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novembro 01, 2010

Com a vitória de Dilma, grupelhos de Manaus, que disseminaram mentiras e preconceitos, enfiam o rabo entre as pernas

PICICA: Em Manaus, um grupelho (facção ou grupo insignificante, sem maior importância) usou o Facebook para disseminar mentiras e preconceitos contra a candidatura de Dilma Rousseff. Mandaram a etiquetas às favas, pisotearam a ética, arrotaram bacaba, abusaram em argumentos escatológicos, revelaram toda sua arrogância classista, exigindo um grande exercício de paciência revolucionária. Que o diga o poeta Dorival Carvalho, que resistiu à maledicência, sem perder a ternura jamais.

Os derrotados da eleição


A guerra acabou. Dilma Rousseff é presidente do Brasil. Para chegar até aqui, teve que enfrentar uma das batalhas mais violentas da história da República. E venceu.

Derrotou não só seu adversário, José Serra, mas também um exército implacável, cruel e muito poderoso: os principais grupos de comunicação do país. Estes são os grandes derrotados nesse dia de glória para a democracia.

Os milhões de votos recebidos pela candidata petista são a prova gigantesca de que os brasileiros nunca mais se deixarão ser manipulados. Nem permitirão ser tratados como gente ignorante. O povo, definitivamente, não é bobo.

Durante meses, houve um bombardeio incessante de manchetes, chamadas, apelos, boatos e factoides. Um massacre impiedoso, orquestrado. Em fiapos de verdade, urdiram uma rede de mentiras e preconceitos.

Não bastou ser atacada durante o horário eleitoral gratuito. Isso faz parte do jogo. Infame foi ser fustigada diariamente pela propaganda política voluntária dos barões da mídia.

Dilma Rousseff e milhões de brasileiros enfrentaram o maior jornal do país, a Folha de S.Paulo. E a maior emissora de TV, a Globo. A revista de maior tiragem, a Veja. Nessa tropa de choque incansável também perfilam os jornais O Estado de S.Paulo e O Globo. Turma da pesada.

Nos próximos dias, sempre às 10h e às 16h, vamos usar este espaço para detalhar a forma como esses derrotados agiram do alto de seus palanques. Como pisotearam a liberdade de imprensa.

Cada um com seus soldados. Ou capangas. Tanto poder para quê? Tanta arrogância, fulminada pela força das urnas. Os que escrevem e entrevistam e ditam editoriais ficaram mudos. Quem manda, senhores do universo, é quem lê, quem ouve, quem vê. Os vitoriosos. Deste Brasil.

Fonte: O provocador

outubro 30, 2010

Dilma supera seu último obstáculo: o debate na TV Globo

PICICA: O desempenho medíocre do candidato do obscurantismo ficou claro ao final do debate da TV Globo. Todos os 80 eleitores indecisos, pero no mucho, presentes ao debate pediram autógrafos e fotografias para a candidata Dilma Rousseff, a candidata que usou da verdade para vencer a mentira.
dilmanaweb | 29 de outubro de 2010

Mensagem cheia de calor e doçura de Nich Vendola à Dilma Rousseff

PICICA: Mensagem à Dilma de Nich Vendola, provável candidato da esquerda italiana a premier. (Piccolo mensaggio de Astrid Lima) Gracie, Astrid, le cose nono un po' pazze questi ultimi tempi. Me mantenga aggiornato. 

Post: Miracolo Brasile

Autore: Nichi

Un intero continente guarda con sollievo e speranza alla vittoria di Dilma Rousseff al ballottaggio di domenica prossima in Brasile. Dopo otto anni di governo Lula, la speranza di cambiare in profondità il Brasile è diventata una realtà. La popolarità di Lula è la più alta nella storia così tanto tormentata di quel paese. Per noi, che fummo presenti all’annuncio di quella vittoria nelle strade gioiose del Forum sociale mondiale di Porto Alegre, questa notorietà e il probabile successo della candidata del Pt sono una conferma che la buona politica può cambiare il corso della storia. In quello che era uno dei paesi più segnati dalle grandi disuguaglianze, oggi c’è un’euforia e una crescita economica che hanno pochi rivali al mondo. Mentre i paesi che un tempo definivamo sviluppati, compresa l’Italia, oggi sono profondamente in declino, dall’altra parte del mondo il BRIC (Brasile, Russia, India e Cina) segna una crescita di tutti i livelli, macroeconomici e di quelli che riguardano lo sviluppo umano. Dilma Rousseff raccoglie un’eredità che l’intero popolo brasiliano potrà e dovrà custodire. A noi piace la sua determinazione e competenza, la sua biografia, segnata dalla tortura e dall’anelito di libertà. Ci piace perché potrebbe essere la prima donna a guidare un paese tanto importante per il futuro dell’umanità. In Brasile la politica del governo ha spostato molto più a sinistra l’intero quadro politico e anche il successo della candidata ambientalista, Marina Silva, sottolinea una domanda forte di partecipazione alle scelte di fondo di quel paese. 

A Dilma va tutto il nostro entusiasmo, che spero possa arrivare come un soffio lontano ma pieno di calore e dolcezza. Se un tempo guardavamo all’America del nord per immaginare il futuro, oggi non possiamo far altro che volgere lo sguardo verso i paesi a sud, e tra questi, il Brasile è davvero un miracolo.

Ecco la versione tradotta in portoghese:

Um continente inteiro contempla com alívio e esperança a vitória de Dilma Roussef no segundo turno das eleições brasileiras, no próximo domingo. Depois de oito anos de Governo Lula, a esperança de mudar profundamente o Brasil tornou-se uma realidade. A popularidade de Lula é a mais alta na história tão atormentada do país. Para nós, que estivemos presentes no anúncio daquela vitória nas ruas em festa do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, essa popularidade e o provável sucesso da candidata do PT são uma confirmação de que a boa política pode mudar o curso da história. Naquele que era um dos países mais marcados pelas grandes desigualdades, hoje há uma euforia e um crescimento econômico que encontra poucos rivais no mundo. Os países que no passado definíamos como desenvolvidos, incluída a Itália, hoje estão em profundo declínio. Em outros recantos do mundo, o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) mostra um crescimento em todos os níveis, macroeconômicos e no que diz respeito ao desenvolvimento humano. Dilma Rousseff carrega uma herança que todo o povo brasileiro poderá e deverá proteger. Nos agrada a sua
determinação e competência, a sua biografia, marcada pela tortura e pelo sonho de liberdade. Nos agrada porque ela poderá ser a primeira mulher a conduzir um país tão importante para o futuro da humanidade. No Brasil, a política do governo tem levado o quadro político muito mais pelas vias da esquerda, sem esquecer também que o sucesso da candidata ambientalista, Marina Silva, destaca um clamor por participação nas escolhas importantes daquele país.


