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novembro 23, 2010

José Ricardo avalia campanha e colhe sugestões para o mandato de deputado estadual pelo PT

PICICA: Com mais de trinta mil votos José Ricardo se elegeu deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Como de praxe, ele estará realizando um encontro para colher sugestões para o exercício do novo mandato. Que seja fértil e produtivo, sempre voltado para as classes populares.
 GABINETE VEREADOR JOSÉ RICARDO


Convite

Companheiro (a),

Estaremos realizando uma reunião de Avaliação da Campanha e Sugestões para o futuro mandato de Deputado Estadual.

Contamos com sua participação!

Data: 27/11/2010 - Sábado
Local: SINDIPETRO - Sindicato dos Petroleiros
End: Rua Bernardo ramos, 187 – Centro (Ao lado da antiga Prefeitura)
Horário: Das 9h às 12h


José Ricardo Wendling
Vereador

outubro 05, 2010

O PT ainda é jurássico em se tratando de internet, segundo Azenha

O mundo em rede é instantâneo; o PT, jurássico

por Luiz Carlos Azenha

Escrevi, muito antes da eleição brasileira, um artigo em que descrevia a campanha eleitoral dos Estados Unidos em 2008 — eu  morava em Washington, então.

Lá, a máquina de moer carne republicana fatiou Barack Obama com o objetivo de atender a preconceitos latentes nos eleitores estadunidenses:

1. Barack Obama, o muçulmano (cujo vice era satanista);

2. Barack Obama, que não nasceu nos Estados Unidos (“o búlgaro”);

3. Barack Obama, associado a um pastor “radical” (lutou contra o regime militar);

4. Barack Obama, o terrorista (recebeu em casa, uma vez, Bill Ayers, que havia integrado um grupo que jogou bombas no Pentágono e no Congresso);

5. Barack Hussein Obama, cujo sobrenome denotava submissão a bin Laden.

6. Barack Obama, que estudou em uma madrassa (a escola religiosa islâmica).

Pouco importava, então, se isso tinha ou não relação com a realidade.

O objetivo, como escrevi, era ter um boato, uma ilação, uma suposição para se encaixar em cada um dos preconceitos já existentes no eleitorado.

Não disseram que Obama era gay, mas disseram que ele apoiava o casamento gay.

Como a campanha de Obama enfrentou a onda de boatos, mentiras, ilações e suposições?

Montou um site na internet exclusivamente dedicado a combater os boatos. Quando o internauta desse um Google atrás da informação, tinha um contraponto à máquina republicana de moer carne.

Além disso, Obama montou uma força-tarefa de militantes virtuais e advogados exclusivamente dedicada a combater os boatos, tentar identificar a origem deles e ingressar na Justiça com as medidas cabíveis.

Por que?

Porque vivemos no mundo da informação instantânea. Porque vivemos no mundo em que aqueles que tem acesso às tecnologias da informação se transformaram em produtores e disseminadores de conteúdo, para o bem e para o mal.

Uma mentira disseminada na internet tem o potencial de se replicar N vezes antes que você seja capaz de articular uma resposta.

No dia do primeiro turno, assisti a um debate inócuo e cheio de lugares-comuns na Globonews. O objetivo do debate era óbvio: dizer que a TV era a grande formadora de opinião e que o papel da internet era ínfimo.

Bobagem. A disseminação de boatos a respeito de Dilma Rousseff pode ter tido um papel central no período que precedeu o primeiro turno.

E o PT com isso? E  a campanha de Dilma Rousseff com isso?

Nada.

O PT e a campanha de Dilma são jurássicos, quando se trata do uso da rede para combater a boataria.

O PT ainda é refém do ciclo de notícias dos jornais diários.

Aliás, o partido é fiador da mídia que investiu na destruição de seus candidatos.

Na campanha atual, de Dilma Rousseff, concedeu privilégios em três oportunidades a um repórter da TV Globo, que fez o perfil que estrelou o Jornal Nacional da véspera da eleição. O acesso a Dilma deu legitimidade ao perfil de Marina Silva, uma superprodução hollywodiana que estrelou o JN de sábado passado, com objetivos óbvios.

Aliás, no comício de encerramento da campanha de Dilma em Porto Alegre, um repórter da revista Veja teve acesso privilegiado ao palco.

Nota do blog: Vi o Mundo

Para Celso Lungaretti, Marina está numa sinuca de bico e o PT flerta com a derrota

MARINA ESTÁ NUMA SINUCA DE BICO E O PT FLERTA COM A DERROTA

O   day after  foi melancólico.

De um lado, os demotucanos estão sendo bem persuasivos nas tentativas para convencer Marina Silva a suicidar-se politicamente.

Tomara que ela não ouça o canto dessas sereias -- como as mitológicas, carnívoras.

Se fizer uma composição com os representantes da ganância capitalista exacerbada e sem limites, ajudará a devolver o poder à pior direita brasileira.

Em termos ambientais, será um desastre.

E, claro, isto lhe seria cobrado adiante: sua responsabilidade pessoal num grave retrocesso histórico.

Iria virar uma morta sem sepultura, como o ex-Gabeira.

Voltar ao PT para receber um Ministério mais importante desta vez? É pouco para a dimensão que ela atingiu.

O pior é que seu partido está traindo o compromisso assumido de combater as práticas ambientais predatórias, ao aliar-se com quem as encarna.

Então, Marina está numa sinuca de bico.

Como a decisão de a quem apoiar no 2º turno é impostergável, a sabedoria política manda que fique neutra, liberando o voto do seu eleitorado.

Assim, conservará intacto o patrimônio político que acumulou como terceira via, preservando-se para passos mais ambiciosos no futuro.

Depois, com mais vagar, vai ter de escolher um partido para o  projeto 2014, já que o PV virou mera linha auxiliar da direitona.

Aliás, a única afirmação reveladora de Marina nesta 2ª feira, desconsiderado o blablablá convencional sobre as consultas que fará antes de anunciar sua decisão, foi esta:
"O resultado que tivemos de aprovação ao projeto meu e do [vice] Guilherme [Leal] é muito maior que o nosso partido".
Corretíssimo. Ela precisará de um partido mais adequado para suas pretensões vindouras, nem que tenha de criar um, como Fernando Collor fez (PRN).

Suas próximas decisões determinarão se ela é uma estrela que veio para ficar ou uma supernova que logo irá perdendo o brilho, como Heloísa Helena.

FASCINADOS PELO ABISMO

Já as avaliações que petistas fizeram do resultado frustrante foi mais frustrante ainda: aconselharam a campanha de Dilma a perseverar nos erros.

Uns falam em  esclarecer  melhor a questão do aborto, no sentido de tentar iludir o eleitorado, martelando sem parar que, desde criancinha, ela nega às mulheres o direito de opção.

Isto só servirá para fazê-la parecer oportunista, pois o que disse no passado está publicado e será relembrado ad nauseam  pelos antagonistas.

Outros recomendam a insistência nas comparações entre os governos de Lula e de FHC, quando a comparação a ser feita é bem outra: entre um projeto político esquerdista, sintonizado com a justiça social, e um projeto político direitista, sintonizado com a desigualdade e a exclusão inerentes ao capitalismo.

Caso seja necessário, ilustrarei com desenhos: O PT NÃO VAI GANHAR ESTA ELEIÇÃO SEM SUA MILITÂNCIA IDEALISTA, AQUELA QUE SÓ SE MOBILIZARÁ POR MUDANÇAS EM PROFUNDIDADE E NÃO POR RETOQUES COSMÉTICOS NA FACE MONSTRUOSA DO CAPITALISMO.

Para esvaziar a ofensiva ideológica direitista, terá de guinar à esquerda.

