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março 25, 2010

O começo do fim da Amazônia (notícia comentada)

Divulgação

Os governadores do Amazonas e Rondônia, Eduardo Braga e Ivo Cassol, além do ministro Alfredo Nascimento enalteceram os trabalhos do Governo Lula


Dilma firma compromisso (com o começo do fim da Amazônia)

A ministra da Casa Civil e pré-candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), afirmou, ontem, em Humaitá (a 600 quilômetros de Manaus), o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de começar o trecho central da BR-319 (Manaus-Porto Velho), o qual não possui licença ambiental. (Se tia Pátria - eleitora de Lula até a morte - tivesse viva ela diria que essa é "a maior 'cagada' do governo Lula. Sorry! Alguém tem que se manifestar contra o começo do fim da Amazônia Ocidental)

A obra, segundo a ministra, vai permitir não só o desenvolvimento da região amazônica, mas também que os rondonienses assistam aos jogos da Copa do Mundo de 2014 em Manaus. A declaração de Dilma Rousseff foi dada durante inauguração de um trecho da BR (Humaitá-Porto Velho) e do porto da cidade. Estavam presentes ao evento o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR); o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB); além do governador de Rondônia, Ivo Cassol (sem partido), e deputados e senadores dos estados amazônicos vizinhos. (Minha cara Dilma - em que votarei, porque não sou besta de fazer o jogo da direita, tão ameaçadora para a Amazônia quanto os deslumbrados que insistem em asfaltar a floresta - pra assistir joguinhos xinfrins no novo estádio de futebol, basta pegar um dos nossos confortáveis barcos em Porto Velho ou Humaitá no trecho navegável do rio Madeira, aquele em o governo federal está fazendo outra "cagada": as hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau).

Atendendo a uma “ordem do presidente Lula”, Dilma Rousseff disse que ele é um homem de grande consciência ambiental. Exemplo disse aconteceu, segundo ela, em Copenhague (Dinamarca), onde o Brasil foi destaque na redução de gás carbônico. Agora, ressaltou a ministra, “ele (Lula) vai provar que não há contradição entre preservar o meio ambiente e desenvolver o Brasil”. E continuou: “Pelo contrário, vamos dar exemplo para o mundo”. (Há renomados cientistas que contestam a consciência ambiental do governo Lula, que chegou a declarar que o desenvolvimento da Amazônia vem sendo emperrado devido a existência de muitos quilombos e indígenas no meio do caminho, o que lhe valeu uma crítica da antropóloga Manuela da Cunha Carneiro. Alfredo Wagner, igualmente antropólogo, professor da Universidade Estadual do Amazonas e da Universidade Federal do Amazonas acaba de anunciar num simpósio que empreendimentos como a BR-319 e assemelhados irão retaliar o sul do Amazonas, história que repete outras conhecidas na Amazônia Legal - fazendas no sul do Pará e em Rondônia; soja no Mato Grosso; e agora, escoamento de aparelhos eletrônicos no Amazonas).

A ministra da Casa Civil confirmou que o trecho central da BR-319 - de 400 quilômetros de extensão - será transformado numa “estrada-parque”. Isso significa, de acordo com ela, que o Governo Federal vai levar em consideração o desenvolvimento de uma região com 20 milhões de brasileiros. “Vamos cumprir à risca todas as exigências ambientais para que essa estrada seja exemplo para o mundo. Nosso governo demonstrou que é possível o País crescer e se desenvolver sem que as pessoas fiquem para trás”, falou. (A menos que a aliança política liderada pelo PT fique no poder perpetuamente (vixe!), nada garante que os próximos governos impeçam a ocupação das terras da "estrada-parque" depois que 100 mil homens deixaram para trás as hidrelétricas onde trabalham atualmente).

A pré-candidata brincou ao falar que, com a estrada pronta, todos os moradores de Humaitá poderão namorar livremente com homens e mulheres de Porto Velho. “Além da rodovia servir para o tráfego de produtos, bens e serviços, vocês poderão usá-la para ir assistir aos jogos da Copa do Mundo em Manaus e lutar para que também sejamos vitoriosos”, disse ela. (Os proprietários de motéis agradecem pela dica, mas eles continuam preferindo o espaço urbano onde rola a grana que constrói e destrói coisas belas bem debaixo do nosso nariz).

O ministro Alfredo Nascimento anunciou que o Governo Lula está investindo R$ 460 milhões em Humaitá. O destaque, para ele, é a BR-319. Apesar de as obras não terem começado no trecho central da rodovia, o ministro pediu para que a população fique “tranquila”. “Confiem no presidente Lula. Nós vamos fazer a BR-319, porque ele nos prometeu que irá recuperar toda a estrada”, afirmou. Alfredo lembrou que o Ministério dos Transportes está asfaltando do Km 0 ao Km 250 e em 30 quilômetros, no trecho entre Humaitá e Manaus. (Reafirmo, como petista de carteirinha, meu desacordo com essa polêmica obra, cuja licença ambiental vem sendo negada por um Ibama consciente - até quando não sei!).