À Dilma vai todo o nosso entusiasmo, que espero possa chegar como um sopro distante mas cheio de calor e doçura. Se no passado olhávamos para a América do Norte para imaginar o futuro, hoje não podemos fazer outra coisa senão voltar nosso olhar em direção aos países do sul e, entre esses, ao Brasil, que é sem dúvida um milagre.

Fonte: Vendola Presidente

outubro 28, 2010

Dilma Rousseff não abre mão da soberania nacional

PICICA: O Brasil de FHC era um; o de Lula é outro, e é esse legado que não queremos perder. Ainda mais com três trilhões de dólares enterrado no Pré-Sal. Adeus, interesses subalternos. A independência começa agora, meu povo.
dilmanaweb | 27 de outubro de 2010

outubro 23, 2010

Vote Dilma, para o Brasil não retroceder

PICICA:  Enquanto o ex-Gabeira perde o bonde da história, veja porque a militância verde do PV autêntico está apoiando Dilma. E a pergunta que não quer calar: "Por que Serra não faz comício?". Leia em Passe Livre.
dilmanaweb | 22 de outubro de 2010

outubro 20, 2010

Veja aqui o time do Exterminador do Futuro do Brasil , José Serra

PICICA: Como dizem os amazonenses, "este time está descendo a serra com borra". Uns foram bater no xilindró, e a maiora amargou derrota nas indevassáveis urnas eletrônicas. Foi-se o tempo em aqui senador se elegia engravidando urnas de saco de lona. Pega, leso!
arxavier777 | 4 de setembro de 2010

Angela Mendes, filha de Chico Mendes, está com Dilma Rousseff

PICICA: "O Serra nunca mexeu uma palha em defesa do movimento socioambiental" (Angela Mendes).
leodopt13 | 18 de outubro de 2010
Filha de Chico Mendes está com Dilma

outubro 19, 2010

Dilma, o povão já entendeu o que está em jogo: a soberania nacional

PICICA: Segundo o Vox Populi, Dilma tem 51% contra 39% de Serra. Considerando somente os votos válidos, a vantagem subiu de 8 para 14 pontos. Dilma tinha 54% e passou para 57%. Serra caiu de 46% para 43%. A margem de erro da pesquisa é de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos. Enquanto isso, Serra, o obscuro, insiste pelo Telemarketing que Dilma é a favor do aborto. segundo matéria do Correio Brasiliense. O esforço de William Bonner em colar o rótulo na pele da candidata do PT é "comovente" (vídeo abaixo). Eles apostam todas as suas fichas que o povo é leso. Te manca, jaburu?
RicardoNoblat | 18 de outubro de 2010

Dilma deverá combater, implacavelmente, a corrupção

PICICA: O IHU nos oferece uma entrevista com Wladimir Pomar sobre a atuação do PT nessas eleições. Segundo ele, Lula legará à Dilma Rousseff um duro combate contra a corrupção. O PICICA aproveita o ensejo para sugerir o nome do deputado federal pelo PT-AM, Francisco Praciano, para assumir a presidência da Comissão de Combate à Corrupção. O tema é um dos ítens que sustenta, historicamente, suas campanhas eleitorais.

19/10/2010
‘Lula legará à Dilma um duro combate contra a corrupção’. Entrevista especial com Wladimir Pomar

Uma análise da atuação do PT nessas eleições é o que faz Wladimir Pomar na entrevista que concedeu à IHU On-Line, por e-mail. Afinal: O PT errou ou acertou em sua estratégia nesse pleito? Para Pomar, em termos parlamentares e executivos estaduais, o PT se consolidou como um dos principais partidos nacionais. Porém, erros sérios, aponta ele, foram cometidos e diretamente refletidos na campanha presidencial. “O PT evitou travar uma batalha e uma discussão política em profundidade sobre o futuro das mudanças necessárias à sociedade brasileira. Isto permitiu que Marina Silva se apropriasse de bandeiras que eram tradicionais no PT, e que as apresentasse como se o PT as houvesse abandonado”, afirmou.

Wladimir Pomar
é analista político. Militante político desde 1949, ajudou a fundar o PCdoB em 1962. Preso no regime militar, atuou clandestinamente durante a década de 1970. Dez anos depois, tornou-se um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e integrou a executiva nacional do PT entre 1984 e1990. Foi coordenador-geral da campanha presidencial de Lula em 1989.

Confira a entrevista.


IHU On-Line – Como o PT sai desse primeiro turno?

Wladimir Pomar – O PT, em termos parlamentares e dos executivos estaduais, saiu reforçado. Embora possa ser derrotado em algumas disputas estaduais do segundo turno, ele saiu das eleições consolidado como um dos principais partidos nacionais.

Por outro lado, o PT cometeu alguns erros sérios na campanha, que se refletiram negativamente na eleição presidencial. Dois deles foram
erros estratégicos. Em primeiro lugar, o PT evitou travar uma batalha e uma discussão política em profundidade sobre o futuro das mudanças necessárias à sociedade brasileira. Isto permitiu que Marina Silva se apropriasse de bandeiras que eram tradicionais no PT, e que as apresentasse como se o PT as houvesse abandonado. Em segundo lugar, o PT praticamente abandonou seu tradicional método de corpo a corpo com o eleitorado e de campanha de mobilização massiva, acreditando que bastava o apoio e a popularidade de Lula para vencer no primeiro turno.

Estas foram as causas principais do crescimento da
Marina e do insucesso relativo da eleição de Dilma no primeiro turno.

IHU On-Line – Movimentos como o MST, que há muito não se manifestavam sobre a política nacional, divulgaram documento de apoio à Dilma. O que isso pode significar?


Wladimir Pomar – O MST, assim como os movimentos sociais em geral, sabem que uma diferença fundamental entre um governo dirigido pelo PT e um governo do PSDB-DEM consiste em que um governo dirigido pelo PT pode até cometer muitos erros, em vários terrenos, mas jamais admitirá criminalizar os movimentos sociais, ao contrário do que fez o governo FHC, com Serra como um de seus principais expoentes.

As bases do
MST haviam sinalizado que votariam em Dilma já no primeiro turno, em grande parte por isso, em grande parte porque reconhecem que o governo Lula havia melhorado a situação econômica dos pobres. Assim, a direção do MST apenas verbalizou uma tendência fortemente presente em suas bases.

IHU On-Line – Como o senhor vê esse embate criado entre lideranças católicas e evangélicas, de apoio aberto à Dilma e ao Serra?