Se continuar em cima do muro, tímido e nem um pouco convincente, alienará seus apoios naturais e não vai conquistar o eleitorado conservador de classe média, que sempre se colocará na trincheira contrária.

Trata-se da receita infalível para ser inapelavelmente batido, jogando no ralo uma eleição que estava 99% ganha.
Fonte: Náufrago da Utopia

Nota do blog: Enquanto o Celso Lungaretti propõe uma guinada à esquerda para esvaziar o ofensiva ideológica direitista, o Idelber Avelar dá dicas de como conquistrar os votos de Marina Silva.

setembro 16, 2010

Quem tem medo da Dilma? A classe média inculta e a esquerda fingida.


dilmanaweb | 14 de setembro de 2010 
Nota do blog: Para além das paixões, após a vitória da Dilma é bom sentarmos pra conversar. Afinal o demo-tucanato sofrerá baixas antes nunca sofridas. E como o DEM é um verdadeiro camaleão - lembre-se que ele já foi PFL, PDS, Arena -, não estranhe se o que sobrar desse entulho migrar para o PMDB. O fenômeno já aconteceu no Amazonas. Em São Paulo estão querendo entregar a liderança do PMDB pro Kassab. Só falta essa "nova aliança" pra encher o PT de vergonha. Já bastam os Collors e Sarneys da vida! Política de conciliação entre classes tem limites, quequihá?
 

setembro 14, 2010

Aviso aos blogueiros progressistas sobre a eleição para o Senado no Amazonas

Rfaelnascimento | 11 de agosto de 2010
Senador Arthur Virgilio, vulgo "Mike Tyson", promete dar uma surra no Presidente Lula.
esse é o senador que apoia o Serra e que é contra a ZONA FRANCA DE MANAUS...

***

Vídeo inesquecível:
Arthur Virgilio ia dar uma surra no Lula

    O Conversa Afiada reproduz vídeo extraído do Amigos do Presidente Lula, em que o Arthur Virgilio Cardoso ameaçou dar uma surra no presidente Lula, no plenário do Senado.

    Depois disso, ele tomou uma surra (teve 5% dos votos) numa eleição para governador.

    E agora é candidato a senador.

    Se for eleito, há o risco de, outra vez, ele estourar o cartão Visa em Paris e mandar o Senado pagar.

    Veja o valentão em ação: (vídeo acima)


    Paulo Henrique Amorim


    Fonte: Conversa Afiada


    Nota do blog: Aviso aos blogueiros progressistas que estão comemorando a queda de Art(h)ur Virgílio Neto nas pesquisas de intenção de voto para o Senado. Ao que parece vamos nos livrar do senador valentão. Depois da lambança do Ibope que deu 10 pontos de diferença entre ele e sua adversária mais próxima, Vanessa Grazziotin, eis que a diferença caiu para 5 pontos. Desta vez a favor da candidata comunista. Dá-lhe, Vanessa! Especialistas juram, de pés juntos, que o fenônemo deu-se após a participação da candidata Dilma Roussef no programa eleitoral. Santa mão na roda, a mãozinha do PT veio em buena hora. O que não se pode é cair na campanha subliminar do voto útil. Insisto. Vanessa não precisa disso. Ela tem luz própria. Mesmo o apoio de Dilma à sua candidatura é relativa. Aqui no Amazonas nem toda recomendação  é acatada pelo eleitor. No caso de Vanessa, há que se considerar o  preço da sua lealdade ao governo Lula, quando saiu candidata à prefeitura de Manaus, com o apoio do PT, logo depois dela ter votado a favor de um discreto aumento do salário mínimo, no primeiro ano do governo do companheiro presidente. Com a economia destroçada pelo governo FHC, outro salário mínimo não era possível. A oposição fez dela bode expiatório, e sua eleição foi pro saco. Agora, o povo lhe faz justiça. Entretanto, quero contestar veementemente o idéia de que o PT vem botando uma pedra no caminho de Vanessa. O PT tem candidata ao Senado, que aparece com 3% das intenções de voto, este, sim, útil para garantir o aumento da bancada do PT, segundo as regras da proporcionalidade. Não venham com o mesmo papo aranha que entregou o jogo político no Maranhão e em Minas Gerais, para ficar nesses dois exemplos, que fez estragos irreparáveis na imagem do PT. A fatura desse pragmatismo iremos pagar mais adiante. Vanessa vai ao Senado por méritos próprios, e o PT ampliará sua bancada com o voto consciente do eleitor. That is the question. 
    Fonte: Diário do Amazonas (Manaus, 14.09.2010 - Pesquisa do Ibope)

    setembro 04, 2010

    Serra incorre em prática de calúnia eleitoral, injúria e difamação. Coligação de Dilma Roussef pede suspensão da propaganda e direito de resposta.

    Coligação de Dilma pede direito de resposta contra acusação de quebra de sigilo fiscal


    A coligação “Para o Brasil Seguir Mudando”, que apoia a candidatura de Dilma Rousseff à presidência da República, ajuizou uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo direito de resposta e interrupção da veiculação da propaganda eleitoral da coligação adversária que menciona a quebra de sigilo fiscal da filha do presidenciável José Serra.

    A publicidade considerada irregular pela coligação de Dilma foi veiculada ontem (2) no horário noturno da propaganda eleitoral em bloco de José Serra. Sustenta na ação que durante 5’05” de propaganda “houve a intenção clara de confundir a cabeça do eleitor com uma profusão de fatos, misturados entre si, que não guardam a mínima relação”.

    Argumenta que a propaganda ao associar episódios como o “caso dos Aloprados”, “caso Francenildo” e o “Mensalão” com a recente quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra tenta demonstrar uma ‘repetição’ de fatos, “agora atribuída à candidata Dilma Rousseff.
    Segundo a coligação de Dilma “a propaganda quer fazer crer que quem pratica um ato de violação do sigilo fiscal de alguém, como fizeram ‘adversários’ do candidato José Serra, utilizando-se da máquina pública da Receita Federal, podem ser associados a arrombadores de residências que vasculham gavetas”.

    A coligação de Dilma afirma na ação que, desde que foi noticiada a quebra de sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, houve uma série de acusações de Serra na imprensa contra a candidata do PT à presidência, tentando responsabilizar a campanha dela pelos fatos ocorridos.

    Tal conduta, argumenta, tenta imputar à candidata e sua coligação a prática de “crime contra a democracia”, “atentado contra a democracia” e “quebra de sigilo”, além de “jogo sujo de campanha”, “espionagem” e “chantagem”. Defende na representação que as acusações incorrem em prática de calúnia eleitoral, injúria e difamação, condutas previstas nos artigos 324, 326 e 325 respectivamente do Código Eleitoral.

    Assim, a coligação de Dilma Rousseff pede a concessão de liminar ao TSE para suspender a propaganda contestada e, no mérito, a concessão de direito de resposta no tempo de 5 minutos e 5 segundos no programa eleitoral em bloco de Serra exibido à noite; e a condenação da coligação de José Serra à perda de 10 minutos e 10 segundos (equivalente ao dobro do tempo da propaganda veiculada).

    O relator da representação é o ministro Joelson Dias.

    Fonte: Partido dos Trabalhadores



    Nota do blog: Veja abaixo o programa dos tucanos, uma baixaria só. Este sim um atentado à democracia, porque baseado em acusações sem prova. Segundo o Código Eleitoral, o candidato pode responder por prática de calúnia eleitoral, injúria  e difamação. Desesperado, o tucano despreparado tentou ganhar no tapetão formulando pedido de impugnação da candidatura de Dilma Roussef, mas o TSE barrou-lhe a pretensão. Te manca, Zé. Vai pra rua fazer campanha é que é!


