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julho 19, 2010

Luto como Mãe


cinemanosso | 16 de julho de 2010
Trailer do Filme Luto como Mãe, com direção de Luis Carlos Nascimento, 1º longa Metragem do Cinema Nosso.

Nota do blog: Em dez anos, mais de 5 mil pessoas morreram vítimas de ações da polícia. Em sua maioria eram negros, jovens e pobres.

março 11, 2010

Paraenses revereciam o negro no cinema

Acervo Ascom/Fapesp
INOVACINE reverencia o negro no cinema

Instituído como o Dia Municipal e Estadual da Umbanda e dos cultos afro-religiosos de Belém e do Estado do Pará, 18 de março é uma data que registra e resgata a memória da luta de Mãe Doca, que fez rufar os seus tambores em louvor aos Deuses africanos e indígenas por ela cultuados. Por esse motivo, o INOVACINE realiza a oficina de formação cineclubista “O negro no cinema de Nelson Pereira dos Santos”.

O evento, que acontece entre os dias 15 e 17 de março, na escola pública República de Portugal, integra uma série de ações organizadas pelo Instituto Nangetu; ACAOÃ; Konsenzala de Kafungê; ACIYOMI; FEUCABEP; Casa Brasil África e GEAAM/ UFPA; Rundembo Ngunzo de Bamburrucema, AFAIA; INTECAB-PA; GARRA; Terreiro Dois Irmãos; Terreiro de Nagô de Iemanjá; Mawukwe Toy Vodunnon Aluísio de Lissá.

De acordo com o artista afro-religioso Arthur Leandro, a data demarca um campo de organização e luta do segmento afro-religioso pelo direito à livre expressão, contra a intolerância religiosa e pelo direito à cidadania. Ele diz que mesmo enfrentando a repressão e perseguições de aparatos policiais, Mãe Doca nunca abriu mão de reverenciar em culto às suas divindades.

“Ao praticar ritos de matrizes culturais africanas e indígenas, Mãe Doca é o símbolo da resistência contra o preconceito e a intolerância, e também da preservação das diversas cosmologias e dos conhecimentos tradicionais de povos minoritários”, afirma.

OFICINA TEMÁTICA - Aberta à comunidade, a oficina vai abordar a prática cineclubista e ao mesmo tempo focar a temática étnica, mediante a exibição e abordagens críticas de filmes como O AMULETO DE OGUM, TENDA DOS MILAGRES e RIO ZONA NORTE (todos de Nelson Pereira dos Santos) e ainda BARRAVENTO (que é de Glauber Rocha, mas que tem a montagem de Nelson).

O coordenador do INOVACINE, Francisco Weyl, informa que esta é a primeira oficina temática do projeto, que realiza sessões cineclubistas em pontos de cultura e infocentros do programa NavegaPará. Ele acredita que o INOVACINE está a se solidificar como um projeto de raízes comunitárias.

“Acabamos de sair da Teia da Cultura Amazônica, onde os pontos de cultura nos receberam de braços abertos, e, agora, chegamos à Marambaia, que tem um movimento social forte e criadores de densa produção, ou seja, estas parcerias abrem caminhos para que as comunidades possam ter acesso e produzam elas próprias uma nova cultura audiovisual”.

Esta não é a primeira vez que a Fapespa apóia os movimentos sociais. Ano passado, a Fundação fez parceria com o Fórum dos povos e das comunidades tradicionais e coordenou um seminário no projeto Casa de Caboco, durante o Fórum Social Mundial.

SERVIÇO: Oficina de formação cineclubista O NEGRO NO CINEMA DE NELSON PEREIRA DOS SANTOS. Dias 15, 16 e 17 de março. Escola República de Portugal (Rua Anchieta, próximo final da linha Djalma Dutra). Em comemoração ao Dia Municipal e Estadual da Umbanda e dos cultos afro-religiosos de Belém e do Estado do Pará. Organização: INOVACINE. Coordenação: Francisco Weyl, Mateus Moura e Miguel Haoni. Parceira: Associação Paraense dos Jovens Críticos de Cinema, APJCC; Cineclube Amazonas Douro; Movimento Cultural da Marambaia, Moculma. Informações: 81796684

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FONTE: Ascom/Fapespa

novembro 14, 2009

O afro-descendente e a construção do Brasil

Postada em causaeefeito.wordpress.com
O afro-descendente e a construção do Brasil

Escrito por Willian Luiz da Conceição
12-Nov-2009

A África foi a parte essencial da formação cultural, social e econômica de nosso país, cabendo aos negros, como afirmava Darcy Ribeiro, "ser a massa substancial da força de trabalho de construir o Brasil". Foram trazidos, principalmente, da costa ocidental da África. Não podemos analisar este continente como algo homogêneo, mas sim como um território de dimensões astronômicas, verdadeiro berço da humanidade. As especificidades dos diversos grupos humanos que habitam ou habitavam este continente são desconhecidas pelo senso comum que generaliza a África como um único padrão cultural, religioso, econômico e social.

