Nota do blog: Lamento informar que a mais hilária das paródias - "O Twitter e a Taxa do Lixo" - saiu do ar. O poder, visto pelo ótica do humor, não perde por esperar. Onde já se viu nos tirarem o poder corrosivo do humor? Nunca!
YouTube retira paródias com imagens de Hitler
Produtora do filme “A Queda” (2004), que retrata as últimos momentos de Adolf Hitler, pediu ao YouTube que retirasse do ar os vídeos paródicos que possuem imagens do longa-metragem.
Segundo informou a organização Open Video Alliance na terça-feira, 30/04, o portal já deu início a retirada de centenas sátiras feitas com partes do filme.
A produtora alemã Contatin Films, responsável pela obra, justifica a ação alegando que não seria possível conseguir uma ordem judicial que permitisse a exibição dos vídeos, já que os produtores foram os usuários, e não grandes empresas.
As paródias com Hitler costumam ser feitas com imagens originais do filme que são legendadas ou re-dubladas de acordo com sátira feita elaborada.
Fonte: Olhar Digital
PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
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abril 21, 2010
janeiro 16, 2010
O Twitter e a taxa do lixo de Manaus
Liberadas as primeiras cenas do novo documentário do aclamado diretor alemão Heinrich Weiss Füder, sobre as últimas horas da vergonha na cara do parlamento de Manaus.
Feita pra ser aprovada no último dia de 2009, a taxa do lixo proposta pelo prefeito caiu no Twitter e fez muitos estragos.
Nestas cenas impressionantes, o führer é informado por ministros de sua base aliada que a coisa saiu do controle. Um parlamentar oposicionista tuitou detalhes da votação que causou indignação na internet.
A base aliada do prefeito é especialista em trapalhadas, não possui um nome forte e passou todo o ano de 2009 sendo humilhada pela oposição.
No último dia dos trabalhos legislativos não podia ser diferente.
Este vídeo é uma peça de ficção e humor livremente adaptada do filme A Queda.
janeiro 12, 2010
Médica sofre perseguição moral pela CBN-Manaus e o caso vai parar na blogosfera
Nota do blog: A médica Bianca Abinader Gavinho está entre os(as) cidadãos(ãs) que se manifestaram contra a cobrança da Taxa do Lixo, aprovada por 24 vereadores da Câmara Municipal de Manaus. Twitter pra cá, twitter pra lá, decidiu-se pela produção de dois out-doors, tudo suprapartidariamente, como convém a um movimento de cidadania. O que ninguém esperava é que as empresas se recusassem a fazer o out-door. Mas o pior foi a perseguição sofrida pela médica que trabalha no Programa Saúde da Família, caçada no seu próprio lugar de trabalho pela CBN-Manaus. O fato repercutiu na blogosfera e foi parar no blog do Nassif, um dos mais respeitados do país. Leia o Boletim do Sindicato dos Médicos e saiba a que ficou reduzido o Programa Saúde da Família - programa que entre outras coisas ajudou a reduzir o índice de mortalidade infantil em Manaus. O PSF serviu, vergonhosamente, como motivo para a perseguição moral sofrida pela médica. Leia também as notas de solidariedade à médica Bianca Abinader Gavinho, alvo do anti-jornalismo da CBN-Manaus.
* * *
BOLETIM INFORMATIVO
SINDICATO DOS MÉDICOS DO ESTADO DO AMAZONAS – SIMEAM
Manaus, segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Prezados:
Enquanto a médica Bianca Abinader é caçada como um marginal de altíssima periculosidade e é colocada em seu encalço toda a estrutura jornalística da rádio CBN - Manaus, além do jornal Em Tempo, o SIMEAM com este texto permite um mergulho na realidade vivida pelos médicos da família.
OS MÉDICOS DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF) NÃO PODEM E NÃO DEVEM SER RESPONSABILIZADOS PELO CAOS NA SAÚDE
Há, por parte de alguns setores da sociedade, a tendência de imputar aos médicos todas as mazelas da área da saúde. Quando o médico é contratado para prestar serviço, ele é tratado como qualquer servidor e recebe como qualquer servidor, em que pese a complexidade e o tempo de sua formação. Contudo, na hora da cobrança, ele é tratado como se tivesse algum favorecimento a mais que os outros servidores.
Os médicos vêm recebendo todos os ônus do caos na saúde e, em contrapartida, não veem nenhuma política de valorização a seu favor. Hoje, o médico é tratado pelas secretarias de saúde como qualquer servidor de nível superior, e, no entanto, recebe cobranças compatíveis às de um procurador.
Num caso de urgência, todos nós sabemos que ninguém em sã consciência entra em uma unidade de saúde procurando por um assistente social, enfermeiro ou bioquímico. O cidadão quer saber onde está o médico. O indivíduo quer ser atendido pelo médico, e espera que o atendimento realizado por outros profissionais da saúde seja coordenando pelo médico. Todos esperam que o médico seja regente desta orquestra, e acreditam que a ele serão oferecidas as mínimas condições para o exercício da medicina. E que, em contrapartida, ele receberá um salário compatível com sua formação e o grau de responsabilidade.
Trabalhamos com vidas, nós somos responsáveis por suas vidas desde a concepção, passando pela gravidez, nascimento, crescimento, desenvolvimento, maturidade, senilidade e morte. Em qualquer fase de suas vidas estamos presentes, e a nós são imputadas penalidades tanto na esfera ética, quanto civil e criminal.
Vejam a seguir a situação real dos médicos que atendem no PSF.
SOBRE AS CONDIÇÕES PRECÁRIAS DE TRABALHO:
1. Acomodações inadequadas, devido ao modelo das “casinhas”, ou UBS’s (Unidades Básicas de Saúde), serem totalmente impróprias para o serviço que estas se prestam a oferecer;
2. Pias pequenas com torneiras defeituosas;
3. Refrigeração inadequada, com falta de manutenção nos aparelhos de ar condicionado, sendo que são os próprios médicos que arcam com o conserto desses aparelhos. Sem falar que, na maioria das Unidades é o próprio médico que compra o aparelho;
4. Cadeiras e mesas antiergonômicas;
5. O calor é infernal dentro das UBS’s;
6. Os banheiros são insuficientes para o número de servidores, além disso, não oferecem discriminação de gêneros, são minúsculos, e em muitos casos são utilizados como depósitos da Unidades;
7. As UBS’s não oferecem consultório em quantidade suficiente para acomodar Médicos, Dentistas, Enfermeiros e Assistentes Sociais, sendo recomendadas salas individuais para cada profissão;
8. Ocorre disputa de consultórios, pois os profissionais tem que realizar suas obrigações e não é oferecido espaço para a execução das tarefas.
