Mostrando postagens com marcador Salvador Allende. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Salvador Allende. Mostrar todas as postagens

setembro 12, 2010

O Chile faz dos mineiros heróis, enquanto massacra os indígenas mapuches. Allende vive!

cjeusp | 26 de março de 2010
Documentário "Pela Razão ou Pela Força", do aluno Dennis Barbosa, do CJE-ECA da USP.

***

Allende não se rende, merda!

Por Dennis Barbosa
[18 de novembro de 2008 - 12h48]
Àquela altura, ele já devia saber que dificilmente sairia vivo se caísse nas mãos dos militares. Após mais de quatro horas sob tiros, gás lacrimogêneo e bombardeios, o líder manda que todos dentro de La Moneda formem uma fila para se entregar em uma porta lateral do edifício. Primeiro, levam uma bandeira e tentam sair pela porta da rua Morandé. Mas são disparadas rajadas de metralhadora e todos se atiram ao solo. Ainda assim, insistem, empurram a porta e saem. A fila subia pela escada desde a porta da Morandé até o segundo andar e seguia até atrás, por um corredor que dava nos refeitórios. O presidente começou a se despedir de todos. Dava a mão, agradecia e, por fim, entrou num pequeno salão ao final da fila. Ali, disse a si mesmo: “Allende não se rende, merda!”. Então sentou numa poltrona e disparou contra o queixo com a metralhadora.

Quem conta a história é Juan Seoane, chefe dos policiais civis que faziam a guarda pessoal de Salvador Allende e que resistiu junto com ele em La Moneda, no que foi um dos episódios mais emblemáticos da história da esquerda latino-americana. O dia era 11 de setembro de 1973 – há 30 anos, portanto – e o edifício estava cercado por forças golpistas sob o comando do general Augusto Pinochet. Dentro dele resistiam a tiros e bombardeio aéreo cerca de 50 pessoas próximas ao presidente, numa tentativa inútil de salvar a experiência da “via chilena ao socialismo, regada a vinho tinto e empanadas”, como gostava de dizer Allende.

O caso do Chile é extraordinário: três anos antes, por meio de eleição, uma coalizão heterogênea chamada Unidade Popular (UP) chegara ao poder com a proposta de implantar o socialismo. Abria-se caminho para uma revolução dentro da lei e do regime democrático. Em 4 de setembro de 1970, os chilenos tinham ido às urnas e Allende saíra vencedor com 36,3%, uma margem apertada sobre os 34,9% do direitista Jorge Alessandri (Partido Nacional) e dos 27,8% do democrata-cristão Radomiro Tomic. Isso é um bom exemplo de como o eleitorado estava cindido. O candidato socialista conseguira ser o mais votado graças a um forte trabalho de articulação dos setores de esquerda. A UP era a expressão de um nível de conscientização política incomum para o proletariado de um país subdesenvolvido como o Chile.

A lei chilena previa que, em não havendo concorrente com maioria absoluta, o Congresso escolheria entre os dois candidatos mais votados. A Democracia Cristã, que ficara de fora do segundo turno indireto, decide votar em Allende depois que este assume um acordo de garantias constitucionais. De posição centrista, a DC queria ter certeza de que as leis seriam cumpridas – o que, de certa forma, garantia que uma revolução não poderia ocorrer.

De fato, as propostas da UP suscitavam dúvidas quanto à possibilidade de se fazer transformações tão profundas respeitando uma constituição burguesa. Sua carta de 40 medidas feita para a eleição de 1970 incluía, por exemplo, a ruptura total com o Fundo Monetário Internacional e sanções drásticas contra a especulação e o delito econômico.

Dentro da própria esquerda houve amplos setores que, duvidando da via reformista, defenderam a revolução armada. “Nós éramos deputados amigos do presidente e nos chamavam de ‘barrigudos’, porque dizíamos como Allende, ‘damos um passo e o consolidamos, e, quando esse passo estiver consolidado, damos o outro’. Ou seja, não queríamos apressar nada. Mas havia muitos companheiros, muita juventude, muita gente que queria apressar o processo”, recorda Carmen Lazo, que confirma, no entanto, que mesmo os reformistas tinham o objetivo de, em alguns anos, extinguir o setor privado da economia.