    JSerra2010 | 2 de setembro de 2010 
    Nota do blog: Veja o programa de um tucano desesperado, que manipula informação tentando confundir o eleitor. Pega leso! O feitiço virou contra o feiticeiro. Quem posa de vítima sem provas, tem mais é que sentar no banco de réus.

    agosto 18, 2010

    Títulos podres: PT e PC do B defendem ilegalidade que vem desde o governo Danilo Areosa. É o fim da picada!

    POR QUE ESTOU TRISTE COM OS COMPANHEIROS DO PT E DO PC DO B do AM?

    17 agosto 2010  

    Por Egydio Schwade

    Participei há poucos dias, em Manaus, da 119ª. Reunião da Ouvidoria Agrária e Mediação de Conflitos. O PT comanda hoje o INCRA do Amazonas e PC do B o Instituto de Terras do Amazonas-ITEAM.  Momento impar para se desencadear uma causa que une os socialistas do mundo inteiro: o socialismo no campo para que a paz e a justiça reinem.



    O município de Presidente Figueiredo ostenta uma situação privilegiada para se partir de imediato para a desejada Reforma Reforma: mais de 500 títulos de terra podres. Títulos de 3.000 ha, sem base legal alguma, concedidos em 1971 por cartórios do Amazonas, com a conivência do governador biônico do Amazonas, Danilo Areosa e acobertados pelos que se seguiram até o atual.

    Latifúndios concedidos, em sua maioria a comerciantes e industriais paulistas e manauaras, sem demarcação física alguma, entre 1969 e dezembro de 1970. Dois grileiros profissionais, paulistas, Fernando e Sérgio Vergueiro, acompanhados de um topógrafo, sobrevoaram a região à leste da BR-174, no Norte do Amazonas, entre o rio Uatumã e a BR-174 e demarcaram, via aérea, aquelas terras, incluindo o leito dos rios, para se favorecerem dos incentivos fiscais que o Governo Federal concedia a empreendimentos na Amazônia.

    Os títulos são falsos também por que não tem certidão negativa, exigida por lei, de qualquer empreendedor na Amazônia, documento que lhes foi negado explicitamente pelo então presidente da FUNAI, Gal. Oscar Jerônimo Bandeira de Mello. Na época, ao invés de se dirigirem às autoridades em Brasília, Sudam e FUNAI, únicos que podiam dar legalidade aos títulos, tentaram ludibriar esses órgãos federais nas suas bases em Belém e Manaus, mas não conseguiram. Em fevereiro de 1971 se dirigiram, então, aos cartórios dos municípios onde se localizavam então aquelas terras e através deles conseguiram, fora da lei, os títulos que até hoje ostentam, sem terem feito investimento algum na área.

    Além dessas provas da nulidade dos títulos desses latifundiários grileiros, o Ministério Público Federal na pessoa de seu procurador Franklin Rodrigues da Costa demonstra à exaustão, com outros dados a ilegalidade dos referidos documentos, incluindo a transgressão de legislação do próprio  Estado do Amazonas.

    Com os títulos podres na mão, sem sequer visitarem os seus latifúndios, se favoreceram de incentivos fiscais concedidos pelo Governo Federal a quem investia na Amazônia.

    Quando os indígenas foram expulsos ou mortos pelo Governo Militar, durante a construção da BR-174, começaram, a partir de 1972, a se estabelecerem pequenos agricultores nestas terras que hoje somam centenas de famílias e que há mais de 20 anos lutam pela titulação de suas terras. Hoje, diante da agitação em torno do Terra Legal, vivem sob constantes ameaças de morte, com cortes demarcatórios dentro dos seus lotes, feitos por “laranjas” dos paulistas que na ânsia de legalizarem seus latifúndios, demarcados apenas via aérea, agora tentam correr contra o tempo. Além disso os pequenos agricultores, sem registro dos seus lotes, não tem condições de obterem financiamento.

    Agora pasmem! Na 119ª. Reunião da Ouvidoria Agrária e Mediação de Conflitos, os únicos a defenderem a legalidade dos títulos podres dos grileiros paulistas, foram os dirigentes e funcionários do INCRA e do ITEAM, comandados respectivamente por socialistas do PT e comunistas do PC do B. Pode? Não lhes preocupa a situação dos pequenos agricultores, mas os títulos concedidos a grandes madeireiros, como à Mil Madeireira e a outros que construíram a sua “legalidade” sobre esses falsos títulos dos grileiros paulistas e cobertura do IPAAM e hoje devastam a floresta sob rótulo de “exploração sustentável da madeira”.

    Casa da Cultura do Urubuí – 1-8-10
    Egydio Schwade 

    Fonte: Página 13

    agosto 11, 2010

    junho 10, 2010

    Tucano trava, Dilma cresce e o PT vai pro divã tratar dos traumas da militância

    Charge do Amarildo
    Postada em Boca Digital

    Fácil não foi. Engolir Hélio Costa, em Minas Gerais, e Roseana Sarney, no Maranhão, foram os desafios mais difíceis e traumáticos para a militância petista. Mas o PT precisava consolidar o apoio do PMDB e, com isso, enfiar mais uma estaca no peito do adversário.

    Política é um processo que envolve muita estratégia e humildade. O PT cresceu muito nos últimos anos. Em 2011, será provavelmente o maior partido do Congresso Nacional e, ganhando Dilma, seguirá ocupando a presidência da república quiçá por mais oito anos. Com tantos dedos precisando de cuidados, deve ter a sabedoria de não querer todos os anéis para si.

    As eleições deste ano têm uma importância que ultrapassa as questões regionais. Os interesses em jogo desta vez são realmente pesados. Uma vitória de Serra representaria um retrocesso dramático para a política de integração sulamericana e para as articulações geopolíticas das nações emergentes.

    Prefiro, contudo, não ser tão fatalista. Os povos sulamericanos já conviveram com inúmeras derrotas, mas sua combatividade nunca esmoreceu. Seguiram lutando, incansavelmente, até porque, para eles, política não é dilentantismo. É luta de vida ou morte. Uma eventual derrota no Brasil seria um passo atrás, mas as forças populares logo se rearticulariam e, mais animadas que nunca, voltariam às trincheiras para defender seus direitos.

    Seja como for, Dilma Rousseff desponta, nestas eleições, como grande favorita. O PT até agora vem fazendo tudo certo. Os erros foram mínimos. O caso do dossiê fantasma, por exemplo, teve uma função salutar: foi um exercício de guerra. Perdeu-se um soldado, mas isso faz parte do jogo. A saída de Lanzetta, articulada rapidamente, esvaziou o discurso da oposição midiática. É incrível a força da mídia para estigmatizar uma pessoa. O Globo e a Veja acharam a fotinha mais horrorosa possível de Lanzetta, com barba por fazer e os olhos inchados, e a mostravam regularmente, apavorando as recatadas senhoras de classe média que ainda tem coragem de acompanhar o noticiário.

    O próximo passo das forças aliadas é impedir que o PSDB se alie ao PP, o que já está conseguindo. Se conseguir quebrar o acordo já meio que firmado entre tucanos e o PSC, ótimo. Mas nem é tão necessário. Apenas com as alianças que já possui, Dilma deverá ter quase o dobro do tempo de televisão de José Serra. Com isso, poderá neutralizar grande parte dos ataques vindos da mídia conservadora.

    Não há muita novidade nas estratégias de Serra. Ele tentará golpes sujos e seus aliados são, como sempre, a Veja e os jornalões, que pautam as redes de TV e toda a imprensa nacional.

    O inimigo mais perigoso ainda é a Rede Globo, que tem efetivamente poder para causar um abalo de última hora, a famosa "bala de prata". Mas, como já disse, o enorme tempo de TV à disposição de Dilma lhe dá alguma segurança também nessa batalha.

