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agosto 02, 2010

Lula e as eleições

[ Amálgama ]




-- Dilma e Lula em comício em Curitiba (31 de julho) --

por Maurício Caleiro * – Vivenciamos a primeira eleição presidencial pós-ditadura sem Lula concorrendo, e a forma como a mídia e seus comentaristas amestrados têm abordado tal fato quer fazer crer que se trata da grande novidade do pleito de outubro. Nada poderia ser mais falso: até 2002, Lula era apenas um candidato a quem reiteradamente, eleição após eleição, em decorrência de manipulações sujas ou em pleitos honestos, negava-se o poder – não passava, portanto, de uma potencialidade, uma esperança sempre adiada.


A situação agora é bem outra: o nome Luis Inácio Lula da Silva, de fato, não constará da cédula eleitoral, mas é em torno de seu legado, onipresente, que se travará a batalha eleitoral que definirá o(a) próximo(a) governante do país. É preciso, portanto, dimensioná-lo em seus méritos e defeitos, bem como examinar os rumos que os três principais candidatos presidenciais tenderiam a impor a tal legado.


O novo cenário econômico

Chaga social que aniquila o indivíduo e abala famílias, o desemprego, que no governo FHC bateu nos 20%, desce a 7,2%, o menor índice desde 1991, fruto dos 12 milhões de empregos criados desde 2002, em função da expansão da economia promovida pela gestão Lula. E isso durante um período em que o salário mínimo passou dos 64 dólares suados estabelecidos pelo governo tucano para 290 dólares – ou seja, um aumento de mais de 350%, que desmente a velha ladainha de que aumentos do salário mínimo causariam desemprego em cadeia.



Na seara macroeconômica, o país não apenas deixou de recorrer regularmente, pires à mão, ao FMI, como passou a ser credor do órgão, com um déficit de 185 bilhões de dólares negativos dando lugar a um superávit de 239 bilhões de dólares (ao passo em que a taxa de juros, que um dia foi de 27%, hoje mal chega a dois dígitos). Enquanto o mundo patina, há quase dois anos, numa crise que tem provocado efeitos devastadores nos EUA e na Europa, o Brasil vive um dos melhores momentos econômicos de sua história, a despeito do discurso catastrófico sempre em voga na mídia (primeiro, a incapacidade do governo de fazer o país crescer, desmentida pelos fatos; depois a crise que se revelou marolinha, seguida por alertas de superaquecimento da economia, frustrado e prontamente substituído, com a cara-de-pau costumeira, pelo alarde de uma iminente recessão).


Educação, esportes e cultura

No setor de Educação, as universidades, sucateadas no governo tucano, esvaziadas de professores (atraídos pela isca da aposentadoria precoce, lançada pelo hoje canonizado Bresser Pereira) e com unidades nas quais chegou a faltar giz e verba para pagar a conta de energia elétrica, são hoje o dínamo de um sistema educacional que a adoção do sistema de cotas tornou ainda mais includente; o ensino técnico, que especialistas em educação afirmam de forma quase unânime ser essencial ao país, tinha apenas uma17, espalhadas pelo país. 



Na pouco observada mas fundamental área cultural, a concentração extrema de financiamentos oficiais no eixo Rio-São Paulo deu lugar a uma disseminação pulverizadada dos insumos, através de concursos e editais – e a contrariedade dos ex-lordes feudais da cultura afetados por esta nova realidade é a cerdadeira razão da chiadeira antilula de certos atores fluminenses e poetas maranhenses. No bojo desse processo, regiões antes virtualmente alijadas de patrocínio cultural – como Ceará e Paráno – são hoje centro irradiador, respectivamente, de relevantes ciclos cinematográficos e musicais. Ainda no âmbito do MinC, os pontos de cultura promovem, à revelia da mídia que finge que não sabe de sua existência, uma microrrevolução cultural atomizada em algumas das áreas mais pobres do país, estimulando, através do acesso a tecnologia digital, a produção musical e videográfica. Até os trabalhadores, historicamente excluídos das políticas culturais oficiais, se veem ora contemplados com o Vale-Cultura, para desgosto de jornalistas paulistas.


Desnecessário sublinhar o quanto significam para o país, no âmbito do esporte, ter conquistado o direito, após duras disputas com outras nações, de hospedar não só a Copa do Mundo de 2014 mas – para júbilo emocionado do presidente, que se empenhou pessoalmente na candidatura brasileira – as Olimpíadas de 2016, na cidade do Rio de Janeiro.