Em princípio, o governo tinha uma proposta relativamente comedida de estatização de empresas. Mas, com o tempo, militantes mais radicais e operários começaram a tomar fábricas e exigir suas desapropriações. “Allende entrou num processo incontrolável. Chegou a nacionalizar fábrica de sorvetes”, comenta o jornalista brasileiro Newton Carlos, que acompanhou a trajetória da UP como correspondente da Folha de S. Paulo.

Sem descumprir leis, a UP fez transformações espantosas. Apenas dois meses após assumir, o “companheiro presidente” iniciou a estatização dos bancos. No mês seguinte, em fevereiro de 1971, deu início a um processo de reforma agrária que aprofundava consideravelmente o avanço que já havia feito seu antecessor, o democrata-cristão Eduardo Frei Montalva. “Em seis anos, Frei desapropriou 1.400 propriedades e, em três, Allende desapropriou mais de 4.000”, aponta Sergio Gomez, professor de História da Universidade Austral do Chile. “O que pretendia o governo de Frei era desapropriar o latifúndio improdutivo, estrutura agrária tradicional considerada economicamente ineficiente e socialmente injusta. Com Allende, havia um viés mais político, e o que se queria fazer era acabar com uma estrutura e com um grupo social. E essa estrutura não era só o latifúndio, mas também a grande burguesia agrária”. Pela lei do governo popular, seria desapropriada toda propriedade com mais de 80 hectares de irrigação básica.

O fato de que a Democracia Cristã já havia iniciado a reforma agrária nos anos 60 demonstra que até setores mais conservadores haviam aceitado a necessidade de dar alguma solução à massa camponesa marginalizada. A ampla reforma empreendida pela UP não só beneficiou os camponeses comuns como ajudou a aliviar também o grave problema dos índios. Desde a chegada dos colonizadores espanhóis, nações indígenas como a dos mapuches, povo historicamente conhecido como bravo e guerreiro, foram condenadas à miséria. A distribuição de terras era tão necessária e justa que mesmo Pinochet, quando tomou o poder e começou a reverter o processo de socialização da economia, manteve parte da reforma da UP, porque teve clara sua função redutora de tensões no campo.

A ação norte-americana Outra questão econômica importantíssima no Chile dos anos 70 foi a dos recursos minerais. “No governo de Allende, nós conseguimos fazer a nacionalização do cobre. E isso era um triunfo muito grande para o povo chileno porque, nessa época, o cobre era a viga-mestra da economia do país”, conta Carmen. A exemplo da estatização dos bancos, a nacionalização dos recursos minerais (em especial do cobre, que equivalia a 80% das exportações chilenas) bateu de frente com corporações transnacionais. A situação ficou ainda mais tensa quando o governo chegou à conclusão de que não indenizaria as companhias estrangeiras que controlavam as minas porque elas haviam obtido ganhos excessivos sobre uma riqueza natural que, em última análise, era patrimônio de todos os chilenos.

O aspecto do lucro excessivo pode ser comprovado facilmente com dados da época. A norte-americana Kennecot Copper Corporation, que explorava El Teniente, a maior mina subterrânea de cobre do mundo, tinha 13,16% de seus investimentos globais no Chile, mas conseguia 21,37% dos lucros no país. O desafio às grandes transnacionais custaria caro à UP. A Kennecot, junto com outras empresas como a ITT (companhia da área de telecomunicações que detinha 70% das ações da telefônica chilena Chitelco, na qual Allende interveio um mês após chegar ao poder) recorreu à agência norte-americana de inteligência para intervir no Chile. “Hoje se sabe que a ação da CIA foi muito mais profunda do que se pensava na época, desde antes das eleições de 1970”, aponta Newton Carlos. A participação da agência se dava das mais diversas maneiras, desde a concessão de financiamentos para a oposição até auxílio técnico para grupos terroristas como Patria y Libertad, organização de inspiração fascista liderada pelo advogado Pablo Rodriguez, que hoje trabalha normalmente em Santiago.

Em dezembro de 1972, Allende, em pronunciamento na Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque, denunciava que seu país era vítima de conspiração internacional e cita nominalmente a Kennecot e a ITT como participantes ativas na subversão de seu governo. Com o boicote das indústrias, do comércio e das transportadoras, tornou-se muito grave o problema do desabastecimento de produtos básicos no mercado. Ainda assim, o apoio nas classes baixas crescia graças aos avanços das reformas sociais, o que se torna claro nas votações seguintes à presidencial de 1970. Em abril de 1971, a UP obteve 50,25% do total de votos em eleições municipais. Em março de 1973, apesar da grave crise de desabastecimento provocada pela direita, a frente obteve 43,29% dos votos, aumentando sua representação parlamentar.

