Nota do blog: Durante a II Conferência Estadual de Saúde Mental, encerrada no último dia 21 de maio, o fotógrafo Nivaldo de Lima reagiu com indignação diante da desinformação praticada por um agente manicomial, que atribuia à reforma psiquiátrica o abandono de "doentes" que perambulam pela cidade de Manaus. Pediu a palavra, identificou-se e pôs os pingos nos iii: "Trabalho com a população de rua. Erra quem afirma que são doentes mentais os que perambulam na cidade. Poucos têm transtornos mentais. A grande maioria é de gente com problemas com álcool e outras drogas". Falou e disse! No foto acima, Nivaldo está na companhia de Márcio Souza, que lhe prometeu uma entrevista noutra oportunidade. Aguardamos ansiosamente.
PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
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maio 25, 2010
maio 22, 2010
Urubus do mal tentam me atazanar...
... mas não conseguem o intento beligerante (maniqueísmos à parte)
Nota do blog: Por três vezes tentaram ofender o blogueiro durante a II Conferência Estadual de Saúde Mental, realizada no Centro Cultural dos Povos da Amazônia entre os dias 19 a 21 de maio. Saiu tudo na urina, depois que respondi à altura os disparates dos meus desafetos. Todos os absurdos foram ditos pelas bocas da ignorância travestida de pseudo-conhecimento. O saber que sustentavam as acusações tinham como pano de fundo os transtornos provocados por velhas feridas narcísicas. Vamos ao primeiro episódio. Onde já se viu pedir retratação deste velho militante antimanicomial por ter redigido um texto identificando a instituição psiquiátrica como uma instituição da violência (recomendo a leitura de: Vinicius, M. (organizador). A Instituição Sinistra – Mortes violentas em hospitais psiquiátricos no Brasil, CFP, Brasília, 2001.)? A identificação com a instituição totalitária, maquiada e repaginada, não é outra coisa do que uma perversão do conhecimento nessa altura da história da construção da reforma psiquiátrica. Vista à luz da luta antimanicomial, trata-se de uma franca agressão aos princípios éticos que norteam as novas práticas de atenção à saúde mental. Não foi à toa que essa turma andou propondo serviços residenciais terapêuticos no interior do próprio hospital psiquiátrico. Essa história tem antecedentes. Uma outra turma andou fazendo cursinho de alfabetização para os internos do hospital psiquiátrico, como o sugestivo nome de "projeto be-a-bá" (trata-se da mesma turma que havia proposto a implantação dos "lares abrigados" no mais remoto dos nossos bairros). Enquanto o primeiro tinha a duvidosa intenção de proteger internos de longa duração, o segundo depunha contra o conceito de inclusão social, com o agravante de infantilizar demandas reais de letramento negado à população psiquiátrica. O mais curioso nessa história é que a autoridade de saúde resolveu ouvir mais essa turma - numa suposta tentativa de democratizar a audição das partes -, em detrimento das propostas mais ousadas e coerentes com o ideário da reforma psiquiátrica antimanicomial que vinha, e vem, sendo defendida por setores dentro e fora do governo. Durma-se com um barulho desses! Pra essa turma que nega a radicalidade cidadã dos que propõem o fim da instituição da violência, minhas condolências. "Bem ou mal é essa instituição que ainda serve para atender os casos de crise", foi com esse "comovente" argumento que os conferencistas puderam identificar os atores sociais que ainda pregam tolerância para com a existência dos hospícios - vixe! Minha presença, e sobreduto a radicalidade do meu discurso, involuntariamente proporcionou a queda de algumas máscaras, aquilo que venho identificando como os "reformistas de araque". Penitenciem-se, fariseus! Há uma massa crítica em construção. A visibilidade obtida por essa turma que flerta perigosamente com o campo da contra-reforma, deve-se exclusivamente aos acordos entre pares de uma mesma classe: a classe média iletrada. Por fim, recomendo outra leitura, a do texto "Uma Luta Histórica : pela Transformação de uma Assistência Psiquiátrica Perversa e Desumana", do Conselho Federal de Psicologia, um primor de retrato do que vem sendo mantido por uma psiquiatria perversa e desumana. O segundo episódio tirei de letra. O médico recém-formado pela residência médica em psiquiatria (criada na minha gestão como coordenador estadual de saúde mental - 2003-2007), ao negar o papel disruptor da Associação Brasileira de Psiquiatria -ABP no debate público sobre a Reforma Psiquiátrica, ali onde temos reconhecidas deficiências que vem contribuindo para a regeneração do