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outubro 29, 2010

Irmãos, lembrai-vos da edição manipulada do debate Collor x Lula, em 1989

PICICA: Não é de hoje que a TV Globo é especialista em manipulação de edição de imagens. O caso da bolinha de papel, transformada em rolo de fita crepe, que acertou o cocuruto do candidato tucano, é o exemplo mais recente. Pra não dar bobeia, seria bom acionar o TSE a se manifestar tão logo haja qualquer tentativa de manipulação. A democracia brasileira exige um posicionamente firme e contundente, caso a Vênus Platinada resolva manipular a vontade do eleitor.
growdasky2007 | 24 de novembro de 2009
É recomendável que você veja o vídeo da edição antes de ver este, segue o link http://www.youtube.com/watch?v=iIYAaX...

Vídeo produzido pelos alunos do 2º Semestre de Jornalismo da Unisa (Universidade de Santo Amaro). O vídeo fez parte de um seminário apresentado sobre o tema "A IMPRENSA BRASILEIRA NA ELEIÇÃO DE FERNANDO COLLOR DE MELLO".

Citações dos Livros "Conselhos a um jornalista" do Voltaire e "Sobre Ética e Imprensa" de Eugênio Bucci.

outubro 07, 2010

Enquanto a TV Globo omite, a TV Record não esconde o ato falho de Serra, o obscuro, sobre o aborto

luizazenha | 6 de outubro de 2010
Candidato cometeu ato falho?
 
uizazenha | 6 de outubro de 2010
Jornal Nacional, ao cobrir evento de José Serra, preferiu não colocar o candidato falando sobre o aborto.

***

Jornal Nacional esconde ato falho de Serra sobre o aborto

O Jornal Nacional desta quarta-feira escondeu a gafe cometida pelo candidato José Serra durante a reunião que ele teve com aliados em Brasília.
Foi uma gafe relevante, já que ele tratava da questão que os tucanos trouxeram com força para o debate político nos últimos dias: o aborto.
Serra disse: “Eu nunca disse que sou contra o aborto, até porque sou a favor”. Depois, consertou: “Eu nunca disse que sou a favor, até porque sou contra o aborto, alguns até me chamam de atrasado”.

PS do Viomundo:
No Valor Econômico, Raymundo Costa descreveu assim o episódio:
No trecho em que falou de aborto chegou a deixar a dúvida de que cometera um ato falho. “Nunca disse que sou contra o aborto porque sou a favor, ou melhor, nunca disse que sou a favor, porque sou contra”. Alguns políticos entenderam que ele quis dizer que Dilma diz ser contra a descriminalização do aborto porque, na realidade, seria a favor.
Fonte: Vi o Mundo

* * *

O ato falho de Serra, o Estadão e Freud

Freud, mais que Marx, ajuda a entender o obscurantismo que vem à tona no Brasil

Por Rodrigo Viana*

Como sabem aqueles que conhecem um pouquinho de Freud, os atos falhos são – por definição – reveladores daquilo que anda em nosso inconsciente, e que muitas vezes tentamos esconder.

Quando alguém vai ao psicanalista, às vezes passa horas e horas tentando explicar o que pensa e o que sente. Discurso controlado, consciente – e que no mais das vezes encobre a verdade.

Um ato falho, que o paciente deixe escapar em meio a dezenas de sessões, às vezes dá uma pista mais importante para o psicanalista do que horas e horas de blá-blá-blá. O ato falho revela o que está reprimido, e pode apontar o longo caminho da cura (ainda que – quase sempre – a cura não seja a felicidade absoluta, mas a infelicidade suportável).

Vejam se não é um ato falho maravilhoso esse cometido por Serra hoje, ao falar do aborto: “Estão querendo tirar o aborto da pauta. Eu nunca disse que sou contra o aborto, porque sou a favor o aborto”, disse primeiro Serra, para surpresa da plateia. “Ou melhor, sou contra o aborto”, corrigiu em seguida.” A notícia eu li aqui.
Não é sensacional?

A campanha de Serra foi a beneficiária do terrorismo religioso envolvendo o aborto na reta final da eleição. Ou vocês acreditam que essa história tenha sido um debate que surgiu “naturalmente” na sociedade? O Paulo Moreira Leite – jornalista que trabalha na revista “Época”, mas que tem a qualidade de não brigar com os fatos – acha que não. Confiram aqui o que diz o Moreira Leite sobre isso.


Mas, de volta ao ato falho…

Serra, como sabemos, não é um homem formado nas tradições da direita. Isso é que é mais triste. Se fosse o Alckmin, que milita na Opus Dei, a gente entenderia. E até respeitaria mais – porque a Opus Dei é visceralmente contra o aborto.


Mas o Serra não vem dessa tradição conservadora. Está apenas usando esse discurso – de forma hipócrita, desavergonhada, sem nenhuma convicção.

Pra espalhar o medo e a boataria sobre aborto, Serra precisa reprimir o que ele mesmo – no íntimo – deve pensar sobre o fato. Tanto que – quando ministro – o tucano corretamente assinou uma portaria regulamentando o aborto no SUS.

Por que Serra fez isso? Porque é um malvado assassino de crianças? Não. Porque é o mais razoável. E porque o PSDB – por mais críticas que se possa ter ao programa político e econômico do partido – nunca foi uma legenda obscurantista. Não é essa a tradição de FHC, Covas, Montoro.