    E a blogosfera, perguntarão vocês? Qual será seu papel?

    Ela será fundamental na condução da luta ideológica, sobretudo entre as classes mais instruídas. O próprio fato de Serra ter força entre as elites confere à blogosfera uma função primordial. À blogosfera de esquerda caberá confundir, desmobilizar e, por fim, trazer para seu lado, os soldados à serviço da plutocracia. Recente pesquisa nos mostrou que cerca de 90% dos profissionais da imprensa apóiam Lula. Eles estão silenciosos, apáticos e acovardados, diante da brutalidade opressiva que tomou conta das redações.

    A campanha na blogosfera, feita em alto nível, pode fazer com que esses jornalistas e outros profissionais, que vivem à sombra da aristocracia patronal, vislumbrem em si mesmos um brilho de liberdade e altivez, e senão podem passar para o outro lado das trincheiras, poderão, ao menos, fazer corpo mole e não contribuir para a vitória de seus algozes. O samba e a capoeira ecoam alto nas senzalas de todo Brasil, mas nem todos na Casa Grande estão assustados. As mocinhas elegantes, que jantam, silenciosas, junto ao pai severo, batem o pé, discretamente, por baixo de suas enormes saias rendadas.

    Fonte: Óleo do Diabo

    maio 15, 2010

    Tucanos se desesperam com a propaganda do PT

    Dessa vez eu vou discordar do meu amigo Eduardo Guimarães, que criticou o PT por ter veiculado uma propaganda acusada de ferir a legislação eleitoral. Por incrível que pareça, a oposição diz que não vai, ao menos por enquanto, contestar judicialmente. É claro que temos que esperar eles lerem os jornais, conversarem com alguns colunistas, para que decidam se devem fazê-lo ou não. Afinal eles não tem vontade própria. Com um ou dois editoriais, os jornalões conduzem os tucanos, pela coleira, para onde lhes aprouver.

    Os líderes da coordenação serrista declararam que irão fazer igual ao PT. Com certeza iriam fazer o mesmo de qualquer jeito. Por isso o PT agiu certo em ser ousado.

    Eu assisti a propaganda do PT e não vi nada demais. O Brasil todo já está mobilizado em torno das eleições. Os noticiários estão repletos de referências às palavras e ações dos candidatos. O povo precisa ser informado politicamente, até para que ele vivencie, juntamente com a classe média que lê blogs, esse momento dramático da democracia brasileira. As camadas mais altas da sociedade podem se informar através das novas tecnologias, pode saber quem é Dilma e quem é Serra, pode entrar em sites tucanos e petistas e comparar dados. O pobre não. E como não tem a informação, o pobre se encontra marginalizado do debate político.

    *

    Foi um programa extremamente bem feito, e a gritaria da oposição é um sinal de que Dilma conseguiu pisar bem no meio do pé deles.

    *

    Dilma foi ministra da Casa Civil por mais de 6 anos e, portanto, mesmo que não fosse candidata à presidente da república, seria a figura mais eminente no governo Lula, depois do próprio, é claro. Mas ela é candidata, ou pré-candidata, e nessa posição é natural e necessário que apareça na tv para que os brasileiros possam conhecê-la. Se nós, que vivemos pendurados na internet, podemos conhecê-la e até entrevistá-la via twitter, porque os pobres não podem usufruir uma lasquinha de seu futuro?

    A propaganda do PT não menciona as eleições diretamente. Fala da importância em dar continuidade ao projeto lulista. Considerando as declarações de Serra, poder-se-ia dizer que o PT fez marketing em prol de seu adversário. Mas não se pode dizer isso, porque há um trecho que compara os feitos do governo Lula com de seu antecessor. Isso também é política.

    Um filósofo alemão explicou que uma realidade só pode ser assimilada se confrontada com seu oposto. Para mostrar à população brasileira o que é o governo Lula, é necessário compará-lo ao anterior. Isso é dialética básica.

    Na verdade, as reações da mídia foram, como de praxe, muito mais indignadas do que entre a oposição partidária.

    O Estadão estampou o seguinte título no alto da página:

    Oposição evita recurso contra Dilma para também usar TV em favor de Serra

    Sucessão. Depois de classificar programa petista como um "grave desrespeito à Lei Eleitoral", PSDB e DEM baixam o tom e adotam um discurso mais ameno, defendendo que a campanha entrou em nova fase e que agora petista não faz mais parte do governo.

    O colosso ético e moral, o homem-bom maior da nação brasileira, esse ex-comunista que agora passou para o time da luz (citando o insuperável Prof.Hariovaldo), Roberto Freire, presidente do PPS, até ele admitiu que, na próxima propaganda do PSDB na televisão: "Vamos apresentá-lo como nosso candidato".

    maio 05, 2010

    O PT e a politização do subproletariado


    Na edição mais recente da revista “Novos Estudos”, do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, o cientista político e jornalista André Singer, professor da Universidade de São Paulo, publicou o artigo “Razões Sociais e Ideológicas do Lulismo”, em que discute a emergência desta nova base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se tornou visível nas eleições de 2006. Confira a entrevista em texto

    Avertência de um leitor do UOL: 
    polys2010
    Atenção: O título da matéria induz o internauta a erro. Uma leitura atenta do texto não leva à conclusão proposta no referido título. O jornalista André Singer fez uma análise imparcial do período Lula. No título da matéria existem palavras entre aspas que colocam os termos como pejorativos. O entrevistado com muita habilidade evitou as provocações dos entrevistadores.
    03/02/2010, 09:51h
    Nota do blog: Alternativa para ver a entrevista do jornalista André Singer. Acesse http://noticias.uol.com.br/ultnot/multi/2010/01/28/04021C326AE0C91326.jhtm

    ***

    “Cabe ao PT politizar subproletariado”

     

    André Singer, cientista político e ex-porta-voz do governo, analisa o lulismo e a sua base social, o subproletariado
    04/05/2010

    Renato Godoy de Toledo
    da Redação


    O artigo “Raízes sociais e ideológicas do lulismo”, do professor de ciência política da Universidade de São Paulo (USP), André Singer, é um dos primeiros trabalhos acadêmicos a avaliar a composição sóciopolítica desse fenômeno capitaneado pelo presidente mais popular desde a redemocratização do país.

    Ex-porta-voz e secretário de imprensa do Palácio do Planalto (2003-2007), Singer considera que o lulismo é composto por elementos de esquerda e de direita. Sua principal base eleitoral, o subproletariado – trabalhadores de baixíssima renda –, deseja uma melhoria nas condições de vida, mas preza pela manutenção da ordem e delega a tarefa de executor das mudanças a uma autoridade política.

    Com a crise política de 2005, Lula ganhou mais força entre esse segmento, fundamentalmente beneficiado por políticas sociais, enquanto perdia o apoio dos setores médios que acompanhavam pela mídia as denúncias de corrupção.

    Em entrevista ao Brasil de Fato, Singer debateu as características do lulismo e aconselhou o PT a estreitar as relações com o subproletariado para incorporá-lo à esquerda.

    Brasil de Fato – Para a Ciência Política, essa combinação de elementos de esquerda e de direita que compõem o lulismo é uma novidade?
    André Singer – Acredito que seja uma novidade na história brasileira. Tenho a impressão de que é o primeiro momento em que essa fração de classe, que eu tenho denominado “subproletariado”, tem se estruturado como um ator político em torno de um projeto nacional. Nesse sentido, seria uma novidade no Brasil.

