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novembro 08, 2010

Plínio Arruda Sampaio: a esquerda que a direita adora

PICICA: Depois de um percentual inexpressivo como candidato à presidência da república, passando pela pregação do voto nulo, desta vez Plínio de Arruda Sampaio se supera em matéria de esquisitices políticas ao declarar que preferia Serra do que Dilma, numa nova versão do "quanto pior, melhor". Segundo ele, Serra, como é do seu estilo, ao reprimir os movimentos sociais, uniria a esquerda. Patético!
Plínio de Arruda Sampaio - Imagem postada emuniversitarioskariri.blogspot.com


A esquerda que a direita adora: Plínio afirma que preferiria governo Serra ao de Dilma

Toda vez que esse patético Plínio de Arruda Sampaio abre a boca sinto vergonha alheia. É o típico esquerdista que a direita adora. Enquanto eles ficam sentados sonhando com um mundo ideal e votando moções pela ordem, a direita fica livre para governar.

Não satisfeito em pregar o voto nulo no segundo turno, o candidato do PSOL agora afirma que preferia Serra no governo, pois este iria reprimir os movimentos sociais o que, na lógica tresloucada do ultra-esquerdista-utópico, é a melhor coisa para fazer a esquerda se unir!

Vamos então combinar uma coisa para testar a teoria dele: recomendo à turma do PSOL, PSTU e PCO que façam uma manifestação em frente ao palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Depois que a PM descer o cacete neles, aí a gente vê se resolveram deixar os sectarismos de lado e se uniram em torno de causa única! Que tal? Combinado?

Plínio afirma que preferiria governo Serra ao de Dilma

Para a esquerda, segundo ele, "repressão" é melhor do que "cooptação"

- Por Redação da Rede Brasil Atual
São Paulo – O quarto colocado na disputa presidencial, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) declarou preferir um governo de repressão a um de cooptação. Os termos foram usados por ele para definir, respectivamente, o que seria um governo comandado por José Serra (PSDB), candidato derrotado no segundo turno, e o que foi o governo Lula. As declarações constam de entrevista concedida à edição digital do Jornal do Brasil.

Plínio deixa claro que considera que um eventual novo governo encabeçado pelo PSDB "seria ruim também". Ele avalia que a gestão de Dilma Rousseff, eleita no dia 31, é "um horror", e que ocorrerá uma nova forma de mensalão. "No (eventual governo) Serra, temos a repressão, em Lula a cooptação", qualificou. "Acho mais favorável (para a esquerda) a repressão, que aliás já enfrentei. Mas é melhor porque a repressão unifica, as pessoas se unem, vão para as ruas", especulou.

O candidato Plínio avalia que seu partido sai fortalecido do pleito, por ter aumentado as bancadas federal e estaduais, conquistando a "hegemonia da esquerda". "O PSOL saiu unido, um partido de opinião pública. Ninguém duvida que o partido que faz oposição real é o PSOL, lugar que o PT já ocupou e que deixou vago", analisou.

O melhor momento da campanha eleitoral, na avaliação do promotor de Justiça aposentado, foram os debates. "Furei uma barreira de omissão, porque a estratégia da direita não se dirigia contra mim, mas contra o que eu falava, porque a burguesia, apesar da hegemonia em que se encontra, tem medo do povo. É um traço sociológico conhecido", criticou.

Ainda na entrevista, Plínio defende uma reforma tributária com taxação sobre grandes fortunas para garantir recursos suficientes para arcar com um salário mínimo de R$ 2 mil. O valor foi defendido na campanha eleitoral a partir do valor calculado mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) como necessário para assegurar o preceito constitucional que estabelece o piso salarial nacional.

Plínio defendeu ainda o não pagamento da dívida pública. "Só aí, seria R$ 280 bilhões para isso (bancar o aumento do salário mínimo)". Ele promete nem passar perto do Palácio do Planalto, quando questionado se aceitaria algum cargo no governo Dilma. E ainda afirmou que o PSOL representa uma opção contra o regime capitalista, cuja "lógica interna é perversa, excludente por natureza e perpetuadora da desigualdade".


Fonte: Tudo em Cima

novembro 03, 2010

Eleitor em gozo com a vitória de Dilma

PICICA: Três dias depois da vitória de Dilma, eleitor não para de gozar com a derrota da direita brasileira. Leia, também, O mapa da votação e veja o resultado da eleição que definiu o futuro do Brasil. Recomendamos, também, a leitura de O preconceito que se esconde por trás do mapa vermelho e azul.
Crônica

Eu gostei, gostei muito…
De ver o Demétrio Magnoli, no início da noite de domingo (31.10), na Band, bradar aos quatro cantos do mundo que os institutos de pesquisas (Datafolha, Ibope, Sensus e Vox  Populi) tinham errado feio sobre os resultados das urnas. Ele disso isso quando o TSE divulgou que apenas 65% dos votos tinham sido apurados. Ele também afirmou que os institutos tinham sido “cabos eleitorais” da candidata Dilma, pois induziram o eleitor a pensar que Serra perderia a eleição! Depois teve que engolir a diferença entre a candidata vencedora e o candidato derrotado, que chegou a 12%, prognóstico feito pela maioria dos institutos de pesquisa. Magnoli deverá voltar a escrever seus livros de geografia para o ensino médio e abandonar a carreira de “tudólogo” da direita!   

Eu gostei, gostei muito...
De ver o povo brasileiro votando na Dilma. O Serra disse que os votos da candidata do PT seriam dos brasileiros que vivem nas regiões mais atrasadas do país: Norte e Nordeste. Era o voto dos “militantes do Bolsa Família e do Luz para Todos”! Ele se esqueceu do PAC, da retomada indústria Naval, das Universidades Federais e das Escolas Técnicas que beneficiaram milhares de brasileiros em todos os estados. Foi por isso que a candidata Dilma Rousself foi bem votada em todas as regiões do país...
Votos para Presidente
Candidatos
Votos
Dilma
55.752.529 (56,05%)
José Serra
43.711.388 (43,95%)
Fonte: http://eleicoes.terra.com.br/apuracao/

Eu gostei, gostei muito...
Do Serra admitindo a derrota para a Dilma. Era um Serra humilde, cabisbaixo, talvez se perguntando: onde foi que eu errei! Serra agradeceu aos eleitores do país pelos seus quase 44 milhões de votos. No discurso foi mal agradecido, pois deixou de lado as pessoas que lhe ajudaram a disputar o segundo turno da eleição presidencial. Por isso, estou terminando o discurso do Serra...

