Nota do blog: A comunidade do Jatuarana voltou ao Ministério Público para denunciar o descumprimento do acordo feito com o Exército Nacional pelo reconhecimento de suas propriedades - acordo testemunhado pelo Sr. Carlos Braga, pai do governador do Estado do Amazonas, e pelo líder do governo deputado estadual Sinésio Campos. A luta continua!
PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
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dezembro 29, 2009
dezembro 03, 2009
Comunidades tradicionais ameaçadas por granadas
Nota do blog: Não basta ter uma jornalista competente como Elaíze Farias. É preciso ter um editor mais atento. Caso fosse usado os arquivos do jornal, @ leitor@ teria uma informação mais qualificada. Vamos à matéria:
Granadas explodidas
Peritos detonaram as granadas que foram disparadas durante instruções de guerra realizadas periodicamente no local
Elaíze Farias
Da equipe de A CRÍTICA
Uma equipe de peritos em explosivo do Exército estourou, ontem, duas granadas encontradas na última segunda-feira (30) por oficiais do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) na margem do igarapé do Mainá, afluente do lago do Puraquequara. Uma carga de 250 gramas de TNT foi utilizada para provocar a explosão de cada granada. Os explosivos foram encontrados a menos de 500 metros da comunidade São Francisco do Mainá, onde vivem pouco mais de 120 pessoas. A última vez que um artefato desta natureza foi encontrado foi em 2007.
[...]
Fonte: A Crítica
* * *
Nota do blog: Bastaria um box informando um fato ocorrido numa outra comunidade, para dar a dimensão dos perigos vividos pelas comunidades tradicionais que fazem fronteira com o território destinado ao treinamento de guerra na selva. Vamos à informação que não foi dada:
Explosivo mata jovem de 16 anos
Zefofinho de Ogum
Da equipe do PICICA
Em 2003, foi a primeira vez que um artefato explosivo foi encontrado numa das dezenas de comunidades tradicionais da costa do Jatuarana - área compreendida entre a boca do Lago do Puraquequara e a boca do Paraná da Eva, numa extensão de 80 quilometros. O encontro não poderia ter sido mais dramático. Um jovem de 16 anos morreu ao manipular uma granada encontrada num dos sítios próximos da comunidade onde morava. A família refugiou-se em lugar não conhecido, e até hoje não recebeu nenhuma indenização pelo trágico desfecho da história do treinamento de guerra na selva em território impróprio para essa prática.
Granadas explodidas
Peritos detonaram as granadas que foram disparadas durante instruções de guerra realizadas periodicamente no local
Elaíze Farias
Da equipe de A CRÍTICA
Uma equipe de peritos em explosivo do Exército estourou, ontem, duas granadas encontradas na última segunda-feira (30) por oficiais do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) na margem do igarapé do Mainá, afluente do lago do Puraquequara. Uma carga de 250 gramas de TNT foi utilizada para provocar a explosão de cada granada. Os explosivos foram encontrados a menos de 500 metros da comunidade São Francisco do Mainá, onde vivem pouco mais de 120 pessoas. A última vez que um artefato desta natureza foi encontrado foi em 2007.
[...]
Fonte: A Crítica
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Nota do blog: Bastaria um box informando um fato ocorrido numa outra comunidade, para dar a dimensão dos perigos vividos pelas comunidades tradicionais que fazem fronteira com o território destinado ao treinamento de guerra na selva. Vamos à informação que não foi dada:
Explosivo mata jovem de 16 anos
Zefofinho de Ogum
Da equipe do PICICA
Em 2003, foi a primeira vez que um artefato explosivo foi encontrado numa das dezenas de comunidades tradicionais da costa do Jatuarana - área compreendida entre a boca do Lago do Puraquequara e a boca do Paraná da Eva, numa extensão de 80 quilometros. O encontro não poderia ter sido mais dramático. Um jovem de 16 anos morreu ao manipular uma granada encontrada num dos sítios próximos da comunidade onde morava. A família refugiou-se em lugar não conhecido, e até hoje não recebeu nenhuma indenização pelo trágico desfecho da história do treinamento de guerra na selva em território impróprio para essa prática.