As obras do trecho inaugurado ontem foram executadas pela SAB Construtora, Construtora Castilho e pelos 5º e 7º Batalhões de Engenharia (BECs) do Exército Brasileiro. As informações são da assessoria do MT.

Fonte: A Crítica

março 08, 2010

Amazônia: entre a cruz e a caldeira

Alfredo Wagner
Foto: Rogelio Casado - Manaus-AM, 2007

Nota do blog: Leia a entrevista do professor Alfredo Wagner e entenda porque este blog é contra a construção do terminal portuário das Lajes, BR-319, hidrelétricas no Madeira e outras sandices que trarão graves impactos socioambientais. O governo Lula não aprendeu a lição com a desastrada construção da hidrelétrica de Balbina e frustra o eleitor consciente.

"O que está em jogo no Madeira é o planejamento para a última grande fronteira amazônica", diz antropólogo - 01/03/2010

Local: São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br


Fabíola Munhoz

Lançado na semana passada, o livro Conflitos Sociais no "Complexo Madeira", faz o mapeamento de todas as áreas de conflito existentes na região de abrangência do rio Madeira, na Amazônia.

Reunindo estudos de pesquisadores de algumas das principais unidades de ensino superior amazônicas, como Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Universidade Federal do Pará (UFPR), a obra tem como objetivo apresentar dados sobre a ocupação histórica dessa área estratégica e de crescente interesse econômico, por povos tradicionais, como índios, quilombolas e ribeirinhos.

O coordenador do projeto, o antropólogo da Universidade do Estado do Amazonas, Alfredo Wagner, que, desde 1972 estuda a região amazônica, concedeu entrevista exclusiva ao site Amazonia.org.br, em que fala sobre os empreendimentos que atualmente impactam a área de influência do rio Madeira, gerando conflitos e impactos socioambientais graves.

Wagner afirma que obras, como as usinas de Jirau e Santo Antônio, bem como o asfaltamento das BR-319 e BR-317, poderão retalhar um dos últimos redutos de biodiversidade intacta e cultura nativa da Amazônia. Ele também compara as audiências públicas sobre esses empreendimentos ao desenvolvimentismo autoritário da época da Ditadura. Confira.

Amazonia.org.br- De quem foi a ideia de produzir este livro?

Alfredo Wagner- Nós temos o projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, e estamos em contato com várias associações de ribeirinhos, indígenas e quilombolas lá da região do Alto Madeira, na fronteira com a Bolívia. E, no Fórum Social Mundial, estivemos em contato com o movimento campesino boliviano. Sobretudo, os pescadores artesanais e os ribeirinhos foram nos solicitando o mapeamento das áreas das comunidades, das territorialidades específicas. Então, nós fomos fazendo esse trabalho, ministrando para eles noções de GPS, discutindo com eles a legislação ambiental, a legislação relativa a comunidades e povos tradicionais e os instrumentos jurídicos pertinentes e referentes a essas leis. Com isso, fomos produzindo um mapa bastante detalhado que acompanha o livro, e pega todos os conflitos socioambientais, todas as áreas reservadas e todas as territorialidades específicas em que essas comunidades de pescadores artesanais, ribeirinhos, castanheiros, quilombolas e povos indígenas foram se constituindo.

Amazonia.org.br- Quanto tempo foi necessário para conclusão deste trabalho?

Wagner- Nós demoramos dois anos para fazer isso. O trabalho pegou a fase de início do licenciamento das usinas do Madeira e foi simultâneo ao início da obra, agora que os consórcios já estão começando a construir as barragens. Então, foi possível acompanhar em algum lugar o deslocamento compulsório de povoados, as audiências públicas [sobre o projeto das hidrelétricas], e ver o tipo de participação e a limitação dessa participação. Tem alguns pesquisadores aqui que até chegaram a produzir teses sobre isso.

Amazonia.org.br- Os conflitos sociais da região do Madeira são todos decorrentes de empreendimentos como as usinas de Jirau e Santo Antônio, ou há outros problemas estruturais, que fazem parte da realidade local?

Wagner- A ideia da área de influência do Complexo do Madeira, no nosso ponto de vista, não são cinco, dez, vinte quilômetros de cada lado. Se nós pegarmos desde a região de Pando, na Bolívia, até a desembocadura do Amazonas, nós vemos mais 60 milhões de hectares em jogo. E eles estão palmilhados por estradas como a BR-319 ou a BR-317, que pega lá no Purus, na boca do Acre, e Lábrea (AM). Também, por: hidrelétricas, hidrovia, estradas como a BR-230, que corta área indígena e, inclusive, tem uma cobrança de pedágio, a situação dos garimpos no Madeira, empresas de certificação como a antiga Getal, que vendeu sua área a um grupo pertencente a um banqueiro britânico e gerou uma suspeição sobre as irregularidades nessa compra de terra. A ideia desse Complexo do Madeira é, então, uma simultaneidade de intervenções.

