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fevereiro 15, 2010

Rádio Xibé voltou a ter programação diária

Centro de Estudos Superiores de Tefé - Amazonas-Brasil

Carnaval da Xibé: movimentos unidos em nova transmissão diária
Por RADIO XIBÉ

Depois de três anos, a rádio livre Xibé (Tefé-AM) voltou a ter programação diária. Dia 11 a reunião do seu coletivo contou com a participação de 14 voluntários/as do Centro de Mídia Independente de Tefé, do Diretório Regional dos Estudantes (DRE), do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (SINTEAM), da Organização dos Povos da Terra Indígena Barreira da Missão (OPOTIBAM), da Rede Ribeirinha de Comunicação facilitada pelo Instituto Mamirauá (IDSM), e do grupo Explosão do Funk, e decidiu unir os mais variados movimentos para participar da rádio em programação diária e na gestão coletiva e horizontal. Pretende-se convidar não apenas os movimentos, mas também educadores/as, estudantes e cidadãs/ãos de todos os tipos, especialmente aqueles/as que sofrem do silêncio imposto pelos mais variados processos de opressão, discriminação e exploração. Neste sábado começou o Carnaval da Xibé, com um ajuri para instalar os equipamentos na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), desta vez no espaço recentemente conquistado através da mobilização dos estudantes para ser a sala do DRE. A transmissão começou com programas abertos e coletivos, e apenas no outro sábado será a primeira reunião para definir uma grade de horários.

Quando a rádio nasceu em 27/10/2006, ocupou sem perder a cordialidade uma sala de aula da UEA de Tefé, ganhando logo a simpatia de muitos na comunidade dentro e fora dos portões acadêmicos. Chegou a ter uma programação diária livre com cerca de 20 programas, e reuniões passando de 30 pessoas. Ao mesmo tempo, inúmeras oficinas com vídeos e palestras começaram a ser realizadas na maioria das escolas de Tefé, e nas ações comunitárias de extensão da UEA. Funcionou diariamente até o começo das aulas em março de 2007, quando a sala foi requisitada devido ao aumento de alunos matriculados. A rádio passou a funcionar apenas nos fins de semana até junho: a antena foi roubada durante a transmissão da Semana do Meio Ambiente da UEA. Começou então a fase de transmissões itinerantes, primeiro com a antena emprestada à Rede Ribeirinha de Comunicação e depois com antena própria. As oficinas de rádio livre com transmissão ao vivo e "flores da palavra" (em que a rádio soma a sua intervenção com ações de outros grupos) vêm ocorrendo em bairros, comunidades, aldeias, eventos e assembléias nos municípios de Tefé, Alvarães, Uarini, Maraã, Coari, e até mesmo palestras e cursos em outros estados através de eventos científicos, libertários e até mesmo por meio do Projeto Rondom.

A UEA apóia essas ações através do projeto de pesquisa, ensino e extensão "Laboratório de Comunicação Livre", que permite interligá-las à reflexão sobre cultura, democracia e anti-colonialismo em sala de aula, a conquista de espaços e equipamentos da universidade e bolsas de iniciação científica para que voluntários e estudantes aprofundem o estudo dos processos de segregação e de democratização das comunicações e da ciência em Tefé. Já realizou mini-cursos abertos de Rádio Comunitária, Filme Documentário, Software Livre e outros, com voluntários-professores visitantes. Em 2009 o projeto ganhou o segundo lugar do Prêmio FINEP de Inovação da Região Norte, na categoria Tecnologia Social. Isto ajudou, ao lado da fase atual de fortalecimento do movimento estudantil, a criar o momento favorável para a volta da programação diária a todo vapor. Os movimentos que estão se unindo na Xibé pretendem pedir concessão de rádio comunitária para garantir ao menos um bastião seguro de radical liberdade de expressão na cidade, e há idéias de se adquirir mais transmissores para começar novas rádios livres, itinerantes ou não, e até uma TV Livre.

História fotográfica da Xibé: Raízes da Xibé: 2004 2005 Nascimento da Xibé: 2006 parte 1 2006 parte 2 Xibé mambembe 2007 parte 1 2007 parte 2 2007 parte 3 2008 parte 1 2008 parte 2 2008 parte 3 Xibé na Flor do Rock 2009 parte 1 2009 parte 2 2009 parte 3 I Festa do Movimento Cultural da Xibé (2007)

Vídeos e áudios: Chuva de Mídia Independente Primeiras Entrevistas da Xibé I Festa da Xibé Camisetas do Cmi-Tefé Jornal academico: entrevistas e debates com Francinete Chota Explosão do Funk na Internet

Artigos: A universidade e a necessidade de rádios livres O Centro de Mídia Independente de Tefé: mídias livres na educação e na organização coletiva Rádio na escola: uma proposta pedagógica para a democracia Um laboratório de comunicação livre no Médio Solimões A Flor Indígena: Artes de Fazer e Mídias Livres na Barreira da Missão A fronteira virtuosa: universidade, mídias livres e diálogo intercultural