SOBRE O FUNCIONAMENTO TÉCNICO:
1. Sobrecarga de burocracia: Todos os profissionais têm que produzir relatórios por cima de relatórios, e não é oferecido espaço físico para que o médico possa sentar e se concentrar para realizar a tarefa;
2. A burocracia gerada pelos gestores do Ministério da Saúde é inversamente proporcional ao tamanho das “casinhas”;
3. Dificuldades quanto ao preenchimento dos formulários, pois os profissionais não sabem se bem atendem ou se bem preenchem aquele calhamaço de papéis. É urgente e mandatória a desburocratização do PSF;
4. Os técnicos encastelados em gabinetes super refrigerados e confortáveis do Ministério da Saúde em Brasília são os mentores dos protocolos inexeqüíveis. Os profissionais da linha de frente mal conseguem atender diante de tanto papel e formulários para preencherem.
5. Há uma sobrecarga de Programas de saúde sobre o Médico, que é responsável pelos programas de: Tuberculose, Hanseníase, DST-AIDS, Hipertensão, Diabetes, Pré Natal, Prevenção de Câncer de colo, Puericultura, acompanhamento do desenvolvimento infantil, Controle da desnutrição, Saúde do Homem, Saúde da Mulher, Saúde do Idoso. É exigida do médico do PSF responsabilidade sobre-humana;
6. Durante as visitas às famílias, o risco de contrair Tuberculose e hanseníase é altíssimo. Existe ainda o risco de acidente ao andar em locais com pontes de madeira e ruas esburacadas sob a chuva e o sol escaldante de Manaus, fazer atendimento em áreas de comércio de drogas, inclusive prestando assistência a marginais em suas próprias residências,
7. Execução de tarefas que não são de responsabilidade do médico como, por exemplo, a marcação de consultas e exames pelo Sistema de Regulação – SISREG;
8. Cobrança de assinatura do "Ponto" nos Distritos de Saúde que obrigam o médico a se deslocar por vários quilômetros para apenas assinar o ponto, o que provoca a redução do tempo de execução das tarefas na Unidade e consequentemente, a redução do numero de atendimento à comunidade.
DIREITOS TRABALHISTAS:
1. Não é oferecido auxílio-transporte. O próprio médico tem que arcar com as despesas de gasolina e com a manutenção de seu próprio automóvel, que é usado para se deslocar muitas vezes para as “casinhas” que ficam em lugares distantes e com trajetos totalmente esburacados;
2. Não é oferecido auxílio-refeição, em que pese a carga horária de 8 horas. O médico é obrigado a ir pra casa ao meio-dia para almoçar, o que onera mais ainda o gasto com combustível;
3. Falta do pagamento de gratificação já conquistada, inclusive em lei como a Gratificação de Insalubridade;
4. O não pagamento da Gratificação de Localidade a médicos que trabalhão em locais distantes.
Texto de Autoria da Dra. Auxiliadora Brito – presidente do Simeam
***
MANIFESTAÇÕES DE APOIO À DRA. BIANCA ABINADER QUE CHEGARAM A DIRETORIA DO SIMEAM
- Exercício ético e cidadão da medicina leva médica a execração pública
Não podemos nos calar quanto a isso.
À distância podemos fazer muita coisa.
São atitudes como essa, da CBN, que fazem retornar as discussões do “controle” da imprensa. Não acredito em liberdades e direitos que não se casam com responsabilidades de seus exercícios. Liberdade e direito são princípios de uso individual e de consequências coletivas. Um profissional como esse não deveria ter o direito de exercer a profissão. Se houvesse um Conselho Federal e Regionais de Jornalismo esse senhor seria, seguramente, punido. Ele suja o nome da profissão e induz a avaliação depreciativa dos profissionais da comunicação. Quanto a empresa pra quem ele trabalha, deveria vir a público dar explicações de suas atitudes quanto ao caso em tela.
Seria muito bom que o Sindicato dos Jornalistas e a Federação Nacional de Jornalismo se posicionassem quanto a esse fato. Que os mesmos, em nome do jornalismo e de jornalistas éticos, fizessem uma nota de desagravo à médica que teve a sua honra agredida e que, em sua pessoa viu também a medicina e os médicos éticos e compromissados agredidos.
Dr. Eduardo Santana
2º Vice-Presidente da Federação Nacional dos Médicos – Fenam
............................................
Colegas Médicos,
A colega Bianca Abinader, médica do PSF de Manaus, está grávida de 8 meses e está sendo perseguida pela Rádio CBN de Manaus. A história completa vcs podem conhecer no site que Bianca publicou na internet. O Sindicato Médico do Amazonas, a FEMAM e a FENAM já se manifestaram em defesa e solidariedade à colega. Mas temos que fazer mais. Bianca é conectada e twiteira. Vamos usar a ferramenta da internet para ampliar a corrente de solidariedade que está instalada a partir da comunidade em que Bianca trabalha na periferia de Manaus.Penso que devemos mostrar, mais uma vez, a nossa força enquanto categoria.Proponho que pressionemos a CBN Nacional. Vamos mandar e-mails para a Direção Nacional de Jornalismo protestando. A CBN é uma rede. Tem um nome a zelar.
Waldir Cardoso –
Secretário de Comunicação da Fenam
............................................
Em nome das mulheres diretoras da Fenam, das médicas de São paulo e do Brasil, quero enviar a colega Bianca de Manaus nossa solidariedade e todo o repudio à radio CBN de Manaus pela matéria sensacionalista sôbre o desempenho de funçaõ da profissional e o carater persecutório à mesma. Com certeza você já é vencedora.
Nosso abraço Bianca
Graça Souto - Secretária da Condição Feminina da Fenam
............................................
É lamentavel que fatos como este estejam acontecendo por parte de um meio de comunicação que goza de uma credibilidade na sociedade brasileira!!
O sindicato dos Médicos da Paraíba repudia a forma como a Dra. Bianca foi tratada na matéria.
Simed/PB
............................................
É muito triste saber que há pessoas no meio jornalístico pouco sérias e que fazem de tudo em nome da "audiência"!!!
Aquele que se reveste de "jornalista" deveria - no mínimo - conhecer e "usar" os preceitos de Ética, tema tão abordado hoje em dia e, ao mesmo tempo, tão distante da realidade de alguns!Muitas vezes, devido à falta de escrúpulos desses que se dizem "profissionais" acabamos tendo nossa imagem - também - comprometida! O que obriga aos profissionais éticos e sérios um empenho ainda maior quando do contato com o entrevistado ou quando se elabora uma matéria....De modo a criar/mostrar algum grau de "confiança e compromisso"!