Amazonia.org.br- Esse contexto de intervenções e conflitos pode ser comparado ao cenário causado por outros empreendimentos na Amazônia?

Wagner- Sim. Isso já ocorreu em outras áreas amazônicas. No período ditatorial, isso ocorreu no Carajás (PA). Você tinha minas de ferro gusa, ferrovias, porto da Madeira, e tudo isso feito simultaneamente na serra do Carajás e no porto de Itaqui por onde ainda se escoa a produção de minério. E, no caso do Pará, isso foi feito na Ditadura sem uma regularização fundiária, o que gerou os conflitos, até hoje, incontroláveis no Sudeste do Pará, no oeste do Maranhão e no norte do Tocantins. A gente não tem nem estimativa do número, que são dezenas de milhares, de mortos nos conflitos. Aqui no Madeira, as coisas são feitas num momento democrático. Tem audiências públicas, mas tem outros tipos de, digamos, arbitrariedades que devem ser discutidas para se aperfeiçoarem os procedimentos democráticos. São audiências públicas com pouca participação, limitando a participação das pessoas. Esse foi um elemento que a gente percebeu.

Amazonia.org.br- Vocês pretendiam, com esse estudo, suprir a falta de participação popular durante as consultas públicas sobre as obras na região do Madeira?

Wagner- Não foi nossa pretensão fazer isso. Nós ouvimos reclamações, mas não substituímos ninguém, não falamos em nome de ninguém. Somos um projeto de pesquisa de universidades amazônicas, que têm advogados especialistas em Direito Ambiental, antropólogos, sociólogos, economistas, engenheiros agrônomos e biólogos. Vários pesquisadores produziram dissertações de mestrado sobre o assunto. Isso também está ajudando o conhecimento dessa realidade localizada.

Amazonia.org.br- Por que, em sua opinião, as audiências públicas para apresentação do projeto do Complexo do rio Madeira não foram suficientemente democráticas?

Wagner- Para as consultas públicas, houve pouco acesso a informação prévia. Isso foi observado em dissertação de mestrado de colegas nossos pesquisadores. Nossa preocupação é aprimorar procedimentos democráticos e, ao mesmo tempo, fazer distinção para outros momentos autoritários em relação à Amazônia. Isso é um dado significativo de discutirmos hoje. Essa região de fronteira agrícola, sociológica, como é a Amazônia, parece que é um lugar que não tem lei e onde é muito restrita a circulação de informações. Então, um dado que a gente percebeu nas audiências públicas foi pouco acesso a informações prévias relativas aos empreendimentos. E os empreendedores tendo quase o total do tempo para falar.

Amazonia.org.br- A partir do que você e outros pesquisadores ouviram da população local, quais têm sido os impactos mais graves da construção das hidrelétricas do rio Madeira?

Wagner- Uma vez que as usinas não vêm sozinhas, mas vem também o asfaltamento da BR 319, agora o licenciamento da BR-317, já tinha o problema da Transamazônica estar cortando a área indígena Tenharim. Só isso, são três eixos rodoviários importantes. O que nós sentimos foi uma falta de discussão aprofundada das formas de apossamento prévio. Como as comunidades tradicionais manejam os recursos naturais na ocupação da terra? Essa discussão ficou de fora. Não se fala que existe gestão comunitária dos recursos naturais, fala-se apenas em assentamento. Os projetos de assentamento, mesmo os extrativistas, têm uma pressuposição de que parcelar, dividir, é o modelo universal de assentar, e ele não respeita a especificidade de uma região como essa.

Se você pensar, essa é, sem dúvida alguma, a última grande fronteira amazônica. Tem um ramo de estrada que joga para Tefé, lá no Solimões, tem outro ramo que de lá joga no Juruá. Tem um ramo que vai lá para Benjamin Constant, um que sai de Lábrea cortando tudo. Então, com isso, você vai retalhar o último grande espaço amazônico. Aqui no Estado do Amazonas, são 157 milhões de hectares, o Brasil tem 850 milhões de hectares. Você vai ver que tem ramais que se expandem e já estão na fronteira com a Colômbia e com o Peru. Então, é a ultima grande fronteira. O que está em jogo no Madeira é o procedimento de planejamento governamental para a última grande fronteira amazônica. Nós estamos discutindo o futuro da Amazônia, não tenha dúvida disso.