tecido conservador até então desarticulado por mais de 20 anos de avanços da luta antimanicomial, revelou ao mesmo tempo um precoce "esprit de corps" e a urgente tarefa de revisão dos fundamentos da formação de médicos psiquiatras no interior do hospício local (essa contradição - a de instalar a residência médica em psiquiatria no interior da instituição totalitária -, tinha como estratégia uma eventual superação dos limites impostos pela prática manicomial, mesmo porque Manaus só possuia apenas um CAPS funcionando precariamente no extremo da cidade, para atender a densa população da zona norte da cidade). A boa notícia - que ainda não circula por falta de transparência na informação da Secretaria Estadual de Saúde - é que o IPUB, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, vai "incubar" a residência médica em psiquiatria do Amazonas. Crescem as chances de termos um profissional com formação compatível com o novo modelo de atenção psicossocial em vigência no país, e com uma visão mais crítica da psiquiatria conservadora ainda praticada entre nós. Tenho notícias de que a ABP vai levar uma tropa de choque para a IV Conferência Nacional de Saúde Mental, a ser realizada em junho em Brasília. Vamos enfrentá-los no debate. O terceiro episódio deu-se por ocasião da escolha de delegados à conferência nacional. Um velho desafeto teve a ousadia de desqualificar a Universidade do Estado do Amazonas (onde fez concurso e não foi aprovado), da qual sou Pro-Reitor de Extensão, como instituição parceira da Reforma Psiquiátrica brasileira. Depois de rotular a UEA como autoritária, ao tentar me execrar obteve um resultado para ele inesperado: tive a maioria dos votos dos presentes. O que esse cidadão desconhece é que coerência se constrói com discursos e práticas. Penso que o coletivo me aprovou, por ser testemunha da indissociabilidade da minha prática com os princípios éticos com que atuo dentro e fora dos cargos que tive, e tenho, a honra de por eles responder.
Às tentativas de humilhação, ridicularizacão e ofensa, restou-me, durante minha exposição na mesa de discussão do eixo da Intersetorialidade, fazer uma declaração pública de amor à minha Nivya, sem a qual não suportaria as dores (e as delícias) de ser Chico Inácio, nome da Associação do Campo da Atenção Psicossocial, que ajudei a fundar em 2004 e que se mantém fiel aos princípios de independência e autonomia dos poderes públicos, políticos e religiosos. O gesto, muitas vezes considerado ridículo pela claque masculina, teve a simpatia do público feminino.
Esse longo texto foi inspirado num outro quilométrico, de autoria do nosso considerado Miguel do Rosário. Mordido por uma suposta ofensa, depois de uma noite mal-dormida em que o Flamengo perdeu a oportunidade de ir para a Libertadores, Miguel, exemplo do bom urubu, escreveu um belo texto - como sempre - que vai além dessas questiúnculas para colocar em pauta a importância de ser Dostoiévski. Acesse para ler: Patetices de um rubro-negro triste.
Nota do blog: Por três vezes tentaram ofender o blogueiro durante a II Conferência Estadual de Saúde Mental, realizada no Centro Cultural dos Povos da Amazônia entre os dias 19 a 21 de maio. Saiu tudo na urina, depois que respondi à altura os disparates dos meus desafetos. Todos os absurdos foram ditos pelas bocas da ignorância travestida de pseudo-conhecimento. O saber que sustentavam as acusações tinham como pano de fundo os transtornos provocados por velhas feridas narcísicas. Vamos ao primeiro episódio. Onde já se viu pedir retratação deste velho militante antimanicomial por ter redigido um texto identificando a instituição psiquiátrica como uma instituição da violência (recomendo a leitura de: Vinicius, M. (organizador). A Instituição Sinistra – Mortes violentas em hospitais psiquiátricos no Brasil, CFP, Brasília, 2001.)? A identificação com a instituição totalitária, maquiada e repaginada, não é outra coisa do que uma perversão do conhecimento nessa altura da história da construção da reforma psiquiátrica. Vista à luz da luta antimanicomial, trata-se de uma franca agressão aos princípios éticos que norteam as novas práticas de atenção à saúde mental. Não foi à toa que essa turma andou propondo serviços residenciais terapêuticos no interior do próprio hospital psiquiátrico. Essa história tem antecedentes. Uma outra turma andou fazendo cursinho de alfabetização para os internos do hospital psiquiátrico, como o sugestivo nome de "projeto be-a-bá" (trata-se da mesma turma que havia proposto a implantação dos "lares abrigados" no mais remoto dos nossos