Mais triste ainda é observar que há "meios de comunicação" que muitas vezes "obrigam" - seus "subordinados" a agirem de tal forma....são aqueles famosos "interesses" que a gente ouve falar desde os corredores das salas de aulas da faculdade até nos congressos internacionais...A cada dia agradeço por poder exercer a minha profissão de maneira ética, inclusive com liberdade - para, não provar o meu ponto de vista - mas sim - divulgar a matéria apurada conforme os lados ouvidos! Afinal, não sou dona da verdade...apenas uma "curiosa" que quer conhecer e divulgar o assunto da maneira mais real........Inclusive, escolho meus entrevistados conforme a exigência do "foco" e não das forças superiores ocultas.....
Isso faz comprovar que o "discurso" que eu sempre ouvia em todas as palestras na faculdade não é tão furado: "Você pode ser ético e não se vender! Você faz as escolhas da sua vida!" ...Aí entra aquela velha discussão: é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho??".....Você fica preso ao trabalho mesmo não concordando ou discorda e fica desempregado???Porém, contudo, entretanto, o fato extremamente importante é que os "bons profissionais" estão se destacando e ganhando seu espaço e respeito....Isso é legal! Já estava na hora do Jornalismo, principalmente aqui na região - deixar de ser tão comprometido com os - lá vem de novo - INTERESSES ou deixar de ser aquele Jornalismo "piegas" de colunismo jabalístico.....e acompanhar o desenvolvimento e a modernidade da cidade.....Tenho visto jornalistas fazendo um ótimo trabalho o que honra a profissão...E assim nos apegamos aos bons como exemplo. Os maus a gente sabe que não deve se orientar mas também servem de alerta pra gente não seguir.... A informação correta a gente vai atrás, apura - deixa a "polícia resolver quando for o caso" - e divulga! - e assim caminha a humanidade!!!
Bom trabalho!
Cristina Monte
............................................
SIMEAM VAI À RÁDIO CBN EM DEFESA DOS MÉDICOS DA ESF
Na última quinta-feira (07), às 9h30, o secretário geral do Simeam, Dr. Cotta Júnior, concedeu entrevista à Rádio CBN sobre o Caso da Dra. Bianca Abinader e as demais denúncias feitas contra os médicos da Estratégia Saúde da Família – ESF, eis alguns pontos que foram abordados:
- O Dr. Cotta apresentou um documento que comprovava que no momento da visita da CBN à USB que a Dra. Bianca trabalhava, a mesma encontrava-se no Distrito de Saúde Norte para assinar sua frequência, entregar a produção e tratar de sua transferência para a Zona Sul.
- Também foi apresentado documento expedido pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) no qual comprova que a médica não tem nenhuma denúncia, não responde a nenhuma sindicância e que nunca faltou ao trabalho.
Segue abaixo os endereço eletrônico dos documentos apresentados à Radio CBN:
http://sites.google.com/site/biancaabinader/home/nada-consta
http://sites.google.com/site/biancaabinader/home/comparecimento
O Dr. Cotta ainda informou pela Rádio CBN que a Dra. Bianca Abinader acessava sua pagina de relacionamentos enquanto fazia a marcação de consultas e exames pelo SISREG, ato esse que nem mesmo é de sua responsabilidade, sem prejuízo ao atendimento à comunidade local.
“Expliquei que fiquei grato em saber que durante as “visitas” da radio CBN às Casas de Saúde, os médicos não se encontravam na Unidade, provando que os mesmos estavam realizando visitas domiciliares na sua área de abrangência”, ressaltou.
O secretário geral do Simeam, explicou durante o programa que a ESF tem como finalidade não somente o atendimento às pessoas doentes, mas principalmente a Promoção a Saúde, isso é a saúde em seu aspecto mais amplo (educação, segurança, higiene, coleta de lixo, lazer, etc.).
Além disso, foi esclarecido ao radialista, Ronaldo Tiradentes, que o médico da família por muitas vezes participa de reuniões com lideranças comunitárias.
Sindicato dos Médicos do Estado do Amazonas - Simeam
Rua Professora Cacilda Pedroso, 669
Conjunto Canaã – Alvorada I
Telefone – (92) 3651.7798
infosimeam@gmail.com
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BOLETIM INFORMATIVO
SINDICATO DOS MÉDICOS DO ESTADO DO AMAZONAS – SIMEAM
Manaus, segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Prezados:
Enquanto a médica Bianca Abinader é caçada como um marginal de altíssima periculosidade e é colocada em seu encalço toda a estrutura jornalística da rádio CBN - Manaus, além do jornal Em Tempo, o SIMEAM com este texto permite um mergulho na realidade vivida pelos médicos da família.
OS MÉDICOS DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA (PSF) NÃO PODEM E NÃO DEVEM SER RESPONSABILIZADOS PELO CAOS NA SAÚDE
Há, por parte de alguns setores da sociedade, a tendência de imputar aos médicos todas as mazelas da área da saúde. Quando o médico é contratado para prestar serviço, ele é tratado como qualquer servidor e recebe como qualquer servidor, em que pese a complexidade e o tempo de sua formação. Contudo, na hora da cobrança, ele é tratado como se tivesse algum favorecimento a mais que os outros servidores.
Os médicos vêm recebendo todos os ônus do caos na saúde e, em contrapartida, não veem nenhuma política de valorização a seu favor. Hoje, o médico é tratado pelas secretarias de saúde como qualquer servidor de nível superior, e, no entanto, recebe cobranças compatíveis às de um procurador.
Num caso de urgência, todos nós sabemos que ninguém em sã consciência entra em uma unidade de saúde procurando por um assistente social, enfermeiro ou bioquímico. O cidadão quer saber onde está o médico. O indivíduo quer ser atendido pelo médico, e espera que o atendimento realizado por outros profissionais da saúde seja coordenando pelo médico. Todos esperam que o médico seja regente desta orquestra, e acreditam que a ele serão oferecidas as mínimas condições para o exercício da medicina. E que, em contrapartida, ele receberá um salário compatível com sua formação e o grau de responsabilidade.
Trabalhamos com vidas, nós somos responsáveis por suas vidas desde a concepção, passando pela gravidez, nascimento, crescimento, desenvolvimento, maturidade, senilidade e morte. Em qualquer fase de suas vidas estamos presentes, e a nós são imputadas penalidades tanto na esfera ética, quanto civil e criminal.
Vejam a seguir a situação real dos médicos que atendem no PSF.