Tudo o que estou te falando está no mapa com ponto de GPS pego. Isso você não vai encontrar em mapa oficial nem em banco de dados de nenhuma instituição. É uma informação super detalhada. Se você, por exemplo, quiser saber quais os municípios com maior índice de desmatamento, você tem o norte de Mato Grosso. Se você quiser saber onde estão os processos do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral), quais as áreas de subsolo já requisitadas, onde estão as licitações da Petrobras, tudo isso está se dando na grande região do Madeira.

Então, tem petróleo, ouro, terras indígena, ribeirinhos, recursos hídricos, antigas empresas madeireiras de certificação, pelas quais as pessoas, por um clique, adquirem cotas para conservação na Europa. Esse site da empresa britânica que comprou a área da Getal, numa só semana de agosto, teve 20 mil acessos. E, no livro, a gente conta quanto eles pagam em libras por meio acre, que é a cota que eles vão vender. Então, quer dizer que tem um mercado de terras que está sendo acionado nessa região da Amazônia. Isso, sem dizer privatização de florestas públicas que começa na região do Jamari, que também está próxima a Porto Velho (RO). Essas discussões todas nos levaram a produzir esse mapa com os detalhes e todos os conflitos socioambientais, envolvendo quilombolas, pescadores artesanais, os chamados ribeirinhos...

Amazonia.org.br- Além do impacto ambiental desses empreendimentos, pode-se dizer que desalojar a população tradicional que lá vive tem como impacto a perda da cultura desses povos?

Wagner- Seguramente. Há uma insensibilidade muito grande para essas questões étnicas, culturais, para a questão da reprodução dos grupos, como eles se reproduzem física e socialmente. Nesse sentido, tem um parentesco com procedimentos de outros momentos históricos que tratam tudo de uma maneira autoritária, homogenizam e perdem de vista essa diversidade cultural e afetam, com isso- e para mim esse é maior impacto-, a autoconsciência cultural que os grupos têm, que cada um tem da sua situação.

Amazonia.org.br- Há, ainda, possibilidade de esses estudos, que dão voz à população local, surtirem algum efeito, se a construção das usinas já começou?

Wagner- As obras já estão em andamento, houve pouca informação prévia, e as pessoas têm uma ideia de progresso que move tudo, e é muito soberana, dominante e definitiva. E ela considera todos esses povos tradicionais como arcaicos, vivendo sobre uma economia primitiva. No entanto, se você for ver, são essas comunidades que são mais balizadas com o futuro das áreas mais preservadas. São as áreas onde eles ainda estão as mais preservadas, onde as águas estão mais límpidas, onde a cobertura vegetal está mais integral. Inclusive, em Alcântara (MA), são os quilombolas de lá que mantém o local preservado. Essa binacional Brasil-Ucrânia entrou lá na área devastando tudo e nem licenciamento ambiental têm. Foram os quilombolas que se contrapuseram a eles.

Amazonia.org.br- Há ações pelas quais o governo e os empreendedores possam compensar os impactos dessas obras?

Wagner- Sobre isso aí teria que abrir um processo amplo de discussão, um processo mais efetivo de participação do que foram as audiências públicas. Esses mecanismos de participação que estão aí são um avanço em relação à Ditadura, ou Tucuruí, e Itaipu também, ou no São Francisco. Até hoje, nesses lugares, está todo mundo desalojado, muitos deles sem indenização.

O nosso ponto de vista é o ponto de vista das comunidades tradicionais. A nossa ideia é trazer a experiência das comunidades tradicionais para dentro do planejamento. Faltam articulação e criação de mecanismos de participação mais amplos.

Fonte: Amazônia.org.br

dezembro 06, 2009

BR-319: Asfalto na floresta


PBR-319: Asfalto na floresta

Para uns, “estrada da destruição”; para outros, “rodovia do futuro”, a BR-319 (Porto Velho-Manaus) – construída na década de 70, parte do projeto do governo militar brasileiro de integrar a Amazônia, e abandonada na década seguinte – é uma síntese dos desafios fundamentais para a região: preservar e desenvolver.

O repórter da BBC Brasil, Eric Camara, percorreu os quase 900 quilômetros da rodovia – já pavimentados ou ainda esburacados – para ver de perto como o polêmico reasfaltamento da estrada deve afetar a vida dos moradores e a natureza da região.

Assista ao vídeo.

