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novembro 04, 2010

Pela imediata suspensão do projeto do monotrilho de Manaus

PICICA: Oxalá não se queira forçar a barra depois do parecer definitivo da Controladoria Geral da União sobre a pretensão de construção de um monotrilho para atender a crescente complexidade do transporte na cidade de Manaus, sobretudo as que serão demandas pela realização da Copa do Mundo 2014. Não faltarão alarmistas clamando pela viabilização do projeto, profetizando o fim do mundo caso não seja realizado. Pouco importa o preço a ser pago pela "invasão" da nova parafernália em áreas do perímetro urbano da cidade antiga, que deveriam ser invioláveis.  Invioláveis porque nelas estão parte do patrimônio histórico e arquitetônico da cidade. Embora o parecer da CGU não mencione tais aspectos - desgraçadamente desprezados pelos setores das classes médias ávidas por uma duvidosa noção de progresso, incapazes de defender seu patrimônio das agressões de projetos mal formulados -, a cidade agradece à CGU por ajudar a evitar um desastre anunciado.
Diário do Amazonas

agosto 22, 2010

Projetos de monotrilho podem ser questionados pela população

Nota do blog: Enquanto em Manaus, o vereador José Ricardo Weddling é uma das poucas vozes a insistir no debate público sobre o monotrilho - projeto criticado por alguns arquitetos amazonenses, face ao desrespeito com o patrimônio arquitetônico manauara (imagine o monotrilho passando na frente do belo prédio da Alfândega; é um descalabro!), em São Paulo o vereador Chico Macena põe seu mandato à disposição da população para discutir um projeto de monotrilho que vem sendo imposto verticalmente pela prefeitura de S. Paulo. Ressalve-se que o projeto de Manaus é de responsabilidade do governo estadual, sob o olhar impotente do governo municipal. Se vivo estivesse, estou certo de que o saudoso Jefferson Perez usaria seu mandato para criticar tamanha aberração, como ele o fez quando o atual prefeito Amazonino Mendes ousou propor um camelódromo em pleno coração da cidade, ameaçando patrimônios arquitetônicos tombados pelos poderes públicos municipal, estadual e federal. Não tenho nada contra maioria da parlamentares em nossas casas legislativas. O que não precisamos é do silêncio estúpido que ameaça nossa amada cidade. 

Imagem postada em manausemnoticia.com

Audiência Pública para questionar os projetos de monotrilho para a cidade acontecerá na Câmara Municipal
Cansados da imobilidade no trânsito, superlotação de ônibus, falta de corredores, falta  de fluidez nas principais vias e de anos de reivindicação pela ampliação do metrô, movimentos populares da zona leste e da zona sul estão se organizando contra a implantação do monotrilho. Manifestações e protestos sobre o tema tem acontecido em diversos setores da sociedade, inclusive na Câmara Municipal.

Sempre defendendo a  ampliação do Metrô na cidade e acompanhando  as  dificuldades vividas pela população,  o vereador Chico Macena requereu a Comissão de Política Urbana  a realização de uma Audiência Pública em conjunto com a Comissão de Trânsito, Transporte, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia, convidando a Secretaria Municipal e Estadual de Transportes, Secretaria Municipal  e Estadual do Meio Ambiente.

O objetivo da audiência é solicitar aos órgãos responsáveis apresentem os projetos de monotrilho para São Paulo, envolvendo as regiões de Vila Prudente, Cidade Tiradentes, M’Boi Mirim, Congonhas, Cachoeirinha-Lapa, Vila Sônia e Celso Garcia e seus respectivos estudos de impactos ambientais, urbanísticos e de vizinhança.

"A discussão sobre a aplicação do monotrilho para a nossa cidade é recheada de dúvidas, ninguém sabe ao certo como vai ser as estações, não tem projeto, as licitações são questionadas na justiça, a população não é ouvida e muitas perguntas feitas pela sociedade não são respondidas.