No exterior, um novo Brazil

Em termos de política externa, a submissão resignada aos EUA deu lugar a uma orientação multilateral que não apenas privilegia o Mercosul, mas diversifica-se e expande-se na direção dos demais BRICs – Índia, Rússia e China, esta agora a primeira parceira comercial do país, além de incentivar, de maneira institucionalizada, as trocas comerciais com a África.



E, acima de tudo, como tanto o establishment político como a mídia internacionais reconhecem e saúdam – que o digam Le Monde, El País, The New York Times e até The Economist –, as políticas de transferência de renda implementadas e/ou largamente expandidas no governo Lula tiraram, até agora, de acordo com números oficiais mundialmente aceitos, mais de 35 milhões de pessoas da miséria (contra meros 2 milhões nos 8 anos do governo FHC). Só a insensibilidade social profunda ou o dogmatismo político mais entranhado pode explicar – mas não justificar – o não-reconhecimento de tal conquista – uma das bandeiras históricas da esquerda brasileira.


Por fim, falta registrar que, ao contrário do general Figueiredo, de Sarney e de FHC – que, como aponta o jornalista Leandro Fortes, “alterou a Constituição Federal, à custa de um escândalo de compra de votos no Congresso Nacional, para emendar um segundo mandato” –, Lula circunscreveu a duração de seu poder ao que determinara a Lei, sem mover uma pena em busca do terceiro mandato, hipótese esta martelada como um “eterno factóide” pela mídia corporativa, expressando um seu wishful thinking potencialmente incitador de golpismo.


Desafios e perspectivas

É evidente que tal cenário não está desprovido de aspectos problemáticos e áreas críticas, herança secular de uma das sociedades mais desiguais do planeta. A violência, rotineira e espraiada em virtualmente todo o território nacional, permanece como um cancro a distinguir negativamente o Brasil em relação aos países civilizados, a demandar uma ação conjunta e contínua das esferas federal, estaduais e municipais; as sucessivas derrotas da administração lulista em suas tíbias tentativas de democratizar as comunicações não nos pouparia – não fossem a internet e a blogosfera – de uma esfera pública engessada e praticamente monopolizada nessa área; as teles e os bancos seguem maltratando seus clientes, com um serviço caro e de má qualidade, como se fora da esfera das leis estivessem.



Mas se em apenas oito anos o governo Lula foi capaz de promover as melhorias substanciais que ora se verificam, alterando o perfil socioeconômico da população brasileira e a inserção internacional do país, é de se esperar que, num período condizente de tempo, o combate efetivo a tais e outros males seja consubstanciado a contento. Por isso, mais do que qualquer outro candidato – seja o truculento e privatista José Serra, que vem de uma péssima gestão em São Paulo ou a inexperiente e misteriosa Marina Silva –, Dilma Rousseff, gerente do maior programa de aceleração de crescimento da história do país e representante da continuidade da atual gestão, faz por merecer o voto dos brasileiros na eleição que se aproxima, como legítima representante do legado de Lula.


Balanço final

Sobre tal legado, uma última observação: o jornalista Claudio Bojunga, na luminosa biografia que escreveu sobre Juscelino Kubitschek (JK, o artista do impossível. Objetiva, 2001), adota como um dos parâmetros para se definir um estadista a capacidade de legar um novo e melhor país após o seu mandato. A se adotar tal critério, Luis Inácio Lula da Silva, pelas razões acima elencadas e por apregoar uma cultura do diálogo e da negociação – mesmo tendo sido atacado de forma vil por jagunços da imprensa –, merece, com louvor, o epíteto de estadista, pois recebeu um país totalmente periférico na ordem mundial, com uma economia presa a crises ciclotômicas e uma população dominada por bolsões de pobreza e miséria – e está prestes a entregar a seu sucessor um novo player no cenário geopolítico mundial, um país economicamente sadio e uma nação socioeconomicamente mais justa, ainda que a mídia corporativa, a direita contrariada e mesmo muitos soi-disant esquerdistas insistam em não reconhecer tal fato.