SOBRE AS CONDIÇÕES PRECÁRIAS DE TRABALHO:
1. Acomodações inadequadas, devido ao modelo das “casinhas”, ou UBS’s (Unidades Básicas de Saúde), serem totalmente impróprias para o serviço que estas se prestam a oferecer;
2. Pias pequenas com torneiras defeituosas;
3. Refrigeração inadequada, com falta de manutenção nos aparelhos de ar condicionado, sendo que são os próprios médicos que arcam com o conserto desses aparelhos. Sem falar que, na maioria das Unidades é o próprio médico que compra o aparelho;
4. Cadeiras e mesas antiergonômicas;
5. O calor é infernal dentro das UBS’s;
6. Os banheiros são insuficientes para o número de servidores, além disso, não oferecem discriminação de gêneros, são minúsculos, e em muitos casos são utilizados como depósitos da Unidades;
7. As UBS’s não oferecem consultório em quantidade suficiente para acomodar Médicos, Dentistas, Enfermeiros e Assistentes Sociais, sendo recomendadas salas individuais para cada profissão;
8. Ocorre disputa de consultórios, pois os profissionais tem que realizar suas obrigações e não é oferecido espaço para a execução das tarefas.
SOBRE O FUNCIONAMENTO TÉCNICO:
1. Sobrecarga de burocracia: Todos os profissionais têm que produzir relatórios por cima de relatórios, e não é oferecido espaço físico para que o médico possa sentar e se concentrar para realizar a tarefa;
2. A burocracia gerada pelos gestores do Ministério da Saúde é inversamente proporcional ao tamanho das “casinhas”;
3. Dificuldades quanto ao preenchimento dos formulários, pois os profissionais não sabem se bem atendem ou se bem preenchem aquele calhamaço de papéis. É urgente e mandatória a desburocratização do PSF;
4. Os técnicos encastelados em gabinetes super refrigerados e confortáveis do Ministério da Saúde em Brasília são os mentores dos protocolos inexeqüíveis. Os profissionais da linha de frente mal conseguem atender diante de tanto papel e formulários para preencherem.
5. Há uma sobrecarga de Programas de saúde sobre o Médico, que é responsável pelos programas de: Tuberculose, Hanseníase, DST-AIDS, Hipertensão, Diabetes, Pré Natal, Prevenção de Câncer de colo, Puericultura, acompanhamento do desenvolvimento infantil, Controle da desnutrição, Saúde do Homem, Saúde da Mulher, Saúde do Idoso. É exigida do médico do PSF responsabilidade sobre-humana;
6. Durante as visitas às famílias, o risco de contrair Tuberculose e hanseníase é altíssimo. Existe ainda o risco de acidente ao andar em locais com pontes de madeira e ruas esburacadas sob a chuva e o sol escaldante de Manaus, fazer atendimento em áreas de comércio de drogas, inclusive prestando assistência a marginais em suas próprias residências,
7. Execução de tarefas que não são de responsabilidade do médico como, por exemplo, a marcação de consultas e exames pelo Sistema de Regulação – SISREG;
8. Cobrança de assinatura do "Ponto" nos Distritos de Saúde que obrigam o médico a se deslocar por vários quilômetros para apenas assinar o ponto, o que provoca a redução do tempo de execução das tarefas na Unidade e consequentemente, a redução do numero de atendimento à comunidade.
DIREITOS TRABALHISTAS:
1. Não é oferecido auxílio-transporte. O próprio médico tem que arcar com as despesas de gasolina e com a manutenção de seu próprio automóvel, que é usado para se deslocar muitas vezes para as “casinhas” que ficam em lugares distantes e com trajetos totalmente esburacados;
2. Não é oferecido auxílio-refeição, em que pese a carga horária de 8 horas. O médico é obrigado a ir pra casa ao meio-dia para almoçar, o que onera mais ainda o gasto com combustível;
3. Falta do pagamento de gratificação já conquistada, inclusive em lei como a Gratificação de Insalubridade;
4. O não pagamento da Gratificação de Localidade a médicos que trabalhão em locais distantes.
Texto de Autoria da Dra. Auxiliadora Brito – presidente do Simeam
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MANIFESTAÇÕES DE APOIO À DRA. BIANCA ABINADER QUE CHEGARAM A DIRETORIA DO SIMEAM
- Exercício ético e cidadão da medicina leva médica a execração pública
Não podemos nos calar quanto a isso.
À distância podemos fazer muita coisa.
São atitudes como essa, da CBN, que fazem retornar as discussões do “controle” da imprensa. Não acredito em liberdades e direitos que não se casam com responsabilidades de seus exercícios. Liberdade e direito são princípios de uso individual e de consequências coletivas. Um profissional como esse não deveria ter o direito de exercer a profissão. Se houvesse um Conselho Federal e Regionais de Jornalismo esse senhor seria, seguramente, punido. Ele suja o nome da profissão e induz a avaliação depreciativa dos profissionais da comunicação. Quanto a empresa pra quem ele trabalha, deveria vir a público dar explicações de suas atitudes quanto ao caso em tela.
Seria muito bom que o Sindicato dos Jornalistas e a Federação Nacional de Jornalismo se posicionassem quanto a esse fato. Que os mesmos, em nome do jornalismo e de jornalistas éticos, fizessem uma nota de desagravo à médica que teve a sua honra agredida e que, em sua pessoa viu também a medicina e os médicos éticos e compromissados agredidos.
Dr. Eduardo Santana
2º Vice-Presidente da Federação Nacional dos Médicos – Fenam
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Colegas Médicos,
A colega Bianca Abinader, médica do PSF de Manaus, está grávida de 8 meses e está sendo perseguida pela Rádio CBN de Manaus. A história completa vcs podem conhecer no site que Bianca publicou na internet. O Sindicato Médico do Amazonas, a FEMAM e a FENAM já se manifestaram em defesa e solidariedade à colega. Mas temos que fazer mais. Bianca é conectada e twiteira. Vamos usar a ferramenta da internet para ampliar a corrente de solidariedade que está instalada a partir da comunidade em que Bianca trabalha na periferia de Manaus.Penso que devemos mostrar, mais uma vez, a nossa força enquanto categoria.Proponho que pressionemos a CBN Nacional. Vamos mandar e-mails para a Direção Nacional de Jornalismo protestando. A CBN é uma rede. Tem um nome a zelar.
Waldir Cardoso –
Secretário de Comunicação da Fenam
............................................
Em nome das mulheres diretoras da Fenam, das médicas de São paulo e do Brasil, quero enviar a colega Bianca de Manaus nossa solidariedade e todo o repudio à radio CBN de Manaus pela matéria sensacionalista sôbre o desempenho de funçaõ da profissional e o carater persecutório à mesma. Com certeza você já é vencedora.
Nosso abraço Bianca
Graça Souto - Secretária da Condição Feminina da Fenam
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É lamentavel que fatos como este estejam acontecendo por parte de um meio de comunicação que goza de uma credibilidade na sociedade brasileira!!