Fonte: BBC

dezembro 05, 2009

Asfalto na Floresta: BBC Brasil percorre a BR-319 na Amazônia



Nota do blog: A proposta de criar áreas de conservação para proteger a BR-319 (Manaus-Porto Velho) é uma daquelas boas intenções que nos levará para o inferno. Dependendo de quem governará o Amazonas no futuro próximo, não tem lei que impeça o desastre da ocupação de terras pelos grileiros de sempre. É só neglicenciar a fiscalização. Sabecumuequié! Uma hora falta recurso financeiro; outra hora são os impostos que tiveram circulação reduzida. Argumentos para justificar a omissão não faltarão. O povo amazonense está escaldado por maus exemplos. Basta lembrar que foi só o prefeito Alfredo Nascimento (atual ministro dos Transportes) deixar de fazer o sucessor para o seu projeto Expresso ser abandonado pelo candidato vitorioso. Curiosamente é no corredor aberto pelo projeto que naufragou que será erguido o monotrilho de Manaus, cujo erro de traçado já foi comentado aqui neste blog. Cada governo se acha no direito de criar seus projetos, sem consultas à sociedade civil organizada. Muitos desses projetos são realizados à revelia da crítica. Veja o caso das hidrelétricas do Madeira. Chovem críticas, mas o governo federal não as ouve. E olha que o presidente Lula recentemente criticou a construção da hidrelétrica de Balbina, que entre outras coisas contribuiu para aumentar o efeito estufa sob o globo terrestre. Mas, é o tal negócio: "em casa de ferreiro, espeto de pau". A gente só está no mato-sem-cachorro porque os mecanismos institucionais de discussão de projetos hegemônicos ficou perigosamente reduzido nas mãos de "especialistas". Neste ovo-de-serpente está o futuro do problemas socioambientais do estado do Amazonas. Quem viver, verá!

Asfalto na Floresta: BBC Brasil percorre a BR-319 na Amazônia

Poucos quilômetros antes da parte mais deserta da BR-319 existe um posto de gasolina. Abandonado há cerca de vinte anos, ele mais parece um cenário de cidade fantasma com suas: bombas caídas e mato crescido.

Pela estrutura, entretanto, percebe-se que o movimento já deve ter sido bom: cabanas iglu para viajantes, um amplo restaurante servia comida amazonense e o espaço entre as bombas e a rua dá a impressão de que lá já houve um estacionamento.

Hoje, quase tudo está tomado por mato rasteiro, e alguém – talvez o dono protegendo o seu patrimônio? – ateou fogo nos arbustos.

Na década de 80, foram-se os carros, e a reboque foi-se o dinheiro.

Esperança

Desde então, para quem vive perto da estrada, a promessa de reabertura da BR-319 faz parte da rotina.

Marli Schroeder, uma catarinense que se mudou para o Amazonas há 19 anos, quando a rodovia já tinha sido fechada, admite que a esperança é renovada todos os anos.

“Seria bom, né? A gente poderia chegar em Humaitá em duas horas e meia. Hoje, se saímos cedinho, só chegamos lá às 17h”, afirma.

A família Schroeder é mais conhecida na região como “catarinos”. Todos louros e de olhos azuis, a aparência destoa da população amazônica.

Fibra

Mas o que mais chama a atenção nos “catarinos” é a fibra de se manter praticamente na fronteira selvagem durante tanto tempo.

“Meu marido sempre quis ser fazendeiro, mas não tinha mais terra para comprar lá no sul, então viemos para cá”, conta Marli Schroeder.

Passados quase vinte anos, a fazenda prosperou. Eles hoje vendem gado para corte em Humaitá, mas vivem praticamente isolados.

A filha mais velha de Marli, Sara, tem 18 anos e neste ano começou a estudar formalmente pela primeira vez na vida.

“As mães sempre ensinaram os filhos a ler e a escrever, mas não tinha escola.”

Graças a um acordo com a Prefeitura de Humaitá, uma professora primária foi enviada para a fazenda dos “catarinos”.

De segunda a sexta-feira, ela mora no local e dá aula para as nove crianças que lá vivem.

“Talvez nós tenhamos errado ao insistir em morar aqui. Eu poderia ter ido para a cidade com as crianças para elas irem à escola. Mas nós queríamos dar liberdade para elas aqui”, reflete Marli Schroeder.

Grilagem

A reabertura da BR-319 poderia ajudar os “catarinos” a correrem atrás do tempo perdido.

Marli Schroeder diz estar preocupada com a possibilidade de desmatamento que o recapeamento da rodovia pode trazer – “a gente tem filho, né”, resume.

Para ela, se as autoridades quiserem, podem evitar as derrubadas.

O maior medo dela são os grileiros que costumam ser atraídos por novas estradas.

“Ouvi dizerem que aqui tinha muita grilagem e até matança por causa de terra. Disso tenho medo.”

Fonte: BBC

dezembro 04, 2009

Exército sinaliza 1ª unidade de conservação na BR-319

Unidade de conservação da BR-319
Postada em blstb.msn.com

Nota do blog: O geógrafo Milton Santos afirmava, antes de morrer, que a universidade foi fragilizada no processo de globalização. Tanto assim que os projetos hegemônicos são antecedidos de um forte debate ideológico, sem que ninguém queira ouvir o que diz a ciência. Pior do que o debate ideológico é o deboche dos iletrados. Baixaria pura. Em pleno parlamento amazonense, ouvi perplexo um político afirmar que o Ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, só veio ao Amazonas uma vez, e tão somente para fumar um baseado (cigarro de maconha). No debate público nacional o corajoso ministro já foi chamado de boiola y outras cositas mas. Péssimo exemplo oferecido pelos que se habituaram a ganhar no grito. Vejam do que se livrou o meu cumpadre Marcus Barros ao deixar o IBAMA. Enquanto isso, o sindicalismo, outrora mais atuante no debate público, reduziu-se a movimento reivindicatório salarial. Lástima!