    Essa combinação de elementos de esquerda e de direita tem a ver com essa diferença ideológica importante entre o proletariado e o subproletariado. Ao olharmos para a trajetória brasileira das últimas décadas, podemos perceber que o proletariado brasileiro deu sustentação ao PT,que foi uma proposta originalmente muito radical. O PT tem uma característica singular na história brasileira: ter se proposto a ser um partido explicitamente radical, numa cultura política marcada pela conciliação.

    A proposta [de criação] do PT se estruturou no ambiente de um grande movimento social de trabalhadores – a onda de greves que começa em 1978. Depois, do ponto de vista eleitoral, o PT encontra eco na camada mais organizada do proletariado, mas, ao mesmo tempo, é sistematicamente rejeitado pelo subproletariado. Em pesquisas voltadas para o comportamento político, percebem-se resultados muito semelhantes. Há certa hostilidade às greves e aos sindicatos nesse setor de baixíssima renda, com renda familiar de até dois salários mínimos.

    O subproletariado tem uma visão conservadora, mas não no sentido de rejeitar mudanças. Ele deseja mudanças importantes. Mas ele quer que essas sejam feitas sem prejuízo da ordem. Ou seja, essa valorização do conflito político que o PT fez é rejeitada pelo subproletariado, que espera mudanças feitas de cima para baixo, por meio de uma autoridade de Estado reforçada e sem ameaça à ordem. É essa configuração que leva a pensar na mistura de elementos de esquerda e de direita.


    Se esse fenômeno é algo novo na política brasileira, então a comparação entre o lulismo e o getulismo (fenômeno ligado ao ex-presidente Getúlio Vargas) é equivocada?
    Acredito que essa visão é, pelo menos, precipitada. Hoje em dia, há uma tendência de revisitar o getulismo e reavaliar o que ele significou. A primeira questão com relação a essa comparação é que hoje nós não sabemos muito bem o que foi exatamente o getulismo. Ele precisa ser reavaliado.

    Em segundo lugar, não está claro qual é a ordem de mudanças que o lulismo pode vir a trazer. Não sabemos ainda se essa comparação é elucidativa. O Getúlio fez uma política social importante, mas foi voltada, sobretudo, aos trabalhadores urbanos. Uma característica do lulismo é que ele se dirige ao segmento de trabalhadores que ficou fora da perspectiva getulista. O subproletariado é o setor que ficou fora da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho]. Assim, pode-se dizer que essa comparação talvez possa trazer mais confusão do que luz. Pois, nessa visão, misturam-se fenômenos com aspectos sociais diferentes.

    O senhor partilha da tese apresentada pelo ex-ministro Tarso Genro, que coloca a candidatura de Dilma Rousseff como consequência do vazio partidário que acometeu o PT após a “crise do mensalão”?
    Eu tendo a concordar com ele. Evidentemente, ele tem muito mais condições do que eu de fazer uma análise do PT. Estou tentando, agora, escrever uma continuação desse artigo do lulismo, mas voltado para o PT. Ainda não o concluí. Mas tendo a achar que essa análise faz sentido.

    Ao mesmo tempo em que o lulismo incorpora elementos de direita, a base tradicionalmente conservadora à qual ele se dirige, o subproletariado, pode incorporar elementos de esquerda?
    Creio que pode estar havendo uma lenta convergência entre o lulismo e o petismo. Essa convergência, se estiver ocorrendo, é obrigatoriamente lenta. Uma coisa é você identificar uma determinada liderança política – no caso, o presidente da República, que tem muita visibilidade – com um determinado projeto, que é o que conforma o lulismo. É muito mais difícil transformar isso numa identificação partidária. Uma vez criada essa identificação, ela demora a ser desfeita. É um processo lento de constituição e desconstituição.

    Mas tendo a achar que, lentamente, setores do subproletariado podem estar começando a identificar o PT como o partido do presidente. A partir disso, se inclinam a votar nos candidatos petistas. Mas não me refiro a candidato à presidência da República, pois aí há uma relação direta com o presidente. Refiro-me aos candidatos proporcionais do PT.

    Se essa lenta aproximação estiver em curso, é possível que, se o PT permanecer como um partido de esquerda, ele leve uma certa politização à esquerda para esses setores. O PT, hoje, tem uma escola nacional de formação política, que foi constituída depois do 3º Congresso [2007]. Essa escola está levando informações políticas a centenas de milhares de novos membros do partido, que podem, em parte, estar vindo desses setores sociais. Se, como eu acredito, essa informação que está sendo levada for fundamentalmente de esquerda, é possível que esteja ocorrendo um lento processo de politização de esquerda desses setores.


    Em seu artigo, há uma frase em que Lula lamenta não ter tido o apoio das camadas de baixíssima renda. O fato de o PT ter conquistado a simpatia desse segmento apenas depois de ter acesso aos órgãos do Estado pode representar uma falha de organização do partido e dos movimentos sociais que o construíram?
    Acho que não. A posição de classe que o subproletariado ocupa na sociedade torna a organização dele muito difícil. Não diria que é impossível, pois há o fenômeno do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], um movimento social importantíssimo que busca organizar esse setor. O fato de o MST existir, ter crescido e possuir uma estrutura nacional importante, mostra as possibilidades. Mas mostra também os limites. Porque sabemos que o MST organiza uma fração muito pequena desse setor que, em 2006, poderia ser até metade do eleitorado brasileiro. Esse quadro mudou com as políticas sociais, a formalização do emprego e o aumento do salário mínimo, que produziram uma transformação. Então, é possível que já estejamos diante de um quadro modificado.

    Mas, sem dúvida, esse é um setor muito vasto da sociedade brasileira. Essa é uma característica importantíssima do Brasil. Então, não vejo falha nem no PT nem na esquerda por terem tido relativamente poucos avanços, ou avanços limitados. É quase impossível você organizar um desempregado. Toda a formulação de esquerda está sustentada na ideia de que, com o crescimento do proletariado, este seria uma força invencível. O proletariado fabril, por exemplo, teria uma vocação para a organização, pois a própria indústria e a produção o organizam. Agora, um desempregado, como ele pode ser organizado?


    O termo clássico “lumpemproletariado” tem sido considerado pejorativo e caiu em desuso. Na sua opinião, o subproletariado seria o equivalente atual do “lumpemproletariado”?
    Não. Há uma diferença importante. Esse termo [lumpemproletariado] tem uma carga negativa e está associado a setores marginalizados e que estão na ilegalidade ou transitam muito facilmente por ela. Esse não é o caso do subproletariado. A grande massa desse setor é composta por trabalhadores. Justamente por isso, não considero correto usar o termo “lumpen”, porque ele confunde. Esse termo foi criado por uma visão europeia, para outro tipo de sociedade, e referia- se a um setor que não encontrava espaço no trabalho formalizado. Esse grupo era muito reduzido. Não é o caso do Brasil, onde temos uma massa de trabalhadores que está nessa condição.

    Sobre o contexto da esquerda pós-Lula, é possível afirmar que o PT, sendo um partido de esquerda, deve “disputar” o lulismo, para afastar os elementos de direita que o compõem?
    Na minha opinião, caberia ao PT aproveitar a oportunidade para organizar e politizar esses setores. Isso passa por um item: continuar sendo um partido de esquerda. De fato, o PT se constituiu em torno da ideia de que a luta de classes deveria ter uma centralidade na luta política. Isso, de certa maneira, orientou o seu radicalismo, que foi uma opção política que ajudou muito o Brasil. O problema hoje do PT é tentar manter-se como partido de esquerda.

    Hoje o partido convive com uma aproximação de um vasto setor social, que de modo algum pode ser desconsiderado, cujos interesses o proletariado deve ter a iniciativa de agregar. O interesse do subproletariado não é algo alheio ao projeto do PT. Ele quer mais igualdade, que é o projeto do petismo. O problema é a maneira de chegar lá, mas o objetivo final é comum. Em se mantendo à esquerda, o partido deveria buscar incorporar esse setor.