O sindicato dos Médicos da Paraíba repudia a forma como a Dra. Bianca foi tratada na matéria.
Simed/PB
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É muito triste saber que há pessoas no meio jornalístico pouco sérias e que fazem de tudo em nome da "audiência"!!!
Aquele que se reveste de "jornalista" deveria - no mínimo - conhecer e "usar" os preceitos de Ética, tema tão abordado hoje em dia e, ao mesmo tempo, tão distante da realidade de alguns!Muitas vezes, devido à falta de escrúpulos desses que se dizem "profissionais" acabamos tendo nossa imagem - também - comprometida! O que obriga aos profissionais éticos e sérios um empenho ainda maior quando do contato com o entrevistado ou quando se elabora uma matéria....De modo a criar/mostrar algum grau de "confiança e compromisso"!
Mais triste ainda é observar que há "meios de comunicação" que muitas vezes "obrigam" - seus "subordinados" a agirem de tal forma....são aqueles famosos "interesses" que a gente ouve falar desde os corredores das salas de aulas da faculdade até nos congressos internacionais...A cada dia agradeço por poder exercer a minha profissão de maneira ética, inclusive com liberdade - para, não provar o meu ponto de vista - mas sim - divulgar a matéria apurada conforme os lados ouvidos! Afinal, não sou dona da verdade...apenas uma "curiosa" que quer conhecer e divulgar o assunto da maneira mais real........Inclusive, escolho meus entrevistados conforme a exigência do "foco" e não das forças superiores ocultas.....
Isso faz comprovar que o "discurso" que eu sempre ouvia em todas as palestras na faculdade não é tão furado: "Você pode ser ético e não se vender! Você faz as escolhas da sua vida!" ...Aí entra aquela velha discussão: é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho??".....Você fica preso ao trabalho mesmo não concordando ou discorda e fica desempregado???Porém, contudo, entretanto, o fato extremamente importante é que os "bons profissionais" estão se destacando e ganhando seu espaço e respeito....Isso é legal! Já estava na hora do Jornalismo, principalmente aqui na região - deixar de ser tão comprometido com os - lá vem de novo - INTERESSES ou deixar de ser aquele Jornalismo "piegas" de colunismo jabalístico.....e acompanhar o desenvolvimento e a modernidade da cidade.....Tenho visto jornalistas fazendo um ótimo trabalho o que honra a profissão...E assim nos apegamos aos bons como exemplo. Os maus a gente sabe que não deve se orientar mas também servem de alerta pra gente não seguir.... A informação correta a gente vai atrás, apura - deixa a "polícia resolver quando for o caso" - e divulga! - e assim caminha a humanidade!!!
Bom trabalho!
Cristina Monte
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SIMEAM VAI À RÁDIO CBN EM DEFESA DOS MÉDICOS DA ESF
Na última quinta-feira (07), às 9h30, o secretário geral do Simeam, Dr. Cotta Júnior, concedeu entrevista à Rádio CBN sobre o Caso da Dra. Bianca Abinader e as demais denúncias feitas contra os médicos da Estratégia Saúde da Família – ESF, eis alguns pontos que foram abordados:
- O Dr. Cotta apresentou um documento que comprovava que no momento da visita da CBN à USB que a Dra. Bianca trabalhava, a mesma encontrava-se no Distrito de Saúde Norte para assinar sua frequência, entregar a produção e tratar de sua transferência para a Zona Sul.
- Também foi apresentado documento expedido pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) no qual comprova que a médica não tem nenhuma denúncia, não responde a nenhuma sindicância e que nunca faltou ao trabalho.
Segue abaixo os endereço eletrônico dos documentos apresentados à Radio CBN:
http://sites.google.com/site/biancaabinader/home/nada-consta
http://sites.google.com/site/biancaabinader/home/comparecimento
O Dr. Cotta ainda informou pela Rádio CBN que a Dra. Bianca Abinader acessava sua pagina de relacionamentos enquanto fazia a marcação de consultas e exames pelo SISREG, ato esse que nem mesmo é de sua responsabilidade, sem prejuízo ao atendimento à comunidade local.
“Expliquei que fiquei grato em saber que durante as “visitas” da radio CBN às Casas de Saúde, os médicos não se encontravam na Unidade, provando que os mesmos estavam realizando visitas domiciliares na sua área de abrangência”, ressaltou.
O secretário geral do Simeam, explicou durante o programa que a ESF tem como finalidade não somente o atendimento às pessoas doentes, mas principalmente a Promoção a Saúde, isso é a saúde em seu aspecto mais amplo (educação, segurança, higiene, coleta de lixo, lazer, etc.).
Além disso, foi esclarecido ao radialista, Ronaldo Tiradentes, que o médico da família por muitas vezes participa de reuniões com lideranças comunitárias.
Sindicato dos Médicos do Estado do Amazonas - Simeam
Rua Professora Cacilda Pedroso, 669
Conjunto Canaã – Alvorada I
Telefone – (92) 3651.7798
infosimeam@gmail.com
janeiro 08, 2010
Vereadores que aprovaram a "Taxa do Lixo"
O projeto Manaus de Olho representa um novo momento na sociedade amazonense. Trata-se de uma iniciativa civil, de caráter independente, apartidária, criada com o único objetivo de mostrar à população amazonense o outro lado das questões sociais, culturais e, sobretudo, políticas da capital amazonense.
O embrião do movimento organizado começou a tomar forma nas últimas semanas de dezembro de 2009, quando internautas de Manaus que são usuários da rede de microblog Twitter começaram uma campanha de divulgação dos nomes de todos os vereadores que aprovaram, no dia 22 de dezembro de 2009, o Projeto de Lei municipal que instituiu a Taxa de Resíduos Sólidos Domiciliares (TRSD), que ficou mais conhecida como a “Taxa do Lixo”.
De tweet em tweet, mais de 100 internautas da rede concordaram e cooperar financeiramente para veicular, em outdoors da cidade, a lista com os nomes dos vereadores que votaram pela taxa:
O movimento, amparado nos parágrafos IV, IX, XVI, XXXIII e XXXIV do artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, acabou tropeçando em algo inesperado: as empresas de publicidade contatadas pelos organizadores do movimento se negaram a veicular a lista dos vereadores, pelos mais variados motivos de força maior.
Por conta da possibilidade da aprovação, este ano, do projeto “Cidade Limpa” da Prefeitura de Manaus, que proibiria a publicação de outdoors por toda cidade, do mesmo modo como aconteceu em São Paulo, todas as empresas procuradas preferiram não veicular os atos dos vereadores, eleitos democraticamente pela população. Publicar o voto que a sociedade os escolheu pra dar, dentro de uma sessão oficial da Câmara, é nada mais do que a obrigação, também amparada na Constituição Federal, do poder público dar publicidade aos seus atos.