Amazônia
Exército sinaliza 1ª unidade de conservação na BR-319

Eric Camara
Enviado especial à BR-319


O Serviço Geográfico do Exército brasileiro completou nesta quarta-feira a sinalização da primeira placa e do primeiro marco no Parque Estadual do Tapauá, uma das 27 unidades de conservação criadas no entorno da BR-319.

Ao todo, serão instalados 5 mil marcos nestes parques, além de placas de sinalização informativas para demarcar a área das unidades, que soma quase 12 milhões de hectares.

A tarefa de levar placas e marcos a locais muitas vezes isolados no meio da floresta amazônica – como foi o caso nesta quarta-feira, deve ser completado pelo Exército até outubro de 2010.

“O Exército sempre foi um órgão essencialmente ambiental e agora, com este trabalho, mais ainda”, afirmou à BBC Brasil o general Pedro Ronalt Vieira, diretor do Serviço Geográfico do Exército.

GPS

A BBC Brasil acompanhou os trabalhos de instalação no parque do Tapauá, que incluíram a instalação de um aparelho GPS de alta precisão para localizar o ponto exato de instalação do marco.

A demarcação das unidades de conservação próximas à BR-319 foi uma exigência do Ibama para liberar a pavimentação do trecho central, de 400 quilômetros, da rodovia.

O Estudo de Impacto Ambiental apresentado pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes (DNIT) foi rejeitado pelo Ibama, em julho.

Embora o trabalho do Exército esteja só começando, a ansiedade pela liberação da obra já pode ser sentida nas comunidades que margeiam a estrada.

Edith Alves Pantoja, moradora da Vila Realidade, o último povoado antes do trecho ainda sob embargo, vê a recuperação das pistas com esperança.

“Podia abrir a BR para poder passar gente por aqui”, afirmou Edith à equipe da BBC Brasil.

Na terça-feira, índios da aldeia Tucumã, também às margens da BR-319, encontraram a equipe da BBC Brasil na beira da estrada e manifestaram o seu descontentamento com a demora na demarcação das terras.
Para eles, quanto mais tempo a demarcação levar, mais difícil ficará proteger as suas terras, caso a BR volte a funcionar.

Fonte: BBC
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dezembro 03, 2009

Pavimentação da BR 319 e construção das usinas do Madeira podem levar impactos até Roraima

Nota do blog: Na época da ditadura militar, qualquer crítica aos projetos hegemônicos era rotulada como coisa de interesse de gente que vivia às expensas do "ouro de Moscou". Nessa época caçavam-se bruxas e comunistas. E olha que o pensamento crítico abrigava-se nas asas da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Atualmente, nos tempos de globalização, a coisa piorou, os argumentos científicos deixaram de ser ouvidos. O caso da BR-319 e da construção de um terminal portuário na região das Lajes são exemplares. Neste último, os militantes do movimento SOS Encontro das Águas foram acusados de serem financiados por um certo Passarão. Os antecedentes dessa crise de inteligência é antiga, se é que os órfãos do ciclo da borracha me entendem.

Pavimentação da BR 319 e construção das usinas do Madeira podem levar impactos até Roraima - 02/12/2009

Local:
São Paulo - SP
Fonte: Amazonia.org.br
Link: http://www.amazonia.org.br

Aldrey Riechel

Uma pesquisa realizada pelo pesquisador Paulo Barni, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), demonstra que a pavimentação da BR 319, que liga Manaus a Porto Velho, pode trazer graves prejuízos até mesmo para regiões que estão afastadas desse projeto. Segundo o estudo, os impactos podem desencadear um "efeito dominó" e chegar até o sul do Roraima fazendo com que o desmatamento aumente em até 42% em 2030. Outro megaprojeto que pode aumentar ainda mais a devastação são as hidrelétricas do Rio Madeira (Santo Antônio e Jirau), em Rondônia.

Utilizando os dados do Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), Barni fez duas projeções. O aumento de desmatamento com a reconstrução da rodovia fará a devastação aumentar entre 18 e 42% no sul do Estado de Roraima em 2030, e ampliar as emissões de carbono para a atmosfera em percentuais semelhantes (entre 19 e 42%). As emissões, ao longo dos 23 anos de simulação, que totaliza 23,9 milhões de toneladas de carbono, representa três anos de emissão da grande São Paulo hoje.