Os grupos que supostamente vieram para alimentar a empresa escravista no Brasil, com o objetivo de desenvolver e explorar a colônia, a partir da produção de açúcar, assim como a mineração de ouro e metais preciosos, tiveram como base os povos Yoruba – denominados como nagô, pelos Dahomey –, chamados como gegê, e os Fanti-Ashanti, designados geralmente como minas. Estes, assim como outros menores grupos, vieram de regiões como Angola, Congo, Moçambique, Nigéria e Benin (antiga região do Daomé). Defende também Arthur Ramos (1940, 1942, 1946).

Todos estes povos possuem uma história extensa e dotada de grande complexidade. Muitos deles, anteriormente à dominação européia, produziam objetos de cerâmica, praticavam agricultura, conheciam a técnica da metalurgia e criavam gado. Organizam-se em estruturas complexas como Estados que possuíam comércio e utilizavam a moeda como expressão monetária.

Os milhões de africanos seqüestrados e trazidos para a América, principalmente para o Brasil, criaram de forma dolorosa tudo o que aqui se consolidou. Capturados e arrastados pelos pombeiros – mercador africano de escravos - utilizados pelos europeus para comercializar estes em troca de tabaco, aguardente e objetos de interesses destes grupos. A primeira leva de escravos transportados por navios continha cerca de 12 milhões de seres humanos. Destes, metade teve o Oceano Atlântico como cemitério. "Avaliado pelos dentes, pela grossura dos tornozelos e dos punhos, era arrematado. Outro comboio, agora de correntes, o levava terra adentro, ao senhor das minas ou açúcares, para viver o destino que lhe havia prescrito a civilização: trabalhar dezoito horas por dia, todos os dias do ano", Darcy Ribeiro (1995).

O escravismo foi estruturado em alicerces constituídos pela violência bárbara e desumana, pela concentração do solo, exploração das riquezas e pela monocultura. Esse sistema tinha também como projeto a desconstrução cultural dos povos africanos, como vinha fazendo com os indígenas – sem sucesso. A lingüística, parte da expressão e identidade fundamental de um povo, assim como outros aspectos culturais (como a religiosidade), foram manipulados para impedir que houvesse tentativas de resistência por parte dos africanos. A diversidade lingüística da África fez com que os portugueses evitassem a concentração de escravos originários das mesmas regiões étnicas em propriedades e navios negreiros. Assim buscavam destruir qualquer laço de identidade e solidariedade que houvesse entre o mesmo grupo.

Surpreendente é, ainda hoje, saber como os diversos povos africanos, assim como os indígenas, sofrem com as tentativas de desconstrução de sua cultura, sendo forçados a deixar suas crenças, sua compreensão de mundo, deixando de ser eles próprios, numa tentativa de transfiguração que não vinga. Estes, juntamente com os indígenas que restaram do grande etnocídio, assim como da miscigenação com o português, impossível de deter, formaram o povo que somos hoje, o brasileiro. Os negros e os indígenas impediram que nos tornássemos uma cópia da Europa. Impuseram, a partir de muita luta e resistência, novos padrões culturais que permanecem em todo o país, como o catolicismo brasileiro, as demais religiões, a culinária, a musicalidade, a força, o conhecimento, nossa beleza com os traços mais fortes, sem esquecer nossa subversão. Isto ainda é negado e marginalizado, o que faz dos afro-descentes vítimas de um processo de invisibilidade de uma sociedade de bases originárias e contemporaneamente marcada pelos preconceitos e pela exploração.

Muitos dos orixás trazidos da áfrica pelos escravos estão muito mais presentes na nossa cultura do que na cultura do continente negro. Os Orixás são as forças vitais que tudo geram e conduzem. É a natureza e toda a sua expressão, como as águas, a terra, as árvores, o mar, o ar, assim como esta força que nos faz levantar todos os dias ou o que nos dá sopro de vida. Os negros brasileiros são sinônimo de fé, de força e de sobrevivência. As religiões de origem africana foram fundidas nas senzalas unindo diversos mitos, costumes. Sincretizadas para deixarem de ser algo próprio e se tornarem algo brasileiro, como o catumbi, o candomblé, a umbanda e a macumba. Portanto, mitos como Iemanjá (a rainha do mar) sobrevivem em todo o território, do nordeste ao sul do Brasil.

Ainda hoje, mesmo com a generalização da pobreza, da violência entre brancos e negros, fruto de um sistema cada vez mais desigual e desumano, o negro é aquele que acarreta as piores condições de vida. São os que possuem o menor acesso à educação, ao emprego, à saúde e à moradia digna. São vítimas constantes do preconceito institucionalizado, sofrendo reflexos históricos nas periferias. Essas se transformaram nas senzalas modernas onde os negros continuam sendo castigados aos montes.