É por isso que o ato falho fez-se presente. Revelou a hipocrisia, revelou o que Serra gostaria de manter escondido.

Não sou psicanalista. Talvez Maria Rita Khel, que é psicanalista, pudesse escrever sobre esse magnífico ato falho. Isso se o “Estadão” não tivesse vetado textos dela com conteúdo político. É que a Maria Rita Khel não segue a linha do jornal – que apóia o tucano.
Serra dizer “sou a favor do aborto” é um ato falho tão revelador como o “Estadão” (tão preocupado com a “liberdade de expressão” sob ameaça do “lulo-petismo”) dizer à Maria Rita: “não escreva sobre política”.

A direita vem à tona. À tiracolo traz preconceito, hipocrisia, caça às bruxas.

É como se o segundo turno – tão comemorado como oportunidade de “qualificar o debate” – levasse o Brasil não para o futuro, mas de volta para os séculos XVI ou XVII. Naquela época, a Inquisição podia prender, interrogar, torturar e – no limite – executar aqueles que se afastavam da “verdade de Deus”.

O obscuratismo insuflado pelos tucanos leva-nos de volta a esse caminho. A Inquisição já não há. Mas o desejo inconsciente de prender, interrogar, torturar e executar segue a habitar os recantos das mentes mais conservadoras.

O debate sobre o aborto é necessário. E pode ser feito de forma séria. Mas os tucanos querem o boato, o medo.

Jogam no lixo a história de um partido que nasceu para “modernizar” a política brasileira – lembram? Mas que agora se afunda, de braços dados com a pauta da extrema-direita religiosa.
Por que Serra aceita esse papel?
Freud talvez explique.

*Matéria originalmente publicada no site O Escrevinhador
Fonte: CartaCapital

setembro 30, 2010

Dilma e a TV Globo

Lélia Abramo
Aonde foi que Dilma errou?

Nos últimos dias, alguns blogs lulistas têm demonstrado uma grande preocupação com os lances finais dessa campanha eleitoral de 2010, que poderá ter um desfecho inesperado. Sobre os acontecimentos das últimas quatro semanas, muito há o que ser considerado.

1- A manifestação mais eloqüente de que algo não vinha andando bem nos rumos da campanha foi à tensa participação da candidata, no último debate promovido pela Tevê Record, no domingo dia 26. Dois personagens muito caros a Dilma, lamentavelmente ausentes, hoje (a atriz Lélia Abramo * e o jornalista Jorge Batista **), com toda a certeza, dariam a ela nesse momento a palavra certa. Lélia dizia que em política não se pode errar, porque isso pode ser fatal; e a direção da campanha do PT tem cometeu alguns erros imperdoáveis. No caso citado, não orientou a candidata a ser incisiva, em duas questões cruciais. Dilma deveria responder, objetivamente, principalmente sobre a questão de Erenice Guerra e, também, da liberdade de Imprensa:

a) No primeiro caso, quando uma das jornalistas fez a pergunta, carregando nas tintas, ao lembrar outras denúncias de corrupção no governo Lula, Dilma não deveria aceitar o estigma de “corrupção consentida”, no governo do qual ela fez parte. O mais acertado seria Dilma afirmar que, diante de qualquer suspeita de irregularidade, houve medidas cirúrgicas para que uma investigação fosse feita e justiça, idem. Ao mesmo tempo, alertar que não se comprovou até este momento nada que indicasse concordância e/ou aproveitamento de atos ilícitos, por parte do governo; pelo contrário, caso houvesse qualquer ato ilícito, não duvidem que este já teria sofrido processo de impeachment;

b) A segunda questão (sobre a liberdade de imprensa) a mais importante, se considerarmos o momento político atual, quanta falta fez a presença, ao seu lado, do amigo e companheiro de luta estudantil, Jorge Batista. Ao ser chamada para comentar a pergunta feita a Plínio de Arruda, sobre censura à imprensa ou normas de controle ao que pode ser publicado, faltou ser enfática ao afirmar que ela, o PT e o governo Lula são absolutamente FAVORÁVEIS À LIBERDADE DE IMPRENSA, em todos os sentidos, e isso não poderia ser diferente. Lula e o PT sempre estiveram à frente da Sociedade Civil, ao longo de três décadas, como peças fundamentais da democratização do Brasil. Alguém duvida? E, partindo para o ataque, dizer que ainda existem inúmeras questões que necessitam ser resolvida para o aperfeiçoamento democrático. Indagar à jornalista que a escalou para comentar, o que fazer diante da ação danosa de alguns setores da imprensa que misturam prerrogativas garantidas pela Constituição a interesses políticos, partidários? Em qualquer situação que envolva calúnia, pronunciamentos danosos à vida de uma pessoa, inocente, essa mesma Constituição garante à vítima uma indenização material. A questão é, como vamos tratar as questões que envolvam danos eleitorais, irreversíveis, a um candidato ou candidata? Pior, como devemos nos conduzir, diante do uso criminoso dessas prerrogativas constitucionais, como à liberdade de imprensa, e o uso mal intencionado que provoca a mudança no rumo da história? Esta é uma questão que diz respeito a todos nós, e não somente ao PT.

2 - Toda eleição presidencial trás uma novidade, dessa vez trata-se do desenvolvimento da comunicação, virtual, aonde todos os assuntos são dissecados ao limite. Esta discussão que, de fato, já existe e interfere positivamente na escolha do eleitor, por outro lado abre espaço para a prática do crime, sendo que um deles é a calunia e, com toda certeza, a sua assessoria não pensou nisso antes. E se pensou não fez nada, preventivamente. Jorge Batista - jornalista e ex-companheiro de luta mais radical - diria que no processo de mudança, é sempre importante dar o primeiro tiro. Claro que falamos, aqui, de uma luta democrática, justa, e sem armas letais. Dilma precisa reagir, inspirada nesses seus amigos, ausentes, antes que seja tarde, especialmente, hoje, durante o debate na Tevê Globo. Objetividade e o destemor serão o caminho, uma vez que ela estará ali defendendo o sonho e a realização de inúmeros brasileiros e, por isso, não há margem de erros.


(*) Atriz e fundadora do PT falecida em 09/04/2004 (foto acima)

(**) Jornalista e amigo de Dilma desde o Movimento Estudantil em BH - falecido em 24/12/1986
Foi candidato a Constituinte no ano de sua morte.

Nota do blog: Texto enviado por Ana Engelen / Pulsar.

agosto 31, 2010

A nebulosa história do mensalão dos parlamentares que votaram na emenda da reeleição de FHC

betokk2 | 30 de agosto de 2010
Jornal da Globo - Dilma Rousseff é entrevistada no Jornal da Globo. 30 08 2010

***

Trecho do texto de Miguel do Rosário, no blog Óleo do Diabo:
A novidade desta entrevista é que Dilma partiu para o ataque. Com leveza, elegância, mas com munição de verdade. Ela lembrou que foram vazadas as dívidas de parlamentares com o Banco do Brasil durante os debates em torno da emenda para a reeleição. Eu não lembrava disso! Mais uma prova de que o verdadeiro mensalão foi a reeleição. Martelarei esse tema incansavelmente. O governo Lula não tinha porque "comprar" deputados durante seus primeiros anos de governo. Para votar o quê? A reforma da Previdência? Uma reforma que até hoje nem foi inteiramente regulamentada? Ou seja, não tem sentido. Já o governo FHC tinha um motivo fortíssimo para subornar deputados: precisava de votos para aprovar a reeleição e estender o mandato de Fernandinho por mais quatro anos.

Eu considero que é absolutamente injustificável que uma pessoa acuse outra sem apresentar provas. Nós temos pedido sistematicamente que apresente provas. Aliás, se essa situação for colocada dessa forma, eu queria dizer uma coisa: o partido do candidato meu adversário tem uma trajetória de vazamentos e grampos absolutamente expressiva. Por exemplo, vazamento das dívidas dos deputados federais com o Banco do Brasil nas vésperas da votação da emenda da reeleição. Os grampos que existiram no BNDES e também os grampos feitos juntos ao próprio gabinete, o secretário da Presidência da República. Eu jamais usei esses episódios pra tornar o meu adversário suspeito de qualquer coisa porque eu não acho correto.

Outra coisa que é preciso reiterar: FHC impôs restrições ao humor em época eleitoral, através da lei assinada pelo presidente da república em 1997, como parte do esforço para blindar o governo e ganhar as eleições em 1998. Esses humoristas de direita como Marcelo Madureira nunca falam disso. As críticas à lei anti-humor (que caiu há pouco por iniciativa de Ayres Brito) vem deliberadamente confundindo a opinião pública quanto a esse ponto, que é naturalmente fundamental: quem a criou e quem a assinou.
Fonte: Óleo do Diabo

Nota do blog:  A leseira-nossa-de-cada-dia é quem faz sumir da memória acontecimentos como a história do verdadeiro mensalão, aquele que ocorreu no governo FHC. Até o Miguel do Rosário havia esquecido do episódio. No Amazonas, por exemplo, todos sabem quem foi o "homem da mala preta", que levou dinheiro para ajudar a pagar os parlamentares que votaram na emenda da reeleição do FHC. Os que tem obrigações com a informação se fazem de lesos e omitem essa preciosa informação neste ano de eleição, que poderia auxiliar o eleitor a fugir dos democratas de fachada.

agosto 12, 2010

Serra na TV Globo: 8 mentiras, 2 contradições e 9 erros políticos

Serra no JN foi um desastre: pelo menos 8 mentiras, 2 contradições e 9 erros políticos

A entrevista de José Serra (PSDB/SP) no Jornal Nacional foi um desastre. 

Contamos 8 mentiras, 9 erros políticos, e Serra ainda conseguiu cair em contradição duas vezes dentro da mesma entrevista. É muita coisa para um candidato só em 12 minutos de entrevista.


Em vermelho estão nossos comentários daqui do blog.



William Bonner:
A entrevista vai durar 12 minutos, e o tempo começa a ser contado a partir de agora. Candidato, desde o início desta campanha, o senhor tem procurado evitar críticas ao presidente Lula. O senhor acha que... E em alguns casos fez até elogios a ele... o senhor acha que essa é a postura que o eleitor espera de um candidato da oposição?

Tal qual um lobo em pele de cordeiro, Serra quer se apresentar como candidato pós-Lula e não de oposição a Lula. A pergunta foi feita para tentar neutralizar a imagem anti-Lula. 
 Na pergunta, Bonner incluiu uma afirmação do interesse dos marqueteiros de Serra: "fez até elogios a Lula"... Bonner levantou a bola para Serra cortar.

Detalhe: no vídeo nota-se Serra remexendo-se na cadeira, e engolindo em seco, antes de responder.

José Serra: Olha, o Lula não é candidato a presidente. O Lula, a partir de 1º de janeiro, não vai ser mais presidente da República. Quem estiver lá vai ter de conduzir o Brasil. Não há presidente que possa governar na garupa, ouvindo terceiros ou sendo monitorado por terceiros. Eu estou focado no futuro. Hoje tem problemas e tem coisas boas. O que nós temos que fazer? Reforçar aquilo que está bem e corrigir e poder melhorar aquilo que não andou direito. É por isso que eu tenho enfatizado sempre que o Brasil precisa e que o Brasil pode mais. Onde? Na área da saúde, na área da segurança, na área da educação, inclusive do ensino profissionalizante. Meu foco não é o Lula. Ele não está concorrendo comigo.

Serra foi muito ruim... era só cortar a bola levantada... e ele errou 3 vezes:

1ª) Lula não é candidato a presidente, mas tem candidata. Querer tirar a influência do presidente no pleito é um erro. Empurra com a barriga um duelo que ele vai ter que enfrentar. É um erro enfrentar mais à frente, quando estiver mais fraco, e sem tempo para corrigir rumos. 
Serra irritou o eleitor que gosta de Lula, mas ainda não tem candidato, ao querer "aposentá-lo" ou "cassá-lo" do processo político antes da hora.

2ª) Quando ele disse "não há presidente que possa governar na garupa", ele tenta desqualificar a adversária, e com argumento bobo, em vez de mostrar suas próprias qualidades. Isso transparece inveja, fraqueza e insegurança. Não agrada aos eleitores. Além disso, a imagem de uma mulher muito inteligente e capaz, que Dilma passou em sua entrevista na segunda-feira, não combina com alguém que ficaria apenas na garupa.

3ª) Para convencer alguém a votar nele, não adianta só apontar problemas e dizer que vai melhorar. Isso todo político diz. É preciso ter credibilidade, e Serra não tem na área de segurança, nem na de educação, e na saúde só tem um pouco ainda, porque é produto de propaganda enganosa e da blindagem da imprensa, que vem sendo desmascarada graças à internet. Trataremos disso mais adiante.

William Bonner: Entendo. Agora, candidato, o senhor avalia o risco que o senhor corre de essa sua postura ser interpretada como um receio de ter que enfrentar a popularidade alta do presidente Lula?

Olha o Bonner levantando a mesma bola de novo, para ver se Serra acerta dessa vez.

José Serra: Não, não vejo por quê. Eu acho que as pessoas estão preocupadas com o futuro, né? Quem vai tocar o Brasil, quem tem mais condições de poder tocar o Brasil para a frente, que não é uma tarefa fácil. Inclusive de pegar aqueles problemas que hoje a população considera como os mais críticos e resolvê-los. Dou como exemplo, novamente, entre outros, a questão da saúde. Então, o importante agora é isso. E as pessoas estão nisso. O governo Lula fez coisas positivas, né? Outras coisas, deixou de fazer. A discussão não é o Lula. A discussão é o que vem para a frente, tá certo? Os problemas do Brasil de hoje e o que tem por diante.
Serra errou pela 4ª vez. Repetiu o terceiro erro citado acima: Para convencer alguém a votar nele, não adianta só apontar problemas e dizer que vai melhorar, porque isso todo político faz. O erro foi pior porque não foi só no conteúdo. Foi também na forma. A resposta de Serra foi um amontoado de obviedades descritas de forma pouco inteligível. Alguém entendeu o que ele quis dizer exatamente com "Dou como exemplo, novamente, entre outros, a questão da saúde. Então, o importante agora é isso. E as pessoas estão nisso"...?

Fátima Bernardes: O senhor tem insistido muito na tecla de que o eleitor deve procurar comparar as biografias dos candidatos que estarão concorrendo, que estão concorrendo nesta eleição. O senhor evita uma comparação de governos. Por exemplo, por quê, entre o governo atual e o governo anterior?
Fátima jogou pétalas para o candidato, suavizando a pergunta, que deveria ser: por que então o senhor esconde seu papel como ministro do planejamento, homem forte, e escolhido em 2002 para sucessor de FHC?

José Serra: Olha, porque são condições diferentes. Eles governaram em períodos diferentes, em circunstâncias diferentes. O governo anterior, do Fernando Henrique, fez uma... muitas contribuições ao Brasil, entre elas o Plano Real. A inflação era de 5.000% ao ano, né? E ela foi quebrada a espinha. As novas gerações nem têm boa memória disso. E várias outras coisas que o governo Lula recolheu e seguiu. O Antonio Palocci, que foi ministro da Fazenda do Lula e hoje é o principal assessor da candidata do PT, nunca parou de elogiar, por exemplo, o governo Fernando Henrique. Mas nós não estamos fazendo uma disputa sobre o passado. É como se eu ficasse discutindo, para ganhar a próxima Copa do Mundo, quem foi o melhor técnico: o Scolari ou o Parreira?
Serra falou a primeira grande mentira da noite. O plano Real foi feito no governo de Itamar Franco (será ele gostou de ser ignorado pelo Serra na TV?). FHC veio em seguida, e passou 8 anos sem dar nenhum passo adiante. Promoveu um populismo fiscal e cambial no primeiro mandato, que quebrou o país, mas ganhou a reeleição, e governou no segundo mandato remendando o país quebrado.

