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agosto 30, 2010

"Picicanálise" da "Crônica bipolar"


Nota do blog: O texto abaixo foi escrito à guisa de prefácio para o livro do intrépido Jorgito Labuerda, "Crônica bipolar", que você pode ler aqui em pdf. Para ler crônicas mais recentes, clique no blog do Jorge Laborda.
* * * 
Pra ler a “Crônica bipolar”? Bota um blues aí, porra!
Em Manaus, houve um tempo em que, aqui e ali, existia um poeta pra te tirar do sufocante marasmo provinciano, senão tu ficavas assim meio fudidão das idéias. A merda é que alguns resolveram mergulhar numa instituição qualquer, vestir paletó e gravata, único modo, segundo eles, de evitar a doideira que é sustentar uma diferença.
Outros tomaram antes um “cala a boca”, que era pra depois não “tomar no cu”, numa terra em que costuma ser vitoriosa a insustentável leseira da classe média rastaqüera, reprodutora de uma educação habituada a disciplinar corpos e mentes. Ô, yeah!
E assim, quase ficamos sem menestréis. Eu disse quase, porque se a porra desse silêncio, tão cultivado entre a maioria dos manauaras, por pouco deixou de fuder a resistência cultural da cidade ao calar a poesia, eis que a prosa ganhou em molecagem e malandragem ali onde menos se esperava, contrariando a Lei de Murphy, para quem “de onde menos se espera, dali é que não sai nada mesmo”.
 Caralho! Quem não fala não sabe escutar. E quem não escuta é porque entrou num lance de não-encontro com o simbólico. Isso pra não falar no mais claro português, de que o sujeito tá atoladinho na mais despudorada alienação. Vixe!
Falar nunca foi problema para o autor do livro que ora prefacio.  Ao menos pra patota dele. Como tu, ele também tem sua patota, que lhe reconhece a fala. E olha que não é uma patota qualquer. É uma patota udigrúdi, dessas que faz da arte militância antitotalitária, e que se orgulha de não ter o pecado de agir como máfia. Isso, não!
Mas foi o espírito de gangue que acabou prevalecendo sobre sua decisão em escrever. Explico. A patota empombou que ele tinha algo em que se ocupar. “Colunismo social”, gritou alguém, sob resposta irada imediata: “No cu, gaivota!”
O fato é que ninguém da patota agüentava mais ouvir a crônica da cidade desfilando aos seus olhos, sem que a maioria silenciosa tomasse conhecimento. Sacou a sutileza da carga a que a indigitada criatura foi submetida? Logo ele que, até então, era virgem... no ofício das letras.
Quando ameaçaram cortar o bagulho, aí que a coisa deu certo. Só pra frescar, nosso personagem se decidiu por criar um blog. O nome lhe faz justiça: “Crônica bipolar”. Daí pro reconhecimento fora da patota, bastou a postagem das primeiras heresias contra a leseira que assola, há décadas, as classes médias incultas da cidade.
Descoberto pelo jornal “O Repórter”, tornou-se, da noite pro dia, o “cronista social” mais escrachado de todos os tempos. A grana era pouca, mas dava pra descolar a gelada das quintas-feiras no bar do Armando, reduto de intelectuais que gostam de ver o mundo molhando o bico, que é pra soltar as cordas vocais e aclarar mais as idéias, não necessariamente nesta ordem.
Foi assim que o personagem, há muito inscrito na galeria do “meu tipo inesquecível”, saiu da posição de ver e escutar esse mundo velho, e, depois de falar pra burro(s), sem querer passou a escrever pra leitor de jornal, esse ser que compõe a massa informe por alguns chamada, equivocadamente, de opinião pública.
Como nem tudo que escreveu foi publicado, encontrarás neste livro o que o enfant terrible da crônica baré salvou da tesoura da censura. É pra ler e rir dos pudores do censor. Depois de cutucar a onça, por o pé no freio e tratá-lo de bichano é covardia.  
Pra finalizar, se tu me disseres que falar e escutar são duas coisas distintas, inaplicáveis para a escrita, vou te dizer uma coisa, abre tua mente para os lugares onde se produzem a diferença e deixa de regular o comportamento dos outros, porra! 
Não é todo dia, nem todo mundo, que tem a audácia de afirmar-se, sem vergonha, como crítico da cultura, essa “doencinha” tão conhecida por todos nós, quanto mais produzir discurso ou observação (des)pretensiosa sobre ela.  Te aconselho a deixar de lado tuas defesas e não fazer delas instrumento de manipulação e desvalorização do que outrem sabe fazer num campo que muitos foram condenados à mudez.
Se ainda prevalece o silêncio sobre nossa cultura, o autor a deflora com críticas impiedosas. Ele continua falante, além do escrevente que se tornou. E quem fala e escreve para além do que costumam se permitir os sujeitinhos dementes presos em seus macacos, certamente o texto da criatura exigirá um leitor liberto do moralismo que voltou a impregnar nossa cultura.
Se, por acaso, tu és um desses leitores caga-regras, mais chegado em literatura de auto-ajuda, pegaste o bonde errado. Caga-regras, aqui, só o nosso cronista. Ele tem licença poética pra cair matando o surrado racionalismo baré.
Este não é um livro pra iluministas de ocasião, mas praqueles que gostam de revirar a própria história, por seu risco e conta-própria. Definitivamente, como diria o psicanalista MD Magno, este não é um livro praqueles que vivem a repetir bobagens, tudo porque a cultura nada lhes pediu. É contra essa cultura que o autor se insurge.
Dito isto, deixo-te na companhia de Jorge Laborda. Com ele se aprende que a liberdade só se manifesta no âmbito da política. Nada a ver com a tramóia-partidária-nossa-de-cada-dia... Pra essa, verás que tu podes até cagar e andar.
Mais underground é possível. Mas aí tu vai ter que esperar o segundo volume. Este é só o primeiro, uma espécie de travessia. E, se acaso sentires que tuas fronteiras ficaram mais borradas, e descobrires que muitas das tuas idéias estavam com prazo de validade vencida, então valeram as travessuras de Jorginho.
Ah! E, se doer, relaxe, baby, e deixe-se gozar. Goze muuuuiiito! Sssssrrrrrrlllllp (‘p’ mudo, please).
Rogelio Casado
Picicanalista