Se os vereadores de Manaus preferem não divulgar como votam sobre projetos que interessam a sociedade, a sociedade se interessa. O protesto do Manaus de Olho ficou sem seus dois outdoors, mas ganhou simpatizantes em toda a sociedade organizada, das entidades de classe, de empresários, lojistas, profissionais liberais e, acima de tudo, de cidadãos comuns.
As dificuldades enfrentadas pra veicular dois outdoors, sem agressões, palavras de ordem ou slogans partidários — apenas o voto dos nossos representantes — mostram que a política amazonense tem muito a esconder.
Nossa intenção, com nosso protesto coletivo, é não deixar que escondam.
janeiro 03, 2010
MADINHA E A TAXA DE LIXO
Nota do blog: O imortal José Ribamar Bessa Freire laureia este blogueiro como personagem da sua crônica domingueira, para vergastar a Taxa de Lixo de um tal 171². Se for a mesma criatura nomeada por um tuiteiro daqui da taba, tô pebado, meu considerado! O futriqueiro perdeu as estribeiras, depois que postei neste blog um painel com o nome dos 24 vereadores que jogaram o voto no lixo, e anda dizendo que o dito 171² ainda vai me fazer mudar de opinião. Ou o cara é leso, ou tá chupando din-din com álcool a 92,8², maninho!
TAQUI PRA TI
MADINHA E A TAXA DE LIXO
José Ribamar Bessa Freire
10/01/2010 - Diário do Amazonas
- Mana, o 171² manipulou o zero à esquerda, fez 69 com Manaus e botou no nosso 24, cobrando por fora 82 do 171.
Foi assim, enigmático, que Rolando Carlos, conhecido como Madinha Osa, se dirigiu à sua neta Elisângela – a Mana, nessa passagem de ano, semeando pânico na casa da Rua Tamoios, no Dom Pedro, em Manaus. “O vovô despirocou, chamem um médico”, ela exclamou alarmada. O avô continuou falando. Misturava palavras com números e se irritava porque ninguém entendia bulhufas. Nervoso, batia a cabeça na parede e insistia aos berros, aumentando a perplexidade da família:
- No reveillon, eu vou 4. Quem tem medo de 2, não 3. A 82 do 171 vai escondida para a 49 e a 51. Vão 5 de 15 para o 16 nas próximas eleições.
- Quando é que ele começou a falar assim? – perguntou o psiquiatra Rogélio Casado, chamado às pressas pela família para tratar o velho Madinha. A neta explicou:
- Foi no natal, doutor. O vovô ficou traumatizado com a última sessão de 2009 da Câmara Municipal, quando os vereadores puxa-sacos aprovaram o projeto do prefeito Amazonino Mendes, criando a taxa de lixo, sem qualquer discussão. Ai ele ficou assim. Nem participou do Amigo Oculto. Pirou de vez. Deixou de falar coisa com coisa.
O psiquiatra indagou se o paciente, anteriormente, havia manifestado algum transtorno na fala. A família lembrou, então, do início de tudo, em 1955, quando o governador Plínio Coelho criou um imposto escorchante, através da Lei 5, que ficou conhecida como ‘Lei Cachorro’. Ao ouvir a notícia no rádio, o menino Rolando saiu correndo pelas ruas de Aparecida em busca de sua madrinha, dona Rosa, com quem vivia: “Madinha Osa, isso é um oubo, Madinha!”.
- Desde essa época, meu avô ficou com esse apelido e quase nunca pronuncia o “r” – contou Elisângela, deixando o psiquiatra apreensivo, com o sobrolho franzido.
Sobrolho Franzido
Em toda sua vida profissional, o doutor Rogélio jamais havia cofiado a barba e franzido o sobrolho. Desta vez, ao ouvir a história, franziu o sobrolho, para surpresa da nova geração que não sabe o que é franzir sobrolho. Com o sobrolho franzido, diante da gravidade do caso, reuniu uma junta médica via telefone celular. Confirmou seu diagnóstico com dois colegas: Joseph Oversea Verymuch, da Universidade de Oxford, autor de “Here for you” e Manoel Galvão, da UFAM, que escreveu “Delete o Del”.
Ainda com o sobrolho franzido, o psiquiatra explicou à família que o velho Madinha estava com DEL, termo clínico que designa o Distúrbio Específico de Linguagem. Havia contraído uma parafasia, que é a dificuldade em nomear objetos. O cara se atrapalha e substitui certas palavras por vocábulos desconexos, causando confusão na fala.
- Segundo a neurolinguística – diagnosticou o psiquiatra – a variedade conhecida como Parafasia Mutretarum se manifesta em pacientes que são assaltados ou que testemunham roubos. Cada vez que o psiquismo deles registra mutretas, reage trocando palavras por números, como forma de compensar a perda. Freud denominou de ‘compensatio vobiscum’. O filme da quadrilha do governador Arruda, de Brasília, com dinheiro na cueca e na meia, aumentou o número de parafásicos em todo o Brasil.
- Tem cura, doutor? – perguntou Mana, com a voz embargada. Antes de responder, o psiquiatra fez uma vistoria. Percorreu com os olhos aquela Unidade Geradora de Resíduos Sólidos Domiciliares (UGR): o piso gasto, o sofá esburacado, o ventilador barulhento, a televisão comprada a crédito, o carro velho na garagem. Calculou com base na tabela da nova legislação - a coleta diária de um saco de 30 litros custa R$ 2,30, ou seja, R$ 70 por mês – e ficou assustado.
- No caso do seu avô, minha filha, a tendência é se agravar. Essa taxa tira o couro de quem mora em casa com valor acima de R$ 50 mil. Aí, depende do volume de lixo da família. Tem gente que vai pagar até R$ 1.680 por ano, além do IPTU. A Lei Orçamentária destinou R$ 94 milhões para o lixo, mas Amazonino quer arrancar mais R$ 150 milhões do bolso do contribuinte. Sem contar o lixo hospitalar e o ESTRESS – o Excedente da Sobretaxa de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde. Por isso, criou a ‘Lei Ratazana’.
Lei Ratazana
- Essa ‘Lei Ratazana de Esgoto’, do Amazonino, é pior do que a ‘Lei Cachorro’, do Plínio Coelho, porque come todas as economias do pobre, com voracidade de rato faminto. Ela vai transformar Manaus num hospital do DEL. Muita gente vai ficar com a Síndrome de Hortelino Troca Letras, personagem de desenho animado que persegue o coelho Pernalonga. Alguns contrairão logorréia, típica dos maníacos que falam sem parar. Outros a oligolalia, situação de quase mutismo – prognosticou o médico.
