais que ocupavam terras da Fazenda Santa Elina, na cidade de Corumbiara, resistiram ao brutal despejo promovido por policiais e jagunços, resultando na morte de 11 pessoas (em números oficiais),
incluindo a menina Vanessa de apenas 6 anos, no que ficou conhecido como o "Massacre de Corumbiara". De lá pra cá, cansados de esperar por uma reforma agrária que nunca chega, os camponeses e suas famílias decidiram promover a "revolução agrária" no peito e na raça. São eles os acusados pela revista Isto É de serem sanguinários guerrilheiros ligados (adivinhem) as FARC.

O que pude presenciar durante minha visita aos acampamentos foram trabalhadores rurais e suas famílias armados, isso sim, de uma força de vontade poderosa, capaz de enfrentar os rigores da Amazônia Ocidental. O clima equatorial, extremamente quente e úmido, onde o sol inclemente castiga a carne, as doenças tropicais como a leshmaniose e a malária, que por aquelas bandas são tão comuns quanto um resfriado, animais selvagens como onças, porcos-do-mato e serpentes venenosas, um risco sempre presente, oculto pela densa vegetação.

Mas não são os rigores da selva amazônica os maiores inimigos do povo do campo. São os fazendeiros milionários e seus exércitos particulares formados por assassinos de aluguel e policiais, cujas ações criminosas são sustentadas por políticos locais e a imprensa corrupta, que alimentada com verbas publicitárias e mesmo matérias pagas, tenta demonizar a justa
resistência dos pequenos agricultores. Os matadores são conhecidos por todos, andam tranquilamente pelas ruas, por vezes ostensivamente armados. Não são raras as execuções a luz do dia, a vista de todos. Qualquer um que tenha coragem de, por exemplo, denunciar os pistoleiros num programa de rádio, corre o sério risco de ser assassinado assim que por os pés pra fora da emissora. Conceitos como direitos humanos e cidadania inexistem nos cantões de Rondônia, onde a pistolagem é uma instituição consagrada pela sociedade. Numa corrida de taxi em Ariquemes, junto com mais três passageiros, passei a viagem que durou cerca de 45 minutos ouvindo animadas histórias de fazendeiros, políticos e mortes encomendadas. Uma delas reproduzo aqui.

Um homem pescava num rio. Conseguiu apanhar dois pintados. Amarrou os peixes na garupa de sua bicicleta e seguiu tranquilamente por uma estrada. No meio do caminho foi parado por um fazendeiro e seu jagunço numa caminhonete.

- "Onde você pescou isso?", perguntou o fazendeiro.

- "Naquele rio logo ali", respondeu o sujeito.

- "Então pode deixar por aí mesmo, que aquele rio é meu", disse o fazendeiro, no momento em que o capanga já saía do veículo de forma ameaçadora. O pescador teve de fugir. Ao comentar esse caso com o pessoal da LCP, me disseram que ele teve sorte de não ter sido simplesmente
baleado. Essa é somente uma das histórias que explica bem a razão da revolta que o camponês de Rondônia traz consigo no peito.

Historicamente, a reforma agrária no Brasil nunca se deu de maneira espontânea pelos governos, e sim pela pressão feita pelos movimentos populares de luta pela terra, que no caso da LCP, sequer contam com o INCRA para assentar as famílias. Para os integrantes da LCP, não existe o
conceito de "desapropriação de terras improdutivas", visto que mesmo as produtivas, estando em mãos de ricos fazendeiros, servirão invariavelmente aos interesses do agronegócio. Os camponeses da LCP escolhem as grandes fazendas, as ocupam, erguem lonas, resistem ao ataque de jagunços, e depois de 2 a 3 meses fazem demarcação dos lotes, o chamado "corte popular", inicialmente erguendo cabanas de palha e depois de madeira. Depois de algum tempo, os acampamentos se assemelham a povoados do velho oeste norte-americano, como no caso de Jacinópolis, com farmácia, escola, mercado, tudo feito de tábuas.

Diferente da confortável vida das grandes cidades, onde restaurantes, lanchonetes e supermercados estão logo ali na esquina, nas áreas de acampamento o supermercado mais próximo pode estar a 80km de estradas de terra acidentadas. É natural portanto que os camponeses tenham de caçar para comer, o que justifica a posse de velhas espingardas que servem também para a defesa contra onças e porcos selvagens. Operações constantes do IBAMA e das polícias, tentam tomar estes armamentos rústicos das mãos dos lavradores, impedindo que eles se defendam tanto de animais ferozes quanto de pistoleiros. O direito a legítima defesa também lhes é negado. Os camponeses, no entanto, seguem resistindo a estas agressões como podem. Fecham estradas, bloqueiam o avanço da polícia com barricadas, criam seus próprios sistemas de vigilância e segurança. Não se entregam nunca.

São os palestinos da Amazônia.

* Latuff é cartunista.

Fonte: Rondonia, The Pistolandia by Latuff