“... agradeço também aos militantes do PSDB que usaram a internet para espalhar o medo, o preconceito e a intolerância religiosa. Agradeço também aos jornais Folha de São Paulo, Estadão e O Globo, implacáveis em minha defesa. Agradeço às TVs Globo, SBT e BAND que fizerem de tudo para garantir minha presença no segundo turno. Um abraço especial à Revista Veja, que descobriu a Erenice! Te amo Veja! Também não poderia deixar de desabafar, de desabafar contra alguns pretensos amigos. O primeiro desabafo será contra a minha esposa, que comentou com terceiros alguns segredos da alcova. O segundo desabafo será contra o Paulo Preto, que desapareceu com um dinheiro que não era seu. Por isso, continuarei chamando o Paulo Preto de Paulo Preto. O terceiro desabafo será contra o Molina que, ao invés de ajudar, atrapalhou minha campanha! Por que o Jornal Nacional contratou esse cara para validar uma cena teatral? Afinal de contas, ele é perito ou diretor de cinema? O quarto desabafo será contra o FHC, que participou da minha caminhada em São Paulo com um sapato comprado na rua 25 de março! O caso mereceu mais holofotes do que o encerramento de minha campanha. O quinto desabafo será contra aquele  sujeito que jogou aquela bolinha de papel na hora e no lugar errados. Será que não tinha nenhuma pedra no caminho dele? O sexto desabafo será contra  os nordestinos, que tratam o Lula como se ele fosse um Antônio Conselheiro! E o último desabafo será contra o Aécio Neves, que fingiu um orgasmo pela minha candidatura no segundo turno! Devia ter ouvido o que dizia  Nelson Rodrigues: mineiro só é solidário no câncer!”

Eu gostei, gostei muito...
Das intenções de votos na candidata Dilma nos quatro principais colégios eleitorais do país. Em Minas Gerais, Dilma abateu Serra com 16% de vantagem (Dilma 58,45% dos votos, contra 41,55% de Serra). Já em São Paulo, a vantagem foi de Serra, que ficou em 8% (Serra 54% dos votos, contra 46% da Dilma).  No Rio de Janeiro, a diferença de Dilma para Serra foi de 20,96% (Dilma obteve 60,48% dos votos, contra 39,52% de Serra). Na Bahia, a diferença de Dilma sobre Serra ficou em quase 42% (Dilma obteve 70,45% dos votos, contra 29,15% de Serra). Segundo alguns comentaristas, Dilma venceria José Serra mesmo sem os votos do Nordeste. Isso demonstra que a elite da Região Sul virou classe média e votou em Dilma! Ou que a classe média de São Paulo e de Minas ficou mais pobre, passado a receber o bolsa família, por isso, votou em Dilma! Deixo o estudo para os sociólogos!

Eu gostei, gostei muito...
Dos maiores percentuais de votos da candidata Dilma, que ocorreram no Maranhão e no Amazonas. No Maranhão, por exemplo, Dilma obteve 79,01% dos votos validos, contra 20,91% de Serra (diferença de aproximadamente 58%). Mas o maior massacre foi no Amazonas, com 80,57% dos votos cravados em Dilma, contra 19,43% de Serra (uma diferença de 61% dos votos). No Amazonas, Serra teve menos votos que o Arthur Neto! Por isso, em 2014, quero Arthur Neto presidente!

Eu gostei, gostei muito...
Da postura da Dilma, ao conceder a primeira entrevista, depois de eleita presidente, para duas jornalistas da TV Record, Ana Paula Padrão e Adriana Araújo. Somente depois, Dilma deu entrevista ao Jornal Nacional, do Bonner. Nunca na história deste país um presidente havia preterido a Globo. Essa mulher vai dar trabalho... E o Bonner não podia anunciar que a entrevista era exclusiva! Foi um golpe certeiro, com a ternura feminina. Este ano duas grandes figuras peitaram a Globo, o Dunga e a Dilma. Mas o primeiro foi derrotado, a segunda, vitoriosa. Na Record, Dilma tratou de política, economia e liberdade de imprensa. Na Globo, as amenidades de sempre... O que será que vai acontecer com a mídia nestes próximos quatro anos? Eu acredito que os impressos fecharão as portas (Folha, O Globo e Estadão e revista Veja). O governo de São Paulo não renovará as assinaturas dos jornais Folha e Estadão e das revistas da Abril. O Alckmin deverá editar sua própria revista, talvez com dinheiro da OPUS DEI! A Folha Universal terá mais assinantes e anunciantes do que a Folha de São Paulo! O “companheiro” Edir Macedo vai querer massacrar a Globo. Confesso, ultimamente tenho lido a Folha Universal escondido de meus  familiares, todos católicos...

Eu gostei, gostei muito...
Da vitória da Dilma nesta eleição. Ela teve encarar o preconceito do Serra e dos e-mails divulgados pela internet. Ela não criticou o apoio explícito da mídia ao candidato tucano. Ela deixou a Papa calado, que quase pediu votos para o Serra! Ela nocauteou a Globo, quando concedeu a primeira entrevista para a Record. Ela foi firme durante toda a campanha e dura quando houve necessidade, especialmente no primeiro debate do segundo turno, ocorrido na Band.  Ela é Dilma Rousself, do PT, que conseguiu colocar a “mulher brasileira em primeiro lugar”...

Br, 02 de novembro de  2010
Abraços
Frederico A. Passos
Elogios, críticas, sugestões e convites para festas, exceto batizado e primeira comunhão, para:

setembro 12, 2010

Disputa eleitoral no Brasil nunca foi civilizada. Só que, desta vez, vão pro mesmo saco a direita e a esquerda fingida.

José "Nosferatu" Serra
A Quem Interessa
Wladimir Pomar

8-set-2010 - Correio de Cidadania
Nas investigações policiais, o processo mais comum para deslindar crimes consiste em descobrir o motivo, ou os motivos. Em outras palavras, simplesmente começar pela pergunta "a quem interessa?".

Aliás, esta parece ser a pergunta que o povão está se fazendo diante da denúncia da campanha Serra sobre o suposto envolvimento da candidata Dilma na obtenção de dados sigilosos da filha e de correligionários do tucano-pefelista.

Como uma candidata, que está mais de 20 pontos na frente de seu concorrente, e periga ganhar no primeiro turno, pode ter interesse numa operação desse tipo? E, para fazer o quê? Numa situação de tal vantagem, somente alguém totalmente estúpido poderia cometer um erro tão grande. Portanto, não é preciso ser um luminar de inteligência para chegar à conclusão de que a candidata Dilma não tem interesse ou motivo algum para cometer um crime como esse.

Por outro lado, o mesmo não se pode dizer da campanha do candidato Serra. Não deixa de ser suspeito que sua denúncia tenha aparecido logo após as pesquisas de opinião haverem indicado que as preferências eleitorais em torno de seu nome estavam em queda livre, enquanto a candidata petista apresentava uma tendência de ascensão.

Também não deixa de ser suspeito que o próprio candidato tucano-pefelista tenha se apressado a dizer, com a certeza de quem conhece o fio da meada, que o PT e a ex-ministra Dilma eram os responsáveis pela suposta quebra do sigilo de sua filha. No jargão popular, isso se parece muito com a história do ladrão que, para escapar da perseguição, se torna a principal voz nos gritos de "pega ladrão".

O histórico do candidato Serra, nesses tipos de armação, também é público e notório. O que parece lhe haver rendido inimigos históricos, como o ex-presidente Sarney e sua filha Roseana, envolvidos num rumoroso caso policial no Maranhão, cuja origem teima em apontar para o ex-governador de São Paulo. Algo idêntico parece haver ocorrido na disputa entre os pré-candidatos tucanos ao governo de São Paulo, em 2006, na qual o pré-candidato Alckmin saiu razoavelmente chamuscado por denúncias anônimas.

A descoberta de que a fraude na assinatura da petição dos dados da filha do candidato Serra à Receita Federal (até agora não se sabe se os dados foram realmente obtidos) foi cometida por um contador de Mauá, filiado ao PT, em 2003, permanece nebulosa. Ela parece tanto com descoberta das "provas" plantadas pelos órgãos repressivos da ditadura militar para incriminar seus prisioneiros quanto com a "compra" de serviços de pessoas dispostas a cometer vilanias por algum dinheiro. Na história das eleições brasileiras, jamais se deve esquecer o caso Lurian como um paradigma nesse comércio de ações vis.

Na situação atual, para piorar, a evidência do desespero diante do espaço aberto pela candidatura Dilma sobre seu concorrente aponta este último como único interessado. Apenas ele tem motivos para criar um fato político desse tipo, mesmo tenebroso, para reverter o processo. Nessas condições, se a polícia fizer um bom perfil dos envolvidos e dos interesses de cada um, ela provavelmente deslindará a trama com certa rapidez.

Por outro lado, essa ação também traz à luz o que realmente está em disputa. E acaba com as ilusões daqueles que achavam possível realizar uma disputa eleitoral civilizada e não se prepararam para uma ocasião como essa.

A vitória do PT e Dilma, mesmo numa coalizão que inclui agrupamentos políticos de direita, representará um acerto de contas fatal para qualquer soerguimento da ideologia e das políticas neoliberais. Elas até continuarão existindo, mas sua expressão política como direita reacionária se verá obrigada a uma reestruturação para a qual não se preparou, abrindo chances para um avanço ainda maior das políticas democráticas e populares do governo.

O impacto da derrota da direita reacionária, cuja expressão é a coalizão PSDB-PFL (DEM é só para quem não sabe do engano), também será fatal para aqueles setores da esquerda que se aliaram a essa direita, formal ou informalmente, mesmo fingindo supostamente ter saído pela esquerda contra o governo Lula. Não por acaso a candidata Marina se apressou, afoitamente, a responsabilizar o governo pela fraude na assinatura da filha do candidato tucano-pefelista. Ao invés de uma candidata independente, pareceu, cada vez mais, uma voz ou um braço auxiliar do tucanato, numa trama suja da qual não precisava participar.

Wladimir Pomar é escritor e analista político

maio 05, 2010

Direita brasileira quer acabar com o Mercosul

 
warehouse1001 20 de dezembro de 2008 — O presidente Lula participa da reunião do Mercosul.

Nota do blog: Enquanto apenas o porta-voz da direita brasileira se insurgia contra o Mercosul, não havia muitos motivos para preocupação. Agora é o proprio representante da direita brasileira quem anuncia que, se eleito, porá um fim no Mercosul. Serra pirou o cabeção. Os mais sérios analistas políticos alertam: uma eventual vitória de Serra trará enormer prejuízos ao país e para a América Latina. Leia mais sobre esse delírio da direita brasileira no artigo de Flávio Aguiar: O anacrônico Serra.

***

Serra contra o Mercosul: o auge das direitas loucas na América Latina 

Serra propõe substituir o Mercosul e as demais alianças regionais por tratados de livre comércio. A retirada política do Brasil significaria um decisivo aumento da influência dos EUA na América Latina, abrindo o caminho para suas estratégias de desestabilização e conquista. No esquema Serra, sem a rede protetora de aproximações e acordos políticos, econômicos e culturais, o Brasil teria só um caminho em sua política comercial: o da competição selvagem apoiada por salários e impostos reduzidos, na miséria crescente do grosso de sua população, no apequenamento do Estado e na expansão das estruturas repressivas para manter a ordem social e política. A análise é de Jorge Beinstein.
As declarações hostis ao Mercosul feitas por José Serra diante de empresários da Federação de Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), deveriam ser tomadas como um sinal de alarme não só no Brasil, mas também na maior parte dos países da região. Como assinalou recentemente um jornal de Buenos Aires, essa grosseria está em aberta contradição com o fato de que cerca de 90% das exportações do Brasil são compradas pelos países do Mercosul e de outros da América Latina (1). As declarações do candidato direitista aparecem como um convite ao suicídio do sistema industrial brasileiro que ficaria exposto à feroz concorrência na América Latina de países desesperados por aumentar suas vendas. A China, por exemplo, que acaba de registrar em março deste ano seu primeiro déficit comercial mensal do último qüinqüênio e cujas exportações (em sua quase totalidade industriais) caíram em 2009 cerca de 16% em comparação a 2008. Mas também de gigantes econômicos como Alemanha e outras economias européias de alto e médio desenvolvimento, ou dos Estados Unidos, todos eles acossados pela contração do comércio internacional provocada pela crise.

A proposta de Serra de revisar os acordos do Mercosul (considerado por ele como uma farsa e um obstáculo), apontando, como ele mesmo proclama, para sua “flexibilização”, reduzindo ao mínimo o processo de integração econômica, política e social até chegar mesmo a sua eliminação foi recebida com grande alegria pelos círculos mais reacionários da América latina e dos Estados Unidos. A publicação América Economia deu à notícia uma imagem de ruptura apocalíptica, destacando “José Serra reafirma que não quer que Brasil continue no Mercosul” (2).

Se Serra chega à presidência e aplica sua promessa de liquidação do Mercosul, estaria dando um terrível golpe contra uma das maiores proezas econômicas do Brasil: o boom de suas exportações que passaram de 58,2 bilhões de dólares em 2001 para 197,9 bilhões de dólares em 2008 (um aumento de 340%) (3). Como se sabe, as exportações brasileiras caíram cerca de 22% em 2009 devido à crise internacional, mas essa queda teria sido ainda maior sem a existência da retaguarda latinoamericana, sem esses países vizinhos ligados ao Brasil por múltiplos laços econômicos, políticos e culturais. Romper ou “flexibilizar” esses laços em um contexto internacional como o atual, marcado por uma crise que vai se agravando seria uma loucura. O Brasil estaria dando de presente uma importante porção dos mercados regionais a competidores de todos os continentes.

Integrações periféricas, deterioração das velhas potências centrais
A proposta de Serra vai na contramão da tendência global dominante rumo às integrações periféricas que aparecem como respostas às crescentes dificuldades das economias das potências centrais (EUA, União Européia e Japão). Neste início de 2010, a China firmou um acordo de integração comercial com os países do Sudeste Asiáico agrupados na ASEAN (4), envolvendo mercados onde vivem quase 1,9 bilhão de pessoas. Poucos meses antes, foi firmado um acordo similar entre a ASEAN e a Índia. Somados os dois acordos e as populações envolvidas (China, Índia e países da ASEAN) chegamos a cerca de 3 bilhões de pessoas, ou seja, cerca de 45% da população mundial. Esse processo está relacionado também com a integração entre China e Rússia, onde um dos baluartes é a Organização de Cooperação de Shangai que agrupa as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central e tem como observadores em processo de incorporação a Índia, o Paquistão, Mongólia e o Irã.

Este movimento de integração eurasiática incluindo mais da metade da população mundial está mudando não só a estrutura do comércio internacional, mas também suas relações políticas e militares, e é hoje o coração do processo de despolarização mundial, do fim da unipolaridade governada pelo Império norteamericano.

A outra tendência integradora importante é a da América Latina que, partindo do Mercosul, foi se ampliando por meio de diversas iniciativas, chegando a Unasul (390 milhões de habitantes e um Produto Bruto regional próximo a 3,9 trilhões de dólares) e à recentemente criada Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (CELC). O vínculo entre esses dois fenômenos regionais é o BRIC, convergência entre Brasil, Rússia, Índia e China, onde o Brasil é precisamente o elo que os articula estrategicamente.

Esta nova realidade vai muito mais além do nível comercial ou mesmo econômico e está expressa no surgimento de um imenso espaço de poder periférico cujos países líderes têm conseguido resistir muito melhor ao impacto da crise do que as grandes potências capitalistas. Enquanto os EUA vão chegando a um nível insustentável de dívida pública (próxima a 100% do Produto Interno Bruto) e a União Européia aparece muito golpeada pela crise grega, detonadora de um desastre regional muito maior, a América Latina vem se “desendividando”: em 2003, sua dívida externa pública representava cerca de 60% do Produto Bruto regional; em 2008, esse índice caiu para 30%. A região conseguiu isso crescendo e exportando, com várias de suas economias chave afastando-se da ortodoxia neoliberal e da hegemonia dos Estados Unidos.

Em resumo, a periferia está se integrando, suas nações comercializam cada vez mais entre si, enquanto os países ricos (a área imperialista do mundo)aparecem atingidos pela crise com seus mercados internos estagnados ou em contração. No entanto, a ascensão da periferia não é inexorável. Dependerá da forma pela qual responda a uma crise sistêmica global que se aprofunda, dependerá de sua capacidade de superar barreiras, das armadilhas de um sistema capitalista mundial regido por potências decadentes e hegemonizado pelo parasitismo financeiro e, sobretudo, no longo prazo, de sua capacidade para libertar-se dessa pesada teia de aranha civilizacional (de raiz ocidental e burguesa) que a condenou ao subdesenvolvimento.

As direitas locais
O que Serra propõe é um caminho perverso: sair do processo integrador periférico e submeter-se completamente às turbulências do mercado internacional sem nenhum tipo de escudo protetor regional ou periférico trans-regional. Deste modo, o Brasil passaria a fazer parte da estratégia de recomposição geopolítica imperial dos EUA, onde um dos capítulos decisivos é a desestruturação das integrações periféricas tanto na Eurásia quanto na América Latina.

Serra propõe substituir o Mercosul e as demais alianças periféricas (Unasul, BRIC, etc.) por um conjunto de tratados de livre comércio. A retirada política do Brasil significaria automaticamente um decisivo aumento da influência dos EUA na América Latina, abrindo o caminho para suas estratégias de desestabilização e conquista. O contexto regional de estabilidade obtido na década passada se deterioraria rapidamente. Um só caso exemplifica bem este perigo: a Bolívia esteve até bem pouco tempo correndo o risco de entrar em uma guerra civil, devido à convergência golpista de sua direita neofascista e do aparato de inteligência do governo Bush. O golpe cívico-militar que detonaria essa catástrofe foi, em boa medida, evitado pela intervenção política dos países do Mercosul, que deram um apoio decisivo para o governo constitucional de Evo Morales. A derrubada da democracia neste país seguramente teria animado tentativas similares em outras nações como Paraguai, Equador e mesmo Argentina convertendo uma parte importante do entorno geográfico do Brasil em uma área caótica, infestada de frentes reacionárias que finalmente conseguiriam afetar sua estabilidade democrática e sua dinâmica produtiva.

No esquema Serra, sem a rede protetora de aproximações e acordos políticos, econômicos e culturais, o Brasil teria só um caminho para prosseguir em seu desenvolvimento comercial em um mundo cada vez mais difícil: o da competição selvagem respaldada por salários e impostos reduzidos, ou seja, apoiada na miséria crescente do grosso de sua população (começando pelos assalariados e seguindo pelas classes médias), no apequenamento do Estado e, inevitavelmente, na expansão das estruturas repressivas destinadas a manter a ordem social e política; em resumo, na deterioração acelerada das liberdades democráticas. Como vemos, o processo começa com um discurso comercial e culmina necessariamente com um modelo político claramente autoritário.

Deste modo, Serra passa a formar parte do leque de políticos latinoamericanos de raiz neoliberal, nostálgicos das velhas relações neocoloniais com o Império. Estes dirigentes superados pelas tendências integradoras e autonomizantes hoje dominantes na periferia lançaram-se a uma reconquista desesperada dos governos. O tempo joga contra eles, a realidade vai lhes escapando, o senhor imperial que desejam servir está enredado em seus próprios e muito graves problemas, tornando-o cada vez mais irracional. Há um aumento da irracionalidade nos sistemas de poder do centro decadente do mundo e também em seus serventes periféricos.

As direitas loucas, degradadas, infestadas de brotos fascistas estão agora em moda na América Latina. Em certo sentido, expressam o passado (neoliberal), mas, sobretudo, constituem a promessa de um futuro sinistro.

Que outra coisa é a direita boliviana que deseja impor um regime de apartheid? Pensemos na caótica direita Argentina cujo único programa é o retorno aos planos de ajuste e a repressão dos movimentos sociais, na direita golpista paraguaia e seus delírios ditatoriais, na direita venezuelana que já ensaiou um golpe de estado fascista e inviável e que está disposta a repetir a façanha.

Seus projetos de ordem elitista e autoritário poderiam ser vistos como parte da decadência cultural dos círculos de poder que comandaram o mundo na era neoliberal, a era da hipertrofia do parasitismo financeiro, da depredação desenfreada de recursos naturais e humanos. Esses setores estão agora mergulhados em uma crise sistêmica que vai desorganizando-os, jogando-os em uma posição caótica, não só no nível de suas estruturas econômicas, mas também no plano psicológico, ou que os torna cada vez mais perigosos e imprevisíveis.

(*) Economista argentino, professor na Universidade de Buenos Aires. É autor, entre outros livros, de "Capitalismo senil, a grande crise da economia global".

NOTAS
(1) “Jornal argentino questiona posição de Serra sobre Mercosul”, Carta Maior, 22/04/2010.

(2) “José Serra reafirma que no quiere que Brasil continúe en el Mercosur”, América Economía, 21/04/2010.

(3) IPEA, “Brasil em desenvolvimento”, Volume I, 2009.

(4) Membros da ASEAN; Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei, Vietnã, Laos, Birmânia y Camboja


Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior

abril 26, 2010

Atenção leitor para os discursos da direita e da esquerda brasileira

Serra vs. Dilma
[ Amálgama ]

Esquerda, direita e os discursos

por Tiago Pereira * – Desde a queda do muro de Berlim, há mais de 20 anos, aparece, com maior ou menor força, o argumento da morte das esquerdas, da crise do socialismo. É como se, no apagar das luzes do grande farol, todos tivessem perdido o rumo. De fato, houve abalos que, inclusive, já vinham de antes da “crise”. Processo que gerou reflexão e auto-análises na busca de correção de rumos. No Brasil, esse discurso embola um pouco. Ninguém se assume de direita, por conta da ditadura. Mas também gostam de dizer que a esquerda não existe mais, e encerram o raciocínio com o batido chavão de que todos os políticos e partidos são “farinhas do mesmo saco”. Metáfora política dos tempos do império. Da escravidão.

A realidade, no entanto, mostra outra coisa. Esquerda na Espanha. Direita na Itália. Uma centro-direita na França e na Alemanha. Diversos modelos “à esquerda” na América Latina, uns mais originais, outros mais desastrados. Também estranhas direitas, como na Colômbia. Centro-esquerda no Japão, Estados Unidos e Inglaterra, talvez. E no Brasil. Tudo isso pra dizer que não concordo que a concepção de esqueda-centro-direita tenha se tornado arcaica para entender e analisar o mundo da política. Ainda não me convenceram de outra ótica possível. Logo, é aplicável ao nosso processo eleitoral, que cada vez mais se apresenta com a polarização entre uma candidata mais à esquerda e um candidato da direita. Tal situação pode ficar mais clara na comparação entre os discursos proferidos por Dilma e Serra, no mesmo dia, em locais diferentes, no sábado 10 de abril.

Durante a convenção da oposição (PSDB-DEM-PPS), no Distrito Federal, Serra apresentou o discurso: respeito às leis, patriotismo, apelo unificador e desenvolvimento econômico foram os eixos. “O governo deve servir ao povo, não a partidos e a corporações que não representam o interesse público. Um governo deve sempre procurar unir a nação. De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres”. A palavra “partido” aparece com conotação pejorativa e sempre em referencia ao partido do outro lado. Sequer menciona o seu, nem positivamente. Parece não valorizar as instituições partidárias, como se fora algo danoso à democracia, ou ainda, como se quisesse dissociar sua imagem à do PSDB. Além dos partidos, não faz referência aos movimentos sociais ou quaisquer outras organizações coletivas. Enxerga a política como atuação do indivíduo. O social não aparece. O lema “O Brasil pode mais”, cópia tucana do lema de Obama, pode virar uma armadilha. Listam uma série de falhas e apontando que podem fazer mais. “Nós sabemos como fazer isso acontecer”. Nós quem? O PSDB? E por que não fizeram? A comparação é inescapável.

Já Dilma falou aos “companheiros e companheiras do ABC”. Em vez de um discurso propositivo, optou primeiramente por falar do que não fará de jeito nenhum. “Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta.” Palavras fortes, que de imediato foram distorcidas. Até o senso comum reconhece que nenhum militante ou simpatizante de esquerda ousaria atacar àqueles que, como Serra, tiveram que se exilar durante a ditadura. No entanto, o mínimo que a candidata pode fazer é enaltecer sua luta passada, ao superar situações, no mínimo, dramáticas, enquanto esteve presa por mais de dois anos pelos militares. Afirma lutar por princípios, por um país “desenvolvido com oportunidades para todos, com renda e mobilidade social, soberano e democrático”. Avisa que suas críticas serão “duras, mas serão políticas e civilizadas”, e emenda: “Eu não entrego o meu país. Tenham certeza de que nunca, jamais me verão tomando decisões ou assumindo posições que signifiquem a entrega das riquezas nacionais a quem quer que seja” – clara alusão ao processo de privatizações da era tucana. Discurso combativo, duro inclusive para os padrões normais daqueles que buscam agradar a todos.

Enfim, a guerra ideológica está colocada. Serra lembra Cuba, quase como o fantasma soviético de outros tempos. Aponta para a necessidade de preservação das conquistas democráticas, como se estivessem em xeque, mais um tradicional expediente conservador. Dilma fala de “respeito aos movimentos sociais”. Além de enaltecer o regime representativo, o voto, lembra que “democracia é também conquista de direitos e oportunidades. É participação, é distribuição de renda, é divisão de poder”, ressaltando a dimensão social da democracia. Serra fala na “ajuda de Deus e com a força do povo brasileiro”. Dilma inverte, “com a força do povo e a graça de Deus”. Taí. Direita e esquerda. O eleitor escolhe.

* Tiago Pereira, Mairiporã-SP. Blog: tiagopereira.wordpress.com.

abril 12, 2010

Esquerda, volver!

Lula e Dilma
Foto: Roberto Stuckert Filho - Sindicato dos Metalúrgicos-São Paulo, 10/04/2010.
Nota do blog: Acompanhe Dilma Roussef - a candidata do povão e da esquerda brasileira - pelo twuiter: http://twitter.com/dilmabr.

10/04/2010
Serra é o candidato da direita

Emir Sader

Fracassado Collor – em cujo governo os tucanos se preparavam para entrar -, FHC assumiu a heranca do projeto neoliberal no Brasil. Norteou-se por seus mentores, Mitterrand e Felipe Gonzalez, e achou que se daria bem sendo seu continuador no Brasil, que era a a via que lhe restava para realizar seu sonho de ser presidente.

Assumiu com todo o ímpeto, achando que ia se consagrar. A ponto de ter proferido um conjunto de besteiras, como, entre outras, a de que ”A globalização é o novo Renascimento da humanidade”. E lá foi ser “droit” na vida.Vestiu a carapuça que Roberto Marinho procurava. Se atribui a ele a frase, diante da queda tão chorada do Collor: “Foi o último presidente de direita que conseguimos eleger”. Se supunha que tinham de buscar em outras hostes o continuador de Collor. E acharam FHC.

Que teve a audácia de chamar o PFL, partido nascido da ditadura, com ACM, Marco Maciel, Jorge Bornhausen, como seus dirigentes pára- representativos, que tentavam se reciclar para a democracia, buscando apagar seu passado. Tucanos e pefelistas foram a base de sustentação firme do governo, que agregou o PMDB (governista, como sempre) e outros partidos menores.

Esse foi o eixo partidário do projeto neoliberal de FHC. Que pretendia ser para o Collor o que o Toni Blair foi para a Thatcher: deixar que Collor fizesse o trabalho mais sujo do neoliberalismo – privatizações, abertura da economia, enfraquecimento substancial do Estado, precarização das relações de trabalho -, para que ele aparecesse como a “terceira via”. Como Collor fracassou, FHC teve que vestir o tailler da Thatcher e implementar a ortodoxia neoliberal.

Serra nunca se deu bem com FHC – como, aliás, com ninguém, com seu gênio de turrão, de mal humorado, que nunca sorri, que atropela a tudo e a todos que vê como obstáculos. Serra sempre disputou com FHC dentro dos tucanos, era seu rival. Perdeu e teve que aceitar o Ministério do Planejamento do governo, sem poder algum, mas tendo que referendar o Plano Real. Depois foi para a Saúde, para tentar preparar sua candidatura à presidência. Tentou manter distância do governo de FHC, sabendo que quem se identificasse com o governo, perderia. Não consegui e foi derrotado fragorosamente no segundo turno.