Wladimir Pomar – A clivagem principal que existe na sociedade, em especial numa sociedade multicultural como a brasileira, não é a religiosa, mas sim a de classe, ditada pelos interesses econômicos e sociais, em harmonia ou em conflito. Tanto entre os católicos quanto entre os evangélicos, a divisão social é uma realidade, embora não se deva desprezar o papel que o apelo religioso exerce sobre as decisões políticas que ambos têm que tomar.

Na campanha eleitoral, a grande imprensa e o candidato
Serra procuraram transformar assuntos de apelo religioso, como o aborto, em pontos centrais da disputa. Nessas condições, embora tais assuntos tenham sido apresentados de forma distorcida, parte do eleitorado católico e evangélico se sensibilizou com as denúncias, apoiando Serra, enquanto outra parte percebeu a mistificação e colocou em primeiro plano seus interesses econômicos, sociais e políticos, optando por Dilma.

Porém, mesmo que esse tipo de assunto não tivesse entrado na disputa, seria natural a divisão entre os dois candidatos em virtude dos interesses de classe. As
lideranças religiosas apenas expressam a divisão latente que existe em seu meio.

IHU On-Line – Quais as diferenças e semelhanças políticas entre Dilma e Lula?


Wladimir Pomar – Lula e Dilma possuem uma unidade política muito grande em torno dos projetos nacionais, econômicos e sociais que o Brasil necessita. Ambos sabem que só é possível elevar o padrão de vida do conjunto da população brasileira se o país desenvolver suas forças produtivas, com base nas ciências e tecnologias. O que inclui industrializar o país, tendo por base os novos parâmetros científicos e tecnológicos que permitam, ao mesmo tempo, proteger e recuperar o meio ambiente, produzir uma energia limpa, e praticar uma agricultura sustentável. E que tudo isso vai exigir um esforço considerável para colocar a educação em primeiro plano nos esforços nacionais.

Ambos também sabem que o mercado capitalista realiza uma distribuição desequilibrada e desigual das riquezas produzidas, necessitando que o Estado atue consciente e efetivamente no processo de redistribuição da renda e de amparo à saúde, através de políticas que reduzam os abismos existentes entre as classes mais ricas e as mais pobres. Nas condições brasileiras, esse é um processo complexo e novo, cujos embates ainda têm se limitado às disputas eleitorais. Se continuarem dentro desses limites, o que se pode esperar é que
Dilma não só dê continuidade ao que o governo Lula implantou, como avance muito mais, porque as condições para isso foram criadas pelo próprio governo Lula.

Ambos também sabem que a luta contra a corrupção é um item importante da agenda política, assim como da agenda policial e judicial. Porém, supor que um governo eleito, tendo como aparato de Estado uma máquina, que há muito criada para servir aos interesses dos poderosos, possa mudar essa situação rapidamente e liquidar a corrupção a curto prazo, é uma ilusão. Num quadro como esse,
Lula legará à Dilma um combate duro contra a corrupção e a necessidade de implantar reformas políticas, tributárias e fiscais, que fechem canos e torneiras que permitem o saque aos recursos dos contribuintes e o vazamento de dinheiro público para o bolso de aproveitadores. Mas não será fácil.

IHU On-Line – O que significa o apoio que veio do PSOL que sugere o voto nulo ou o voto crítico em Dilma?

Wladimir Pomar – Há muito tempo a esquerda e setores progressistas brasileiros sofrem da síndrome de confundir inimigos e amigos. Nesta eleição, foi dramático assistir a pessoas da esquerda ou progressistas apoiando a atual direita, representada pelo PSDB-DEM. Ou, mesmo não a apoiando diretamente, atacando Dilma e o PT como se fossem os inimigos principais. Nesse sentido, a decisão do PSOL em sugerir o voto, mesmo crítico, em Dilma, indica um bom vento de racionalidade política, que aponta para o inimigo verdadeiro.

IHU On-Line – O PT que entrou nessas eleições é o mesmo que sai?


Wladimir Pomar – Nunca se é o mesmo, seja lá quem for. O PT de 1990 não era o mesmo de 1989, o de 2003 não era o mesmo de 2002, e assim por diante. O problema consiste em saber o que realmente mudou e quais os novos desafios que há pela frente. Se Dilma vencer, as mudanças e desafios serão de um tipo. Se Dilma perder, serão de outro. De qualquer modo, o PT terá que fazer uma avaliação mais profunda de sua trajetória e, na melhor das hipóteses, analisar seriamente porque cometeu, no primeiro turno, erros estratégicos que colocaram em risco a vitória na campanha presidencial. O resto talvez seja desdobramento dessa análise estratégica.

IHU On-Line – Como o senhor define o PT de hoje?


Wladimir Pomar – O PT continua sendo a maior expressão da esquerda e dos sentimentos mais profundos dos trabalhadores e das camadas pobres da população brasileira. Nessas condições, ele deve abrigar democraticamente diferentes correntes de pensamento da sociedade brasileira, que possuem as classes populares como seu motivo de existência.

O problema é que isto não basta para dar maior organicidade, ou capacidade de resposta, ao PT. Por exemplo, em seu meio há os que ainda não acordaram para o fato de que, quanto mais o PT se torna uma alternativa de governo e de mudança no sentido democrático e popular, mais complexa e, em grande medida violenta, tende a ser a resposta da oposição de direita e, em certa medida, do centro. O PT terá que se haver com esse aumento de complexidade, tanto no caso da vitória ou derrota de
Dilma.

Por um lado, no caso de vitória, a direita tentará impedir que o governo funcione a contento e avance na implantação de medidas de cunho mais democrático e popular, seja por meio de boicotes, seja por meio de barganhas com alguns aliados atuais do PT. De outro, no caso de derrota, haverá a intensificação dos esforços para simplesmente liquidar o PT como alternativa de governo. Nada diferente do que já foi tentado durante os mais de 30 anos de vida do PT, mas certamente com uma virulência bem maior.


O PT poderá, então, ser definido pelo
grau de mobilização que conseguiu nesta reta final das eleições de 2010, e pelo grau de consciência que o conjunto de seus dirigentes e militantes tiverem a respeito dos desafios que terão pela frente, a partir dos resultados das urnas em 31 de outubro.


Para ler mais:
Fonte: IHU

outubro 17, 2010

Dilma Rousseff não pode ceder ao obscurantismo na questão do aborto

PICICA: Voltamos a postar o vídeo em que Dilma Roussef aborda a questão do aborto no Brasil. É sabido que morre uma mulher a cada dois dias devido ao aborto mal assistido, o que o inscreve como um grave problema de saúde pública. Nas eleições de 2010 para a presidência da república, os setores fundamentalistas das igrejas católicas e evangélicas resolveram cobrir o Brasil com o manto do obscurantismo, promovendo um retorno das teses moralistas que foram varridas do cenário de outros países. Fecham os olhos para o fato que uma em cada cinco brasileiras já fez um aborto. Dilma Rousseff tem uma posição clara sobre a questão. Entretanto, foram tantas as distorções promovidas por esses setores que ,transformadas em campanha difamatória - muito bem utilizada por um candidato sem escrúpulos como José Serra -, resultou numa comunicação da candidata (abaixo) que, se não joga décadas de trabalho ao chão, deixa um sabor amargo para quem luta pelos direitos das mulheres. Por isso, é bom rever o vídeo abaixo e o depoimento corajoso de várias mulheres, inclusive de quem já votou no candidato tucano. Aos que perguntam por que descriminalizar o aborto, é bom que indaguem  em que a criminalização tem ajudado as mulheres no Brasil.

Excelente vídeo para motivar debates sobre o aborto. Mostra o absurdo que é criminalizar as mulheres que fizeram aborto. São depoimentos de mulheres e homens de todas as classes sociais, sindicalistas, artistas, religiosos(as), pessoas que sofreram e viram sofrer.

Este vídeo, mesmo que antigo (com mais de 10 anos), é atual, pois mostra a criminalização e a opressão das mulheres. A hipocrisia da sociedade e o resultado disso: a morte de mulheres, na maioria pobres, por causa de abortos inseguros.

É um vídeo que ajuda no esclarecimento das razões porque lutar para que o aborto seja discriminalizado no Brasil e que as mulheres tenham o direito de optar se desejam ou não ter filhos e o Estado responsabilizado a apoiar essa decisão, com assistência médica de qualidade, com informações e com medicamentos ou contraceptivos distribuídos gratuitamente.

Este víde contou com o apoio do Núcleo de Estudos da Mulher e Relaçoes Sociais de Gênero - NEMGE e da Fundação MacArthur

CARTA DILMA ROUSSEFF
15 de outubro de 2010

Dirijo-me mais uma vez a vocês, com o carinho e o respeito que merecem os que sonham com um Brasil cada vez mais perto da premissa do Evangelho de desejar ao próximo o que queremos para nós mesmos. É com esta convicção que resolvi pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus adversários eleitorais. Para não permitir que prevaleça a mentira como arma em busca de votos, em nome da verdade quero reafirmar:

1. Defendo a convivência entre as diferentes religiões e a liberdade religiosa, assegurada pela Constituição Federal;

2. Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto;
 
3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.

4. O PNDH3 é uma ampla carta de intenções, que incorporou itens do programa anterior. Está sendo revisto e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família;

5. Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil;

6. Se Deus quiser e o povo brasileiro me der, a oportunidade de presidir o País, pretendo editar leis e desenvolver programas que tenham a família como foco principal, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e tantos outros que resgatam a cidadania e a dignidade humana.

Com estes esclarecimentos, espero contar com vocês para deter a sórdida campanha de calúnias contra mim orquestrada. Não podemos permitir que a mentira se converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos de manipular a fé e a religião tão respeitada por todos nós. Minha campanha é pela vida, pela paz, pela justiça social, pelo respeito, pela prosperidade e pela
convivência entre todas as pessoas.

Dilma Rousseff

Carta aberta da AGLBT lembra aos candidatos à Presidência da República que o Estado brasileiro é laico

PICICA: Carta aberta da ABGLT pede o fim da instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral à presidência da república. Se Adamor Guedes (presidente da ABGLT do Amazonas, vítima da homofobia, assassinado em Manaus, na madrugada de 27/09/2005) estivesse entre nós, certamente ele diria: "É o fim da picada; é o 'ó' do 'bobó'". O PICICA presta aqui sua homenagem ao primeiro dirigente do movimento gay a prestar solidariedade ao movimento de luta antimanicomial, quando a Associação Chico Inácio (filiada à Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial - Renila) realizou a I Parada do Orgulho Louco pelas ruas de Manaus.


manaustoall | 1 de setembro de 2008
Adamor Guedes, ex-presidente da AAGLT/AM, um dos maiores lideres do movimento GLBTT.
Vítima de sua luta contra a homofobia e contra os crimes vitimando homossexuais.

Imagem postada em clickpb.com.br
Carta aberta da ABGLT as candidaturas  de  Dilma Roussef e José Serra

Prezada  Dilma e  Prezado Serra,

A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT, é uma entidade que congrega 237 organizações da sociedade civil em todos Estados do Brasil. Tem como missão a promoção da cidadania e defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais, contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero.

Assim sendo, nos dirigimos a ambas as candidaturas à Presidência da República para pedir respeito: respeito à democracia, respeito à cidadania de todos e de todas, respeito à diversidade sexual, respeito à pluralidade cultural e religiosa.

Respeito aos direitos humanos e, principalmente, respeito à laicidade do Estado, à separação entre religião e esfera pública, e à garantia da divisão dos Poderes, de tal modo que o Executivo não interfira no Legislativo ou Judiciário, e vice-versa, conforme estabelece o artigo 2º da Constituição Federal:  “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.”

Nos últimos dias, temos assistido, perplexos, à instrumentalização de sentimentos religiosos e concepções moralistas na disputa eleitoral.

Não é aceitável que o preconceito, o machismo e a homofobia sejam estimulados por discursos de alguns grupos fundamentalistas e ganhem espaço privilegiado em plena campanha presidencial.

O Estado brasileiro é laico. O avanço da democracia brasileira é que tem nos permitido pautar, nos últimos anos, os direitos civis dos homossexuais e combater a homofobia. Também tem nos permitido realizar a promoção da autonomia das mulheres e combater o machismo, entre os demais avanços alcançados.  O progresso não pode parar.

Por isso, causa extrema preocupação constatar a tentativa de utilização da fé de milhões de brasileiros e brasileiras para influir no resultado das eleições presidenciais que vivenciamos. Nos últimos dias, ficou clara a inescrupulosa disposição de determinados grupos conservadores da sociedade a disseminar o ódio na política em nome de supostos valores religiosos. Não podemos aceitar esta tentativa de utilização do medo como orientador de nossos processos políticos. Não podemos aceitar que nosso processo eleitoral seja confundido com uma escolha de posicionamentos religiosos de candidatos e eleitores. Não podemos aceitar que estimulem o ódio entre nosso povo.

O que o movimento LGBT e o movimento de mulheres defendem é apenas e tão somente o respeito à democracia, aos direitos civis, à autonomia individual. Queremos ter o direito à igualdade proclamada pela Constituição Federal, queremos ter nossos direitos civis, queremos o reconhecimento dos nossos direitos humanos. Nossa pauta passa, portanto, entre outras questões, pelo imediato reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo e pela criminalização da discriminação e da violência homofóbica.

Cara Dilma e  Caro Serra

Por favor, voltem a conduzir o debate para o campo das ideias e do confronto programático, sem ataques pessoais, sem alimentar intrigas e boatos.

Nós da ABGLT sabemos que o núcleo das diferenças entre vocês (e entre PT e PSDB) não está na defesa dos direitos da população LGBT ou na visão de que o aborto é um problema de saúde pública.

Candidato Serra: o senhor, como ministro da saúde, implantou uma política progressista de combate à epidemia do HIV/Aids e normatizou o aborto legal no SUS. Aquele governo federal que o senhor integrou também elaborou os Programas Nacionais de Direitos Humanos I e II, que já contemplavam questões dos direitos humanos das pessoas LGBT. Como prefeito e governador, o senhor criou as Coordenadorias da Diversidade Sexual, esteve na Parada LGBT de São Paulo e apoiou diversas iniciativas em favor da população LGBT.

Candidata Dilma: a senhora ajudou a coordenar o governo que mais fez pela população LGBT, que criou o programa Brasil sem Homofobia, e o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com diversas ações. A senhora assinou, junto com o presidente Lula, o decreto de Convocação da I Conferência LGBT do mundo. A senhora já disse, inúmeras vezes, que o aborto é uma questão de saúde pública e não uma questão de polícia.

Portanto, candidatos, não maculem suas biografias e trajetórias. Não neguem seu passado de luta contra o obscurantismo.

A ABGLT acredita na democracia, e num país onde caibam todos seus 190 milhões de habitantes e não apenas a parcela que quer impor suas ideias baseadas numa única visão de mundo. Vivemos num país da diversidade e da pluralidade.

É hora de retomar o debate de propostas para políticas de governo e de Estado, que possam contribuir para o avanço da nação brasileira, incluindo a segurança pública, a educação, a saúde, a cultura, o emprego, a distribuição de renda, a economia, o acesso a políticas públicas para todos e todas!

Eleições 2010, segundo turno, em 15 de outubro de 2010.

ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

outubro 15, 2010

O diplomata Pablo Ghetti argumenta porque vota em Dilma Rousseff

Caros amigos/as,

Peço desculpas por escrever e-mail coletivo, mas, diante da gravidade da situação política atual, permito-me compartilhar reflexões políticas que possam informar escolhas difíceis e o exercício responsável do voto.
Lembro que escrevo esse texto enquanto cidadão, em caráter estritamente pessoal.

Desde seu início, mantive posição crítica ao governo do presidente Lula. Não me parece que essa experiência de poder tenha enfrentado diretamente, ou em tempo hábil, alguns sérios problemas que assolam a sociedade brasileira, como a política fisiológica, o oligopólio dos meios de comunicação de massa, os riscos ao caráter laico do Estado e os entraves estruturais à inovação e à ciência de qualidade. Passando ao largo desses temas, certamente polêmicos, e que merecem debate intenso no Congresso e fora dele, ou retraindo-se diante das reações negativas, o governo perdeu a oportunidade de constituir uma maioria real, calcada em maior conscientização e sensibilização da opinião pública e da sociedade civil e, portanto, capaz de defender seus méritos.

Apesar de todas as dificuldades, não tenho dúvidas de que a aliança que governa o Brasil representa grandes avanços que a diferenciam substancialmente de governos anteriores. A ascensão de Lula não foi apenas
um símbolo de superação e amadurecimento político. Mais do que isso, seu governo foi marcado por compromissos sociais e por apostas democráticas no potencial do Brasil cujos precedentes são raros e insipientes. Em quadro de perplexidade em relação a modelos de sociedade aptos a transformar o Brasil, o governo compreendeu a correlação de forças do mundo contemporâneo e soube ser pragmático ao conciliar objetivos conceitualmente contraditórios, conforme esquemas aceitos até então, como combate à inflação e rápido desenvolvimento econômico, emprego com proteção social e aumento do mercado de trabalho, modelo exportador de commodities e expansão do mercado de consumo interno.

Proponho, finalmente, discutir dois temas que conheço bem: Defesa da Democracia e Política Externa (fiz mestrado e doutorado em teoria da democracia e trabalho agora com política externa, como diplomata), e que marcam a distância entre o período 2003-2010 e aquele imediatamente anterior. Essa comparação é fundamental porque José Serra esteve na linha de frente do governo tucano, enquanto Dilma Rousseff ocupou postos-chave no governo liderado pelo PT.

Defesa da Democracia

Parte significativa da imprensa e a oposição têm feito severas críticas ao que consideram ameaça à democracia no governo Lula. O argumento desse tipo sugere que a candidata Dilma constituiria risco ainda maior, em razão de seu “estilo” autoritário. Vale lembrar que Lula não hesitou em rechaçar os boatos de terceiro mandato, o que seria uma tentação óbvia, dada a  ausência de sucessores naturais e dada sua extraordinária popularidade pessoal. Dilma, por seu turno, deu provas de compromisso com a democracia, de luta contra a ditadura, tendo coordenado ações do governo que não se cansam de procurar ouvir a sociedade em diversos fóruns, conselhos e conferências, cujo propósito é fazer com que as políticas públicas sejam mais que jogadas de marketing ou decisões de um líder incontestável. Tive oportunidade de ver isso ocorrer nas áreas de educação e de segurança alimentar e nutricional, em que se percebe um diálogo legítimo entre governo e movimentos sociais, que reconhecem seus papéis distintos, mas compartilham códigos discursivos e referenciais comuns, em poucas palavras: “falam a mesma língua”.

Ressalte-se que o histórico do PSDB e de seus aliados é bastante questionável nessa área. Em fins 1993 e 1994, ocorreu no Brasil um processo de revisão constitucional, previsto pela Constituição de 1988. Naquela
época havia grande expectativa de que o Partido dos Trabalhadores seria vitorioso nas eleições presidenciais de 1994. E não foi por acaso que a maioria governista modificou o mandato presidencial de cinco para quatro anos, sem possibilidade de re-eleição, por meio da Emenda Constitucional de Revisão no. 5, de 7 de junho de 1994. Esse casuísmo gritante, às vésperas da eleição, não foi caso isolado. A Emenda Constitucional nº 16, que aprovou a re-eleição para os cargos do executivo brasileiro, beneficiando diretamente o Presidente Fernando Henrique Cardoso, data de 4 de junho de 1997, apenas um ano e poucos meses antes do escrutínio de 1998. Mais recentemente, José Serra, enquanto pré-candidato e depois candidato à Presidência da República, defendeu explicitamente o fim da re-eleição, em óbvia tentativa de sinalizar apoio ao projeto de Aécio Neves para 2014 e viabilizar maior coesão do PSDB nas eleições de 2010. Não me parece tratar-se de modo republicano de lidar com as instituições democráticas.