Editoriais antigos: Rádio Xibé ocupa Câmara dos Vereadores de Tefé e Anatel é contactada Rádios livres do norte se mobilizam Flor dos Movimentos Rurais (Tefé 2006) Flor Indígena (Tefé 2007) Flor da Vila Pescoço (Tefé 2008) Flor das mulheres indígenas (Tefé 2008) Flor da Palavra e Rock na Rua (Tefé 2009)

Para ver os vídeos, ler os artigos e os editoriais antigos acesse CMI Brasil

novembro 26, 2009

Em Tefé (AM) polícia militar agride jovem com base na aparência

Tefé - Amazonas - Brasil
Foto: Rogelio Casado - Tefé, 2008

Em Tefé (AM) polícia militar agride jovem por sua aparência
Por Repressão Policial 25/11/2009 às 16:24

Relato de jovem tefeense, sobre o ocorrido na noite de 17 de novembro de 2009.

"por volta das 22:30, e eu e uns colegas estavamos na esquina próxima de minha casa... eu estava com uma mochila tendo em vista q estava retornando da faculdade... vestido de bermuda e de sandália de dedo. quando a viatura da policia militar (PM) parou junto de nós. dois policias saíram e pediram para revistar minha mochila e eu prontamente entreguei a um deles com o nome de Z. se nâo me falha a memória.. o mesmo a revistou e viu q nâo havia nda nela além de livros e escritos de física. nesse momento um outro PM com nome de F. M. saiu da viatura e me agrediu sem nem ao menos eu ter olhado para ele.

após o fato me dirigi até o posto policial do bairro onde moro com minha irmã e fomos pedir explicações aos PMs inclusive o que havia me agredido, queríamos saber o pq da agressão.

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as desculpas do PM: "Eu fiz aquilo pq não havia lhe reconhecido, se tivesse lhe reconhecido jamais teria feito isso. também pq vc não me respondeu quando eu lhe fiz uma pergunta. não sabia q vc estava vindo da faculdade pois vc não stava vestido com roupa adequada de um universitário", e outras +.

meus amigos essas foram as desculpas + sórdidas q uma pessoa pode dar após agredir um cidadão. o fato de não reconhecer... de não responder.. e muito menos o fato de estar vestido com uma determinada roupa, dá o direito de sair agredindo as pessoas pela rua... esse senhor q se diz uma autoridade está na PM a pouco tempo e já perdeu a moral.

tenho o direito como cidadão de responder a quem me convém... de ficar na rua de ir e vir... pois vivemos em um país q apesar de tudo ainda se diz democrático. mas esse senhor chamado F. M. não sabe o q é isso.

a polícia tem o papel de dar segurança a população. ao invés disso fazem o papel de juiz julgando as pessoas por suas roupas e aplicando punições fora da lei com agressão.

grato pela atenção.

jovem universitário de Tefé"

Fonte: CMI Brasil
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novembro 17, 2009

UEA de Tefé é finalista do Prêmio FINEP de Inovação da região Norte

Centro de Estudos Superiores de Tefé - Universidade do Estado do Amazonas
Acervo do Prof. Guilherme Figueiredo

UEA de Tefé é finalista do Prêmio FINEP de Inovação da região Norte

O Centro de Tefé foi selecionado para a final do Prêmio FINEP de Inovação da região Norte graças ao projeto de ensino, pesquisa e extensão “Laboratório de comunicação livre”, coordenado pelo Prof. Guilherme Gitahy de Figueiredo. Mesclando ensino, pesquisa, extensão e trabalho voluntário, o projeto visa o fortalecimento da cultura brasileira e amazonense através da valorização das identidades e tradições, combate à segregação social e fortalecimento da participação popular na produção cultural através da democratização da comunicação. O projeto está concorrendo na modalidade “tecnologia social”, e o coordenador irá a Palmas (TO), nesta quinta dia 19 para saber a colocação no prêmio e receber o troféu.

As atividades deste projeto começaram quando o professor passou a dar aulas de antropologia na UEA, em 2005, buscando mostrar que os conceitos fundamentais da disciplina poderiam ser úteis para se pensar os processos de dominação cultural que reproduzem a lógica colonial no Brasil e na Amazônia, bem como estratégias de resistência e autonomia. Em 2006 um grupo de estudantes da UEA formou o Centro de Mídia Independente de Tefé, um coletivo aberto, horizontal e autônomo visando democratizar o uso de tecnologias de comunicação e informação. Atuando em parceria com estes estudantes e outros voluntários, a UEA de Tefé deu início ao trabalho de extensão com um projeto de nome “Mídia e Cidadania” que começou junto ao então projeto “Mão Amiga”, lançado pelo Prof. Wanderlan Dimas. Foram iniciados cursos e oficinas de rádio livre, comunitária, vídeo, software livre, e outros, realizados em aldeias, comunidades, bairros e escolas públicas. O funcionamento da rádio livre Xibé no campus da UEA, em 2006, ajudou a democratizar o acesso à universidade e à sua produção cultural, atividade encerrada por falta de salas em 2007.