De tempos em tempos a prefeitura aparece apresentando uma “solução” para os problemas de deslocamento da população, principalmente na periferia. Hora é o VLP (Veículo Leve sobre Pneus), outra hora é o VLT ( Veículo Leve sobre Trilhos), depois anunciam a expansão do Metrô. Logo todas estas opções desaparecem e o executivo apresenta o monotrilho como a melhor solução.

A sociedade tem dúvidas se o monotrilho realmente  é a melhor solução, pois sua capacidade de transporte de pessoas é muito menor do que a necessária  para ligar Cidade Tiradentes à Vila Prudente ou Jardim Ângela à Santo Amaro. Como será o planejamento de sua segurança? E o impacto ambiental? Que tecnologia será utilizada? Qual o custo real por passageiro transportado? Por que não Metrô?


Um exemplo da falta de planejamento é o fato da Estação Campo Limpo estar localizada a menos de 5 km do Jardim Ângela, seria mais barato estender o Metrô até a região de M, Boi Mirim criando uma linha direta com Santo Amaro. Então, por que não ouvir a população, para saber o que os moradores de cada região realmente querem e precisam?

Nós vereadores e toda sociedade temos direito de participar deste processo, junto com a prefeitura, e escolher o que é melhor para a cidade. Precisamos entender  o que está acontecendo e o que a prefeitura está planejando e, principalmente, em cima de que dados e necessidades estão sendo feitos este planejamentos. Ao meu ver, as pessoas que serão diretamente impactadas com estes investimentos não estão sendo ouvidas.

A necessidade  de se fazer uma audiência pública para tentarmos resolver estas questões partiu da sociedade organizada, como uma forma de tentar  debater este assunto com a prefeitura, e fiz este requerimento para que fizéssemos de forma conjunta entre  a Comissão de Política Urbana e a Comissão de Transportes para junto com a sociedade ouvirmos do governo o que a população precisa saber" , questiona Chico Macena, que propôs uma audiência pública na Câmara Municipal convidando Prefeitura, Governo do Estado e sociedade em geral, para que todos os questionamentos sejam respondidos e a população de fato ouvida.


Audiência pública sobre os projetos de monotrilho para a cidade de São Paulo.
Data: 2 de setembro de 2010
Horário: 13 horas
Local: Auditório Prestes Maia – 1º andar da Câmara Municipal
Comissão de Política Urbana e Comissão de Transporte


Chico Macena - Um vereador da cidade, um mandato de todos nós
 www.chicomacena.com.br

agosto 05, 2010

Nem porto de lenha, nem monotrilho com traçado errado...


RogelioCasado | 24 de abril de 2010
Nivaldo de Lima, o fotógrafo dos esquecidos, passeia com sua câmera às margens do Rio Negro, em Manaus, de onde chegam e saem passageiros para o interior do estado do Amazonas, num porto marcado pela precariedade. Nele passam séculos de conhecimento sobre a floresta amazônica e seus rios.

Nota do blog: Enquanto na antiga escadaria dos Remédios - tragada pela Manaus Moderna - o sistema de embarque e desembarque de gente e de mercadorias expõe a população de baixa renda a toda sorte de riscos, sob o silêncio dos nossos parlamentares, ... 

portalmpost | 24 de março de 2010
A implantação do monotrilho na ligação Vila Prudente-Cidade Tiradentes, anunciada pelo governo estadual em parceria com a Prefeitura de São Paulo, foi criticada durante seminário sobre transporte público realizado ontem pelas Bancadas do PT e do PC do B no Legislativo municipal. A avaliação geral é de que o projeto foi anunciado de forma improvisada, sem discussão com a população e, principalmente, sem estudo adequado sobre sua viabilidade. Confira os principais momentos da discussão.

Nota do blog: ...em São Paulo a sociedade civil organizada,  o PT e o PC do B discutem o modo improvisado como está se anunciando a construção de um monotrilho. Ué! Esse filme passando em Manaus. Aqui também a decisão está sendo verticalizada, sem discussão; sequer um arremedo de debate. A Federação do Comérico de Manaus ameaçou chiar. O vereador Ricardo Weddling não consegue apoio para o debate, nem mesmo dentro do seu partido - o PT. O PC do B está caladinho da silva. As entidades de classe silenciaram. Por hora  está vencendo o espírito provinciano, a mesma que vem desfigurando a cidade em nome do progresso.  O perigo, diferentemente do que anunciam os jornais de hoje, não é a incompletude do projeto, detectada pelo Ministério Público, e que motivou a suspensão do processo de licitação. O perigo é o próprio projeto, cujo traçado submeterá a população a impactos sonoros e visuais, depreciando imóveis residenciais e comerciais por toda a extensão da Av. Constantino Nery. É o traçado que está errado. Taí dois temas para o debate entre os candidatos às eleições deste ano de 2010: o porto e o monotrilho para a Manaus dos próximos 50 anos. A cidade não pode mais pagar pelas interferências mal planejadas e pelo espírito anti-democrático.

maio 05, 2010

O rei da cizânia

Eduardo Braga e Amazonino Mendes
Acervo "A Crítica"
Nota do blog: A charge política acima foi publicada por engano na coluna da jornalista Bettsy Bell, quando integrava a redação do jornal A Crítica. Pretendia anunciar uma reconciciliação. Taí uma manchete que não verás, caro(a) leitor(a). Pelo menos, não nas eleições deste ano. Amazonino acabar de taxar Braga de "delirante", tudo porque o seu desafeto resolvou implantar um monotrilho em Manaus (conforme a nota acima, publicada na coluna Claro & Escuro, da edição de hoje do Diário do Amazonas). A cidade já viu esse filme com outro personagem. O alvo era Alfredo Nascimento. Entrevistado pelo Amazonsat, Amazonino declara que o Programa Saúde da Família, criado por seu desafeto político, era uma "brincadeira". O PSF havia simplesmente reduzido os índices de mortalidade infantil em Manaus, fato desconsiderado pelo entrevistado. Com carros entupindo até becos e vielas, o monotrilho é uma proposta inteligente, que reorganiza todo o fluxo de transporte público. Ou seja, a "máfia" do transporte, outra expressão usada por Amazonino na edição de hoje de uma matéria publicada no jornal A Crítica ("Amazonino Mendes alegou que a prefeitura ainda não fez a licitação para o sistema de transporte coletivo porque existe uma “máfia” entre empresários de ônibus e fábricas que produzem os veículos para dificultar a venda de ônibus para outras instituições." - A Crítica, 5.5.2010), seria submetida a um nova lógica, que, certamente, ajudará a reduzir o caos no trânsito de Manaus, já que o futuro das cidades está irremediavelmente comprometido pela civilização do automóvel. O problema do monotrilho é seu traçado. O resto é discurso de ano eleitoral.
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fevereiro 26, 2010

Monotrilho de Manaus: erros de traçado

Casa 22 Paulista
Manaus - Amazonas - Brasil (anos 1960)
Traçado é desviado para preservar prédios históricos

A Crítica 25.02.2010

O traçado do sistema de transporte monotrilho na área do Centro da cidade terá um desvio no fim da rua Epaminondas para que os prédios da loja 22 Paulista e do Teatro da Instalação não sejam desapropriados. O projeto preliminar da empresa PricewaterhouseCoopers previa a derrubada desses dois prédios construídos no final do século 19. A decisão foi tomada anteontem, durante reunião entre representantes do Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM), do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP/AM), do Governo do Estado do Amazonas e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Nota do blog: A empresa PricewaterhouseCoopers pretendia destruir dois prédios do patrimônio histórico, arquitetônico e cultural para dar passagem ao monotrilho de Manaus, segundo a matéria do jornal A Crítica. Cada vez mais fica evidente que o traçado do monotrilho está equivocado e irá provocar um forte impacto visual na cidade, tão ao gosto dos que cultivam noções de desenvolvimento sob o olhar provinciano. O fato aponta dois graves problemas: a força de uma cultura institucionalizada que busca fora do estado empresas que desconhecem a história da cidade, e a trágica cultura do silêncio que atinge a maior parte da sociedade amazonense, incapaz de defender seu patrimônio histórico, arquitetônico e cultural. O mesmo aconteceu quando os IAPETECS (único prédio, de dez andares, existente na cidade até o final dos anos 1960), começaram a proliferar sob o olhar deslumbrado da província cansada de viver anos de estagnação econômica. Pouca importava se a nova arquitetura fosse marcado pelo mau gosto.

dezembro 27, 2009

Anonimato vs. cidadania


Nota do blog: Meu caro amigo João Bosco, uma criatura - daquelas que tia Pátria dizia que "cagam e andam pra opinião dos outros" - resolveu usar do anonimato para nos rotular de ignorantes e desonestos, e isso inclui você, eu e A Crítica, que vem repercutindo sua corajosa crítica ao traçado mal planejado do monotrilho de Manaus. Pelo discurso é fácil identificar a criatura. Mas, deixemos que ele o faça, se é que ele está interessado em discussões honestas. De minha parte fiz minhas observações em vermelho nos comentários ultrajantes que foram enviados para este blogueiro. O mesmo espaço está à sua disposição.

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "João Bosco Chamma alerta para o futuro de um monot...": (não supreende que o comentarista use do anonimato numa terra habituada a atropelar o mais elementar dos direitos de cidadania: o esclarecimento; pelo discurso do nosso anônimo comentarista trata-se de alguém muito cioso do seu anonimato, sob pena de ter contrariado seus interesses pessoais):

Visto que ninguem comenta seu blog certamente é porque a moderação é imoderada, ou moderada aos seus interesses, claro. Certamente você não vai tornar publico o que eu vou expressar aqui, mas será dito mesmo assim, nem que seja pelo menos pra você. (Espero que o comentarista anônimo revele sua identidade; de todo modo, sinto-me lisonjeado pelo monitoramento do meu blog, cujas mensagens são claras e transparentes, como é próprio do exercício da cidadania).

Comparar o projeto do monotrilho às obras do minhocão em Sampa é ser desonesto ou assinar atestado de ignorância. Que tal melhorar o nivel dessas criticas? (Desonesto é usar do anonimato; sobretudo quando as tintas indicam um discurso semelhante ao de alguns agentes do estado habituados a prevaricar, ali onde a democracia é mera peça retórica).

Veja o video no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=a6uAUjkj8t4

Projeto de Santos, leve, funcional, fino e bonito! (para mim a para a torcida do América, seu gosto é duvidoso e sua informação é desonesta, senão vejamos: ainda que haja uma distância razoável entre as torres do montrilho dos prédios da orla de Santos, não há informações sobre o que pensa a vizinhança sobre o impacto visual e sonoro - a propósito, meu ilustre comentarista anônimo sabe o que significa "impacto de vizinhança", quesito fundamental nos relatórios de impacto ambiental; ademais, uma coisa é um montrilho entre prédios, outro entre prédios de um lado, e a orla marítima de outro). Sim, fino porque não é uma via para carros (minhocão) e sim para um trem e é aí que reside o desconhecimento dos senhores ou a simples vontade de ser do contra pra chamar atenção, sabe-se la de quem. (Da opinião pública, meu caro Watson, anestesiada pela propaganda leviana, da qual a construção do terminal portuário das Lajes é exemplar, com uma diferença: uma tem interesses privados, outra interesses de governo; ambas, entretanto, devem esclarecimentos aos cidadãos).

Mesmo diante da objeção de que no caso de Manaus serão dois trens (ida e volta) ao invés de um, o que aumentaria a largura tornando-o um "bi-trilho", ainda assim é um exagero enorme comparar com os elevados de SP e RJ. (Exagero é usar mais de um bilhão de reais para construir um monotrilho, de efetivo interesse social, sem consulta pra valer das entidades de classe e da sociedade civil organizada).