Penso a questão da re-eleição em sua dimensão política de mudança intempestiva e casuística das regras do jogo democrático. As muitas alegações de corrupção e compra de votos no Parlamento, dominado pela aliança PSDB-PFL (esse último, o nome antigo do Democratas), deveriam ter sido mais bem investigadas. No entanto, não acredito em paladinos da moralidade; não são úteis à democracia, pois reduzem instituições e procedimentos à vontade dos “homens de bem”. A corrupção não é novidade em nenhuma democracia (alguns defendem mesmo que a corrupção seja constitutiva da democracia, na medida em que valores tradicionais se esgarçam e se perdem referenciais de ética em sociedades modernas e complexas); o que
importa é fortalecer os mecanismos pelos quais uma nova ética pública, ainda que sempre precária, seja constituída, informada por instituições abertas à crítica e à possibilidade de reformas. É preciso analisar como funcionaram as instituições capazes de investigar e punir crimes e irregularidades e defender a Constituição.

A Polícia Federal (especialmente sob o comando de Márcio Thomaz Bastos, então Ministro da Justiça, e o Ministério Público Federal, e seus procuradores-gerais escolhidos pela própria instituição, têm dado mostras de isenção e grande ativismo nos últimos anos, o que contrasta com a lentidão e os constantes arquivamentos no Ministério Público sob a égide de Geraldo Brindeiro. A primeira votação feita pela Associação Nacional dos Procuradores da República para formar a lista tríplice ocorreu em 2001. Os mais votados foram os subprocuradores-gerais Antonio Fernando de Souza, Cláudio Fonteles e Ela Wiecko Volkmer de Castilho. O presidente Fernando Henrique Cardoso recusou os nomes. FHC preferiu reconduzir, pela quarta vez, Geraldo Brindeiro ao cargo de procurador-geral. À época, Brindeiro ganhou o apelido de “engavetador-geral da República”. O presidente Lula, apesar de não ser obrigado a seguir a lista da ANPR, prestigia desde 2003 os indicados pela instituição.

Vale lembrar que o governo FHC contou com ampla maioria no Congresso Nacional, podendo valer-se de inúmeras reformas constitucionais, do instrumento das medidas provisórias, coibido apenas em 2001, e vencendo as eleições, ambas as vezes, já no primeiro turno. Mas a grande imprensa brasileira não considerou nada disso um risco à democracia. Ora, sempre haverá riscos à democracia, e a sociedade deve estar em constante alerta, porém tais riscos não podem imobilizar a ação política, nem impedir a discussão de temas polêmicos.

Costuma-se falar, nesse sentido, que o governo Lula cerceia a liberdade de imprensa ou que tenta controlar os meios de comunicação social de massa. Na verdade, o governo enfrenta muitas resistências ao tentar aprofundar o caráter republicano e democrático de nosso sistema de comunicações. Tornou-se um tabu sequer discutir um novo marco regulatório do setor, quando o mesmo poderia ser construído de modo democrático, com o fim de tornar o acesso à informação mais amplo e sem qualquer atentado aos contratos existentes ou à liberdade de expressão. De certa forma, houve um avanço importante com a criação de empresa pública (não-estatal), sistema previsto no art. 223 de nossa Constituição. O sistema público presta contas à sociedade e não ao governo, como é o caso da Empresa Brasil de Comunicações (EBC), que segue o modelo bem-sucedido da Corporação Britânica de Difusão, a BBC, unificando e gerindo a Radiobrás e as emissoras federais já existentes sob um novo marco de controle social. Faz parte da democracia criticar a própria democracia, buscar mecanismos de seu aperfeiçoamento, assim como deve fazer parte dela a crítica a seu elemento constitutivo, a imprensa.

Política Externa

Aqui o divisor de águas é desconcertante. Com base em melhor compreensão da correlação internacional de forças e em crença permanente no potencial do Brasil, os condutores da política externa nacional enfrentaram com altivez os grandes temas que afligiam o Brasil. Foi relativizada a a fé do governo FHC em organismos multilaterais como ONU e OMC e na relação sempre preferencial com EUA e Europa, buscando-se abordagem mais pragmática que identificasse e conciliasse melhor os princípios e os interesses da sociedade brasileira. Façamos um apanhado:

A Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), que representaria grandes perdas para o projeto de um Brasil e de uma América Latina soberanos e prósperos, foi exitosamente enterrada. O governo FHC parecia inclinado a buscar algum tipo de acordo com os EUA, que permitisse a entrada em vigor da ALCA. Os setores industriais e de serviços teriam sido afetados de forma quase irreversível.

A Rodada Doha de negociações da OMC encontrou a firmeza de propósitos de um grupo que transformou a própria gramática dos arranjos políticos no âmbito daquela organização: o G-20, que reuniu países de agricultura de subsistência e grandes países exportadores em desenvolvimento para contra-arrestar o domínio da pauta e das decisões que exerciam Europa e EUA.

Novas embaixadas foram abertas ou reabertas em inúmeras capitais da África e da Ásia. Essa ênfase em relações bilaterais com o mundo em desenvolvimento garante presença e informação de primeira-mão em ambientes cada vez mais cruciais para o desenvolvimento econômico mundial. Além disso, nossa capacidade de barganha frente às potencias ocidentais, sem dúvida importantes, aumenta consideravelmente na medida em que temos outras alternativas de comércio, intercâmbio, cooperação e investimento. Essa política também atende à reivindicação histórica de maior integração com a África e com a América Latina, regiões que compartilham conosco uma identidade, uma história de colonialismo, culturas, religiões e populações.

Novos grupos foram criados para reinserir o Brasil no mundo de forma mais soberana e capaz de promover os seus interesses sem idealismos estéreis:

O IBAS, articulação internacional de Brasil, Índia e África do Sul, representa uma aposta principista em valores democráticos comuns e também a consciência crítica do lugar que tais nações ocupam na hierarquia de poder do mundo, bem como a capacidade delas de lutar, conjuntamente, por sua superação.

O BRIC, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China, busca explorar áreas de cooperação entre grandes economias que tendem, permanecendo no rumo certo, a exercer cada vez mais influência na economia global.

As cúpulas que reuniram os países da América do Sul e os países árabes abriram um campo promissor para o engajamento da sociedade brasileira, resgataram uma importante herança constitutiva de nossa nacionalidade e inseriram o Brasil e a América do Sul num jogo que é definidor do escopo de ação das grandes nações.