Fátima Bernardes: Mas...

José Serra: E o Mano Menezes, Fátima, desculpe, fosse estar preocupado em saber quem era melhor para efeito de ganhar a Copa de 14. Isso é uma coisa que os adversários fazem para tirar o foco de que o próximo presidente vai ter de governar e não pode ir na garupa. E tem que ter ideias também. Não só coisas que fez no passado, mas também ideias a respeito do futuro.

A comparação com futebol também foi falsa. Lula é um craque e sairá do governo com mais de 80% de aprovação. FHC saiu com baixíssima popularidade, está mais para o que chamam de "era Dunga" (sendo injusto com Dunga, porque ele, no futebol, é muito superior e vitorioso do que FHC, na presidência).

Fátima Bernardes: Mas, por exemplo, avaliar, analisar fracassos e sucessos não ajuda o eleitor na hora de ele decidir pelo voto dele?

Olha a Fátima levantando a mesma bola de novo, para ver se Serra acerta dessa vez.

José Serra: Por isso... E é isso o que eu estou fazendo. Por exemplo, mostro na saúde. Eu fui ministro da Saúde. Fiz os genéricos, os mutirões, a campanha contra a Aids que foi considerada a melhor campanha contra a Aids do mundo, uma série de coisas. A saúde, nos últimos anos, não andou bem. Por exemplo, queda, diminuição do número de cirurgias eletivas, aquelas que não precisa fazer de um dia para o outro, mas são muito importantes. Caiu, né? Pararam os mutirões. Muita prevenção que se fazia acabou ficando para trás. Faltam ainda hospitais nas regiões mais afastadas dos grandes centros. Tem problemas com as consultas, tem problemas de demoras. Enfim, tem um conjunto de coisas, inclusive relacionadas por exemplo com a saúde da mulher. Tudo isso precisa ser equacionado no presente. Eu estou apontando os problemas existentes.
Serra falou a segunda grande mentira da noite: Os genéricos não foi Serra quem fez. Foi Jamil Haddad no governo Itamar Franco (novamente ignorado por Serra).
Em seguida falou a terceira grande mentira: o programa da Aids não foi de Serra, foi de Lair Guerra e Adib Jatene.
Quanto às cirgurgias eletivas, foram elas ou as fraudes no SUS que diminuíram? Muitas cirurgias que não existiam eram cobradas e contabilizadas como se tivessem sido feitas. Além disso, as pessoas que subiram de classe social, e que arranjaram empregos formais, e tiveram acesso a planos de saúde, e não usaram o SUS, como entram nesta contabilidade?
Serra insiste em mutirões como solução em saúde para o SUS. Mutirão é quebra-galho, não é rede de saúde planejada, que o povo merece, e que funciona.

William Bonner: Agora, candidato, vamos ver uma questão... O senhor me permita, para a gente poder conversar melhor.

José Serra: Sim, sim, claro.

William Bonner: Uma questão política. Nesta eleição, existem contradições muito claras nas alianças formadas pelos dois partidos que têm polarizado as eleições presidenciais brasileiras aí nos últimos 16 anos, né? O PT se aliou a desafetos históricos. O seu partido, o PSDB, está ao lado do PTB, um partido envolvido no escândalo do mensalão petista, no escândalo que inclusive foi investigado e foi condenado de forma muito veemente pelo seu partido, o PSDB. Então, a pergunta é a seguinte: o PSDB errou lá atrás quando condenou o PTB ou está errando agora quando se alia a esse partido?
Bonner fingiu ser duro com Serra com perguntas incômodas, mas na verdade estava levantando a bola para Serra atacar o PT, tanto é que nem tocou no assunto "mensalão do DEM", nem do mensalão tcano, do Eduardo Azeredo (PSDB/MG).

José Serra: William, é uma boa pergunta. O PTB, no caso de São Paulo, por exemplo, sempre esteve com o PSDB, de uma ou de outra maneira. Isso teve uma influência grande na aliança nacional. Os partidos, você sabe, são muito heterogêneos. O personagem principal... Os personagens principais do mensalão nem foram do PTB. Os personagens principais foram do PT, aliás, mediante denúncia do Roberto Jeferson, que era então líder do PTB.

Serra cortou a bola levantada para atacar o PT. 

Mas errou feio (pela 5ª vez) ao defender Roberto Jefferson, dizendo que ele era denunciante. Não era apenas denunciante, Roberto Jefferson é réu e teve seu mandato cassado por falta de ética.

William Bonner: Os nomes de petebistas, todos, uma lista muito vasta, começando pelo Maurício Marinho.
Bonner insiste no assunto, para requentá-lo e manter em evidência na entrevista. Levantou de novo a bola para Serra cortar.

José Serra: Você tem 40 lá no Supremo Tribunal Federal...

Willlam Bonner: Não, exato.

José Serra: E o PT ganha disparado.

Serra cortou a bola levantada por Bonner para atacar o PT, se esquivando de explicar sua relação com Roberto Jefferson. 
 
William Bonner: Mas não há nenhum constrangimento para o senhor pelo fato de esta aliança por parte do seu partido, o PSDB, ter sido assinada com o PTB pelas mãos do presidente do partido que teve o mandato cassado inclusive com votos de políticos do seu partido, o PSDB? Isso não provoca nenhum tipo de constrangimento?