A família ficou arrasada. Se a doença não tinha cura, como se comunicar com o paciente? O psiquiatra argumentou que é possível entendê-lo, enquanto a doença não atingir a etapa da jargonofasia, caracterizada pela desorganização da sintaxe. Por enquanto, o velho encadeia o pensamento, narra eventos, seu discurso é coerente, a ordem dos elementos na frase é correta, basta apenas fazer uma tabela de correspondência entre números e palavras.
Foi o que a família fez. Madinha falava um número, apontava o objeto ou a foto e a neta anotava num caderno. Pouco a pouco a tabela foi sendo construída: vereador puxa-saco (zero à esquerda), defecar (2), comer (3), beber (4), comprar (5), preço (8), juíza Eunice (10), gasolina (15), eleitor (16), orifício (24), cueca (49), meia (51), sacanagem (69), taxa (82), lixo (171), Amazonino (171²).
Dessa forma, o discurso do Madinha foi decodificado. O problema dele não é pagar imposto, mas saber que quem vai aplicá-lo é Amazonino (PTB – vixe, vixe), cassado em novembro pela juíza Maria Eunice, em primeira instância, sob acusação de comprar votos, ou seu vice, Carlos Souza, recém-saído da cadeia. O currículo de ambos permite desconfiar que o lixo pode comprar gasolina para eleitores em futura eleição.
Se o prefeito fosse um arcanjo ou um querubim, se a Justiça punisse os corruptos, todo mundo pagava o imposto alegremente, por confiar no uso dos recursos em prol do bem público. Mas não é assim. O velho Madinha lembrou entrevista à Rádio Nova Onda FM, de Benjamin Constant, em 2006, quando Amazonino afirmou: “No Amazonas, compra-se consciência de político, compra-se juiz, desembargador, compra-se tribunais de um modo geral”.
- A 10 não tem 8. Ninguém 5 a 10 – concluiu o velho Madinha, enquanto seu vizinho ‘Pão Molhado’, sem respeitar a dor da família, copiava os números para arriscar na Mega-sena. Leitor (a)! Feliz 2-0-10 (pela tabela do Madinha).
Fonte: TAQUIPRATI
TAQUI PRA TI
MADINHA E A TAXA DE LIXO
José Ribamar Bessa Freire
10/01/2010 - Diário do Amazonas
- Mana, o 171² manipulou o zero à esquerda, fez 69 com Manaus e botou no nosso 24, cobrando por fora 82 do 171.
Foi assim, enigmático, que Rolando Carlos, conhecido como Madinha Osa, se dirigiu à sua neta Elisângela – a Mana, nessa passagem de ano, semeando pânico na casa da Rua Tamoios, no Dom Pedro, em Manaus. “O vovô despirocou, chamem um médico”, ela exclamou alarmada. O avô continuou falando. Misturava palavras com números e se irritava porque ninguém entendia bulhufas. Nervoso, batia a cabeça na parede e insistia aos berros, aumentando a perplexidade da família:
- No reveillon, eu vou 4. Quem tem medo de 2, não 3. A 82 do 171 vai escondida para a 49 e a 51. Vão 5 de 15 para o 16 nas próximas eleições.
- Quando é que ele começou a falar assim? – perguntou o psiquiatra Rogélio Casado, chamado às pressas pela família para tratar o velho Madinha. A neta explicou:
- Foi no natal, doutor. O vovô ficou traumatizado com a última sessão de 2009 da Câmara Municipal, quando os vereadores puxa-sacos aprovaram o projeto do prefeito Amazonino Mendes, criando a taxa de lixo, sem qualquer discussão. Ai ele ficou assim. Nem participou do Amigo Oculto. Pirou de vez. Deixou de falar coisa com coisa.
O psiquiatra indagou se o paciente, anteriormente, havia manifestado algum transtorno na fala. A família lembrou, então, do início de tudo, em 1955, quando o governador Plínio Coelho criou um imposto escorchante, através da Lei 5, que ficou conhecida como ‘Lei Cachorro’. Ao ouvir a notícia no rádio, o menino Rolando saiu correndo pelas ruas de Aparecida em busca de sua madrinha, dona Rosa, com quem vivia: “Madinha Osa, isso é um oubo, Madinha!”.
- Desde essa época, meu avô ficou com esse apelido e quase nunca pronuncia o “r” – contou Elisângela, deixando o psiquiatra apreensivo, com o sobrolho franzido.
Sobrolho Franzido
Em toda sua vida profissional, o doutor Rogélio jamais havia cofiado a barba e franzido o sobrolho. Desta vez, ao ouvir a história, franziu o sobrolho, para surpresa da nova geração que não sabe o que é franzir sobrolho. Com o sobrolho franzido, diante da gravidade do caso, reuniu uma junta médica via telefone celular. Confirmou seu diagnóstico com dois colegas: Joseph Oversea Verymuch, da Universidade de Oxford, autor de “Here for you” e Manoel Galvão, da UFAM, que escreveu “Delete o Del”.
Ainda com o sobrolho franzido, o psiquiatra explicou à família que o velho Madinha estava com DEL, termo clínico que designa o Distúrbio Específico de Linguagem. Havia contraído uma parafasia, que é a dificuldade em nomear objetos. O cara se atrapalha e substitui certas palavras por vocábulos desconexos, causando confusão na fala.
- Segundo a neurolinguística – diagnosticou o psiquiatra – a variedade conhecida como Parafasia Mutretarum se manifesta em pacientes que são assaltados ou que testemunham roubos. Cada vez que o psiquismo deles registra mutretas, reage trocando palavras por números, como forma de compensar a perda. Freud denominou de ‘compensatio vobiscum’. O filme da quadrilha do governador Arruda, de Brasília, com dinheiro na cueca e na meia, aumentou o número de parafásicos em todo o Brasil.
- Tem cura, doutor? – perguntou Mana, com a voz embargada. Antes de responder, o psiquiatra fez uma vistoria. Percorreu com os olhos aquela Unidade Geradora de Resíduos Sólidos Domiciliares (UGR): o piso gasto, o sofá esburacado, o ventilador barulhento, a televisão comprada a crédito, o carro velho na garagem. Calculou com base na tabela da nova legislação - a coleta diária de um saco de 30 litros custa R$ 2,30, ou seja, R$ 70 por mês – e ficou assustado.
- No caso do seu avô, minha filha, a tendência é se agravar. Essa taxa tira o couro de quem mora em casa com valor acima de R$ 50 mil. Aí, depende do volume de lixo da família. Tem gente que vai pagar até R$ 1.680 por ano, além do IPTU. A Lei Orçamentária destinou R$ 94 milhões para o lixo, mas Amazonino quer arrancar mais R$ 150 milhões do bolso do contribuinte. Sem contar o lixo hospitalar e o ESTRESS – o Excedente da Sobretaxa de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde. Por isso, criou a ‘Lei Ratazana’.