Na mesma época começaram as atividades de pesquisa com apoio do PAIC/FAPEAM ligadas ao projeto, e que contemplam duas linhas: parte dos alunos e alunas estudam grupos discriminados e segregados da cidade, que via de regra têm suas tradições e inovações silenciadas, enquanto outra parte passou a estudar processos de apropriação de tecnologias de comunicação e informação por esses e outros grupos sociais. As antigas e atuais participantes dessas pesquisas são Fabriciana Dantas, Pedro Pontes, Alex Almeida, Dinalva Alves, Danúbia Sena e Ismaely Gomes. Atualmente, a ambição maior do projeto é criar espaços físicos com equipamentos de rádio, informática e vídeo que sirvam para atividades de pesquisa, ensino e extensão na universidade e em escolas, bem como para a participação popular na produção cultural que necessite destas ferramentas, aproximando comunicação popular e educação. Os resultados de todas essas atividades de ensino, pesquisa, extensão e ativismo têm sido apresentadas em congressos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Associação Brasileira de Antropologia, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e outros espaços desde 2007. Em 2008, o artigo “Laboratório de Comunicação Livre do Médio Solimões” foi publicado no livro “Comunicação para a Cidadania: caminhos e impasses”, organizado por Igor Fuser e editado por E-papers. Em outubro de 2009, o Prof. Guilherme Figueiredo apresentou os resultados na VIII Reunião de Antropologia do Mercosul em Buenos Aires.

O projeto tem atuado em parceria com o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, que tem como coordenador o Prof. Alfredo Wagner e que, em Tefé, alia cartografia com democratização de tecnologias de cartografia com as de comunicação e tem como coordenador técnico o líder ticuna e acadêmico da UEA Sílvio Almeida Bastos. Outros parceiros importantes são o projeto “Rede Ribeirinha de Comunicação”, coordenado por Thiago Figueiredo e Marco Lopes do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Maminará e cuja “rede” a UEA tem ajudado a ampliar, bem como entidades do movimento indígena. Na UEA, o maior apoio vem da Pró-Reitoria de Extensão, na pessoa de Rogelio Casado.
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novembro 16, 2009

II Encontro de Comunicadores Populares do Médio Solimões

Rádio Xibé
Foto: Prof. Guilherme Gitahy de Figueiredo - UEA - Alvarães-Amazonas-Brasil

Editorial no CMI:
II Encontro de Comunicadores Populares do Médio Solimões

Nos dias 5 a 7 de novembro de 2009, aconteceu no Centro Itinerante de Educação Ambiental e Científica Bill Hamilton (CIEAC), no Lago de Tefé, o II Encontro de Comunicadores Populares do Médio Solimões (II ECPMS). O evento contou com a participação de 27 pessoas de comunidades, aldeias ebairros dos municípios de Tefé, Uarini, Maraã e Coari (Amazonas) e foi organizado pelo comunicador social Thiago Antônio Figueiredo e pelo educador ambiental Marcos Lopes, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM). O encontro teve como objetivo fortalecer a Rede Ribeirinha de Comunicação que envolve as Reservas Mamirauá e Amanã e os municípios do entorno, com intuito de democratizar os meios de comunicação locais e tornar as populações dessa região produtoras e não só receptoras de informações para a mídia, além de integrar as pessoas das cidades e das unidades de conservação existente nesta região.

Durante o encontro foram veiculados três vídeos educativos, produzidos pelos próprios moradores das Reservas e das sedes municipais que ascircundam, abordando a importância do uso de técnicas e de instrumentos de comunicação para o desenvolvimento local. Houve também a palestra abordando princípios e conceitos básicos sobre educação ambiental, ministrada por Cláudia Santos com intuito de sensibilizar as pessoas no que se refere ao meio ambiente e em especial ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). No segundo dia de encontro os participantes, divididos em grupos de cinco componentes saíram pelas ruas da cidade de Tefé para produzir matérias que foram utilizadas como subsídio para produção de programas veiculados na rádio livre Xibé.

O II ECPMS contou também com a presença dos diretores Fábio de Oliveira da Rádio Mel FM 101.9, Thomas da Rádio Rural de Tefé, e Raifran Brandão do Jornal O Solimões, que debateram com ativistas e comunicadores populares a abertura de seus veículos para a inserção de notícias produzidas por comunicadores populares e a democratização da comunicação no Médio Solimões, tudo ao vivo pela rádio Xibé.

Fonte: CMI
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