O aparente "aperto" não passa de pautar a entrevista em torno de desgastar o PT.

José Serra: Olha, o Roberto Jefferson, é o presidente do PTB, ele não é candidato. Ele conhece muito bem o meu programa de governo, o meu estilo de governar. O PTB está conosco dentro dessa perspectiva. Eu não tenho compromisso com o erro. Aliás, nunca tive na minha vida. Tem coisa errada, as pessoas pagam, né? Quem é responsável por si é aquele que comete o erro, é ele que deve pagar. Eu não fico julgando. Mas eu não tenho compromisso com nenhum erro. Agora, quem está comigo sabe o jeito que eu trabalho. Por exemplo, eu não faço aquele loteamento de cargos. Para mim, não tem grupinho de deputados indicando diretor financeiro de uma empresa ou indicando diretor de compras de outra. Por quê? Para que que um deputado quer isso? Evidentemente não é pra ajudar a melhorar o desempenho. É para corrupção. Comigo isso não acontece. Não aconteceu na saúde, no governo de São Paulo e na prefeitura.
Serra errou (pela 6ª vez), por que caiu na 1ª contradição. A defesa que ele faz do relacionamento com Roberto Jefferson, contradiz as críticas que ele fez ao PT. O povo não é bobo.
Serra falou a quarta mentira: até político de Mato Grosso (Antero Paes de Barros) e Pernambuco (Roberto Freire), que estavam desempregados, ele arrumou uma boquinha na SABESP e na Prefeitura de São Paulo.

Fátima Bernardes: Candidato, nesta eleição, quer dizer, o senhor destaca muito a sua experiência política. Mas na hora da escolha do seu vice, houve um certo, um certo conflito com o DEM exatamente porque houve uma demora para o aparecimento desse nome. Muitos dos seus críticos atribuem essa demora ao seu perfil centralizador. O nome do deputado Índio da Costa apareceu 18 dias depois da sua oficialização, da convenção que oficializou a sua candidatura. É... O senhor considera que o deputado, em primeiro mandato, está pronto para ser o vice-presidente, uma função tão importante?

Fátima suavizou a pergunta. Ela teria que ter perguntado se José Roberto Arruda (ex-DEMos), seria o vice, caso não fosse preso no mensalão do DEM. Deveria perguntar também, sobre os problemas com Aécio, sobre a recusa em ser vice.

José Serra: Está. Fátima, deixa só eu te dizer uma coisa. Eu não sou centralizador. Eu sei que tenho a fama de centralizador. Mas no trabalho, eu delego muito. Eu sou mais um cobrador. Eu acompanho tudo.

Fátima Bernardes: Eu falei centralizador porque até no seu discurso de despedida do governo de São Paulo, o senhor mesmo explicou sobre essa fama de centralizador.

José Serra: Que eu não era centralizador. E todo muito que trabalha comigo sabe disso, eu delego muito. Agora, eu acompanho porque quem coordena, quem chefia tem que acompanhar para as coisas acontecerem. A questão da vice estava orientada numa direção. Por circunstancias políticas, acabou não acontecendo. E o Índio da Costa, que foi o escolhido, estava entre os nomes que a gente cogitava. Só que isso não tinha ido para a opinião pública porque senão é uma fofoca só. Fulano, cicrano, isso e aquilo. Ele disputou quatro eleições, é um homem de 40 anos e foi um dos líderes da aprovação do ficha limpa no Congresso. Eu acho que...

Fátima Bernardes: Mas a experiência dele é municipal, na verdade, não é? Ele teve três mandatos de vereador, o senhor acha que isso o qualifica?

José Serra: E um mandato deputado federal.

Fátima Bernardes: Que ele está exercendo pela primeira vez.

José Serra: Eu acho que isso o qualifica perfeitamente. O que vale é a experiência na vida pública. Tem livros sobre administração e eu insisto. Sua atuação no Congresso Nacional foi marcada pelo ficha limpa. Se você for pegar também outros vices, do ponto de vista da experiência pública, cada um tem suas limitações. Mas eu não estou aqui para ficar julgando os outros. Eu só sei que o meu vice, jovem, ficha limpa, preparado, com muita vontade, e do Rio de Janeiro, é um vice adequado. Eu me sinto muito bem com ele. Agora, devo dizer o seguinte...
Serra caiu na 2ª contradição. Ele defende seu vice dizendo que um deputado federal pela primeira vez, do baixo clero, é "perfeitamente qualificado", enquanto tenta desqualificar Dilma, que já ocupou cargos muitos mais importantes e se saiu muito bem. Serra desmontou suas próprias críticas à Dilma, ao defender seu vice.

Quinta mentira: a ficha do vice está suja e lambuzada de merenda escolar, segundo uma vereadora, tucana acima de qualquer suspeita.

William Bonner: Candidato... Candidato.

José Serra: Eu tenho muito boa saúde. Ninguém está sendo vice comigo achando que eu não vou concluir o mandato.
Serra errou ao dizer isso. Falou demais, e errou duas vezes (7º e 8º erro):

1ª) Chamou atenção para algo que a maioria dos telespectadores não estava pensando, e foram induzidos a ser perguntar: E se o Serra faltar? É aquele Indio da Costa que será presidente?