O projeto do Sr.Chama deve ser interessante, mas parece que ele foi "rifado" deste processo que ao meu ver já está encaminhado (o comentarista anônimo bem que poderia informar aos meus silenciosos leitores como se deu o processo de rifagem do projeto do arquiteto João Bosco Chamma, que vem tornando públicas as suas objeções ao traçado proposta pela empresa construtora). Ninguém discutiu uma ponte de 500 milhões, vão discutir um trilho ? E outra, Constantino Nery e Djalma jão são terras de ninguém, ou melhor, de quem dá mai$! (as duas últimas frases são típicas do discurso obsceno dos agentes sociais que não tem o menor respeito pela opinião pública e que acham que Manaus é terra de ninguém; a opinião pública conhece pelo menos dois deles, que recentemente passaram a responder pelos exageros cometidos no exercício da função pública).

ET.: JB, uma coisa temos que admitir. O comentarista anônimo tá coberto de razão. Não vai dar pra instalar o escritório do tráfico de drogas, nem abrigar uma família de sem-tetos. Em compensação o que não vai faltar é lugar pra armar um monte de redes e tirar uma soneca, ao som do ranger de trilhos. "Nóis sofre, mais nóis goza", já dizia o macaco Simão.

João Bosco Chamma alerta para o futuro de um monotrilho mal planejado

Arquiteto João Bosco Chamma
Foto: Rogelio Casado - Câmara dos Vereadores - Manaus-Amazonas-Brasil, 2009

Nota do blog: Estava a refletir sobre o enigma da resignação da maioria dos intelectuais da terra de Ajuricaba, incapazes de esboçar qualquer movimento (exceções de praxe) contra às injúrias sofridas pela cidade onde habitam - salvo a retórica da lamentação -, quando resolvi ler as notícias do dia. Lá estava o arquiteto João Bosco Chamma, meu amigo de infância, desta vez nas páginas de A Crítica em sua cruzada solitária contra o impacto visual que a Av. Constantino Nery sofrerá com a construção do monotrilho. Estive com ele na Câmara dos Vereadores de Manaus num arremedo de debate sobre o plano diretor da cidade, proposto pela Prefeitura de Manaus. Ninguém conhecia o projeto do monotrilho. Os maledicentes dirão que João Bosco é parte interessada, tudo porque ele é um dos autores de um projeto de monotrilho que tem o mérito de não agredir moradores e comerciantes daquela via pública. A advertência de João Bosco é tão grave que os canais de TV deveriam abrir um espaço para que fosse feito uma comunicação em cadeia sobre o futuro de um monotrilho mal planejado. A matéria de hoje - domingo - do jornal A Crítica alerta para um fato conhecido pelos moradores e comerciantes das imediações do elevado Paulo Frontin, no Rio de Janeiro, e no "Minhocão", em São Paulo. A julgar por aqueles péssimos exemplos, debaixo do elevado que sustentará o monotrilho não faltará espaço para a população sem teto e para o tráfico de drogas, além da poluição sonora e visual. Ainda há tempo de rever o traçado proposto pela empresa construtora. O intelectual que aposta no quanto pior melhor, também ele e sua família pagarão o preço da omissão, salvo se ele estiver pretendendo mudar de cidade. Tia Pátria, que carregou João Bosco no colo, diria: "Quando é que vão acabar com essa patifaria de esculhambar com a cidade?". A Associação Amigos de Manaus - AMANA - é nosso instrumento de luta contra o ultraje às nossas cidadanias. Quem se habilita?