    Em seu artigo, o ano de 2005 é tratado como chave para o realinhamento eleitoral do lulismo. Há a constatação de que, enquanto parte do eleitorado se atinha aos escândalos políticos midiáticos, outra sentia os benefícios das políticas sociais, como o Bolsa Família e os reajustes do salário mínimo. É possível afirmar que há uma cisão na opinião pública causada por diferentes formas de avaliar o governo?
    Eu não gosto muito do termo “opinião pública”, pois ele é usado sem levar-se em consideração a sua origem, que vem de uma formação antiga, de um espaço público de debates, que, de certo modo, foi eliminado pelo progresso do capitalismo.

    Eu prefiro dizer que a emergência do subproletariado fez com que o debate, que ocorria por meio da imprensa e atingia os setores médios, perdesse a importância relativa. E isso é um dado da nova situação. Há um aspecto interessante nesse fato, pois ele vai forçar todos os atores políticos a incorporarem as necessidades do subproletariado como uma prioridade. A meu ver, isso explica porque o candidato do PSDB, José Serra, já afirmou que não vai abandonar o Bolsa Família e que vai procurar formas de aumentar o programa. Com isso, o Bolsa Família está caminhando para se tornar um direito de todos os brasileiros que comprovarem que têm um rendimento abaixo de um certo mínimo. Isso é um direito importantíssimo, pois cria um piso, abaixo do qual a sociedade não aceita que nenhum brasileiro esteja.

    Esse novo fenômeno tem essa potencialidade e me parece que está significando passos importantes na história brasileira. Quando isso for visto daqui a 50 anos, pode ser lembrado como um momento de uma inflexão importante. O Brasil tomou medidas para dar uma condição a milhões de brasileiros que estavam, de alguma forma, no terreno da desesperança.

    Já que você citou o ex-governador Serra, gostaria que você comentasse uma declaração recente do ex-deputado Roberto Freire (PPS), que afirmou que a candidatura que representa o conservadorismo é a do PT, não a do PSDB, já que Dilma tem maior apoio nos grotões e no “Brasil mais atrasado”, onde há um conservadorismo histórico.
    Não vi essa declaração do deputado Freire. É verdade que existe um aspecto conservador [na base eleitoral da candidatura do PT], pois há um apreço pela ordem e a valorização de uma mudança por cima. Mas, na candidatura do Serra, historicamente, não há nenhuma valorização do conflito político; e não parece que isso vá acontecer agora. Quem tem isso no seu passivo histórico é justamente o PT. Sabemos que o partido está em transformação, mas quem trouxe essa marca foi ele, não as forças que estão hoje alinhadas ao PSDB.

    abril 28, 2010

    Câmara Municipal homenageia deputado Praciano

    Francisco Praciano
    Acervo da Assessoria de Comunicação do parlamentar

    Câmara Municipal homenageia deputado Praciano

    Manaus, 27 de abril de 2010.

    A Câmara Municipal de Manaus (CMM) concederá na próxima quinta-feira (29/4), às 10h, no plenário Adriano Jorge, a Medalha de Ouro Cidade de Manaus ao deputado federal Francisco Praciano (PT). A homenagem é de autoria do vereador José Ricardo Wendling (PT), juntamente com vereador Ademar Bandeira, mesmo partido, por meio de Projeto de Decreto Legislativo. Leia a noticia no endereço:
    http://josericardopt.com.br/interna.php?pagina=noticia&codigo=139
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    abril 26, 2010

    O PT, seus intelectuais e os projetos para a Amazônia


    Xochicuautla y la autopista from desinformémonos on Vimeo.
    Este corto expone los problemas que viven en la comunidad mexicana de Xochicuautla al imponerse el desarrollo de una autopista que destruirá gran parte de su reserva forestal que alimenta los pozos de agua de la comunidad.

    La comunidad se ha organizado y está luchando para que el proyecto sea cancelado. 

    ***

    Nota do blog: O Partido dos Trabalhadores do Amazonas marchará com o Ministro dos Transportes Alfredo Nascimento na eleição para o governo do estado. Os que deixaram o barco do PT têm farta matéria para colocar seus ressentimentos em dia, dentro da linha "o PT não é mais aquele". Afirmam sentir-se humilhados com as escolhas do partido, com a perda dos seus ideais históricos, mas surpreendentemente, não raro, suas escolhas são tragicômicas. Vítimas de uma sociologia empírica e historicista buscam ninhos estranhos à sua própria trajetória intelectual. Tais decisões geram "feridas narcísicas", embaladas numa surpreendente sensação de superioridade. Mas ela é paradoxalmente fundada na consciência do caráter miserável de suas opções. A propósito, é o papel dos intelectuais do PT que me preocupa, não as escolhas nascidas de um coletivo, que refletem um conjunto de interesses regionais e supraregionais. Aqui não deve ter vez o academicismo, o elitismo e as visões pretenciosas que fomentam a violência simbólica. O apoio ao ministro deve ser sustentado numa (re)visão crítica de seus projetos, sobretudo os que podem contribuir para alterações dramáticas para o futuro da região. Nossas necessidades não podem assumir a forma de um determinismo regional. Em causa, mais do que o "jogo" ou nosso senso prático, está o combate à alienação e sua inscrição no horizonte da Amazônia que queremos. Quanto à ética que deve nos guiar, certamente não é a do ressentimento nem das falsas transcendências, mas a dos ideais de emancipação, se queremos uma justa distibuição dos poderes simbólicos. Pela imediata revisão dos projetos rodoviários para a Amazônia Ocidental! Por mais portos hidroviários!

    abril 17, 2010

    Memórias de um partido de trabalhadores


    RogelioCasado 16 de abril de 2010Deputado Estadual Sinésio Campos saúda o Senador João Pedro, histórico articulador de candidaturas no PT do Amazonas.

    ***

    Nota do blog: Com sutileza elefantina, o deputado estadual Sinésio Campos tenta demonstrar, no debate público sobre a candidatura com a qual o PT do Amazonas vai marchar, que sua opção para o governo do estado do Amazonas é a melhor. O novo presidente do diretório regional do PT - senador João Pedro -, principal articulador da candidatura do Ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, elegantemente preferiu não usar a memória como espaço de luta política. Por falar em memória, continuam desaparecidas as fotografias do meu acervo pessoal, emprestadas ao Partido dos Trabalhadores para uma das suas festas de aniversário. Peço, publicamente, o empenho pessoal do presidente João Pedro para que seja resgatada mais de duzentas fotografias que compõem a memória da fundação do PT do Amazonas, pela qual antecipo meus agradecimentos.

    abril 15, 2010

    Serra, o candidato anti-Lula

    Dilma Roussef
    Nota do blog: Saiba por que Serra é o candidato anti-Lula para enfrentar Dilma Roussef, segundo análise do deputado federal José Genoino.

    FHC e o anti-Lula

    A aliança demotucana tenta a todo custo afastar Fernando Henrique Cardoso da campanha eleitoral. O temor que a altíssima rejeição ao ex-presidente contamine o desempenho de José Serra é grande e, convenhamos, cheio de razão. No entanto, fica cada vez mais claro que eles não podem prescindir do talento de seu líder máximo não só na elaboração do programa a ser apresentado pelos tucanos mas também para o rascunho do discurso que o PSDB/DEM irá fazer nas eleições deste ano. Não há como negar a evidência de FHC ser o estrategista maior das forças de oposição ao governo Lula.

    Prova disto é a repercussão que teve seu artigo “Hora de União” publicado em vários jornais do país, turbinada pela divulgação de trechos da sua conversa com três professores-discípulos no caderno Alias do Estadão de domingo último.