2ª) Na prática, disse que o vice é de "brincadeirinha", desqualificando-o, depois de tê-lo defendido.

William Bonner: Mas um vice não assume só nessas circunstâncias...

Fátima Bernardes: Trágicas.

Agora foi a Fátima quem, sem querer, colocou "a pulga atrás da orelha" do telespectador ...

José Serra: Mas, enfim... Eu não sei até que ponto...

William Bonner: Candidato, eu gostaria de abordar um pouquinho também da sua passagem pelo governo de São Paulo. O senhor foi governo em São Paulo durante quatro anos, seu partido está no poder em São Paulo há 16 anos. Então é razoável que a gente avalie aqui algumas dessas ações. A primeira que eu colocaria em questão aqui é um hábito que o senhor mesmo tem de criticar o modelo de concessão das estradas federais. De outro lado, os usuários, muitos usuários das estradas estaduais de São Paulo que estão sob regime de concessão, se queixam muito do preço e da frequência com que são obrigados a parar para pedágio, quer dizer, uma quantidade de praças de pedágio que eles consideram excessiva. Pergunta: o senhor pretende levar para o Brasil inteiro esse modelo de concessão de estradas estaduais de São Paulo?

Bonner suavizou muito a pergunta. E a fez muito longa, dispersando a atenção do telespectador que não conheça os abusos dos pedágios paulistas.

José Serra: Olha, antes disso. No caso de São Paulo, tem uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes, um organismo independente: 75% dos usuários das estradas do Brasil acham as paulistas ótimas ou boas. 75%, um índice de aprovação altíssimo. Isso para as federais é apenas 25%. De cada dez estradas federais, sete estão esburacadas. São as rodovias da morte. Na Bahia, em Minas, BH, Belo Horizonte, Governador Valadares, em Santa Catarina. Enfim, por toda a parte. O governo federal fez um tipo de concessão que não está funcionando.

Serra falou a sexta mentira: nesta mesma pesquisa Pesquisa rodoviária da CNT quele citou, realizada em 2009, mostra em relação aos 87.552 quilômetros avaliados: Pavimentação (págs. 32 a 35, do Relatório Gerencial): 94,3% não apresentam buracos. De onde ele tirou essa mentira que 7 em cada 10 estão esburacadas?

William Bonner: Mas a que o senhor fez motivou críticas quanto ao preço. Então a questão que se impõe é a seguinte, candidato: não existe um meio termo? Ou o cidadão brasileiro tem uma estrada boa e cara ou ele tem uma estrada ruim e barata. Não tem um meio termo nessa história?

José Serra: Eu acho que pode ter uma estrada boa que não seja cara, se você trabalhar direito. Por exemplo, a concessão que eu fiz da Ayrton Senna. O pedágio anterior era cobrado pelo órgão estadual. Caiu para a metade o pedágio. É que realmente, geralmente, os exemplos bons não veem...

A rodovia  Ayrton Senna, a única que Serra cita como tendo "reduzido" o pedágio, tem apenas 48,3 Km. E os milhares de Km das outras rodovias pedagiadas de São Paulo, cujos pedágios só subiram?

Detalhe: o pedágio da Ayrton Senna só diminuiu porque ela corre paralela à via Dutra. Se o pedágio fosse mais caro do que na Dutra, quase ninguém a usaria.

William Bonner: Mas esse modelo vai ser exportado para as estradas federais?

José Serra: Esse modelo que diminuiu pode ser adotado, porque você tem critérios para ser examinados. O governo federal fez estradas pedagiadas. Só que estão, por exemplo, no caso de São Paulo, a Régis Bittencourt, que é federal, ela continua sendo a rodovia da morte. E a Fernão Dias, Minas-São Paulo, está fechada. Você percebe? Nunca o Brasil esteve com as estradas tão ruins. Agora, tem mais: em 1000 é, é, no começo de 2003 para cá, foram arrecadados R$ 65 bilhões para transportes, para estradas na Cide. É um imposto. Sabe quanto foi gasto disso pelo governo federal? Vinte e cinco. Ou seja, foram R$ 40 bilhões arrecadados dos contribuintes para investir em estradas do governo federal que não foram utilizados. A primeira coisa que eu vou fazer, William, é utilizar esses recursos para melhorar as estradas. Não é o assunto de concessão que está na ordem do dia. É gastar. É entender o seguinte: por que de cada R$ 3 que o Governo Federal arrecadou, foram 65, ele gastou um terço disso? É uma barbaridade.
Serra errou (pela 9ª vez) ao apavorar os brasileiros com a ameaça de extender o modelo de pedágios paulista, com tarifas abusivas para o resto do Brasil.
A principal diferença nos pedágios federais na era Lula é que não são onerosos e a margem de lucro é baixa (próximo da taxa selic). O resultado é uma tarifa muito baixa. Os governos demo-tucanos paulistas fazem o contrário: concessão onerosa, que são repassadas às tarifas, e margem de lucro das concessionárias acima de 20% (um absurdo).

A sétima mentira: A rodovia Fernão Dias não está fechada.

A oitava mentira: A arrecadação da CIDE não é só para estradas. Ela é usada também para infra-estrutura do transporte urbano nas cidades, projetos ambientais, e para subsidiar o preço de combustíveis, quando necessário. 
O IPVA (quase R$ 9 bilhões só em São Paulo em 2009) que é estadual e Serra recolheu como governador, é que deveria ser para conservar rodovias, e não se sabe para onde vai, nem como é gasto, já que as rodovias paulistas foram privatizadas. O cidadão paulista paga um pedágio caríssimo, e ainda paga um IPVA também bastante caro.