Em 2006, temeu por uma nova e definitiva derrota, além do que, pessoa com péssimas relações com todo mundo, perdeu para Alckmin o foro interno dos tucanos e teve que se contentar com esperar. Volta agora como o candidato do bloco que passou a ocupar o espaço da direita no campo político brasileiro.

A oposição aceita Serra não de bom grado, em primeiro lugar porque ele tem relações ruins com todos. Em segundo, porque ele não quer assumir o figurino – vestido com desenvoltura por FHC, por Sergio Guerra, por todo o DEM – de bater duro no governo Lula, de assumir claramente o papel de oposição ao governo. Porque Serra sabe que o sucesso do governo Lula demonstra que esse é um caminho seguro de derrota.

É um casamento de conveniência, mas não havia outro lugar se Serra ainda tem alguma esperança de ser presidente. Às vezes, pela fisionomia e pelas palavras dá a impressão que ele sai candidato com resignação, consciente que é sua ultima oportunidade, mas que sabe que vai para o matadouro, para a derrota inevitável.

O campo político não é definido pela vontade das pessoas. Ele tem uma objetividade, resultado dos enfrentamentos e das construções de força e de aliança de cada bloco. A bipolaridade não é um desejo, é uma realidade. São dois grandes blocos que se enfrentam, com programas, forças sociais, quadros, objetivos e estratégias contrapostas.

Dilma representa o aprofundamento do projeto de 8 anos do governo Lula, ocupa o espaço da esquerda no campo político. Serra representa as mesmas forças que protagonizaram os 8 anos do governo FHC, que implementou o neoliberalismo no Brasil, governo de que o próprio Serra foi ministro todo o tempo. São dois projetos, dois países distintos, dois futuros diferenciados, para que o povo brasileiro os compare de decida.

Fonte: Agência Carta Maior

abril 11, 2010

Serra incorpora discurso da direita


ADComDanon 14 de setembro de 2006 — Em 2002, quando candidato a Presidência da República, José Serra é pego totalmente de surpresa ao ser questionado pelo jornalista Alberto M. Danon sobre a nota que daria ao então presidente Fernando Henrique Cardoso. REPAREM NA EXPRESSÃO DE JÔ SOARES E DO ENTREVISTADO! No dia seguinte, foi manchete em inúmeros jornais de todo o Brasil!!

***

Serra aceita o papel de líder conservador

O discurso de José Serra, neste sábado, no evento onde sagrou-se candidato da oposição ao governo Lula, foi, como era de se esperar, uma xaropada conservadora. Incorporou integralmente o texto da direita. Referindo-se ao operário morto em Cuba, o governador mandou essa: "Democracias não têm operários morrendo por greve de fome quando discordam do regime."

Não, senhor Serra, nas democracias miseráveis da América Latina, os trabalhadores não precisam fazer greve para morrer de fome... Pior que isso, a maioria dos países latinos sequer conseguiu constituir uma democracia, em função de interferências externas e violência de suas elites, como o senhor mesmo testemunhou. Querer lançar sobre as costas da pequena e frágil Cuba a culpa pelo espírito antidemocrático que devastou o continente por mais de cinquenta anos, não é justo. É aceitar esse americanismo fácil, inconsequente, esse conservadorismo hipócrita, golpista e brutal travestido agora em seu contrário. O golpismo antidemocrático americano agora se traveste em discurso pró-democracia. E assim invadiu o Iraque e matou mais de um milhão de pessoas, e continua desestabilizando governos latinos, como ocorreu na Venezuela em 2002, em Honduras no ano passado, e o tempo inteiro em Cuba. Não, Cuba não é uma democracia. Mas de quem é a culpa? Quem matou a fé na democracia em Cuba e em toda América?

Outra característica notoriamente conservadora de Serra é camuflar a luta de classes. O PSDB está ao lado dos ricos, mas como não pode afirmar isso, então diz que não tem lado, que estará ao lado de todos. Não é assim, Serra. Os ricos não precisam de apoio governamental. Quem precisa são os pobres. Isso demarca quem está ao lado da maioria do povo brasileiro, que é ainda muito pobre, e quem não está.

A história de que não será um governo que divide e sim que agrega, é outra balela. A gestão Serra se caracterizou justamente pelo contrário disso: promoveu a dissídia em toda parte. Assistimos policiais militares brigando contra policiais civis. Assistimos o governo negar-se a dialogar com categorias inteiras de funcionários públicos. Além disso, o serrismo midiático se notabilizou como um trator impiedoso de qualquer um encarado como adversário, sem escrúpulo algum em relação à dignidade humana. Políticos, juízes, sindicalistas foram tratados pela mídia sempre como inimigos. O PSDB não se mostrou, em momento algum, um partido disposto ao diálogo.


(...) De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres. Eu quero todos, lado a lado, na solidariedade necessária à construção de um país que seja realmente de todos. (...)

(...) Às provocações, vamos responder com serenidade; às falanges do ódio que insistem em dividir a nação vamos responder com nosso trabalho presente e nossa crença no futuro. Vamos responder sempre dizendo a verdade. Aliás, quanto mais mentiras os adversários disserem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles.(...)

(...)O Brasil não tem dono. O Brasil pertence aos brasileiros que trabalham; aos brasileiros que estudam; aos brasileiros que querem subir na vida; aos brasileiros que acreditam no esforço; aos brasileiros que não se deixam corromper; aos brasileiros que não toleram os malfeitos; aos brasileiros que não dispõem de uma 'boquinha'; aos brasileiros que exigem ética na vida pública porque são decentes; aos brasileiros que não contam com um partido ou com alguma maracutaia para subir na vida.(...)

(...) Não aceito o raciocínio do nós contra eles. Não cabe na vida de uma Nação. Somos todos irmãos na pátria. Lutamos pela união dos brasileiros e não pela sua divisão. Pode haver uma desavença aqui outra acolá, como em qualquer família. Mas vamos trabalhar somando, agregando. Nunca dividindo. Nunca excluindo. (...)


Mas é no discurso de FHC, cuja participação na abertura sequer estava planejada inicialmente, que encontrei os argumentos mais estarrecedores (não fossem risíveis).

(...) O Brasil cansou de certa arrogância, de autoconfiança. O Brasil quer lei, quer respeito e, como diz José Serra, quer ver o malandro que roubou na cadeia", afirmou. (...)

Em primeiro lugar, espanta-me alguém dizer uma idiotice tão grande como "o Brasil cansou de autoconfiança". Os tucanos têm ódio da recente autoconfiança do brasileiro, porque sabem que ela vem sobretudo das camadas baixas e que, inevitavelmente, causam e causarão mudanças culturais profundas na sociedade. Eles têm medo dessas mudanças, a primeira das quais é que o discurso antinacionalista será cada vez mais rechaçado, e com eles os partidos de direita, como DEM, PPS e, se não mudar, também o PSDB.