Efeito monotrilho na paisagem da cidade

Preocupação maior é com a parte inferior do elevado que será percorrido pelos trens

Gerson Severo Dantas
Da equipe de A CRÍTICA

O projeto de construção de um sistema de transporte coletivo de massas, o monotrilho, trará grandes impactos visuais à paisagem urbana de Manaus, sobretudo ao longo da avenida Constantino Nery, uma das áreas mais densamente povoadas da cidade. O pior cenário prevê para a parte baixa do corredor elevado o que ocorre em obras semelhantes, como a via expressa conhecida como ‘Minhocão’, em São Paulo, e o elevado Paulo de Frontin, no Rio de Janeiro, onde a parte de baixo é feia, suja, escura e serve de abrigo para mendigos e para o tráfico de drogas.

[...]

De acordo com o arquiteto Bosco Chamma, o principal crítico do traçado proposto pela empresa PriceWaterhouse/Coopers, a Constantino Nery vai virar um inferno com a entrada em funcionamento do monotrilho. “Será que nós queremos mesmo um Minhocão aqui em Manaus? Lá em São Paulo já estão falando em derrubá-lo, porque deixa a cidade feia. Esse traçado está totalmente fora do contexto urbano de Manaus, é feio, vai deixar uma das principais avenidas da cidade mal iluminada”, afirma Bosco. Conforme o arquiteto, que apresentou um traçado alternativo seguindo o curso dos igarapés e a orla de Manaus, quem mora na avenida pagará um preço altíssimo pela “modernidade” do monotrilho. “Fiz o cálculo, com as composições de até 90 metros propostas, a cada um minuto e meio o cidadão vai ouvir o barulho passando em frente a janela dele. Será que é isso que nós queremos?”, critica.

[...]

Leia no Jornal A Crítica (nas bancas)
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dezembro 14, 2009

Por um outro traçado do monotrilho

Nota do blog: Toda que vez que um dirigente do Iphan local se contrapõe a interesses não republicanos só dá pro dele, como diria tia Pátria. No caso da tentativa de construção de um terminal portuário na região das Lajes (defronte do Encotro das Águas, onde nasce o rio Amazonas em território brasileiro) foi preciso um senador da república - João Pedro, do PT-AM, se manifestar em Brasília para que o Iphan começasse a se movimentar, via Ministro da Cultura. Afinal de contas o rio é mais do que federal, é internacional. Mas o que dizer do monotrilho, questão eminentemente regional. Diante da fragmentação do movimento social, de umas reclamações aqui, outra ali, é bom começar a tirar o cavalinho da chuva: se não houver o "bom barulho", nada impedirá um outro desastre anunciado. Vem por aí uma tropa de choque provinciana a bom defender o traçado proposto pela empresa construtora. É, é do traçado que eu falando, que ninguém é besta de ser contra o monotrilho, uma solução inteligente para enfrentar a indústria do pneu. Nosso problema é o espírito provinciano de alguns setores da sociedade, espelhada na frase acima. Se os movimentos sociais não se irmanarem, teremos um monotrilho passando onde não devia. Melhor do que um mau traçado, é deixar de fazê-lo. A cidade não pode pagar por mais um erro de planejamento urbano. com A Crítica e não abro. E você, vai deixar o cavalinho na chuva ou vai entregar o jogo? Minha sugestão é que chamem o arquiteto João Bosco Chamma para ser o parecerista do Iphan.

Monotrilho precisa do parecer do Iphan, diz MP

Elaíze Farias
Da equipe de A CRÍTICA

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou processo solicitando o parecer técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) sobre a viabilidade da construção do monotrilho no Centro de Manaus. A informação foi dada ontem pelo superintendente do Iphan, Juliano Valente. O pedido de informações do MPF foi feito com base em questionamentos apresentados pelo Iphan sobre as propostas de traçados e estações do monotrilho no Centro em matéria publicada no jornal A CRÍTICA no dia 29 de novembro.