Aquele pleito foi decisivo porque frustrou a última esperança dos setores conservadores de tirarem Allende do poder constitucionalmente. Eles precisavam de mais duas cadeiras no Senado para que pudessem mover uma acusação contra ele. Contudo, tiveram a bancada reduzida e passaram a articular o golpe de Estado.

No dia 29 de junho de 1973, alguns tanques cercaram o palácio La Moneda exigindo a renúncia do presidente, em episódio que ficou conhecido como “tancazo”. Ao ver apenas aquele pequeno grupo de militares tentando derrubar um governo, se poderia concluir que era uma iniciativa patética, dado que foi facilmente controlada pelos setores legalistas das Forças Armadas, lideradas pelo general Carlos Prats, o então comandante-em-chefe. Contudo, a operação serviu para que os golpistas observassem toda a estratégia de defesa da UP, o que lhes permitiria agir de forma certeira no 11 de setembro.

Neste mesmo dia 29 de junho, centenas de milhares de pessoas se reuniram diante da sede presidencial para manifestar apoio a Allende. Essa e outras gigantescas manifestações, mesmo em duras épocas de crise, mostravam o envolvimento da classe trabalhadora. Por maior que fossem as dificuldades, grande parte das pessoas via o governo popular como legítimo representante de seus interesses. Medidas como o aumento de salários, o fornecimento de meio litro de leite por dia a cada criança ou o reconhecimento das empregadas domésticas como trabalhadoras com direitos, entre outras, tinham forte impacto numa população acostumada a governos defensores somente dos interesses das elites.

A situação do país era tensa e havia consciência por parte do governo de que setores das Forças Armadas iriam tentar um golpe. Contudo, não houve preparação para uma resistência. “Não podíamos acreditar que neste país, que vivia em paz, que tinha um presidente democraticamente eleito, poderia ocorrer uma coisa como essa”, confessa a ex-deputada Carmen Lazo. Ela revela que o golpe foi possível em grande medida porque o governo, com a intenção de evitar uma guerra civil, fez vistas grossas à sanha golpista dos setores conservadores.

Allende, em especial, era muito preocupado com a possibilidade de um banho de sangue. Quando soube que o golpe efetivamente estava em andamento, correu para La Moneda e pediu por rádio que a população não reagisse. Sabia que muita gente estaria disposta a sair às ruas, mas tinha consciência de que isso resultaria num massacre.

“No dia 10 de setembro cheguei tarde em casa e na manhã do dia 11 me despertaram pelas 6h30, 7h. Era uma chamada da residência presidencial dizendo que havia ocorrido um movimento da Marinha em Valparaiso e que o presidente se trasladava para La Moneda”, relembra Juan Seoane.

Seoane lembra que, ao contrário do que parece hoje, Pinochet não foi o mentor da intentona. “Somente no domingo, dia 10 de setembro, vão à sua casa e o comprometem no golpe. Ele, ao ver que a Força Aérea, a Marinha e os Carabineros (corporação equivalente à Polícia Militar brasileira) estão a favor e vão dá-lo, resolve aderir.” O general era comandante-em-chefe das Forças Armadas e, ainda no dia do golpe, Allende pensava que lhe era fiel. Não imaginava que no dia anterior havia mudado de lado.

De um lugar isolado na cordilheira que cerca Santiago, o futuro ditador comandava a Junta Militar de Governo que se formara para derrubar o governo popular. Uma gravação da comunicação por rádio do comando golpista, trazida a público anos depois, mostra sua irritação com o fato de um pequeno grupo tentar resistir em La Moneda mesmo com quase todo o país já sob controle. Oferece um avião para que Allende saia do país. “E o avião cai enquanto está voando”, diz aos risos o almirante que intermedeia as negociações de rendição com o palácio presidencial. Allende não se rendeu e até hoje o Chile colhe os frutos de diversas medidas de ampliação da rede social e de democratização tomadas em seu governo. E o líder chileno permanece como referência para a esquerda da América Latina. Tanto nas razões de seu sucesso, como de seu fracasso.