Quanto à frase sobre o malandro na cadeia, trata-se de uma grosseria inominável, um vocabulário chulo, que dá um tom policialesco ao discurso político. Em seu governo, FHC deixou a Polícia Federal à míngua, sem recursos humanos ou físicos que permitissem combater a corrupção no país. E agora vem com esse papinho de "botar malandro na cadeia"?

*

E Lula deu a melhor resposta ao discurso de Serra de que o "Brasil pode mais". Ela disse que o Brasil já está fazendo mais, e fará mais. Há uma diferença tão grande entre a promessa e a prática!

fevereiro 21, 2010

Direita midiática conspira: é hora de manifestação contra a ditadura da mídia

Direita midiática conspira em hotel de São Paulo
18 fevereiro 2010
Por Miro Borges

Marcel Granier, dono da golpista e corrupta RCTV, que teve sua outorga cassada pelo governo venezuelano, fará a palestra de encerramento. A lista de palestristas convidados causa náuseas: o fascistóide Denis Rosenfield, o racista Demétrio Magnoli, o pitbul Reinaldo Azevedo, o bravateiro Arnaldo Jabor, o líder da seita xiita Opus Dei, Alberto Di Franco, além de vários comentaristas da TV Globo. Inspiradores do fascismo caboclo que estarão no Golden Tulip.
No dia 1º de março, no Hotel Golden Tulip, na capital paulista, as estrelas da direita midiática estarão reunidas num seminário cinicamente batizado de “1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão”. Não faltarão críticas a Conferência Nacional de Comunicação, sabotada pelos donos da mídia, e às idéias democratizantes do Plano Nacional de Direitos Humanos.

O presidente Lula ficará com a sua orelha ardendo. Será rotulado de autoritário, populista e de outros adjetivos. O evento tentará unificar o discurso da mídia hegemônica para a disputa presidencial de 2010.

Os inscritos que desembolsarem R$ 500 poderão ouvir as opiniões de famosos reacionários sobre as “ameaças à democracia no Brasil” e as “restrições à liberdade de expressão”.

Marcel Granier, dono da golpista e corrupta RCTV, que teve sua outorga cassada pelo governo venezuelano, fará a palestra de encerramento. A lista de palestristas convidados causa náuseas: o fascistóide Denis Rosenfield, o racista Demétrio Magnoli, o pitbul Reinaldo Azevedo, o bravateiro Arnaldo Jabor, o líder da seita xiita Opus Dei, Alberto Di Franco, além de vários comentaristas da TV Globo.

O sinistro Instituto Millenium

O evento, que tem o apoio da Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão (Abert) e da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), é uma iniciativa do sinistro Instituto Millenium. Esta entidade reúne poderosos banqueiros, industriais e barões da mídia e pretende ser um centro de aglutinação dos defensores da “economia de mercado”, como descreve seu sítio. Ela é presidida por Patrícia Carlos Andrade, que foi analista dos bancos Icatu e JPMorgan, e é filha do falecido jornalista Evandro Carlos de Andrade, um dos mentores da Central Globo de Jornalismo.

O instituto não tem nada de neutro ou plural. É controlado pelas corporações empresariais. Entre os mantenedores estão Jorge Gerdau, o barão da siderurgia, Sergio Foguel, da Odebrecht, Pedro Henrique Mariani, do Banco BBM, Salim Mattar, do grupo Localiza, e Marcos Amaro, da TAM.

O gestor do fundo patrimonial da Millenium é Armínio Fraga, o ex-presidente do Banco Central na era neoliberal de FHC. Os barões da mídia têm expressiva presença na entidade. Entre os dez principais mantenedores estão João Roberto Marinho, das Organizações Globo, e Roberto Civita, da Abril. Seu conselho editorial é dirigido por Eurípedes Alcântara, diretor de redação da Veja.

A resposta dos movimentos sociais

O repórter Adriano Andrade, num excelente artigo para o jornal Brasil de Fato, demonstrou que o Instituto Millenium representa a nata da direita brasileira. Patrícia Andrade chegou a assinar o “manifesto contra a ditadura esquerdista na mídia”, escrito pelo fascistóide Olavo de Carvalho. A entidade também promove anualmente o risível “dia da liberdade de impostos”. Para o repórter, a Millenium lembra duas instituições que tiveram papel de relevo na preparação do golpe militar de 1964 – o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES), ambos financiados pelo governo dos EUA e pelos grupos monopolistas nativos.

O evento de 1º de março bem que mereceria uma resposta organizada dos movimentos sociais, alvo das manipulações constantes da mídia hegemônica. O demonizado MST, as ridicularizadas centrais sindicais, a estigmatizadas entidades estudantis, além das forças opostas a todos os tipos de discriminação, como a de gênero e a racial, poderiam aproveitar este evento conspirativo da direita midiática para protestar contra a “criminalização dos movimentos sociais e pela autêntica liberdade de expressão”. Nada mais democrático do que protestar contra a ditadura da mídia.

Veja a seguir as organizações por trás do Seminário conspirativo:

Realização:
Instituto Millenium

Patrocínio:
Instituto Mises Brasil

Apoio:
Fundação Armando Álvares Penteado
Instituto Friedrich Naumann

Colaboração Institucional:
A Voz do Cidadão, Academia Brasileira de Filosofia – ABF, Associação Brasileira de Empresas de Rádio e Televisão – ABERT, Associação da Classe Media – ACLAME, Associação Nacional dos Jornais – ANJ, Associação Brasileira de Agências de Publicidade – ABAP, CJE/FIESP, Confederação das Associações de Jovens Empresários – CONAJE, Instituto de Estudos Empresariais – IEE, Instituto Endeavor, Instituto Liberal – IL/RJ, Instituto Liberdade – IL/RS, Movimento Endireita Brasil – MEB, Ordem Livre

Fonte: Página 13

janeiro 18, 2010

Vergüenza: direita en Chile vulve al poder


Salvador Allende en la Universidad de Guadalajara, México diciembre 1972

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Direita volta ao poder no Chile pelas mãos do bilionário Sebastian Piñera, que admite reintroduzir colaboradores de Pinochet no comando do Estado
(Carta Maior e o passo seguinte da história na AL; 17-01)

Fonte: Carta Maior

VERGONHA: Um povo que elegeu o imortal Salvador Allende, agora paga o preço da omissão. Com alto índice de abstenção, a direita chilena retorna ao poder e ameaça tirar múmias do sarcófago. Enquanto isso, 13 bases militares norte-americanas estão ao redor da Venezuela. 2010 vai exigir união da América Latina contra o Império, interessado em enfraquecer a liderança Brasil na região. A direita brasileira vai jogar todo o peso na candidatura de Zé "Alagão" Serra - até a Marina "Traíra" Silva entrou nessa, depos que o Fernando "Guerrilheiro Arrependido" Gabeira, do PV fechou com a candidatura do governador de São Paulo. Vamos ter muito trabalho. Só tem um detalhe: aqui, o buraco é mais embaixo.

novembro 25, 2009

Qual o mistério de Serra?