* Maurício Caleiro, Rio de Janeiro-RJ. Blog: cinemaeoutrasartes.blogspot.com.
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agosto 01, 2010

Sobre as deformações do poder

Nota do blog: Tia Pátria, se tivesse viva, e lido o texto do ilustre professor João Bosco Araújo, publicado neste domingo, no jornal Amazonas em Tempo, certamente diria: "É o sujo falando do mal lavado". Tia Pátria, segundo o meu amigo João Bosco Chamma, arquiteto de formação, seria uma executiva se a baixa escolaridade e a pobreza não levasse essa filha de imigrantes portugueses, após a morte do pai, a vender um dos tacacás mais saborosos da cidade de Manaus, por mais de três décadas, entre os anos 1940 a 1960 - único modo que encontrou para sobreviver na incipiente economia daqueles anos. Sua banca de tacacá não poderia se situar em melhor lugar. Defronte à Faculdade de Direito, convivendo com inúmeros estudantes - que se tornariam personagem públicos, para o bem e para o mal -, aos poucos desenvolveu uma aguda percepção das manhas e artimanhas praticadas na política daqueles tempos provincianos. A vida sabe o que faz. Hoje na Manaus da Zona Franca, ela estaria, liderando greves, e sabe-se lá o que mais. Suponhamos que o Lula tenha tido uma oportunidade a mais na sociedade industrial da São Paulo dos anos 1960-1970. Experiência que lhe permitiu codificar o significado da relação de sua família com os "coronéis" da Garanhuns-PE da sua infância, bem como sua relação pessoal com o patronato paulista ao ingessar no mundo do trabalho. E que a partir daí tenha iniciado sua vida política, como resposta ao quadro de iniquidades vivida pelos trabalhadores brasileiros, sobretudo na ditadura civil-militar que se instalara no país desde 1964. Suponhamos que tenha sido a sabedoria acumulada ao longo do tempo que permitiu ao presidente Lula ter "superado" a falta de instrução, e assim galgar o mais alto posto da república. O que surpreende no texto do articulista é sua tentativa de banalizar o exercício do poder, reduzindo à dinâmica da vida política a um enredo fajuto de novela das 7. É de se esperar mais de alguém que conviveu com as fímbrias do poder, e que com ele estabeleceu relações de subserviência, como registra a crônica jornalística amazonense. A caracterização do que teria restado de Lula - aos olhos do articulista "contaminado e distorcido pela mosca azul do poder" -, perdoem-me os mais sensíveis,  parece mais com as identificações projetivas que acometem indivíduos que passaram pela experiência de submissão ao jogo do poder, que conhecem bem as manobras políticas usadas para manter-se ou beneficiar-se do poder. Não é só a deformação do poder que está em causa, mas a deformação intelectual, que mais uma vez tenta naturalizar a complexa relação entre as classes sociais no Brasil. Meu caro professor, as ambiguidades do governo Lula merecem crítica mais aprofundada, como a que enseja a afirmação de 'nunca os ricos ganharam tanto nem os pobres melhoraram tanto de vida'; ou a ainda a aliança com o capital exportador, em especial o agronegócio; na forma como a terra é explorada, com reflexos sobre nossa incipiente reforma agrária. Mas aí é muita farinha pra quem apenas pretendia fazer uma declaração de voto. Deixo pra outra ocasião, um aspecto que não é periférico no seu texto domingueiro: a relação de Lula com a imprensa, num cenário em que os meios de comunicação de massa flertam com o poder oligárquico. Em causa um outro aspecto da soberania e da defesa dos direitos fundamentais contra a oligarquia-nossa-de-cada-dia, capaz de provocar irreparáveis deformações. É isso aí!

junho 19, 2010

Hidrelétrica de Belo Monte: mobilizações e protestos

Belo Monte
Foto postada em eixodajustica.blogspot.com

Visita do presidente Lula à Altamira será marcada com mobilizações e protestos

No Próximo dia 22 de junho (terça-feira) o Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, estará vindo à Altamira para lançar a pedra fundamental da construção do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte e reafirmar mais uma vez que esta sairá de qualquer jeito, desconsiderando a opinião dos movimentos dos atingidos pelo projeto na região. Por esta razão, no dia 21 (segunda-feira) diversos movimentos sociais ligados a Via Campesina e Movimento Xingu Vivo para Sempre em protesto à imposição deste projeto que vem para fortalecer um modelo de desenvolvimento que não se preocupa com os povos da Amazônia, irão interditar por tempo indeterminado a BR 230 Rodovia Transamazônica.