    O mérito do artigo é que nele, pela primeira vez, um líder da aliança que hoje aglutina a direita brasileira, afirma que o que estará em jogo nas eleições deste ano são dois projetos antagônicos. “Por trás das duas candidaturas polares há um embate maior” diz - com razão - FHC, desfazendo qualquer tentativa de Serra, seu ex-ministro e hoje candidato a presidente, se apresentar como o pós-Lula. FHC entra em jogo para, com sua experiência, revelar a artificialidade desta construção tática. O artigo de Fernando Henrique politiza o debate e comprova que não demandará muito esforço para que se explicite todo conteúdo anti-Lula da candidatura José Serra.

    Entretanto, o debate político logo se transforma num monólogo acusatório e preconceituoso, onde a ficção toma o lugar do argumento.

    Leia mais no blog do Genoino

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    abril 11, 2010

    Mais uma vitória do movimento SOS Encontro das Águas

    O encontro do Negro com o Solimões
    é um dos principais cartões postais da
    região, por sua beleza e peculiaridade
    Nota do blog: Bem ao lado da adutora de captação de águas, defronte de um igapó que nasce na boca do lago do Aleixo, tendo como paisagem um dos maiores patrimônios da Amazônia - o Encontro das Águas (lugar nasce o rio Amazonas), uma subsidiária da VALE pretende construir um terminal portuário, valendo-se da esperteza e falta de amor para com a história de Manaus de amazonenses comprometidos até o tucupi com o capital predatório. A comunidade altiva do bairro Colônia Antônio Aleixo, que há anos luta contra a poluição ambiental provocada pela expansão do Distrito Industrial II, da Zona Franca de Manaus, inicialmente sob a liderança da Igreja Católica, desde outubro de 2008 ganhou a adesão da sociedade civil organizada, do sindicalismo indenpendente e de professores e alunos que prezam a autonomia universitária. Juntos criaram o movimento SOS Encontro das Águas, que tem neste blog o apoio solidário, amplo, geral e irrestrito. A lamentar o papel do titular do Iphan de Manaus, que resolveu jogar farofa no ventilador, desrespeitando decisão judicial e a autoridade em nivel nacional da sua propria entidade. Te manca, Valente! Registro, para a memória do movimento, o papel do senador João Pedro, do PT, o primeiro parlamentar a enviar ofício ao Ministro da Cultura pedindo pelo tombamento desse patrimônio da humanidade, símbolo da cultura dos amazonenses, documento que deflarou o processo de tombamento, para o qual foi decisiva a movimentação dos(as) companheiros(as) do SOS Encontro das Águas. Seria paid'égua se o Iphan local ao menos não atrapalhasse quem tem respeito e amor pelos valores da sua terra!

    ***


    Iphan de Brasília acata decisão de juíza federal

    Elaíze Farias
    Da equipe de A CRÍTICA


    O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) avalia que o prazo de 180 dias (seis meses) dado pela Justiça Federal do Amazonas para que se realize o processo de tombamento provisório da área do encontro das águas (rios Solimões e Negro) “é viável e totalmente possível”, segundo informou a assessoria de imprensa do órgão, sediado em Brasília. O superintendente do Iphan, no Amazonas, Juliano Valente, considera o prazo curto para finalizar o processo de tombamento. Valente disse que o órgão vai entrar com um recurso contra a decisão judicial. “A gente entende que é impraticável fazer o tombamento devido à complexidade”, disse.

    O Iphan em Brasília não contestará a decisão judicial e nem entrará com recurso contra a liminar, ao contrário da superintendência do órgão em Manaus. A assessoria de imprensa do Iphan, em Brasília, informou que consultou o Departamento do Patrimônio e Fiscalização do Iphan, cujo titular é Dalmo Vieira Filho, e que foi informada que o órgão não vai pedir um novo prazo para concluir o inventário a respeito do pedido de tombamento. Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, caso “apareçam alguns problemas” no decorrer de seis meses ou situações que pedirão a extensão do prazo, “a situação será resolvida”.

    O Iphan, em Brasília, esclarece que já existe um processo de tombamento do encontro das águas tramitando e é de interesse do órgão preservar a área. No entanto, a solicitação ainda passará por uma câmara especial que analisa o pedido e se aprova ou não, “seguindo um rito próprio”.

    Juliano Valente afirmou que o Iphan já possui um estudo sobre o tombamento do encontro das águas desde o ano passado. A delimitação da área a ser tombada, contudo, será definida por uma técnica cujo contrato acaba em agosto, segundo ele. Valente informou que o processo de tombamento continua na superintendência, em Manaus.

    Pedido

    Autor do pedido de liminar pelo tombamento do encontro das águas, o procurador da República Edmilson Barreiros, explicou que a ação ocorreu porque “todos esperavam que até o fim de 2009 o processo estaria acabado”, o que acabou não acontecendo. Ele também questionou a construção de um porto na área do encontro das águas, quando um empreendimento deste porte pode ser feito em qualquer outro lugar da região de Manaus. “Por que querem fazer ali? Isso ninguém explicou tecnicamente”, afirmou.

    Fonte: A Crítica

    abril 06, 2010

    Miguel do Rosário: pesquisa e guerra ideológica da mídia corporativa contra o PT

    Oleo do Diabo

    Outro número que chama a atenção na última pesquisa Datafolha é a força do Partido dos Trabalhadores. No universo de todos os entrevistados, o PT ficou em primeiríssimo no ranking de preferência partidária, com 24%. PMDB e PSDB marcaram um longínquo segundo lugar, com 6%. O PSOL manteve a sólida marca de 0%. Esses dados não tiveram, curiosamente, nenhum destaque na mídia.

    O que revelam esses dados?

    Em primeiro lugar, que o PSDB não conseguiu se firmar como um partido de militância. Apesar do discurso moderninho, os tucanos formam uma agremiação oligárquica, que escolhe seus dirigentes e candidatos através de métodos obscuros, plutocráticos. Com raras exceções, os candidatos tucanos são sempre figuras ricas, brancas e pedantes.

    No Rio, tentaram mudar um pouco isso, atraindo o prefeito de Caxias, o Zito, mas a manobra foi prejudicada por seu artificialismo, para não dizer falta de respeito. Para os tucanos, Zito é só um moreninho bom de voto. Tanto é assim que, apesar de ser presidente da legenda no estado, Zito não teve sequer voz na escolha de Gabeira como cabeça da chapa tucana que disputa o governo fluminense. Zito não apóia Gabeira, o que é uma situação ridícula. O tucano com mais votos no Rio não apóia o candidato dos... tucanos.

    Voltando à pesquisa: em segundo lugar, ela mostra a força do PT. As provas pelas quais o partido tem passado, em função da guerra movida pela imprensa, ao que parece apenas serviram para tornar a militância petista mais combativa, mais consciente e mais unida. As bandeiras estreladas voltaram a tremular em passeatas e manifestações.

    Chega a ser engraçado. Apesar de ser o partido do poder, o PT conseguiu manter um certo charme maldito, que tanto atrai a juventude. E para isso, com certeza, a imprensa ajudou muito. Ou seja, qual Mefistófeles, do Fausto, a mídia foi aquela que "fazendo o mal, emprenhou o bem". A guerra midiática não deixou os petistas descansarem, e com isso fortaleceu-os.

    É uma ironia lindíssima, sensual, perigosa, que todos esses ataques vis e covardes, configurando uma verdadeira campanha orquestrada, de alguns órgãos midiáticos ao Partido dos Trabalhadores, não tenham tido outro resultado que estimular e exercitar a combatividade da militância petista. Quer dizer, muitos abandonaram a luta, mas os que permaneceram, e os que entraram, endureceram e aperfeiçoaram sua fé no partido.