dezembro 02, 2009
Jatuarana luta pelo direito de propriedade
Nota do blog: Minhas fontes revelam que hoje pela manhã o jornal A Crítica acompanhará o Exército Nacional em visita à costa do Jatuarana. Esse território, às margens do majestoso rio Amazonas, desde 1997 vem sofrendo com a invasão de suas terras pela prática do treinamento de guerra na selva. O CIGS desrespeitou todas as regras do bom convívio. Um projeto pretendia transferir duzentas famílias das comunidades tradicionais que ali vivem para a região de Cuieiras, no rio Negro. Tratados como invasores, os comunitários vinham comendo o pão-que-o-diabo-amassou, até que em reunião com o general comandante fosse tudo esclarecido. O presidente da comunidade, conhecido como Radir, apresentou títulos de terra que remontam a um século atrás: 1903. Foi aí que os militares apearam do cavalo. Sutilezas à parte, foi acordado que seria realizado um cadastramento que contariam com o apoio do INCRA e do ITERAM. Na data aprazada - dia 18 de novembro - só apareceram os representantes do Exército Nacional, as outras instituições neca de pitibiriba. Estamos de olho no lance. Veja na coluna ao lado dois vídeos da Kaamirã Vídeos Produções; neles o depoimento de duas lideranças do lugar: "Guerra" na selva: SOS Beiradão e Amazônia: Comunidade Tradicional e Exército Nacional.
novembro 21, 2009
Pela paz no Jatuarana
CRISIS IN BURMA from Scott Denton on Vimeo.
Pela devolução da paz na Comunidade Tradicional do Jatuarana
Quando acabar o conflito aberto pelo Exército Nacional contra Comunidade Tradicional de Jatuarana, no beiradão do rio Amazonas, sugiro ao comando do CIGS - Centro de Inteligência de Guerra na Selva - que volte a sobrevoar a região do lago do Jatuarana. Desta vez sem tiros de fuzis, nem explosão de artefatos de qualquer natureza. O vídeo acima pode inspirar o comando desse segmento do exército, pago com o dinheiro dos contribuintes brasileiros, a tomar o mesmo caminho.
Para conhecer a história do conflito, veja no link ao lado os depoimentos de Marisa Lima e Doramir Viana da Cunha para o Kaamirã Vídeo Produções, em Amazônia: "Guerra" na Selva: SOS Beiradão e Comunidade Tradicional x Exército Nacional.
novembro 16, 2009
Justiça para a comunidade tradicional do Jatuarana
Comunidade tradicional do Jatuarana
Foto: Rogelio Casado - beiradão da costa do Jatuarana-Amazonas-Brasil, 15.11.2009
Foto: Rogelio Casado - beiradão da costa do Jatuarana-Amazonas-Brasil, 15.11.2009
Nota do blog: Veja o depoimento de Doramir Viana da Cunha e Marisa Lima para Kaamirã Vídeo Produções em "Amazônia: Comunidade Tradicional x Exército Nacional" e "Guerra na Selva : SOS Beiradão", no link ao lado.
Exército Nacional recua
Ao que parece devem cessar as hostilidades do Exército Nacional contra as comunidades tradicionais da costa do Jatuarana (às margens do rio Amazonas), depois de 12 anos de uso irregular do território daquela população para a prática do chamado “treinamento de guerra na selva”.
Privados de pescar, caçar, plantar e até mesmo de reproduzir a vida, os comunitários foram surpreendidos com a mudança de humor dos militares, que até então os acusavam de invasores de terra.
Na última reunião, testemunhada por autoridades do poder público, obtiveram a promessa de que o projeto de transferência para a região de Cuieiras, no rio Negro, está definitivamente fora de questão.
Os sinais de mudança começaram a ser desenhados, numa reunião anterior, na 12ª. Região Militar, depois que o presidente da comunidade de Jatuarana, Doramir Viana da Cunha, deixou os advogados do patrimônio da União perplexos ao mostrar títulos de propriedade que remontam a 1903. Nessa reunião, a imprensa foi proibida de participar.
A repercussão negativa do caso pela imprensa local teve um efeito devastador. Manaus, que está de costas para as comunidades tradicionais da sua área rural, sensibilizou-se com o drama vivido por essa população. Tanto que o líder do governo estadual e pai do próprio governador se fizeram presente à reunião entre os líderes comunitários e os militares.
A paz perdida
Entre os anos 1950-1970, só a comunidade do Jatuarana foi responsável pela produção de 250 sacos de farinha. Havia fartura de peixe na região. Nesse período chegaram a viver 200 famílias só no lago do Jatuarana.
Hoje restam apenas 96 famílias. Certamente a criação da Zona Franca de Manaus, no final dos anos 1960, exerceu forte atração para aquelas famílias que demandavam por educação para seus filhos. Mas foi a pressão do Exército Nacional que forçou a migração indesejada.