No dia 22 de junho estão programadas varias mobilizações e ações massivas nas ruas da cidade de Altamira, em oposição e descontentamento com a afronta do presidente da república que desafia os povos da região com petulância e arrogância, passando por cima destes e empurrando o projeto de Belo Monte “goela abaixo”, não cumprindo com sua palavra. Lula desafiou os povos indígenas do Xingu, afirmando que neste país quem manda é o governo e agora ultraja o povo da Transamazônica com sua visita.

Talvez o presidente tenha esquecido, ou não sabe, que os povos desta região são calejados da resistência, lutam por seus direitos desde a abertura da rodovia e arrostam contra a construção da hidrelétrica a mais de 30 anos, os povos indígenas alegam que vai ter guerra se o governo continuar e a população de Transamazônica garante que da luta não vai sair.

Nas quatro últimas décadas a Amazônia tem sido alvo de inúmeros projetos que visam exclusivamente aproveitar nossos recursos florestais, minerais e hídricos para a acumulação de capitais das grandes empresas nacionais e transnacionais. Total modelo de desenvolvimento que tem avançado com o apoio do estado brasileiro tem evidenciado uma brutal contradição: A exploração da riqueza contrastando com a destruição da biodiversidade e a enorme pobreza de milhões de pessoas. A isso, jamais poderemos chamar de desenvolvimento para nossa região.

Infelizmente, o governo Lula não teve a coragem suficiente para mudar este modelo de desenvolvimento desumano, voltado a atender às necessidades do mercado internacional, que expulsa agricultores familiares, comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas de seu território, que cria bolsões de pobreza nas periferias das cidades Amazônicas, que concentra terra, que incentiva a monocultivo e destrói a biodiversidade e que promove trabalho escravo e degradante. Esta é a principal razão de nossa crítica e protesto à este projeto, já que a construção da AHE Belo Monte vem somente para fortalecer este modelo de desenvolvimento.

Não precisamos de megas empreendimentos que apenas favorecem as grandes empresas transnacionais. Precisamos é de um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia, com um novo modelo energético, que valorize sua biodiversidade, que promova a reforma Agrária, que combata as desigualdades e a pobreza.

Nós Somos a Consulta Popular!

Pátria Livre!

Venceremos!

junho 18, 2010

Acordo Brasil-Peru põe em risco comunidades indígenas e ecossistemas amazônicos

Manisfestação contra a hidrelétrica de Balbina
Foto: Rogelio Casado - São Sebastião do Uatumã - AM, 1989

Nota do blog: O companheiro-presidente não aprendeu com a lição da construção da hidrelétrica de Balbina, no rio Uatumã. Que o diga o acordo firmado entre o Brasil e Peru para a construção de seis grandes hidrelétricas. Em abril de 2007, postei um longo artigo intitulado "Balbina no País da Impunidade" (clique para ler), o qual foi copiado descaradamente pelo blog de um deputado verde do Amazonas, sem dar o devido crédito. Digo isso porque o documento era inédito. Durante quase 20 anos mantive-o a sete chaves. Vale a pena ler de novo. A Amazônia latino-americana sofrerá, nos próximos anos, enorme pressão pela construção de barragens de modo a gerar o que eufemisticamente vem sendo chamada de "energia limpa". As comunidades indígenas precisarão do nosso apoio. Habitantes originários, eles não perdem por lutar pela revisão constitucional sobre as riquezas do sub-solo e, agora, da bio-diversidade que será perdida com as novas barragens. É justo.

Acordo Brasil-Peru: Seis represas vão deslocar comunidades indígenas e ameaçar ecossistemas amazônicos - 18/06/2010


Local: Berkeley - ex
Fonte: International Rivers Network
Link: http://www.irn.org/


Afirmando o papel do Brasil como potência regional, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem um acordo energético com o Presidente peruano Alan Garcia que prevê a construção de cerca de seis grandes hidroelétricas na Amazônia Peruana para gerar mais de 6.000 MW de energia, principalmente para exportação ao Brasil.

Os projetos foram desenvolvidos pela estatal Eletrobrás em parceria com grandes empreiteiras brasileiras, como a Odebrecht e Andrade Gutierrez, que também devem participar da construção dos empreendimentos, com financiamento previsto pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Com um custo estimado em US$15 bilhões, as hidreletricas foram concebidas para produzir energia voltada principalmente para fornecimento ao Brasil.