Apesar disto, temos o exemplo de que o negro vem, ao longo do tempo, resistindo a sua condição de exploração e superando-a através das organizações culturais, religiosas e políticas, na tentativa de destruir a falsa democracia racial que se publicizou e garantir um país onde as riquezas não sejam benefícios de poucos. Cabe ainda debatermos amplamente as condições e a dívida histórica que possuímos com o afro-descendente, assim como superarmos tal sistema, onde aqueles que produzem todas as coisas são os mesmos que delas são excluídos.

Willian Luiz da Conceição é acadêmico do Curso de História da Univille. Contato:
ligaspartakus@gmail.com

Fonte: Correio da Cidadania
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novembro 11, 2009

A pedagogia griô no Amazonas

A PEDAGOGIA GRIÔ NO AMAZONAS
TECENDO AULAS DE BOAS AÇÕES NO MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA

O Ponto de Cultura Pé na Taba e a Escola Municipal Engenheiro João Alberto Menezes Braga vem desenvolvendo desde 2005, em parceria com o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente – CEDECA PE NA TABA, atividades sócio-educativas que envolvem crianças e adolescentes, alunos da escola e integrantes da comunidade Vale do Sinai, Zona Norte da Cidade de Manaus atividades sócio-educativas que elevem a auto-estima e promovam a consciência crítica de crianças e adolescentes com o objetivo de contribuir para a melhoria do processo ensino-aprendizagem por meio da interface educação – cultura - cidadania.

A partir de 2009, as atividades de parceria foram fortalecidas por meio dos Projetos: Cidadania: Brincando e Aprendendo, com informática, desenho, pintura e recliclagem; Ponto de Leitura: Leitura para Cidadania, premiado pelo Ministério da Cultura; e a Pedagogia Griô, que envolve os mestres de saberes, contadores de história, conversando com os alunos para os ensinamentos da tradição oral.

No mês de novembro, alusivo a consciência negra, os Mestres e Griôs, estão compartilhando com os alunos da escola, momentos de resgate da tradição oral por meio de cantigas de rodas, diálogo com as crianças e brincadeiras infantis, enfocando a história da cultura afro e a contribuição social e cultural dos negros em nosso país. Essa iniciativa parte do entendimento que o reconhecimento da identidade de um povo passa pela formação como um dos elementos fundamentais no processo de inclusão social e emancipação humana.

Dessa forma, o Ponto de Cultura Pé na Taba e a Escola Municipal João Alberto Menezes Braga estão realizando nos dias 05, 10, 12, 17 e 19 de novembro/2009 , as atividades com os alunos do 1º. ao 5º. Ano, no horário matutino, onde os mestres com o seu saber popular buscam compartilhar com os alunos a reflexão sobre o resgate de sua identidade, a sua ancestralidade, como elementos essenciais no processo de transformação de sua realidade, uma vez que é a partir de suas raízes culturais que este povo se manifesta socialmente.

Professora Lucimar Weil
Pedagoga e Coordenadora do Ponto de Cultura Pé na Taba
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novembro 02, 2009

Pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial

Monumento às três raças - Goiânia
Postada em flickr.com
Nota do blog: Faça como o Arthur Leandro, mambembe cibernértico, que enviou a mensagem abaixo para três senadores brasileiros (josenery@senador.gov.br, flexaribeiro@senador.gov.br, mario.couto@senador.gov.br), com o objetivo de intervir democraticamente pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial. Se você quiser faça um Ctrl-c/Ctrl-v, ou escreva seu próprio texto. Você estará colaborando para um país mais justo social e racialmente.

Belém, Outubro de 2009.

Aos senhores Senadores pelo Estado do Pará: José Nery, Flexa Ribeiro e Mário Couto.

Assunto: Manifestação de apoio aprovação Estatuto da Igualdade Racial

Após longo trâmite no Congresso Nacional, que pra nós foi uma eternidade, e intensa articulação política que envolveu Deputados, Senadores, sociedade civil e o Governo, conseguimos aprovar na Câmara Federal o Projeto de Lei nº 6264/05, que institui o Estatuto da Igualdade Racial, demonstrando a justeza das ações afirmativas. Venho, então, respeitosamente lembra-los que os censos realizados pelo IBGE atestam que a grande maioria da população do Grão-Pará se identifica como Parda e Negra, ou seja, pertencem ao grupo historicamente discriminado, o de descendentes de africanos ou afro-brasileiros, e a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial representa a inclusão de negros e negras na vida nacional, assim como a possibilidade de acesso aos benefícios de instituições públicas, e sua aprovação torna-se de suma importância para o nosso Estado.

Atenciosamente,

Arthur Leandro, ou Tata Kissikar'Ngomba ria Nzumbaranda Kinamboji ua Nzambi ria Mansu Nangetu. Militante de Direitos Humanos. Artista. Professor da Faculdade de Artes Visuais da UFPA. Membro Titular do Conselho Municipal de Negras e de Negros de Belém.
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