Fátima Bernardes: Nós estamos...

José Serra: Por isso as estradas federais estão nessa situação. Desculpa, Fátima, fala.

Fátima Bernardes: Não, candidato. É que como nós temos um tempo, eu queria dar ao senhor os 30 segundos para o encerramento, para o senhor se dirigir ao...

José Serra: Já passou?!

Fátima Bernardes: Já passou, já estamos, olhe lá, Onze e quarenta e sete e os seus eleitores.

José Serra: Olha, eu vim aqui, queria, em primeiro lugar, agradecer a vocês por essa oportunidade. Eu tenho uma origem modesta, meus pais eram muito modestos. Eu acho que eles nunca sonharam que um dia eu estaria aqui no Jornal Nacional, que eles assistiam diariamente, aliás pela segunda vez, falando como candidato a presidente da República. Eu devo a eles até onde eu cheguei. Devo a eles, devo à escola pública e acabei virando professor universitário, mas também sempre ligado às questões públicas, desde que eu fui presidente da União Nacional dos Estudantes até hoje. O que eu peço hoje...

Serra ensaiou, ensaiou, ensaiou... e o que saiu foi isso aí.  


William Bonner: Seu tempo, candidato.

José Serra: Para concluir é o seguinte: eu acho que o Brasil pode continuar e pode melhorar muito. O que eu queria pedir às pessoas...

William Bonner: Candidato, o senhor me obriga a interrompê-lo, me perdoe, me perdoe.

José Serra: Não posso nem falar um pouquinho?

William Bonner: É em respeito... Não posso. Porque é em respeito aos demais candidatos que estiveram aqui. E eu sei que o senhor vai compreender. E eu quero agradecer a sua presença aqui.
 José Serra: Não. Eu compreendo. Obrigado.
Quem pensou que Bonner foi "durão" com Serra, não conhece o outro lado da história. 

Se o tempo fosse a mais para Serra, Dilma e Marina teriam direito a voltar ao Jornal Nacional outro dia para completar o tempo igual para todos, de acordo com as leis eleitorais. 
 

agosto 11, 2010

Casal Bonner vs. Dilma Roussef

Tijolaco | 9 de agosto de 2010
Link para a matéria do vídeo no Tijolaço.com: http://www.tijolaco.com/?p=22413

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Feitiço contra feiticeiro

por Lelê Teles – Nada está tão ruim que não possa piorar, reza o ditado. Os deformadores de opinião, no afã de salvarem Serra da irrevogável e fragorosa derrota, vão jogando na lata de lixo a pouca credibilidade de que dispõem. Pouca para não dizer exígua.

Dever ser desesperador para o aparato midiático apátrida e entreguista passar oito anos esculhambando Lula da Silva, usando para desconstruir sua imagem uma rede de emissoras de rádio e TV, jornais, sites, dando carta branca a seus mais inteligentes articulistas, se valendo ainda de ex-embaixadores, atrizes, especialistas em todas as especialidades, blogueiros, trolls, ex-presidentes, crises artificiais, caos orgânicos, factoides, pilhas de dinheiro, dossiês, estatísticas, leitões, índios, absolutamente tudo de que dispõem e no final verem o presidente chegar ao mais alto índice de aprovação da história. Não é um retrato da reprovação da mensagem deletéria?

A última trincheira seria a justiça, como afirmaram os mais desesperados. Pois agora veja você, o caldo parece ter desandado. A justiça disse que o PSDB mentiu e garantiu direito de resposta ao PT no sítio tucano, a mesma justiça disse que Veja mentiu e garantiu direito de resposta ao PT nas páginas do veículo de maledicências. E agora, José?

José Serra ainda contava com William Bonner e Fátima Bernardes. E o casal foi perfeito para fazer Dilma crescer e acertar o seu discurso, impor a sua marca que será, sem dúvida, martelada daqui pra frente: “Eu tenho experiência administrativa, eu conheço o Brasil de ponta a ponta, eu tenho imenso orgulho da minha relação política com o presidente Lula”.

Era só o que faltava. Em pleno Jornal Nacional a candidata de Lula deixou claro para todos os brasileiros que ela é a candidata de Lula. Porque 25% dos eleitores ainda não sabiam quem era o candidato de Lula, um terço dos eleitores de Serra padecia da mesma dúvida, o casal Bonner prestou este imenso serviço à nação.

Os telespectadores do Jornal Nacional não deixaram de notar algo estranho. Eles nunca haviam visto o casal Bonner se desentender no ar, nunca viram o casal tão irascível e perceberam que as perguntas feitas para criar desconforto na candidata de Lula gerava mais desconforto neles próprios após cada resposta.

Graças ao Jornal Nacional, os brasileiros souberam quem é a candidata de Lula, o que ela pensa sobre o Brasil e que ela é uma mulher sorridente e ao mesmo tempo firme. Que esta mulher já ocupou importantes cargos administrativos, até se tornar ministra e em seguida chefe da Casa Civil. Ficou claro o quanto Lula confia nela. E que ela não foge de perguntas e não tem medo de entrevistadores. E agora José?

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Fonte: Amálgama