As cúpulas que reuniram América do Sul e África desempenharam papel semelhante e forjaram relações que não apenas abrem mercados para o Brasil, mas, sobretudo, contribuem para o desenvolvimento sustentável africano, interessante para o Brasil no longo prazo, especialmente com padrão inovador de cooperação técnica nas áreas de agricultura, energia, biocombustíveis, educação e medicina.

O início do fim do G-8 e sua paulatina substituição pelo G-20 financeiro, por definição mais inclusivo, não ocorreram sem a posição convicta do Brasil de que um novo espaço, em que tivéssemos participação integral, fosse estabelecido (no G-8 éramos convidados, porém devíamos chegar quando os debates fundamentais já haviam sido travados).

A União das Nações Sul-americanas (UNASUL, de 2004)) deu expressão concreta ao desejo de integração física e cooperação política dos povos de nosso continente.

A primeira Cúpula dos Estados da América Latina e do Caribe (de 2009, na Costa do Sauípe, Bahia) constituiu novo espaço de discussão valioso de um grupo de nações que se vê em situação similar no contexto de globalização econômica e cultural, e em posição semelhante diante da riqueza de seus vizinhos ao norte do Rio Grande (que separa o México dos EUA).

O Brasil não se furtou a atuar com coragem e independência no Conselho de Segurança das Nações Unidas, acreditando na sua capacidade de negociação, no que representamos de novo no jogo de poder tradicional e em nossa competência diplomática. No que diz respeito à questão nuclear iraniana, o resultado foi um acordo entre Brasil, Turquia e Irã (a Declaração de Teerã) que será lembrado sempre como tentativa digna de evitar a guerra, ou mais propriamente, de evitar o desenho de um caminho de sanções e reprimendas que geram radicalização de ambos os lados e aumentam sobremaneira o risco da guerra. Por um lado, caso a guerra ocorra, o acordo terá sido a prova de que havia uma alternativa. Por outro, caso um acordo abrangente com o Irã seja alcançado, é inevitável que elementos da referida Declaração sejam utilizados. E nos momentos de indefinição, como o atual, a ação brasileira constitui exemplo de que é perfeitamente possível discutir racionalmente com os líderes iranianos e que uma atitude de cooperação é mais produtiva que a arrogância dos ultimatos.

É por tudo isso, e por todas as conquistas do governo Lula, que defendo a candidatura Dilma 13. A alternativa do PSDB-PFL/Democratas não pode representar a continuidade de nossas conquistas recentes, apesar de discursos falaciosos que fazem tudo parecer uma questão de gerenciamento dos atuais modelos e programas, que dependeria da experiência ou da competência dos líderes. Há diferenças de fundo, que não podem ser reduzidas sem estelionato eleitoral, e que passam por compreensões díspares do lugar do Brasil no mundo, do potencial de desenvolvimento e igualdade da sociedade brasileira e do papel do Estado em nosso espinhoso caminhar de emancipação social e econômica. Essas diferenças, por seu turno, podem
refletir-se em oportunidades ou entraves para a vida digna e a autonomia de milhões de brasileiros. Aos que votaram nulo, se abstiveram, optaram por Marina, ou por outros candidatos da esquerda, faço um apelo sincero para que não deixem de fazer uma escolha por um dos dois projetos conflitantes que se apresentam hoje ao Brasil.

Um abraço a cada um e bom voto,

Pablo Ghetti - Diplomata

Veja como Serra trata professor. Imagina isso sendo presidente!

carecakabeludo | 4 de outubro de 2010 
Nota do blog: Quer ver Serra, o cara-de-pau, ficar com a cachorra? Basta professor reivindicar direitos. Ele fica uma arara. Este é o candidato que quer cuidar das pessoas e da educação no Brasil. Se tem alguém que mais vampirizou a categoria dos professores neste país, certamente foi José Serra, o terror dos professores. Leia, também, "Sem material, professor ‘faz milagre’ para lecionar em SP". A dica de leitura é do poeta e professor José Maria Pinto.

outubro 13, 2010

Dilma desmascara Serra, o homem de mil caras


dilmanaweb | 12 de outubro de 2010 
Nota do blog: Aproveite e leia o artigo de Pedro Chadarevian sobre As consequências econômicas de José Serra.

Chico Buarque e Leonardo Boff lideram manifesto por Dilma Presidente

Chico Buarque e Leonardo Boff chamam artistas e intelectuais para manifesto por Dilma Presidente, no Rio de Janeiro, dia 18/10

por Gabriel M. Petrus, domingo, 10 de outubro de 2010 às 19:06


Dulce Maia: O apoio de Chico Buarque a Dilma
da leitora Dulce Maia

Um grupo de artistas e intelectuais liderados por Leonardo Boff, Chico Buarque, Emir Sader, Eric Nepumuceno está articulando adesões ao manifesto abaixo de apoio político a eleição de Dilma Roussef. Se você puder aderir agradeceríamos muito: mande sua adesão para emirsader@uol.com.br ; ericnepomuceno@uol.com.br

E, se você puder, divulgue aos seus amigos do Rio para participarem do ATO POLITICO de entrega do manifesto à candidata, no Teatro CASA GRANDE, dia 18 de outubro, às 20 hs. (Rua Afranio de Mello Franco, 290- Leblon- Rio de janeiro).

MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS PRO DILMA

Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff.

Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimen to econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.

Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desiguladade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.

Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.

Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.

Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.

Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.

Leonardo Boff
Chico Buarque
Fernando Morais
Emir Sader
Eric Nepumuceno

Fonte: Vi o Mundo

outubro 12, 2010

Assim como a esperança venceu o medo, a verdade vencerá a mentira (Lula): aborto, politica e hipocrisia

lmvp | 6 de outubro de 2010
Entrevista clara e sóbria. Percebe-se que ela não defende o aborto, no máximo defende sua descriminalização (o que não é a mesma coisa).
Paulo Moreira Leite, no blog da Época

A discussão sobre a discriminalização do aborto foi um tema da reta final do primeiro turno e deve permanecer na segunda fase da campanha presidencial.

Há um lado peculiar nessa discussão. Ninguém falou de aborto nos últimos anos. Os vários projetos sobre o assunto, no Congresso jamais mereceram atenção da imprensa nem dos partidos políticos. Ficaram adormecidos e eram lembrados, como bandeira feminista, nos festejos de 8 de março ou outras datas semelhantes.

Na última semana da campanha, o debate surgiu.

Por que? Honestamente, só há uma explicação política: era uma forma de prejudicar a candidatura de Dilma Rouseff e tentar impedir sua vitória no primeiro turno.

Não é uma conspiração. É uma intervenção política, nos subterrâneos da campanha. É dificil imaginar que o aborto tenha surgido de forma espontânea. Foi um assunto provocado, de fora para dentro. Todos os grandes candidatos têm suas conexões religiosas e seus aliados neste universo.