bairros). Enquanto o primeiro tinha a duvidosa intenção de proteger internos de longa duração, o segundo depunha contra o conceito de inclusão social, com o agravante de infantilizar demandas reais de letramento negado à população psiquiátrica. O mais curioso nessa história é que a autoridade de saúde resolveu ouvir mais essa turma - numa suposta tentativa de democratizar a audição das partes -, em detrimento das propostas mais ousadas e coerentes com o ideário da reforma psiquiátrica antimanicomial que vinha, e vem, sendo defendida por setores dentro e fora do governo. Durma-se com um barulho desses! Pra essa turma que nega a radicalidade cidadã dos que propõem o fim da instituição da violência, minhas condolências. "Bem ou mal é essa instituição que ainda serve para atender os casos de crise", foi com esse "comovente" argumento que os conferencistas puderam identificar os atores sociais que ainda pregam tolerância para com a existência dos hospícios - vixe! Minha presença, e sobreduto a radicalidade do meu discurso, involuntariamente proporcionou a queda de algumas máscaras, aquilo que venho identificando como os "reformistas de araque". Penitenciem-se, fariseus! Há uma massa crítica em construção. A visibilidade obtida por essa turma que flerta perigosamente com o campo da contra-reforma, deve-se exclusivamente aos acordos entre pares de uma mesma classe: a classe média iletrada. Por fim, recomendo outra leitura, a do texto "Uma Luta Histórica : pela Transformação de uma Assistência Psiquiátrica Perversa e Desumana", do Conselho Federal de Psicologia, um primor de retrato do que vem sendo mantido por uma psiquiatria perversa e desumana. O segundo episódio tirei de letra. O médico recém-formado pela residência médica em psiquiatria (criada na minha gestão como coordenador estadual de saúde mental - 2003-2007), ao negar o papel disruptor da Associação Brasileira de Psiquiatria -ABP no debate público sobre a Reforma Psiquiátrica, ali onde temos reconhecidas deficiências que vem contribuindo para a regeneração do tecido conservador até então desarticulado por mais de 20 anos de avanços da luta antimanicomial, revelou ao mesmo tempo um precoce "esprit de corps" e a urgente tarefa de revisão dos fundamentos da formação de médicos psiquiatras no interior do hospício local (essa contradição - a de instalar a residência médica em psiquiatria no interior da instituição totalitária -, tinha como estratégia uma eventual superação dos limites impostos pela prática manicomial, mesmo porque Manaus só possuia apenas um CAPS funcionando precariamente no extremo da cidade, para atender a densa população da zona norte da cidade). A boa notícia - que ainda não circula por falta de transparência na informação da Secretaria Estadual de Saúde - é que o IPUB, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, vai "incubar" a residência médica em psiquiatria do Amazonas. Crescem as chances de termos um profissional com formação compatível com o novo modelo de atenção psicossocial em vigência no país, e com uma visão mais crítica da psiquiatria conservadora ainda praticada entre nós. Tenho notícias de que a ABP vai levar uma tropa de choque para a IV Conferência Nacional de Saúde Mental, a ser realizada em junho em Brasília. Vamos enfrentá-los no debate. O terceiro episódio deu-se por ocasião da escolha de delegados à conferência nacional. Um velho desafeto teve a ousadia de desqualificar a Universidade do Estado do Amazonas (onde fez concurso e não foi aprovado), da qual sou Pro-Reitor de Extensão, como instituição parceira da Reforma Psiquiátrica brasileira. Depois de rotular a UEA como autoritária, ao tentar me execrar obteve um resultado para ele inesperado: tive a maioria dos votos dos presentes. O que esse cidadão desconhece é que coerência se constrói com discursos e práticas. Penso que o coletivo me aprovou, por ser testemunha da indissociabilidade da minha prática com os princípios éticos com que atuo dentro e fora dos cargos que tive, e tenho, a honra de por eles responder.
Às tentativas de humilhação, ridicularizacão e ofensa, restou-me, durante minha exposição na mesa de discussão do eixo da Intersetorialidade, fazer uma declaração pública de amor à minha Nivya, sem a qual não suportaria as dores (e as delícias) de ser Chico Inácio, nome da Associação do Campo da Atenção Psicossocial, que ajudei a fundar em 2004 e que se mantém fiel aos princípios de independência e autonomia dos poderes públicos, políticos e religiosos. O gesto, muitas vezes considerado ridículo pela claque masculina, teve a simpatia do público feminino.
Esse longo texto foi inspirado num outro quilométrico, de autoria do nosso considerado Miguel do Rosário. Mordido por uma suposta ofensa, depois de uma noite mal-dormida em que o Flamengo perdeu a oportunidade de ir para a Libertadores, Miguel, exemplo do bom urubu, escreveu um belo texto - como sempre - que vai além dessas questiúnculas para colocar em pauta a importância de ser Dostoiévski. Acesse para ler: Patetices de um rubro-negro triste.
maio 21, 2010
Márcio Jordelane representou com dignidade os militantes antimanicomais na II CESM
II Conferência Estadual de Saúde Mental
Foto: Rogelio Casado - Manaus - Amazonas, 20 de Maio de 2010
Nota do blog: No segundo dia da II Conferência Estadual de Saúde Mental (II CESM), os usuários de saúde mental ficaram sem ter direito a assento nas mesas de debates. Precisou a mediação do Movimento Religioso Afro-Ameríndio para garantir a presença de um representante dos usuários. A escolha recaiu sobre Márcio Jordelane, presidente da Associação Chico Inácio (ACI) - filiada à Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial, única entidade presente, pelo Amazonas, na Marcha à Brasília por uma Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, em 30 de setembro de 2009, evento que sensibilizou o presidente Lula a convocar a IV Conferência Nacional de Saúde Mental. Márcio protagonizou um dos momentos mais acalorados no debate, depois que a diretora do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro tentou durante sua fala, sem êxito, convencer a plenária que, apesar de concordar com a idéia de que a instituição psiquiátrica é historicamente violenta, segundo ela o mesmo não se pode dizer do hospital que dirige. Foi então que Márcio pediu que se apurasse os maus tratos sofridos no atendimento por um usuário e sua mãe, ambos associados da ACI. Como o médico autor da agressão verbal se fazia presente, Márcio resolveu nomeá-lo publicamente, especialmente depois que o agredido confirmou na plenária o constrangimento que passou com sua mãe, reafirmando com seu depoimento que esse é um dos exemplos da violência residual da instituição totalitária. Na verdade, a discussão só tomou esse rumo porque a referida diretora resolveu advertir publicamente o militante antimanicomial Rogelio Casado, autor de uma proposta, aprovada na plenária da Conferência Muncipal, cuja redação registrava com todas as letras o caráter violento desse tipo de instituição. O militante teve o direito de resposta. Manteve a postura crítica, respondendo em caráter impessoal, de modo a garantir o exercío crítico de uma conferência que se quer antimanicomial, sem permitir que se instalasse qualquer tipo de cizânia. Márcio aparece na fotografia acima, de camisa vermelha.maio 20, 2010
Usuário de saúde mental não tem assento na abertura da Conferência de Saúde Mental do Amazonas
RogelioCasado — 5 de maio de 2010 — Nivaldo de Lima, o fotógrafo dos esquecidos, capta com sua lente, no espaço urbano, a formação de novas paisagens psicossociais. Os habitantes desses espaços tiveram seus mundos desmanchados. Vivem a compor e decompor seus territórios. Através de diferentes estratégias criam novos modos de existência. Tudo para escapar dos hospícios-nossos-de-cada-dia.
Nota do blog: Com a substituição, de última hora, da Comissão Organizadora da II Conferência Estadual de Saúde Mental o evento não poderia ter começado pior. Na mesa de abertura não havia representantes da universidade, do conselho estadual de saúde e, pasmem, dos usuários de saúde mental, principal protagonista na conquista da IV Conferência Nacional de Saúde Mental. Foram eles que no dia 30 de setembro de 2009 realizaram a Marcha à Brasilia por uma Reforma Psiquiátrica Antimanicomial. Duas mil e quinhentas pessoas, entre usuários, familiares e técnicos de saúde mental conseguiram sensibilizar o presidente da república a convocar o evento. No Amazonas, eles não conseguem ter assento numa conferência da qual são os principais protagonistas, sendo tratados como co-adjuvantes. Pra piorar mais ainda, o Secretario Estadual de Saúde, na fala de abertura, reconhece a dívida do Estado para com o setor de saúde mental, afirma que "inclusive havia recursos para o setor", mas "contigências outras não permitiram a aplicação do recurso". Que curioso! Esse filme a gente já viu antes. Enquanto isso, Nivaldo de Lima vai fazendo a cartografia social dos abandonados pelas políticas públicas. Veja nos vídeos acima.