Em sua pesquisa de campo foi possível encontrar uma série de irregularidades, como a situação fundiária caótica, inclusive com invasões de terras, grandes desmatamento para criação de gado, fazendeiros que derrubaram a floresta para abrir pastagens e já estão acontecendo conflitos pela terra. Segundo Barni, já existem esses problemas sem a estrada. "O que vier a mais já vai ser um agravante e com certeza, poderá causar grandes impactos ambientais e aumento nos índices de desmatamento e emissões de gases de efeito estufa na atmosfera", explica.

Para realizar os estudos o pesquisador utilizou dados já existentes e fez projeções em cima do desmatamento na região. "No meu ponto de vista, essas previsões ainda estão bastantes conservadores", diz Barni. Ele afirma que o governo incentivou a migração no final da década de 1990 fazendo projetos de assentamentos: as pessoas eram atraídas por incentivos financeiros e passagens que eram pagas pelo governo.

Mas, de acordo com o pesquisador, os índices de desmatamento seriam maiores. "Na verdade as pessoas que são expulsas da região do Arco do Desmatamento (Rondônia, norte do Mato Grosso e Pará) vão pegar a 319 para migrarem a outras áreas. Elas Tem uma capacidade de destruição muito maior do que aqueles que o governo do Estado de Roraima, em um passado recente, atraiu pra lá", afirma. Essas pessoas, segundo Barni, não são mais os migrantes pobres, com poucos recursos e que não destruíam a florestas. "O agronegócio e a pecuária extensiva estão crescendo, ou seja, eles estão vendendo lotes em Rondônia e com esse dinheiro triplicam suas áreas comprando lá no sul de Roraima".

Outra agravante seria as usinas hidrelétricas do Rio Madeira. Com o término da construção das barragem existirá um grande número de trabalhadores desempregados que irão engrossar o fluxo de imigração esperado, principalmente caso a estrada já esteja pavimentada, facilitando o acesso pelas regiões da Amazônia.

Segundo ele, a alternativa que se mostra mais viável dentre as propostas para transporte na região é a elaborada por Phillip Fearniside que fez um estudo para capotagem. "A produção do PIM (Pólo Industrial de Manaus), seria embarcada em navios que desceriam o rio Amazonas e depois contornariam a orla marítima, chegando até o Porto de Santos. Isso seria transporte de capotagem, ou seja, dentro do próprio País. Esse seria o modal mais barato, até mais barato que a ferrovia".

A BR-319 foi construída e asfaltada na década de 1970 e hoje possui um trecho de 405 quilômetros intransitável. A reconstrução da estrada está prevista dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, mas ainda aguarda o licenciamento ambiental.

Fonte: Amazônia
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Asfalto na Floresta: BBC Brasil percorre a BR-319 na Amazônia


Nota do blog: Mais uma matéria da BBC para ser usada como argumento a favor do recapeamento asfáltico da BR-319 (Manaus-Porto Velho) pelos deslumbrados com o asfaltamento de florestas. Grupos que atuam a serviço do lobby da indústria de pneus, à falta de argumentos científicos, usam e abusam da velha cantilena ideológica da internacionalização da Amazônia. Ocorre que essa indústria, não contente em tornar a vida das cidades um inferno, agride a Amazônia, comprometendo os compromissos internacionais em reduzir o efeito estufa. Até @s estudantes de ginásio sabem que a construção de ferrovias causa menos danos socioambientais, e não seria por isso que perderíamos a soberania nacional. Perda de soberania foi o que fez FHC com a onda de privatizações de setores estratégicos para o país. Alguém aí acredita que não acontecerá o mesmo desastre ocorrido no sul do Pará, que perdeu extensas florestas com a construção da Belém-Brasília? Cem mil homens participarão da construção das hidrelétricas do rio Madeira. Alguém tem dúvidas sobre que região sofrerá uma tremenda pressão por moradias com o término dessas obras? Quem viver, verá!

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Asfato na Floresta: BBC Brasil percorre a BR-319 na Amazônia

Para uns, “estrada da destruição”; para outros, “rodovia do futuro”, a BR-319 (Porto Velho-Manaus) – construída na década de 70, parte do projeto do governo militar brasileiro de integrar a Amazônia, e abandonada na década seguinte – é uma síntese dos desafios fundamentais para a região: preservar e desenvolver.

A partir de segunda-feira, a BBC Brasil vai percorrer os quase 900 quilômetros da rodovia – já pavimentados ou ainda esburacados – para ver de perto como o polêmico reasfaltamento da estrada deve afetar a vida dos moradores e a natureza da região.

De Porto Velho a Manaus, a nossa equipe vai trazer diariamente vídeos, fotos, sons e reportagens sobre as condições das comunidades e da natureza exuberante da região.

Clique Clique aqui para conhecer a história da rodovia BR-319

Faltando pouco mais de um mês para o início da reunião sobre mudanças climáticas das Nações Unidas em Copenhague, na Dinamarca, o equilíbrio entre preservação e desenvolvimento na Amazônia brasileira assume proporções globais.