Dennis Barbosa (adler@intercall.com.br) esteve no Chile e produziu um vídeo Pela razão ou pela força. Caso haja interesse em veicular o trabalho em universidades, escolas, sindicatos e ONGs, basta entrar em contato com a redação da Fórum.

setembro 11, 2010

Em memória de Salvador Allende - 11 de setembro de 1973

Carlos Latuff

Setembro se chama Allende

O Chile vive três datas especiais e dois dramas profundamente entrelaçados. Este mês comemora-se o 40° aniversário da histórica vitória de Salvador Allende e da Unidade Popular nas eleições presidenciais. Naquele 4 de setembro de 1970, o povo chileno abriu as portas da história e empreendeu um profundo processo de transformações econômicas, sociais, culturais e políticas. A “via chilena para o socialismo” só foi derrotada pelo golpe de Estado de 11 de setembro de 1973 - que este ano completa 37 anos – protagonizado pelas Forças Armadas, mas estimulado pela direita, pela Democracia Cristã, pela burguesia e por Washington. O artigo é de Mario Amorós.

Essas datas são provavelmente as jornadas mais relevantes dos dois séculos de história republicana, junto com o 18 de setembro de 1810, quando se estabeleceu a primeira Junta Nacional de Governo, que abriu o caminho para o processo de independência finalizado em 1818 e que, depois de uma década convulsionada, culminou entre 1829 e 1833 com a imposição de um férreo estado oligárquico que se manteve até a vitória da Frente Popular, em 1938, da qual Salvador Allende foi um destacado dirigente.

Último discurso de Salvador Allende: 




nopiedra | 11 de setembro de 2007

Seguramente ésta será la última oportunidad en que pueda dirigirme a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Postales y Radio Corporación. Mis palabras no tienen amargura sino decepción Que sean ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron: soldados de Chile, comandantes en jefe titulares, el almirante Merino, que se ha autodesignado comandante de la Armada, más el señor Mendoza, general rastrero que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al Gobierno, y que también se ha autodenominado Director General de carabineros. Ante estos hechos sólo me cabe decir a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar! Colocado en un tránsito histórico, pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que hemos entregado a la conciencia digna de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente. Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos.

Trabajadores de mi Patria: quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la ley, y así lo hizo. En este momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes, quiero que aprovechen la lección: el capital foráneo, el imperialismo, unidos a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que les enseñara el general Schneider y reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas esperando con mano ajena reconquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.

Me dirijo, sobre todo, a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros, a la abuela que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños. Me dirijo a los profesionales de la Patria, a los profesionales patriotas que siguieron trabajando contra la sedición auspiciada por los colegios profesionales, colegios de clases para defender también las ventajas de una sociedad capitalista de unos pocos.
Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron y entregaron su alegría y su espíritu de lucha. Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos, porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente; en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando las vías férreas, destruyendo lo oleoductos y los gaseoductos, frente al silencio de quienes tenían la obligación de proceder. Estaban comprometidos. La historia los juzgará.

Seguramente Radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz ya no llegará a ustedes. No importa. La seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes. Por lo menos mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal con la Patria.

El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse.
Trabajadores de mi Patria, tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo en el que la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo se abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre, para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano, tengo la certeza de que, por lo menos, será una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.

A uma semana da comemoração do bicentenário da independência, 33 trabalhadores permanecem sepultados desde o dia 5 de agosto a 700 metros de profundidade na mina San José, devido às condições de exploração em que executavam sua tarefa, reconhecidas – a posteriori – pelos proprietários da mina e pelo próprio governo de Sebastián Piñera. Além disso, 34 presos políticos mapuches estão em greve de fome desde o dia 12 de julho. Se, contra o movimento operário, o governo aplica o restritivo Código do Trabalho, imposto pela ditadura em 1980, as mobilizações dos mapuches em defesa de seus territórios e de sua demanda de autonomia são brutalmente reprimidas e sancionadas penalmente com o recurso à Lei Antiterrorista que Pinochet aprovou em 1984.

Os estudos mais recentes confirmam que o Chile é um dos países onde a brecha entre ricos e pobres é mais acentuada, aproximando-se aos níveis encontrados, por exemplo, no Haiti, produto de políticas neoliberais cujas diretrizes a Concertação manteve inalteradas durante 20 anos e que, desde 11 de março, são impulsionadas por seu verdadeiro motor, uma direita de novo tipo, filha da contrarrevolução pinochetista e solidamente implantada no mundo popular.