Lei Ratazana
- Essa ‘Lei Ratazana de Esgoto’, do Amazonino, é pior do que a ‘Lei Cachorro’, do Plínio Coelho, porque come todas as economias do pobre, com voracidade de rato faminto. Ela vai transformar Manaus num hospital do DEL. Muita gente vai ficar com a Síndrome de Hortelino Troca Letras, personagem de desenho animado que persegue o coelho Pernalonga. Alguns contrairão logorréia, típica dos maníacos que falam sem parar. Outros a oligolalia, situação de quase mutismo – prognosticou o médico.
A família ficou arrasada. Se a doença não tinha cura, como se comunicar com o paciente? O psiquiatra argumentou que é possível entendê-lo, enquanto a doença não atingir a etapa da jargonofasia, caracterizada pela desorganização da sintaxe. Por enquanto, o velho encadeia o pensamento, narra eventos, seu discurso é coerente, a ordem dos elementos na frase é correta, basta apenas fazer uma tabela de correspondência entre números e palavras.
Foi o que a família fez. Madinha falava um número, apontava o objeto ou a foto e a neta anotava num caderno. Pouco a pouco a tabela foi sendo construída: vereador puxa-saco (zero à esquerda), defecar (2), comer (3), beber (4), comprar (5), preço (8), juíza Eunice (10), gasolina (15), eleitor (16), orifício (24), cueca (49), meia (51), sacanagem (69), taxa (82), lixo (171), Amazonino (171²).
Dessa forma, o discurso do Madinha foi decodificado. O problema dele não é pagar imposto, mas saber que quem vai aplicá-lo é Amazonino (PTB – vixe, vixe), cassado em novembro pela juíza Maria Eunice, em primeira instância, sob acusação de comprar votos, ou seu vice, Carlos Souza, recém-saído da cadeia. O currículo de ambos permite desconfiar que o lixo pode comprar gasolina para eleitores em futura eleição.
Se o prefeito fosse um arcanjo ou um querubim, se a Justiça punisse os corruptos, todo mundo pagava o imposto alegremente, por confiar no uso dos recursos em prol do bem público. Mas não é assim. O velho Madinha lembrou entrevista à Rádio Nova Onda FM, de Benjamin Constant, em 2006, quando Amazonino afirmou: “No Amazonas, compra-se consciência de político, compra-se juiz, desembargador, compra-se tribunais de um modo geral”.
- A 10 não tem 8. Ninguém 5 a 10 – concluiu o velho Madinha, enquanto seu vizinho ‘Pão Molhado’, sem respeitar a dor da família, copiava os números para arriscar na Mega-sena. Leitor (a)! Feliz 2-0-10 (pela tabela do Madinha).
Fonte: TAQUIPRATI
janeiro 01, 2010
O out-door da indignação contra a Taxa do Lixo
Indignação - Um grupo de cidadãos - entre eles, vários jornalistas - resolveu manifestar sua indignação através de um out-door, depois que a maior parte dos parlamentares da Câmara dos Vereadores de Manaus aprovou a famigerada Taxa do Lixo. Pasmem, leitores! Nenhuma empresa desse tipo de publicidade quer veicular a indignação cidadã. Nem f..., digo, pagando.
Retaliação fiscal - Certamente os empresários do setor temem ir à bancarrota se for praticada a retaliação fiscal que sobrevém nesses casos. Quando realizei o vídeo "Manaus - Operação Memória", contra a tentativa de construção de um camelódromo pelo prefeito Amazonino Mendes, no início dos anos 1990, uma dama da sociedade, matriarca de uma família tradicional de comerciantes, me revelou, durante uma entrevista, que mais não falaria por medo da família ser atingida pela famigerada retaliação fiscal.
O caso Max Teixeira - Quem pesquisar a vida do empresário Max Teixeira (que hoje leva o nome de uma importante artéria que liga o bairro de Cidade Nova ao centro de Manaus) vai se deparar com esse péssimo exemplo dos governos populistas que por aqui vicejaram, a partir dos anos 1950. No início dos anos 1980, com a derrota do candidato de situação, por ele apoiado, foi vítima de uma perseguição inominável. Tanto assim que faliu.
Out-door ou nota pública - Hoje temos uma nova realidade jornalística. Diferentemente do período da ditadura militar, quando não se ousava publicar opiniões contrárias (salvo as exceções de praxe), temos jornais de situação e de oposição. Nada mais legítimo, embora nem tudo seja tão transparente assim. Ocorre que sai caro o pagamento do centímetro quadrado do papel de jornal para veicular informações de interesse coletivo. E depois não teria o mesmo impacto visual do out-door. Mandar fazer fora de Manaus está fora de cogitação, posto que a empresa tem ser local. Enquanto se pensa uma saída para o impasse, resgato o espírito da indignação com a mensagem postada no meu "out-door" eletrônico acima.
Retaliação fiscal - Certamente os empresários do setor temem ir à bancarrota se for praticada a retaliação fiscal que sobrevém nesses casos. Quando realizei o vídeo "Manaus - Operação Memória", contra a tentativa de construção de um camelódromo pelo prefeito Amazonino Mendes, no início dos anos 1990, uma dama da sociedade, matriarca de uma família tradicional de comerciantes, me revelou, durante uma entrevista, que mais não falaria por medo da família ser atingida pela famigerada retaliação fiscal.
O caso Max Teixeira - Quem pesquisar a vida do empresário Max Teixeira (que hoje leva o nome de uma importante artéria que liga o bairro de Cidade Nova ao centro de Manaus) vai se deparar com esse péssimo exemplo dos governos populistas que por aqui vicejaram, a partir dos anos 1950. No início dos anos 1980, com a derrota do candidato de situação, por ele apoiado, foi vítima de uma perseguição inominável. Tanto assim que faliu.
Out-door ou nota pública - Hoje temos uma nova realidade jornalística. Diferentemente do período da ditadura militar, quando não se ousava publicar opiniões contrárias (salvo as exceções de praxe), temos jornais de situação e de oposição. Nada mais legítimo, embora nem tudo seja tão transparente assim. Ocorre que sai caro o pagamento do centímetro quadrado do papel de jornal para veicular informações de interesse coletivo. E depois não teria o mesmo impacto visual do out-door. Mandar fazer fora de Manaus está fora de cogitação, posto que a empresa tem ser local. Enquanto se pensa uma saída para o impasse, resgato o espírito da indignação com a mensagem postada no meu "out-door" eletrônico acima.
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