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maio 19, 2010
Amazonas: II Conferência Estadual de Saúde Mental
Nota do blog: O Amazonas realiza hoje a estapa estadual da IV Conferência Nacional de Saúde Mental. A primeira foi em 2001. Naquela época ainda não existia nenhum Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) - serviço que substitui o manicômio. Atualmente existem dois CAPS em Manaus: um do estado, outro do município. Em outros 61 municípios amazonenses, apenas Parintins, Tefé, Iranduba e Rio Preto da Eva possuem um CAPS cada um. É de morrer de vergonha! Avançamos muito pouco, graças à passividade de todas as categorias profissionais de saúde mental e à indiferença do gestor público, exceções de praxe. Tanto assim que nem o Censo da População Psiquiátrica foi realizado. Segundo informações obtidas na Secretaria Estadual de Saúde, o recurso financeiro que a Coordenação Estadual de Saúde, gestão 2003-2007, conseguiu junto ao Ministério da Saúde sequer chegou a ser aplicado. O censo permitiria ao gestor municipal identificar o território onde os CAPS deveriam ser implantados nos Distritos de Saúde. Lástima! O Estado do Pará tem 43 CAPS, em sua maioria implantados nas administrações muncipal e estadual do PT. Os paraenses, além de saberem cuidar das suas mangueiras, sabem cuidar dos seus loucos. Aqui, a leseira ainda faz morada. Abaixo a leseira!
Agora leia uma auspiciosa notícia, postada no Blog da Associação Chico Inácio:
Agora leia uma auspiciosa notícia, postada no Blog da Associação Chico Inácio:
quarta-feira, 19 de maio de 2010
maio 14, 2010
Leitura crítica de uma programação manipulada
Pelo fim dos manicômios
Foto: Rogelio Casado - Manaus-AM, 18 de maio de 2007
Nota do blog: O abraço simbólico visto na fotografia acima foi a última das manifestações que articulei junto ao movimento antimanicomial local (leia-se Associação Chico Inácio - filiada à Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial), antes de assumir a Pro-Reitoria de Extensão da Universidade do Estado do Amazonas. Fui Coordenador Estadual de Saúde Mental entre 2003-2007. De lá para cá essa interlocução necessária foi interrompida. Num diálogo com uma autoridade sanitária, fui informado de que chegou um pedido inusitado à Secretaria Estadual de Saúde: não ouvir apenas um dos segmentos que atuam na cena política do campo da saúde mental. Curiosamente apenas um lado dessa história passou a ser ouvido. Justamente a dos que haviam se distanciado dos princípios éticos que sustentam o movimento de luta por uma sociedade sem manicômios. Essa arbitrariedade ganha novos contornos com a proximidade da Conferência Estadual de Saúde Mental. Fui procurado por duas integrantes da Coordenação Estadual de Saúde Mental. Acertamos minha participação numa mesa onde será discutida o Eixo II Consolidar a Rede de Atenção Psicossocial e fortalecer os movimentos sociais – Eixo do Cuidado. Pra minha surpresa, na semana que passou tomei conhecimento de que estava em curso uma manobra para me deslocar para outra mesa. Isento de responsabilidade as integrantes da citada coordenação, na medida que o poder de organização do evento mudou de comando. Estranho, muito estranho! Esse tipo de interferência é inaceitável! Quem quer que esteja por trás dele, age de maneira arbitrária, porquanto a conferência não lhes pertence, o que significa dizer que todas as decisões que não contem com a participação da comissão organizadora é pura manipulação. De outra forma nem o meu nome seria grafado de maneira incorreta, como consta na programação abaixo, o que reforça minha suspeita de que a atual coordenação (que sabe a grafia do meu nome) perdeu poder no processo de organização da Conferência Estadual de Saúde Mental. Considero um insulto ao movimento social a supressão do meu nome, que rigorosamente seria o único representante com experiência reconhecida nos movimentos sociais. Quem interferiu não teve sequer a delicadeza de indicar, como substituto, outros integrantes do movimento social . Aos que me acompanham informo que estarei na mesa do Eixo III Direitos Humanos e Cidadania como desafio ético e Intersetorial – Eixo da Intersetorialidade, para a qual também estou devidamente qualificado. Lá ou cá, não há nada que possa impedir minha manifestação de desagravo.Foto: Rogelio Casado - Manaus-AM, 18 de maio de 2007
PROGRAMAÇÃO DA II CONFERÊNCIA ESTADUAL DE SAÚDE MENTAL - INTERSETORIAL
Dia 19/05
8 às 11h - Credenciamento
9 h– Abertura oficial da II Conferência Estadual de saúde Mental
Mesa de abertura com:
· Secretário de Estadual de Saúde;
· Ministério da Saúde;
· Comissão Organizadora da II CESMI;
· Coordenação Estadual de Saúde Mental;
· Parceiros Intersetoriais.