Da mesma forma que um partido pode mobilizar sindicatos para defender uma candidatura ou um grupo de empresários para conseguir apoio, outra legenda pode mobilizar uma liderança religiosa para prejudicar um adversário.

Os adversários de Dilma descobriram um ponto sensível, onde seria possível atingir a candidata e colocaram o assunto na internet, produzindo o estrago que se conhece. Não é um ataque sem base.

A posição de Dilma e do PT modificou-se ao longo do tempo. O PT decidiu não colocar o assunto em discussão na campanha eleitoral, ainda que ele tivesse surgido na primeira versão do Plano Nacional de Direitos Humanos, sendo extirpado por decisão do presidente Lula, que não teve receio de desautorizar seus próprios auxiliares. O eleitor tem o direito de saber que a liderança religiosa que condena um concorrente em função dessa questão tem vínculos com determinada candidatura e trabalha para ela.

Quem acha necessário levantar a discusssão deve fazer isso de modo transparente, e não na forma de insinuações e acusações pela internet. O esforço para criar um debate sem origem é revelador de uma operação eleitoral, de quem quer cativar o eleitor religioso sem perder apoio junto a setores da classe média urbana que tem outra visão sobre o assunto e pode achar esse comportamento reacionário e inaceitável.

A falta de interesse que o aborto costuma provocar na vida cotidiana do país só ressalta o caráter artificial dessa discussão agora.

Por exemplo: lendo a Folha de hoje descobri que o PV é a favor da legalização do aborto desde 2005. É espantoso, quando se recorda que é justamente o partido de Marina Silva.

(O PV também é a favor da legalização da maconha, diz o jornal. Não duvido que uma pesquisa aprofundada descubra uma resolução de algum encontro verde a favor de casamentos de homossexuais...)

Não acho essa revelação sobre a posição do PV sobre a legalização do aborto escandalosa. É sintomática.

A sociedade brasileira convive há muitos anos com o aborto, que é tolerado em todas as famílias com uma única diferença. Quando a pessoa tem posses, pode submeter-se a uma cirurgia como tantas outras. Caso contrário, é submetida a intervenções de risco. O debate é uma questão de saúde pública, acima de tudo.

Não conheço ninguém que seja a favor do aborto. Mas conheço muitas mulheres que realizaram um aborto porque não se sentiam capazes de criar um filho sob determinadas condições — o que me parece uma atitude tão respeitável como a daquela que não realiza o aborto por uma postura ética de não atentar contra a aquela forma de vida humana.

Acredito nos políticos que dizem que são contrários ao aborto. Não conheço nenhuma pessoa que, em pleno gozo de sua saúde mental, seja a favor de interromper o desenvolvimento de um feto, de modo gratuito, em vez de utilizar métodos anticoncepcionais.

Na vida pública, nossos políticos se comportam da mesma forma, independente de cor, filiação partidária ou origem religiosa: toleram o aborto. Por essa razão as clínicas que realizam esse tipo de cirurgia funcionam de forma discreta e jamais são incomodadas pelas autoridades. A partir de uma certa idade, toda mulher brasileira sabe onde pode encontrar o nome de um médico que pode interromper sua gravidez. Marie Claire, uma das grandes revistas do país, tem posição editorial firmada a favor da discriminalização do aborto.

Periodicamente, os jornais e revistas entrevistam celebridades que já fizeram aborto — e nada lhes acontece, ao contrário do que ocorreu com o galã Dado Dolabella, que será processado porque recentemente foi apanhado com algumas gramas de maconha.

* * *

Nota do blog: Leia também o artigo de Leonardo Boff, Para Dilma Rousseff: lo femenino y la política actual.

Serra não defende nem a mulher dele. Imagine a dos outros (Paulo Henrique Amorim)

dilmanaweb | 11 de outubro de 2010 
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Dilma: tornei pública uma grande central de boatos


11.10.2010
A candidata Dilma Rousseff disse hoje, em Aparecida (SP), que a discussão no debate da Band foi de alto nível, com exposição clara de pontos de vista e sem elevar o tom de voz. "Quando a gente é assertiva sobre posições, o debate fica mais claro." 

Segundo ela, o candidato José Serra "tem a mania de subestimar as pessoas e se achar superior a elas. Esperavam que eu não defendesse minhas posições, que eu não apresentasse minhas propostas, que eu não criticasse a visão estratégica dele? Mas o debate é para isso".

Leia aqui o que Dilma falou sobre calúnias no debate da Band.
Dilma acrescentou: "Vocês mesmos [jornalistas] pedem todos os dias que façamos um debate de ideias. Então vamos fazer um debate de ideias e  não utilizar os boatos, calunias e mentiras como método de campanha política”.

Dilma lamentou a postura do adversário tucano, que ataca por “ouvir dizer” e alimenta uma central de boatos e calúnias, como a Justiça Federal reconheceu recentemente.

“Eu passei quase três meses sendo acusada de quebra de sigilo fiscal e agora está claro que [aquilo] foi um esquema mercantilista dentro da Receita sem razões eleitorais. Está clara a calúnia que sofri. Inclusive um juiz aceitou a acusação e denunciou o candidato José Serra por essa prática”, disse.

“Eu passei muito tempo calada e quando vi o tamanho que tinha tomado a central organizada de boatos resolvi tornar isso público e compartilhar com a população. Eu não fui para a Internet responder por boatos, estou fazendo de forma aberta”, completou.

Acompanhe aqui a cobertura diária da campanha de Dilma pelo Twitter.
Fonte: Dilma13

outubro 11, 2010

"Nunca disse que sou contra o aborto porque eu sou a favor" (Serra)

Nota do blog: Enciumado com a capa oferecida pela VEJA à candidata do PT, Dilma Roussef, o candidato dos tucanos, José Serra, não se fez de rogado: pediu o direito de resposta. A dica é da Margô Silva.

Onde está o "Negão" que sumiu com R$ 4 milhões do caixa 2 do PSDB?

Onde está Paulo "Wally" Preto?
Nota do blog: Saiba tudo do personagem sobre quem o candidato tucano tergiversou no debate da BAND, segundo Luiz Carlos Azenha.

"Nas últimas semanas, o engenheiro Paulo Vieira de Souza tem sido a principal dor de cabeça da cúpula tucana. Segundo oito dos principais líderes e parlamentares do PSDB ouvidos por ISTOÉ, Souza, também conhecido como Paulo Preto ou Negão, teria arrecadado pelo menos R$ 4 milhões para as campanhas eleitorais de 2010, mas os recursos não chegaram ao caixa do comitê do presidenciável José Serra. Como se trata de dinheiro sem origem declarada, o partido não tem sequer como mover um processo judicial".

Leia mais em Nova E