Fonte: A Crítica
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novembro 30, 2009

Monotrilho de Manaus tem erro de trajeto

Monotrilho
Foto postada em skyscrapercity.com

Nota do blog: O projeto de monotrilho do arquiteto João Bosco Chamma para a cidade de Manaus é bom, mas tem um defeito: não teve a devida divulgação. Trata-se de um projeto arrojado, atual, amparado em modernos conceitos de urbanismo. A matéria de A Crítica é oportuna, mas tardia. O projeto oficial está em curso. Faltou debate público para demonstrar a impropriedade do traçado proposto. Imagine um trem desses passando por toda a extensão da av. Constantino Nery? Bom para olhos provincianos, péssimo para a cidade. Leia a excelente matéria da sempre competente Ana Célia Ossame.

Recado pro João Bosco: O blog está à disposição para postar os detalhes do projeto do arquiteto João Bosco, para que @s leitor@s possam a ter a dimensão do que Manaus perderá com o projeto oficial.

Monotrilho

Ana Celia Ossame
Da equipe de A CRÍTICA

O trajeto do monotrilho apresentado pelo Governo do Estado para o transporte público, pelo fato de Manaus ter sido escolhida como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014, tem que ser modificado. A afirmação é do arquiteto João Bosco Chamma, que participou da 8ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.

Na bienal, Chamma foi convidado a apresentar o projeto com o qual pretendia entrar na concorrência pública realizada pela Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), cujo vencedor foi o elaborado pela empresa de consultoria de viabilidade econômica que, segundo afirma, não tem conhecimento para tratar de projetos urbanos, a Pricewaterhouse.

De acordo com Chamma, no entanto, a utilização de vias saturadas como a Constantino Nery, proposta no projeto vencedor da concorrência, vai provocar imensa dificuldade às pessoas que a usam, grandes engarrafamentos e desvalorização de toda a avenida que, por sua vez, não tem uma largura apropriada para uma intervenção desta envergadura. Caso o trajeto fosse feito pelo igarapé dos “Franceses”, nada disso aconteceria e a cidade poderia ganhar um grande parque linear urbano com ciclovias (contribuição com menos gás carbônico na atmosfera), uma viagem mais bonita e agradável que acabaria ficando convidativa aos domingos e feriados, melhorando, com isso, a viabilidade econômica para a manutenção do sistema.

“Propomos, ainda, a não entrada do monotrilho pelo nosso centro, pois isso seria um verdadeiro estupro (coisas de quem não tem conhecimento e nem compromisso com a nossa cidade). Poderíamos ter um acesso ao Centro beirando o igarapé no Bariri, depois na Aparecida, onde vai acontecer um projeto do Prosamim. Dignificaríamos e requalificaríamos a orla, aproveitaríamos para aumentar a densidade populacional já que a nossa atual está em 40 hab/10.000 m² e o trajeto permitiria aos manauenses a contemplação do rio Negro”.

Erro de trajeto

O arquiteto acredita que, dada a magnitude do projeto estimado em R$ 958 milhões, os projetistas deveriam ter pensado a cidade no futuro. “E um erro de trajeto desse vai custar muito caro ao cidadão. Será dinheiro jogado fora, como no Expresso. Fora isso, ainda deixa um desconforto visual e desproporcional de grandes vigas de concreto por cima de nossas cabeças nas avenidas e ruas que não têm larguras suficientes para esta envergadura de projeto. No projeto proposto por sua equipe há um percurso de 41 quilômetros, com 29 estações circundando a cidade por todas as zonas, e utilizando áreas dos igarapés e do rio Negro. Nesse trajeto podem ser criados condomínios coletivos nos quais as pessoas terão espaços para o lazer e, assim, vão poder zelar pela obra", explica Chamma.

“O traçado deles só pensa na viabilidade econômica, mas não podemos fazer um monotrilho para ser usado somente cinco dias na semana”, alerta ele, lamentando não ter tido a oportunidade de participar da licitação devido a um erro no edital da concorrência lançada no dia 09/09/2009 que falava da construção de duas arenas, quando uma dessas, na verdade, era a implantação do sistema de transporte de alta capacidade. “Quando vimos a errata, não deu mais tempo de participar”, lamentou.

Fonte: A Crítica
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