PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a realização de estudos geológicos e topográficos para a elaboração do projeto básico da Linha de Transmissão Coletora de Porto Velho (RO) a Araraquara (SP), em corrente contínua, com 2.375 quilômetros de extensão. Isso significa que a energia gerada pelas usinas do Rio Madeira não ficará em Rondônia. As informações são do jornal Rondonia Ao Vivo.
De acordo com a Superintendência de Concessões e Autorizações de Transmissão e Distribuição, os levantamentos de campo junto às propriedades particulares situadas na rota da linha de transmissão serão realizados pela empresa Norte Brasil Transmissora de Energia S.A. O despacho foi assinado nesta quarta-feira (3), em Brasília.
Os estudos topográficos serão realizados nos seguintes municípios: Ariquemes, Alto Paraíso, Alvorada, Cabixi, Castanheiras, Cerejeiras, Chupinguaia, Colorado, Corumbiara, Governador Jorge Teixeira, Itapuã, Jaru, Monte Negro, Nova Brasilândia, Ouro Preto, Parecis, Porto Velho, Presidente Médici, Primavera, Rolim de Moura, São Felipe, Teixeirópolis e Urupá.
Mobilização fracassa
Com a autorização da Aneel, o movimento em defesa da construção do sistema de corrente alternada de energia não surtiu efeito. A mobilização foi encabeçada, no ano passado, por Sindicato dos Engenheiros do Estado de Rondônia (SENGE), Conselho Regional de Engenharia e Arquitetos (CREA) e Associação em Defesa dos Consumidores Proprietários e Usuários de Veículos Automotor (Adecon).
Segundo engenheiros, a construção do linhão em corrente alternada prevê o emprego de tecnologia brasileira, o que geraria emprego no Brasil. Já por meio do sistema de corrente contínua, a tecnologia é estrangeira, assim como a mão-de-obra para implantação e manutenção do sistema.
Matéria produzida por Vanessa Ibrahim para o programa Interesse Público, parceria do Ministério Público Federal com a TV Cultura, que vai ao ar em rede nacional pela TV Justiça. Em entrevistas com membro da procuradoria da república, presidente da assembléia legislativa, secretário do meio ambiente e diretor institucional do consórcio construtor, a reportagem aborda a construção da usina pelo viés ambiental.
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Nota do blog: "No quisiera caer en una descortesia, todavia el problema es obedecer sin chistar; ese és el asombro, Zapatero"- así habló Zefofinho de Ogum, corresponsal del PICICA".
Estado financia ditadura das empresas contra os ribeirinhos
Não fosse pelo BNDES, usinas como Belo Monte jamais seriam bancadas pela iniciativa privada
15/12/2009 Alexania Rossato
de São Paulo (SP)
Uma coisa é certa: sem o financiamento do BNDES, usinas hidrelétricas como Santo Antônio, Jirau, no rio Madeira em Rondônia, e Belo Monte, no rio Xingu no Pará, não sairiam do papel e, conseqüentemente, milhares de pessoas não estariam morando de favor na casa de amigos e parentes e não teriam perdido suas condições de sobrevivência, como está acontecendo com os ribeirinhos do Madeira.
As fotos foram apresentadas ontem à CPI das usinas do Madeira, na Assembleia Legislativa de Rondônia
Bruno Calixto
Uma apresentação feita pela Associação de Defesa Etno-Ambiental Kanindé à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de Rondônia, criada para investigar as obras das usinas do rio Madeira (RO), impressionou os deputados estaduais. As fotos mostram o estrago que a usina de Jirau vem causando ao meio ambiente.
As imagens foram apresentadas pela ambientalista e pesquisadora da área de energia Telma Monteiro, representante da Kanindé. A associação foi convidada pela CPI a prestar informações e apresentar documentos que comprovem a existência de irregularidades no processo de licenciamento das usinas do Madeira e impactos sociais e ambientais causados pelas obras.
"As imagens das obras de Jirau mostram claramente os danos que o empreendimento tem causado. As últimas fotos são avassaladoras, e os deputados ficaram mudos ao ver o estrago", explica Telma.
A pesquisadora também apresentou estudos e respondeu perguntas dos deputados. "Nós trouxemos muitas informações e documentos que os deputados desconheciam, como as fichas de resumo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), sobre as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, que mostram custos ambientais no valor de R$ 1,2 bilhão para cada usina. Os deputados quase caíram da cadeira quando viram essas cifras", explica Telma.
Reprodução de parte da ficha de resumo de Santo Antonio, produzido pela Aneel, que apresenta um custo ambiental de R$ 1,2 bilhão
A ambientalista cobrou da CPI que peça explicações aos consórcios responsáveis pelas obras sobre os custos ambientais do projeto, já que a Aneel aprovou esse documento, assim como os estudos de viabilidade da usina, sem que fossem explicados os critérios utilizados para se chegar a esse valor.
A pesquisadora também denunciou problemas envolvendo a contaminação do rio por mercúrio, o aumento da malária e a mortandade de peixes, além de impactos sociais, envolvendo índios e ribeirinhos. "As usinas têm causado violações dos direitos humanos, dano às terras indígenas e principalmente a tribos de índios isolados".
A equipe da Kanindé participou de uma operação junto com a Fundação Nacional do Índio (Funai), que fez o levantamento de índios isolados existentes nas unidades de conservação Mujica Nava, Serra dos Três Irmãos e Mapinguari. Lá, encontraram vestígios da presença de indígenas isolados. Oito índios- seis homens e duas mulheres-foram vistos por garimpeiros que estão invadindo a região.
Veja a sequência de fotos do dano ambiental causado por Jirau: