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novembro 14, 2010

Ontem foi o Dia Mundial da Gentileza

PICICA: Para os mais jovens que não conheceram o Profeta Gentileza, recomendo o vídeo feito por Sebastião Cruz sobre esse personagem tão singular da cultura carioca. Nascido no interior de S. Paulo, ele se notabilizou por pregar, no Rio de Janeiro, a gentileza como forma de vida. É proprio da cultura dos nossos tempos nomear essas pessoas como "loucos". O profeta superou o estigma decorrente do poder médico-psiquiátrico que rotulava e encarcerava comportamentos socialmente inaceitáveis, assumiu sua "diferença" e cativou parte da opinião pública com seu gesto de amor. Aos que o chamavam de louco, costumava responder de forma desconcertante: "Louco pra te amar; louco pra te salvar". Nos regimes ditos democráticos diferenças como a do Profeta Gentileza passaram a ser toleradas, reduzindo o peso do estigma. É pouco. É preciso ouvir e dialogar com elas. 29 de maio é o dia que se comemora no Brasil a gentileza como forma de vida, ins-pirada nos ensinamentos do Profeta. Leia mais sobre a comemoração do Dia Mundia da Gentileza, em A Tarde On Line.
Imagem postada em reporternet.jor.br

agosto 02, 2010

São Paulo cria carteirinha de esquizofrênico

SP cria carteirinha de esquizofrênico

Para doentes e médicos, documento feito por farmácia estadual de Santos gera preconceito e constrangimento

Carteirinha foi criada por entidade privada que dirige farmácia; Secretaria de Estado da Saúde pediu mudança


RICARDO WESTIN
 
DE SÃO PAULO

Desde abril, para pegar seus remédios, pacientes da região de Santos (litoral de SP) estão obrigados a apresentar uma carteirinha que denuncia a doença em letras garrafais: esquizofrenia.


O documento de identificação deixou doentes indignados e médicos perplexos.


Para eles, a carteirinha constrange por expor a doença, além de estimular o preconceito -a esquizofrenia ainda é associada à loucura.
 

"É como se existisse uma tatuagem com o diagnóstico na minha testa e as pessoas dissessem: "Lá vai o esquizofrênico". É uma carteirinha de louco", diz o escritor Edison de Castro, 48, que descobriu ter a doença há 20 anos.

Existem leis nacionais e normas de ética médica que proíbem que os diagnósticos sejam tornados públicos.


Nem o farmacêutico precisa saber qual é a doença que está sendo tratada.


A esquizofrenia é um transtorno mental que, não tratado, desencadeia delírios, alucinações e agressividade. A maioria dos pacientes, porém, consegue mantê-la sob controle com remédios.
Estima-se que, de cada cem pessoas, uma sofra de esquizofrenia -por volta de 1,9 milhão de brasileiros.


"Na maior parte dos casos, você não consegue dizer pela aparência se a pessoa é ou não portadora de esquizofrenia", explica o psiquiatra Jaime Hallak, da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto. "É um erro exigir que ela exponha seu diagnóstico numa carteirinha. É estigmatizante."


A farmácia estadual de Santos fornece remédios de alto custo gratuitamente a doentes de nove cidades do litoral paulista.


Até abril, bastava ao paciente apresentar o Cartão do SUS para que recebesse seus medicamentos. Naquele mês, a carteirinha foi imposta pela Cruzada Bandeirante São Camilo, a OS (organização social) que administra essa farmácia da Secretaria de Estado da Saúde.

SUBSTITUIÇÃO

 
Procurada pela Folha, a Cruzada Bandeirante São Camilo não se manifestou. A Secretaria da Saúde disse que só tomou conhecimento das carteirinhas no mês passado e que discorda dela.


De acordo com a secretaria, os documentos serão substituídos por outros sem o nome da doença.


O deputado Fausto Figueira (PT), que preside a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de SP, pediu providências contra a carteirinha ao Ministério Público.


Fonte: Folha de S. Paulo

Nota do blog: Um mês depois da informação estar circulando na rede virtual de luta antimanicomial (inclusive com postagem neste blog), agora é a vez da Folha de S. Paulo dar visibilidade a um ato de insanidade institucional: a criação de uma carteirinha de esquizofrênico. Antes tarde...

junho 21, 2010

Usuários de drogas - campanha Igual a você - contra o estigma e o preconceito no Brasil

UNAIDSBr — 16 de novembro de 2009 — Iniciativa dá voz e notoriedade aos direitos humanos de estudantes, gays, lésbicas, pessoas vivendo com HIV, população negra, profissionais do sexo, refugiados, transexuais e travestis e usuários de drogas. Veiculação iniciará no dia 16 de novembro em emissoras de televisão de todo o país

* * *

Nota do blog: O desabafo abaixo é de Dênis Petuco, sociólogo, redutor de danos. Compare e veja os contrastes entre a campanha de promoção de saúde da Unaids, que tem como tema Usuário de drogas e Direitos Humanos, e a campanha brasileira, que aborda a questão do uso de crack (postada, também, aqui no PICICA). A diferença é ululante.

Yeah!




Finalmente, uma luz no fim do túnel! Isto sim é uma campanha de promoção de saúde, alinhada aos princípios do SUS, das reformas sanitária e psiquiátrica, compromissada com as mais báscias noções de Direitos Humanos e cidadania. Pena que não foi lançada pelo Esta brasileiro, tampouco pelo governo de Lula, e muito menos pelas instâncias governamentais comprometidas com o cuidado de pessoas que usam álcool e outras drogas.

Teve de vir as Nações Unidas ensinar o Brasil a fazer campanha. Só para provocar, vou mais uma vez fazer uso da polêmica palavra: que vergonha que me deu, ver a ONU ensinando o Brasil a fazer promoção de saúde para pessoas que usam álcool e outras drogas.

Em tempo: para quem trabalha com Redução de Danos já faz alguns anos, a campanha não impressiona. É o mesmo tipo de prática discursiva que fez com que a política brasileira de controle da Aids se tornasse um exemplo a ser seguido em todo o mundo. Pena que isto ainda não tenha sensibilizado nossos gestores, que insistem em campanhas do tipo "pedagogia do horror", criminalizantes, excludentes e estigmatizantes.

Pra quem ainda não clicou, replico o link: http://www.youtube.com/watch?v=xwRqrLmM_Us

Que a ONU nos resgate, e cheque-mate!

[ ]s
Dênis
http://www.denispetuco.com.br/