Leia mais:
Chile à direita: alerta no continente 
Após derrota nas urnas, jovens exigem renúncia dos líderes da Concertação
Hoje na História: 1970 - Salvador Allende ganha primeiro turno de eleição no Chile
Hoje na história - 1973: Morte de Allende marca o início da ditadura militar no Chile

Piñera prepara-se para viver seu primeiro 11 de setembro no Palácio la Moneda e para presidir os múltiplos atos do bicentenário com um insistente e retórico chamado à “unidade nacional”. Enquanto isso, os quatro partidos que integram a Concertação acabam de renovar suas direções para enfrentar o novo ciclo eleitoral que já aparece no horizonte, as eleições municipais de 2012 e as eleições parlamentares e presidenciais de 2013. O Partido Comunista está mergulhado nos debates de seu XXIV Congresso.

Para além da incógnita sobre o próximo candidato presidencial da Concertação (o que dependerá essencialmente da vontade de Michelle Bachelet, que conserva uma enorme aprovação popular), a encruzilhada que esta coalizão e as forças de esquerda deverão enfrentar no médio prazo reside na possibilidade de construir mais do que uma aliança pontual, como a que permitiu eleger em dezembro três deputados comunistas pela primeira vez desde 1973, costurando um acordo político e programático que permita abrir um novo período.

Às vezes são os pequenos gestos ou resultados os que mudam a história. No dia 15 de março de 1964 a inesperada vitória da esquerda em uma votação parcial para eleger um deputado em Curicó levou a direita a não apresentar um candidato próprio e a apoiar o social cristão Eduardo Frei Montalva, que derrotou Allende em setembro daquele ano. Há apenas um mês, na cidade de Penco, na região do Biobío, os dirigentes locais da Concertação e o Partido Comunista assinaram um acordo para unir-se desde o início nas eleições de 2012 com o objetivo de derrotar a direita, que atualmente governa a prefeitura.

O debate sobre suas projeções nacionais já está instalado na agenda política. A direita não tardou em exibir seu anticomunismo mais rude e na Democracia Cristã seguramente persistirão as dúvidas até o último momento. Enquanto isso, o Partido Socialista mostra-se favorável a explorar um pacto, assim como o Partido Comunista, na direção de uma ampla convergência de forças políticas e sociais para conquistar um governo “de novo tipo” que deixe para trás os dogmas neoliberais e possibilite o pleno desenvolvimento democrático do país.

A 37 anos do bombardeio do palácio de La Moneda e do início de uma cruel ditadura, a memória de Salvador Allende e da Unidade Popular iluminam esse caminho. Precisamente, aquela noite inesquecível de 4 de setembro de 1970, quando deixou de ser o “companheiro Allende” para converter-se no “companheiro presidente”, e acabou seu discurso na Alameda de Santiago, diante de milhares de pessoas que festejavam a vitória da UP, com palavras plenas do afeto sincero com o qual sempre se dirigiu aos trabalhadores e que mantém absoluta atualidade: “Esta noite, quando acariciarem seus filhos, quando buscarem o descanso, pensem na manhã dura que teremos pela frente, quando precisaremos colocar mais paixão, mais carinho, para fazer o Chile cada vez maior e tornar cada vez mais justa a vida em nossa pátria”.


* Mario Amorós é doutor em História e jornalista. Autor de Companheiro Presidente. Salvador Allende, uma vida pela democracia e pelo socialismo. Artigo publicado no jornal Público, de Madri e reproduzido pela Carta Maior   


Fonte: Opera Mundi

janeiro 18, 2010

Vergüenza: direita en Chile vulve al poder


Salvador Allende en la Universidad de Guadalajara, México diciembre 1972

***

Direita volta ao poder no Chile pelas mãos do bilionário Sebastian Piñera, que admite reintroduzir colaboradores de Pinochet no comando do Estado
(Carta Maior e o passo seguinte da história na AL; 17-01)

Fonte: Carta Maior

VERGONHA: Um povo que elegeu o imortal Salvador Allende, agora paga o preço da omissão. Com alto índice de abstenção, a direita chilena retorna ao poder e ameaça tirar múmias do sarcófago. Enquanto isso, 13 bases militares norte-americanas estão ao redor da Venezuela. 2010 vai exigir união da América Latina contra o Império, interessado em enfraquecer a liderança Brasil na região. A direita brasileira vai jogar todo o peso na candidatura de Zé "Alagão" Serra - até a Marina "Traíra" Silva entrou nessa, depos que o Fernando "Guerrilheiro Arrependido" Gabeira, do PV fechou com a candidatura do governador de São Paulo. Vamos ter muito trabalho. Só tem um detalhe: aqui, o buraco é mais embaixo.