“Este acordo não irá garantir energia limpa e renovável para o Peru. Ao contrário, vai impor uma série de impactos ambientais e sociais negativos, como o deslocamento de povos indígenas e o desmatamento acelerado em pelo menos cinco provincias do Peru, colocando em grave risco o futuro da Amazônia Peruana,” afirmou Mariano Castro, ex-Secretário-Executivo do Conselho National Peruano de Meio Ambiente (CONAM) e advogado da Sociedade Peruana de Direito Ambiental (SPDA).

Um dos primeiros projetos a serem construídos no âmbito do acordo seria a Hidreletrica de Paquitzapango no Rio Ene, que afetaria cerca de 17.000 indígenas da etnia Ashaninka, ameaçando a Reserva Comunitária Ashaninka, assim como o Parque Nacional Otishi, ambos áreas legalmente protegidas.

“A represa de Paquitzapango está sendo planejada sem o diálogo entre o governo peruano e as pessoas que seriam afetadas por esses projetos,” afirma Ruth Buendia Mestoquiari, líder indígena Ashaninka. “O Rio Ene é a alma de nossas terras, o rio que alimenta nossas florestas, animais, plantas, plantações e, especialmente, nossos filhos.”

A Hidrelétrica de Inambari no rio Madre de Dios provavelmente seria construída também no âmbito do acordo bilateral assinado ontem pelos presidentes Lula e Garcia. Inambari inundaria mais de 46.000 hectares, deixando mais de 15.000 pessoas sem terras agricultáveis. O projeto também inundaria trechos da rodovia Interoceânica, para a qual os peruanos já pagaram um preço altíssimo.

“O Peru não precisa dessas represas, temos um potencial de cerca de 50.000 MW de energia de fontes renováveis, como eólica, solar e geotermal, sem precisar de grandes represas nas planicies da Amazônia. Esse acordo somente beneficiaria o Brasil, e não vamos deixar isso acontecer,” afirmou o engenheiro Alfredo Novoa Pena, fundador da organização ambiental peruana Pro-Naturaleza.
Apesar do acordo já ter sido assinado pelos presidentes, é provável que sofrerá obstáculos legais no Peru. “Como este acordo implica no estabelecimento de mudanças no arcabouço legal para a construção de hidroelétricas em terras peruanas, ele deve ser revisado pelo Congresso Nacional antes de ser aprovado,” observa Cesar Gamboa, advogado da ONG Direitos Ambientais e Recursos Naturais (DAR).

O acordo também foi recebido com preocupação no Brasil. “Os resultados desse acordo vão afetar de forma irreversível o bioma na Amazônia peruana, e a energia que será produzida atenderá aos interesses de empresas minero-metalúrgicas internacionais que estão, em ritmo cada vez maior, se instalando na região amazônica continental. Essa energia não vai ser direcionada para as necessidades da população peruana, nem tampouco à população brasileira,” afirmou o Professor Célio Bermann, Professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo.

O acordo não prevê provisões para o bem-estar das comunidades afetadas pelos projetos, seus direitos e participação nos benefícios dos projetos.

Fonte: Amazonia.org.br

maio 09, 2010

Lula lá!

1 de maio - Dia do Trabalhador
Foto: Rogelio Casado - S.Bernardo do Campo-SP, 1970