agosto 04, 2010

Senador, habitualmente falante, emudeceu



Carta Diária Óleo do Diabo, terça-feira 3 de agosto de 2010

Tá dando até pena. E deixo os trocadilhos sobre tucanos depenados para vocês. A candidatura de José Serra afunda a olhos vistos. Sem tempo de TV, sem dinheiro de campanha, sem discurso, caindo nas pesquisas, só resta mesmo ao tucano se enfiar em São Paulo, seu reduto eleitoral, como fez ontem, e tentar se consolar com os afagos diários que recebe na grande imprensa.

Outro dia, conversando com um colega, a gente estava brincando sobre isso. Serra deve ler a Veja com os olhos esbugalhados de prazer, pensando algo como:

- Como eu sou bom!!!! Como Dilma é horrível!!! Lula é uma droga!!!!

E aí parte para os blogs da Veja, e tem mais prazer ainda:

- Ulalá!!! Eu sou demais!!! Lula é mesmo um apedeuta!!!

Acontece que a Veja, pelo menos por enquanto, ainda não conseguiu moldar a realidade a seu mundinho esquizóide-fascista. O máximo que a revista consegue é moldar a mente de alguns débeis mentais que ainda acreditam nela. Políticos do DEM chegam ao cúmulo de estampar anúncios grátis da Veja em seus blogs.

O blog Amigos do Serra tem uma seção intitulada "blogueiros", onde Reinaldo Azevedo, o esgotão da Veja, é praticamente o único autor linkado.

Quer dizer, era. O blog saiu do ar...

Por fim, as publicações serristas estão perdendo ações na Justiça... PT acaba de ganhar direito de resposta na Veja.

Pelo visto, a diatribe do (cadê ele, sumiu?) vice-índio rendeu anúncio grátis de página inteira para o PT na publicação mais antipetista do mundo...

*

No Amazonas, o senador Arthur Virgílio, aliou-se ao candidato dilmista ao governo do estado, e tem evitado sequer mencionar o nome do tucano em público.

Em todo o Brasil, a mesma cena se repete.

José Serra está vivenciando, ao vivo e a cores, o clássico processo de CRISTIANIZAÇÃO. Ou seja, é o candidato oficial da oposição, mas grande parte dos quadros ligados ao PSDB e DEM aliaram-se às forças dilmistas em virtude de necessidade de sobrevivência política.

O que nós esperamos é que esses oportunistas que se agarram parasitariamente em Dilma não consigam realizar seu intento, e que ganhem apenas aqueles que, efetivamente, integrem o leque das alianças em torno da ex-ministra.

*

Dentro de alguns dias, começa a propaganda eleitoral. Na quinta-feira, teremos o debate dos presidenciáveis na Band. A campanha vai esquentar.



***

Nota do blog: Já para a Crônica Bipolar, de Jorgito Laborda, assim foi lida a traição do Arthur:

Arthur Virgilio Cardoso trai Serra. A coisa tá feia !

Aparentemente, Arthur Virgilio Cardoso se aliou ao candidato do Lula no Amazonas para tentar a re-eleição.

Arthur Virgilio Cardoso foi aquele que se aliou ao Farol de Alexandria e ao presidente da FIE P (*) para tirar o remédio da boca das crianças e derrotar a CPMF.

Arthur Virgilio Cardoso é aquele que estourou o VISA em Paris e mandou o Senado cobrir.

É aquele que disse que ia dar uma surra no Lula e teve 5% dos votos para governador do Amazonas.

Agora, trai o Serra.

É uma questão de estilo. 


Fonte: Crônica Bipolar