novembro 28, 2009

Víctor Jara vive

En memoria de Victor Yara
Seguidores del cantautor chileno depositan velas delante del estadio donde fue arrojado su cuerpo sin vida en 1973.
REUTERS - 28/11/2009 - www.elpais.com

El cantautor Víctor Jara recibirá un funeral 36 años después de su muerte

La justicia no ha logrado dar aún con todos los responsables del asesinato

MANUEL DÉLANO - Santiago - 28/11/2009

La familia del cantautor y director teatral chileno Víctor Jara prepara un homenaje en su honor para el 5 de diciembre. Se trata del funeral masivo que no pudo tener cuando fue asesinado por los militares poco después del golpe que derrocó en 1973 al presidente Salvador Allende.

Los restos de uno de los artistas chilenos más universales, creador de Te recuerdo Amanda y El cigarrito, que hoy interpretan cantantes de la talla de Joan Manuel Serrat y Víctor Manuel, entre otros, serán nuevamente entregados a sus familiares. Esto se produce después de que un examen de peritos, ordenado por el juez que investiga este crimen, encontró más de 30 heridas de bala y huellas de torturas en los huesos de Jara.

El velatorio del cantautor comenzará el jueves 3 de diciembre con actos de homenaje que se extenderán durante día y noche de forma ininterrumpida hasta el sábado en el céntrico teatro que lleva su nombre. De esta manera, los chilenos podrán despedir a Jara en su segundo tránsito al Cementerio General de Santiago, donde será sepultado.
Su despedida se desarrollará con canciones, música, danza y lecturas de poesía, con el estilo del cantautor, que siendo pequeño acompañó a su madre a los velorios campesinos. Una manta roja cubrirá el ataúd, y el cortejo marchará a pie el sábado desde la Fundación Jara hasta el cementerio.

"Víctor pertenece al pueblo, a todos aquellos que han seguido y admirado su obra", afirmó Gloria Köning, directora ejecutiva de la Fundación Víctor Jara. "Acondicionaremos el lugar para que todos los artistas y las personas que deseen participar de este funeral lo puedan hacer dejando una flor, acompañándolo o rindiéndole un tributo", agregó.

Tras la exhumación del cuerpo, ordenada por el juez Juan Fuentes, sus restos fueron analizados por especialistas del Servicio Médico Legal (SML). Las muestras de su ADN y de sus familiares fueron enviadas al Instituto Genético de Innsbruck en Austria, donde confirmaron su identidad.

El informe médico del SML sostiene que los restos de Jara presentan "múltiples fracturas por heridas de bala que provocaron un shock hemorrágico en un contexto de tipo homicida". Algunas de sus lesiones óseas fueron provocadas por "objetos contundentes", sostuvo el director del SML, Patricio Bustos.

Hace 36 años, en septiembre de 1973, durante los primeros días de la dictadura del general Augusto Pinochet, al semiclandestino funeral del cantautor sólo pudieron asistir su viuda, Joan Jara, y dos personas más. Los restos del cantautor estuvieron a punto de perderse, como los de muchas otras víctimas.

Jara, un versátil creador, hijo de campesinos humildes, que militaba en el Partido Comunista, fue tomado prisionero por los militares en la Universidad Técnica del Estado, donde trabajaba, y permaneció con 600 estudiantes y profesores para defender el Gobierno de Allende. Los militares lo trasladaron al Estadio Chile, hoy bautizado como Víctor Jara, donde después de torturarlo lo acribillaron en el subterráneo del lugar, arrojando su cuerpo y los de otras víctimas junto al muro de un cementerio en el sur de la capital.

Reconocido por vecinos del lugar, fue trasladado al SML, donde quedó entre cientos de otros cuerpos. Un trabajador del Servicio Médico Legal avisó a la viuda y ésta pudo rescatar el cuerpo y sepultarlo.

La investigación judicial no ha dado todavía con todos los responsables del crimen. El conscripto José Paredes, que confesó haber disparado contra el cantautor y después se retractó, y el coronel Mario Manríquez, que dirigió el campo de prisioneros instalado en el Estadio Chile, están procesados por este caso.

Fonte: El País
Posted by Picasa