Humilhação, acidentes e morte marcam o período que se inicia em 1997, e se estende até este ano de 2009, quando o Exército, já proprietário de milhares de hectares desde a rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara) até a fronteira da região do Jatuarana, passou ostensivamente a praticar o “treinamento de guerra na selva” no sítio das comunidades do Jatuarana, fazendo do lugar um verdadeiro inferno.
Arbitrariedades
Entre outras arbitrariedades, uma casa foi incendiada; outra foi ocupada ilegalmente, para supresa da família que deslocou-se para Manaus a tratamento de saúde; uma terceira foi erguida numa propriedade que não lhes pertence. Até a expansão do cemitério foi proibida, ele que serve a todas as comunidades, inclusive as situadas na outra margem do rio Amazonas, composta por um imenso território de várzeas, como: Tabocal, Careiro da Várzea, Terra Nova, costa do Paraná de Terra Nova, entre outros.
A morte do jovem Moisés, de 16 anos de idade, por um artefato explosivo continua, até hoje, sem que tenham sido estabelecidas as devidas responsabilidades. Seu Zelito, que teve costelas quebradas por um abalroamento de sua canoa por uma lancha do exército, com perda total do seu instrumento de trabalho, não recebeu assistência médica, nem teve ressarcimento dos danos provocados aos seus bens e à sua atividade.
Nunca houve intenção de promover qualquer benefício às comunidades tradicionais do Jatuarana por parte das autoridades militares. Nem uma escola sequer foi montada, como fizeram no passado a Colônia de Americanos, situada num dos extremos da costa do Jatuarana, que hoje têm título de propriedade, sem nenhuma ameaça de ter a paz quebrada por invasores.
Racismo ambiental
O surpreendente desconhecimento dos direitos daquela população é o mais forte indicativo de que estamos diante de mais um caso de racismo ambiental (ainda que não haja depredação do meio ambiente). A quem interessa desconhecer tais direitos senão àqueles que negam a história das comunidades tradicionais e que passam por cima de direitos de propriedade à terra secularmente ocupada?
O beiradão dos rios Negro e Amazonas, com suas populações tradicionais, vem comendo o pão que o diabo amassou. Construção de um terminal portuário na região das Lajes, expansão do distrito industrial de Manaus, terras invadidas para prática de “treinamento de guerra na selva”, tudo isso faz parte de um cenário em que políticas públicas, industriais e militares estão a merecer uma ampla discussão com a sociedade civil, sobretudo agora que a opinião pública passou a tomar conhecimento da dimensão dos impactos socio-ambientais de projetos a serviço de um projeto civilizatório que caducou. Nossas comunidades, especialmente as que mantém nossa floresta em pé, merecem viver com dignidade e respeito, bem como ter acesso a políticas públicas que atendam seus interesses.
Ontem, domingo, foi dia de reunir as comunidades, transmitir o acordo verbal com os militares, testemunhados pelo deputado estadual Sinésio Campos e o Sr. Carlos Braga, pai do governador Eduardo Braga. Até o dia 18 toda a documentação deve estar em mão, quando então se dará mais um cadastramento através das instituições governamentais do setor fundiário. Espera-se que desta vez seja definitivo, e que o conflito cesse de uma vez por todas.
Exército Nacional recua
Ao que parece devem cessar as hostilidades do Exército Nacional contra as comunidades tradicionais da costa do Jatuarana (às margens do rio Amazonas), depois de 12 anos de uso irregular do território daquela população para a prática do chamado “treinamento de guerra na selva”.
Privados de pescar, caçar, plantar e até mesmo de reproduzir a vida, os comunitários foram surpreendidos com a mudança de humor dos militares, que até então os acusavam de invasores de terra.
Na última reunião, testemunhada por autoridades do poder público, obtiveram a promessa de que o projeto de transferência para a região de Cuieiras, no rio Negro, está definitivamente fora de questão.
Os sinais de mudança começaram a ser desenhados, numa reunião anterior, na 12ª. Região Militar, depois que o presidente da comunidade de Jatuarana, Doramir Viana da Cunha, deixou os advogados do patrimônio da União perplexos ao mostrar títulos de propriedade que remontam a 1903. Nessa reunião, a imprensa foi proibida de participar.