9 às 10 h – Conferencia (Eixo I Saúde Mental e Politicas de Estado pactuar caminhos intersetoriais – Eixo da Política e Pactuação) palestrantes:
· Ministério da Saúde.
10 às 10:45 h – Debates
10:45 às 11 h – Intervalo
11 às 12 h - Leitura, apreciação e aprovação do Regulamento da Conferência Estadual
12 às 13 h – Almoço
13 às 14:30 h – Grupo de Trabalho (eixo 1)
14:30 às 15:30 h – Atividade Cultural
15:30 às 17 h – Plenária
17 h - Coquetel e encerramento
Dia 20/05
8 às 9:30 h – Conferência (Eixo II Consolidar a Rede de Atenção Psicossocial e fortalecer os movimentos sociais – Eixo do Cuidado) palestrantes:
· Dr. Maximiliano Loiola Ponte de Souza - CPER;
· Dr. Cleber Naief Moreira – Coordenador da Residência Médica de Psiquiatria;
· Psic. Gibson Alves dos Santos – CAPS;
· Dra. Maria Ivone de Oliveira – CPER;
· Psic. Décio Castro Alves – Ministério da Saúde.
9:30 às 10:15 h - debates
10:15 às 10:30 h – intervalo
10:30 às 12 h – Depoimentos - CAPS, CPER, Chico Inácio e ISAT
12 às 13 h - almoço
13 às 14:30 h – Grupo de Trabalho (eixo 2)
14:30 às 15:30 h – Atividade Cultural (Show)
15:30 às 17 h – Plenária
Dia 21 de Maio
8 às 9:30 h - Conferência (Eixo III Direitos Humanos e Cidadania como desafio ético e Intersetorial – Eixo da Intersetorialidade) palestrantes:
· Dra. Guiomar Felícia dos Santos Castro ( Promotora de Justiça de Defesa dos Interesses do cidadão) - Ministério Público;
· Dr. Rogério Casado - UEA;
· Dra. Heloísa Helena Correa da Silva – UFAM;
· Dr. José Ribamar Mitoso – UFAM;
· Psic. Darcy Izel Moreno - CONEN/SEJUS
9 e 30 às 10 h – Debates
10 às 10:15 – Intervalo
10:15 às 11:30 - Grupos de Trabalho
11:30 às 12 h Plenária
12 h – Almoço
13:30 às 16 h – Plenária final
16 h – Eleição de Delegados
17 h - Atividade Cultural (Show) e coquetel de encerramento
maio 04, 2010
O protagonismo dos usuários de saúde mental
RogelioCasado — 2 de maio de 2010 — Nivaldo de Lima fala do trabalho fotográfico com a população de rua.
***
Nota do blog: Nivaldo de Lima, o fotógrafo dos esquecidos, assim nomeado numa matéria de jornal assinada pela jornalista Vera Lima, participou da I Conferência Municipal de Saúde Mental. Seu objetivo era entrevistar os usuários dos serviços de saúde mental da cidade de Manaus. Para sua surpresa, quase todos os usuários eram da Associação Chico Inácio - filiada à Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial, num total de 6 pessoas. Ora, é sabido que a reforma psiquiátrica é composta de três segmentos: familiares, usuários e técnicos de saúde mental. Estes últimos eram maioria. Quanto aos familiares, apenas duas mães se faziam presentes, e, mais uma vez, ambas filiadas à Associação Chico Inácio. Para uma Conferência que foi conquistada nas ruas de Brasília pela Marchas dos Usuários, em 30 de setembro de 2010, o nível de politização dos usuários de saúde mental do Amazonas ainda é um dos mais baixos do país. Concorre para isso uma visão alienante do protagonismo dos usuários na Reforma Psiquiátrica Antimanicomial que queremos. As esperanças se voltam para a II Conferência Estadual de Saúde Mental. Com a palavra os usuários de saúde mental.
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