O desmatamento é responsável por cerca de 20% das emissões dos gases que provocam o efeito estufa no planeta. No Brasil, de acordo com os dados oficiais (de 1994), ele responde por mais de 70% das emissões nacionais.

Se, como criticam os adversários do projeto, o reasfaltamento da BR-319 levar à derrubada da floresta, o Brasil vai ter dificuldades em manter os compromissos de desmatamento já assumidos internacionalmente, como parte do programa nacional de combate às mudanças climáticas.

Os defensores da ideia, no entanto, afirmam que todas as medidas possíveis para resguardar a floresta estão sendo tomadas e que não pavimentar a rodovia é condenar as populações da região ao abandono.

Acompanhe a expedição da BBC pelo mapa interativo na nossa página www.bbcbrasil.com e pelo Twitter (bbcamazonia) para viver com os nossos repórteres o dia-a-dia na BR-319 e tirar as suas próprias conclusões sobre a polêmica.

Fonte: BBC


dezembro 02, 2009

Asfalto na floresta: as 'minas de ouro' dos cientistas


Nota do blog: De hoje até sábado, este blog estará dando munição para os deslumbrados com o recapeamento asfáltico da BR-319. Eméritos pesquisadores e professores da universidade participaram de debates públicos, anunciaram os impactos a ser provocados por essa obsessão em asfaltar florestas, mas nada sensibilizou as classes médias iletradas. Os argumentos científicos entraram por um ouvido e sairam por outro. Milton Santos - um dos nossos mais importantes geógrafos brasileiros - antes de morrer nos alertava: a universidade é o lugar dos intelectuais, onde o sujeito se dedica o tempo todo à busca da verdade; o espaço universitário é o lugar do livre pensar, de criar idéias e discuti-las. Quem se importa? Basta verificar o que já nos advertia o sábio brasileiro. Para ele, nesta fase da globalização, o trabalho de análise e crítica é mais difícil porque os projetos hegemônicos são precedidos de um forte discurso ideológico. Nesse contexto, a universidade está fragilizada, e ainda tem gente que faz questão de não querer ouvi-la. Quem lê a coluna do meu prezado Belmirinho Vianez sabe do que estou falando. Ele vai ficar tiririca com esse comentário, mas vai deitar e rolar ao saber que as matérias aqui postadas tem como fonte a BBC, de Londres. Taí mais um argumento para sua pena ágil: interesses externos se imiscuindo nas coisas do Brasil. Argumentos ideológicos continuarão se contrapondo às evidências científicas. Lulinha, aliás, no discurso de inauguração do gasoduto Coari-Manaus lembrou do desastre chamado Balbina, uma hidrelétrica que, além de ter colaborado para aumentar o efeito estufa, não gera mais do que 270 megawatts de energia, ao custo de um tremendo impacto ambiental. Mario Adolfo que o diga.

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Asfalto na floresta: as 'minas de ouro' dos cientistas

Eric Camara
Enviado especial ao Parque Nacional do Mapinguari (AM)

Para quem não conhece, os arbustos e árvores baixas podem até dar a impressão de que a área foi desmatada recentemente, mas o chamado cerrado amazônico é tudo menos isso.

São campos considerados minas de ouro para cientistas – viveiros da biodiversidade amazônica.

Foi em uma dessas regiões de cerrado amazônico que uma nova espécie de gralha foi registrada pela primeira vez pelo pesquisador Mario Cohn-Haft, há menos de um ano.

Ao longo da BR-319, há diversos campos como estes, que podem ser vistos em imagens de satélites.

Eles aparecem como manchas amarelas que – para os leigos, é bom repetir – podem parecer focos de desmatamento. A diferença é que esses tais “focos” ao longo da BR-319 ficam em locais bastante inacessíveis.

Só se chega até eles com um mateiro e várias horas abrindo trilhas floresta adentro.

Por isso é que decidimos pegar um atalho: fomos até o recém-criado Parque Nacional do Mapinguari.

Lá vimos cotias, araras, muitas andorinhas, papagaios e até rastros de anta, o maior mamífero da América do Sul.

Da “nova” gralha, nada. Mas tudo bem, tivemos uma bela impressão do que os inimigos da reabertura da BR-319 dizem estar sob risco de sobrevivência, caso ela realmente seja inteiramente recuperada.

A partir desta segunda-feira, vamos começar a encontrar as pessoas que vivem às margens da rodovia, muitas vezes em condições de pobreza com enormes dificuldades de acesso a serviços básicos, como saúde e educação.

Não vou ficar surpreso, se descobrir que para essas populações, a importância da incrível biodiversidade amazônica fique em segundo plano, diante da necessidade de, por exemplo, chegar rapidamente a um hospital.

Fonte: BBC