Nota do blog: 1 de Maio de 1979. Volúnia brinca com meu filho mais velho, Pablo, que fora passar as férias comigo em Diadema-SP. Ali fiz formação em psiquiatria social na Comunidade Terapêutica de Oswaldo Di Loreto. Grande Di Loreto, que há pouco nos deixou. Os trabalhadores metalúrgicos do ABCD ocupam o estádio de Vila Euclides, em S. Bernardo do Campo. Helicópteros sobrevoam o lugar. O Exército nacional está nas ruas. Silene, mãe de Pablo, está visivelmente tensa. No Amazonas, nunca vivenciara nada parecido. Contrastava com a alegria dos trabalhadores que aguardavam Lula, líder das greves operárias daquele período - período que antecedeu a criação do Partido dos Trabalhadores. Na porta do estádio, a Convergência Socialista ostentava uma faixa com a frase: "A burguesia treme nas bases, o operariado está prestes a tomar o poder". Não foi bem assim. Aliás, sequer tomamos o poder. Estão aí as alianças que não me deixam cair em contradição. São elas que travam as reformas que não avançaram sob a liderança do "sapo barbudo", como Brizola chamava Lula, atual presidente do Brasil, e o líder político mais influente do planeta, segundo o Time. Mas o clima era pré-revolucionário. Assim sentenciava Francisco Weffort em suas análises. Com nossas primeiras derrotas, pragmático e apressadinho, ele foi um dos intelectuais que deixou o PT para servir o governo FHC, durante oito longos anos, e que por pouco não leva o Brasil à bancarrota. Com o fracasso do neoliberalismo, Weffort e seus pares entraram no ostracismo. Não raro, aqui e ali, eles ressurgem do limbo para destilar veneno. Perderam o bonde da história, mas não perdem a viagem quando surge uma oportunidade para denegrir o partido que ajudaram a criar. Não conseguem disfarçar o mal-estar pela sinecura perdida, projetando nos seus antigos companheiros o ressentimento de quem alimenta, secretamente, o inconfessável desejo por uma "boquinha". Essa crítica vil tem endereço e intenções indisfarçáveis. É o sintoma mais visível da desfiguração do exercício crítico do pensamento, reduzido à sua mais baixa potência. Ações de governo, lá e cá, estão a merecer avaliação crítica rigorosa. É da natureza do ofício do intelectual orgânico. Aos que perderam a organicidade, é bom lembrar que o andor sobre seus ombros é de barro. É aceitável que os militantes da Convergência Socialista façam sua leitura numa visão reducionista da realidade política. Mas é sofrível constatar a visão superficial com que se interpreta a falsidade dos costumes políticos de ontem e de hoje. Lula, que não cursou o ensino superior, consegue ser mais denso. Leia e constate na entrevista que ele concedeu ao jornal El País, da Espanha, publicada no dia de hoje, traduzida pelo inquieto Miguel do Rosário, do Óleo do Diabo.

Se queres, podes ler em espanhol: El País. 
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abril 30, 2010

Lula é o líder político mais influente no mundo, segundo a Time

Lula em Manaus
Foto: Rogelio Casado - Manaus-Amazonas-Brasil, 2002
Nota do blog: O antilulismo doentio da mídia corporativa não permitiu manchetes como as que inundaram o mundo essa manhã: Lula é o líder mais influente do planeta, segundo a Time. Leia mais em Oleo do Diabo.
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abril 15, 2010

Serra, o candidato anti-Lula

Dilma Roussef
Nota do blog: Saiba por que Serra é o candidato anti-Lula para enfrentar Dilma Roussef, segundo análise do deputado federal José Genoino.

FHC e o anti-Lula

A aliança demotucana tenta a todo custo afastar Fernando Henrique Cardoso da campanha eleitoral. O temor que a altíssima rejeição ao ex-presidente contamine o desempenho de José Serra é grande e, convenhamos, cheio de razão. No entanto, fica cada vez mais claro que eles não podem prescindir do talento de seu líder máximo não só na elaboração do programa a ser apresentado pelos tucanos mas também para o rascunho do discurso que o PSDB/DEM irá fazer nas eleições deste ano. Não há como negar a evidência de FHC ser o estrategista maior das forças de oposição ao governo Lula.

Prova disto é a repercussão que teve seu artigo “Hora de União” publicado em vários jornais do país, turbinada pela divulgação de trechos da sua conversa com três professores-discípulos no caderno Alias do Estadão de domingo último.

O mérito do artigo é que nele, pela primeira vez, um líder da aliança que hoje aglutina a direita brasileira, afirma que o que estará em jogo nas eleições deste ano são dois projetos antagônicos. “Por trás das duas candidaturas polares há um embate maior” diz - com razão - FHC, desfazendo qualquer tentativa de Serra, seu ex-ministro e hoje candidato a presidente, se apresentar como o pós-Lula. FHC entra em jogo para, com sua experiência, revelar a artificialidade desta construção tática. O artigo de Fernando Henrique politiza o debate e comprova que não demandará muito esforço para que se explicite todo conteúdo anti-Lula da candidatura José Serra.

Entretanto, o debate político logo se transforma num monólogo acusatório e preconceituoso, onde a ficção toma o lugar do argumento.

Leia mais no blog do Genoino

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