A repercussão negativa do caso pela imprensa local teve um efeito devastador. Manaus, que está de costas para as comunidades tradicionais da sua área rural, sensibilizou-se com o drama vivido por essa população. Tanto que o líder do governo estadual e pai do próprio governador se fizeram presente à reunião entre os líderes comunitários e os militares.
A paz perdida
Entre os anos 1950-1970, só a comunidade do Jatuarana foi responsável pela produção de 250 sacos de farinha. Havia fartura de peixe na região. Nesse período chegaram a viver 200 famílias só no lago do Jatuarana.
Hoje restam apenas 96 famílias. Certamente a criação da Zona Franca de Manaus, no final dos anos 1960, exerceu forte atração para aquelas famílias que demandavam por educação para seus filhos. Mas foi a pressão do Exército Nacional que forçou a migração indesejada.
Humilhação, acidentes e morte marcam o período que se inicia em 1997, e se estende até este ano de 2009, quando o Exército, já proprietário de milhares de hectares desde a rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara) até a fronteira da região do Jatuarana, passou ostensivamente a praticar o “treinamento de guerra na selva” no sítio das comunidades do Jatuarana, fazendo do lugar um verdadeiro inferno.
Arbitrariedades
Entre outras arbitrariedades, uma casa foi incendiada; outra foi ocupada ilegalmente, para supresa da família que deslocou-se para Manaus a tratamento de saúde; uma terceira foi erguida numa propriedade que não lhes pertence. Até a expansão do cemitério foi proibida, ele que serve a todas as comunidades, inclusive as situadas na outra margem do rio Amazonas, composta por um imenso território de várzeas, como: Tabocal, Careiro da Várzea, Terra Nova, costa do Paraná de Terra Nova, entre outros.
A morte do jovem Moisés, de 16 anos de idade, por um artefato explosivo continua, até hoje, sem que tenham sido estabelecidas as devidas responsabilidades. Seu Zelito, que teve costelas quebradas por um abalroamento de sua canoa por uma lancha do exército, com perda total do seu instrumento de trabalho, não recebeu assistência médica, nem teve ressarcimento dos danos provocados aos seus bens e à sua atividade.
Nunca houve intenção de promover qualquer benefício às comunidades tradicionais do Jatuarana por parte das autoridades militares. Nem uma escola sequer foi montada, como fizeram no passado a Colônia de Americanos, situada num dos extremos da costa do Jatuarana, que hoje têm título de propriedade, sem nenhuma ameaça de ter a paz quebrada por invasores.
Racismo ambiental
O surpreendente desconhecimento dos direitos daquela população é o mais forte indicativo de que estamos diante de mais um caso de racismo ambiental (ainda que não haja depredação do meio ambiente). A quem interessa desconhecer tais direitos senão àqueles que negam a história das comunidades tradicionais e que passam por cima de direitos de propriedade à terra secularmente ocupada?
O beiradão dos rios Negro e Amazonas, com suas populações tradicionais, vem comendo o pão que o diabo amassou. Construção de um terminal portuário na região das Lajes, expansão do distrito industrial de Manaus, terras invadidas para prática de “treinamento de guerra na selva”, tudo isso faz parte de um cenário em que políticas públicas, industriais e militares estão a merecer uma ampla discussão com a sociedade civil, sobretudo agora que a opinião pública passou a tomar conhecimento da dimensão dos impactos socio-ambientais de projetos a serviço de um projeto civilizatório que caducou. Nossas comunidades, especialmente as que mantém nossa floresta em pé, merecem viver com dignidade e respeito, bem como ter acesso a políticas públicas que atendam seus interesses.
Ontem, domingo, foi dia de reunir as comunidades, transmitir o acordo verbal com os militares, testemunhados pelo deputado estadual Sinésio Campos e o Sr. Carlos Braga, pai do governador Eduardo Braga. Até o dia 18 toda a documentação deve estar em mão, quando então se dará mais um cadastramento através das instituições governamentais do setor fundiário. Espera-se que desta vez seja definitivo, e que o conflito cesse de uma vez por todas.
novembro 11, 2009
Amazônia: Comunidade Tradicional x Exército Nacional
Doramir Viana da Cunha, presidente da Comunidade de Jatuarana, situada às margens do rio Amazonas, luta em defesa dos ribeirinhos (povos tradicionais), descendentes de indígenas. Eles estão sendo pressionados pelo Exército Nacional a deixar suas terras por um assentamento na região de Cuieiras, no rio Negro. A comunidade possui título de propriedade desde 1903.
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