Serra & Marina
Oleo do Diabo

Qual o mistério de Serra?

Está cada vez mais difícil saber qual o sentido eleitoral dessa guinada ideológica de Serra à extrema direita. O artigo furibundo contra Ahmadinejah não repercutiu bem nem mesmo entre seus simpatizantes. Na Folha, houve nítido constrangimento. Eliane Catanhede e Janio de Freitas afastaram-se, educadamente, das posições semiticas radicais do governador. Clóvis Rossi fez um gesto ainda mais delicado: disse que a opinião de Serra sobre o Irã tinha uma "ética e moral" impecável, mas não o acompanhou.

Pelo visto, o único "formador de opinião" a aprovar entusiasticamente o artigo de Serra foi Reinaldo Azevedo, para cujas opiniões o serrismo converge cada dia mais. Com essa radicalização ideológica, no entanto, Serra perde todo o centro. E perde a direita liberal, a la Clint Eastwood, que tem ojeriza ao conservadorismo tacanho invadindo as liberdades individuais (como a Lei do Fumo). Perde a direita e a esquerda ambientalistas, que agora já tem sua candidata dos sonhos: Marina. E torna-se uma espécie de vilão de histórias em quadrinhos para a esquerda brasileira, que voltou a exalar um pouco de auto-estima, depois de ser humilhada e caluniada durante o escândalo do mensalão. Vale acrescentar que essa esquerda cresceu nos últimos anos justamente em virtude da radicalização conservadora de setores midiáticos e partidários. Gente como Nassif, PHA, diversos ex-jornalistas da Globo, foram praticamente expulsos da pacata residência centrista que ocuparam por tantos anos. Forçando um pouco a barra, lembrou-me os movimentos migratórios que transformaram a Europa pós-romana, quando tribos do oriente deslocam-se para o ocidente, criando um empurra-empurra de diversos povos cada vez mais para o ocidente, até que algumas tribos decidissem invadir e destruir o império romano.

Uma explicação que me parece plausível, embora espantosa, é que esse enorme deslocamento de setores da opinião pública para a direita foi influenciado fortemente pela presença de Reinaldo Azevedo, o blogueiro da Veja. Espantosa porque é incrível que um indivíduo tenha tanta responsabilidade num processo. É preciso, contudo, enxergar o indivíduo dentro do contexto sociológico. Azevedo recebeu, notoriamente, uma missão no Brasil. É o blogueiro ou mesmo o formador de opinião que mais liberdade goza dentro da grande mídia. É o único que recebeu carta branca para dizer o que quiser. Suas opiniões mais escabrosas são toleradas. Difere, inclusive, da condescendência meio paternalista que se dá à Diogo Mainardi, porque este último não desempenha o papel de "sério" ou "politizado" que Azevedo procura transmitir. A liberdade de RA para assumir defesas partidárias explícitas lhe dá um diferencial importante. Colunistas tradicionais do Globo, Estadão e Folha não tem essa liberdade, nem essa desenvoltura. Usam estratégias muito capciosas, mas raramente demonstram a parcialidade orgulhosa e direta de RA.

Diversas personalidades da cultura aderiram ao conservadorismo incendiário de RA. É no mínimo curioso, por exemplo, que um Nelson Mota, boêmio veterano, que já entrevistou Raul Seixas, que biografou Tim Maia, um homem, portanto, que conhece (e gosta delas, ao que parece) as loucuras da vida, tenha se deixado seduzir de forma tão completa por um neocon radical, racista, careta e preconceituoso como o Esgoto. Isso também é um mistério para mim.

Mesmo sem entender, arrisco algumas conjecturas. Voltei a pensar no blogueiro da Veja porque ele deu entrevista ontem ao Jô Soares. Não assisti porque evito enervar-me desnecessariamente. Eu considero RA um desequilibrado mental, um golpista, e aborreço-me com o deslumbramento que sua erudição emporcalhada provoca no brasileiro médio. As pessoas precisam entender que a intelectualidade produz monstros ideológicos do tipo de RA com uma frequência impressionante. A defesa que ele faz de um golpe de Estado no Brasil e na América Latina, para mim, deveria ser razão para prenderem-no. Recordo dos músicos do Planet Hemp, presos algumas vezes, por cantarem músicas sobre maconha, e não entendo porque a pregação de um golpe de Estado, que é notoriamente uma incitação criminosa ao desrespeito à ordem pública, feita por alguém com amplo espaço na midia, não é motivo de condenação por parte do Ministério Público. Ele, RA, que está sempre incitando as autoridades a prenderem os outros por suas declarações, ele é que deveria ser preso, por pregar o maior de todos os crimes: o golpe de Estado. Imagino o que fariam autoridades e opinião pública na Inglaterra, se alguém ofendesse dessa forma a Rainha. Ou na Espanha, se ofendesse o rei, ou nos EUA, se atacassem o Obama e pregassem a sua derrubada por um golpe de Estado.

Muito mais interessante, por outro lado, tem sido a rearticulação das forças jornalísticas, reagindo à direitização acelerada e brutal de redações e tvs. Criou-se uma ala independente que nunca existiu, de jornalistas blogueiros. E, claro, surgiram os blogueiros puros, essa legião de irreverentes incorrigíveis, que não perde uma pauta, um assunto, digerindo tudo com suas milhões de bocas.

A história se acomoda, aos encontrões. Tribos empurram outras tribos. O império romano desaba. Mas não esqueçamos que Roma também já foi uma pequena e simplória vila rural. E que cresceu em função de sua agressividade sem limites. Não é aconselhável subestimarmos nossos adversários. Eu acho Serra um imbecil e RA um louco, mas a humanidade já cansou de ser dominada por imbecis e loucos. Onde eles querem chegar? O que eles desejam? Terminar de privatizar o Brasil? Realizar uma demissão em massa do funcionalismo? Converter o país numa imensa praça de pedágios? Brutalizar os milhões de pobres que ainda vivem em áreas contestadas pela justiça?

A única bandeira realmente popular dos partidos conservadores, a redução dos impostos, é posta em ridículo pela ação concreta desses mesmos partidos quando ocupam o poder. Dentre todos os presidentes do Brasil, FHC foi o campeão em aumento de impostos. A carga tributária brasileira subiu fortemente em sua gestão. Cresceu um pouquinho nos primeiros anos de Lula, mas deve cair substancialmente este ano. E agora, Serra e Kassab promovem, sucessivamente, aumentos tributários. O prefeito de Sâo Paulo está elevando o IPTU em até 300% em vários bairros da cidade. É apavorante. Com base em quê? Nos altos e baixos da especulação imobiliária! Enquanto viadutos, metrô, shopping center, casas de show, desabam, matando pessoas e causando prejuízos bilionários ao contribuinte paulista (e, de forma indireta, ao Brasil todo), por culpa de uma fiscalização falha, terceirizada, as autoridades paulistas, perante um mundo ainda convalescente daquela que foi chamada de pior crise financeira desde o crash da bolsa em 1929, aumentam os impostos e criam novos pedágios nas rodovias do estado!

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