    A coisa é ainda mais interessante porque não se trata de uma guerra convencional onde vale a força bruta. É uma guerra ideológica, de inteligência, e a mídia tem usado seus melhores cérebros na luta contra o PT. Eu estou sempre fazendo graça contra o Jabor, o Merval, a Miriam, mas não nego que são pessoas extremamente astutas e talentosas. Não é moleza. A mídia obriga a militância a manter a cachola ativa. O petista tem que ler muito, informar-se em fontes diversas, estar sempre disposto a participar de complicadas discussões.

    *

    Esta superioridade partidária, verificada nas pesquisas, será uma grande vantagem para o PT nas eleições de outubro. Não vi nenhum analista mencionar esse fato.

    *

    Por falar em analista, a Folha entrevistou nesta segunda-feira um cientista político, um jovem de 33 anos que dá aula em Yale. A manchete da matéria é: "Lula atraiu pobres das metrópoles, diz analista". As partes mais interessantes do texto, contudo, são onde ele faz as seguintes afirmações:

    E a oposição vai ter problemas. Ganhar uma eleição sem levar os pobres é muito difícil. (...) Acho pouco provável que o governo perca a eleição. (...) tem muito pouca chance de o governo perder.

    Por que será que a matéria não teve destaque nos portais, não teve chamada na primeira página, e seus trechos mais calientes não mereceram menção no título nem nos destaques laterais? Mistério...

    Leia www.oleododiabo.blogspot.com

    fevereiro 19, 2010

    Para ler Leonardo Boff

    Leonardo Boff
    Foto postada em jie.itaipu.gov.br
    Nota do blog: Leonardo Boff já andou fazendo declaração de voto para a disputa eleitoral à presidência da república. Sua candidata, lamentavelmente, jogou sua história no lixo para ser instrumento da candidatura tucana. De todo modo, é bom ouvir o velho sábio nas questões onde o PT costuma andar de salto alto, sobretudo os setores refratários à crítica. Como na casa de meu pai aprendi a respeitar os mais velhos (menos os patifes de sempre, como dizia a saudosa tia Pátria), li o texto do teólogo com muita atenção. Espero que a companheirada o faça também. É texto para profunda reflexão. Boff condena o caráter plebicitário das eleições presidenciais. Mas, cá pra nós, seria ingenuidade deixar de fazê-lo. Para ele:


    Uma disputa eleitoral séria, à altura da fase planetária da humanidade e da importância fundamental do Brasil dentro dela, não deveria estar voltada para o passado a ser continuado, mas, sim, para o futuro a ser construído coletivamente. Quem apresenta o melhor projeto de Brasil para o nosso povo e em sua relação para com a nascente sociedade mundial? Que contribuição essencial podemos dar face aos cenários dramáticos que se desenham no horizonte?

    Ao reduzir a perspectiva de futuro ao desenho do melhor projeto de Brasil, o pensador deixa invísivel o percurso histórico do capitalismo, as ideologias que a sustentam e a ordem em que estão baseada os dispositivos que alimentam a servidão aos podres poderes. Essa é a parte pobre do discurso de Leonardo Boff. Ecologicamente correto, seu ideal de justiça passa a idéia de que ele está descolado da ideologia e da moral que sustentam a candidatura de sua preferência. Para quem lutou a favor do desmonte dos mecanismos de servidão e opressão vigentes nas relações entre a sociedade e o sistema de poder, sua visão revisionista está longe de ameaçar a capacidade de sobrevivência dos poderes do capital. É um discurso que certamente é uma evolução ideológica do pensador, rumo à remobilização das classes médias. É pouco.

    O texto de Boff é para ser lido nas entrelinhas. Não pode ser deprezado in totum. Boa leitura!

    PT: qual a grande transformação?
    Leonardo Boff

    Não sou membro do PT, mas um cidadão que se interessa pelos destinos do nosso Pais, nos últimos sete anos moldados pelo governo Lula.

    Leia mais em Paraná on line

    fevereiro 16, 2010

    Época repete história conhecida no meio político


    Nota do blog: A revista Época, das Organizações Globo, reproduz uma história conhecida no meio político. Se na primeira vez essa história tinha um caráter trágico - até então dizia-se que a esquerda comia criancinhas -, dessa vez a opinião pública está vacinada contra a farsa da família Roberto Marinho.

    A revista Época já está com medo

    por Daniel Lopes – Até o momento, nenhuma estrela global manifestou qualquer sentimento mais forte em relação à pré-candidata Dilma Rousseff, mas a revista semanal das Organizações, sim.

    -- Matéria de 14 de fevereiro de 2010 --

    Dê uma lida na reportagem. O diabo, segundo ela, é que o Partido dos Trabalhadores, nem bem o ano começou, já aparece articulando “propostas esquerdistas” para um eventual governo Dilma. Imagine uma revista britânica mostrando surpresa diante do fato de propostas conservadoras estarem sendo fomentadas no seio do Partido Conservador, ainda mais a poucos dias do congresso nacional da agremiação. Ou imagine uma revista estadunidense indignada por propostas liberais estarem pululando em segmentos do Partido Democrata. Pois é.

    Mas – ah sim! – eu já ia esquecendo. É que para a imprensa brasileira as ideologias morreram na década de 1990, então como diabos alguém pode se atrever a elaborar propostas de esquerda? O documento do PT, “A grande transformação”, informa a Época, propõe entre outras coisas uma “maior influência do Estado nos rumos da economia, com o fortalecimento de empresas e bancos estatais” – algo que o Carlos Alberto Sardenberg já disse que não funciona! Vasculhando os arquivos da revista, não consegui encontrar nenhuma crítica à reestatização de agências de crédito, resultado da última crise do sistema laissez-faire. Vai ver foi porque a reestatização das agências privatizadas na década de 1980 se deu nos EUA.

    O único intelectual não petista que a Época consultou foi o sociólogo Francisco de Oliveira. Não é alguém muito conhecido por suas posições moderadas, mas serve. Não, ele garante, o PT não é de esquerda. Ideias como as contidas no documento “A grande tranformação” são meros “exercícios de intelectuais desocupados”. “O programa petista de esquerda é pura fantasia”. E, já que estamos por aqui mesmo neste ilustre veículo, “o Zé Dirceu é hoje um homem de negócios”.

    Não faz sentido que durante o ano a imprensa conservadora recorra a Chico de Oliveira e outros esquerdistas da gema para acalmar o Mercado. Para isso, bastará ela comparar a situação econômica do país durante os governos FHC e Lula. Os intelectuais do PSoL serão úteis para mostrar aos leitores que PT e PSDB são a mesma coisa, que nenhum é mais de esquerda que outro – não tratam os movimentos sociais diferentemente, nem a saúde e educação públicas, nem os estados mais pobres, nem têm políticas de emprego ou sociais diferentes.

    O importante não é mostrar coerência, é minar a candidata do Lula – por um lado, o partido do presidente não é substancialmente diferente do principal partido da oposição (diz Chico); por outro, mesmo os dois partidos sendo parecidos, um, com seus esqueletos esquerdistas no armário, tem mais potencial para causar sustos do que o outro, que não tem nada de ideológico, como mostra seu comportamento em relação ao movimento dos sem-terra e suas propostas para a política externa.

    Assim, o PT assusta a Época em 2010 exatamente como assustou a Veja em 2002, em matéria da edição de 23 de outubro de 2002 (foto acima).

    Leia também:
    O Partido Verde vai amadurecer
    Conversa de boteco não é jornalismo
    Resgatando Elza: entrevista com Sérgio Rodrigues

    Para ler o texto original, acesse Amálgama